Na Índia, onde a ideia do
yoga é familiar aos menos instruídos e onde dificilmente se
encontra alguém que não tenha visto um yogue, as pessoas sentem-se
surpreendentemente livres de qualquer ansiedade ou de qualquer
remorso a respeito de sua evolução espiritual.
Aceitam-se com a maior das
tranquilidades. Dizem: “Ainda não estou preparado para o yoga; na
verdade não necessito dele por enquanto.” Não encontram qualquer
motivo para descontentamento ou remorso. Aceitam-se tal como são e
dizem: “Gosto dos prazeres da comida, da conversa e do sexo”, por
moderados que estes sejam.
As pessoas têm a ideia de
que algum dia se tornarão perfeitas. Mas não é para já, não
existe em suas mentes nenhuma luta interior entre o ideal e o real,
que provoca tantos danos nas mentes ocidentais. Por vezes, o
principiante ocidental deve ser aconselhado a não fazer do yoga um
novo motivo de ansiedade.
A grande maioria dos indianos
também não têm nenhuma teoria do “agora ou nunca” para se
preocupar, porque a crença adquirida na infância é que o futuro
infinito lhes proporcionará todas as oportunidades necessárias,
quando se sentirem preparados para isso. Não perdem nada com o
adiamento, nem se sentem angustiados. Há “mais vidas”.
Na Índia, os aspirantes ao
yoga são classificados em três classes: os principiantes, os que
adotaram algumas das concepções e práticas do yoga, e os
avançados. A última classe se compõe de pessoas que estão à
vontade dentro da ciência e das artes do yoga, e conseguem praticar
no meio de muitas distrações que seriam perturbadoras para o
principiante.
Principiantes são aqueles em
quem surgiu o desejo de praticar. É como o “despertar” do
misticismo cristão, um despertar para o valor e prazer da vida
segundo o yoga. Se pensasse que só haveria prazer no fim do caminho
do yoga e não durante o percurso, o candidato contaria com um tempo
difícil à sua frente. Mas se cada estágio comporta um novo prazer,
então haverá progresso. A felicidade e o progresso vão de mãos
dadas.
Para o yogue, o corpo é um
instrumento, uma ferramenta para o contato de sua mente com o mundo.
O yogue coloca, desde o início de sua prática, os prazeres da mente
num plano muito superior aos do corpo.
Uma vez que as pessoas não
têm normalmente uma atividade igual de pensamento, sensibilidade e
vontade, surgiram escolas de yoga destinadas aos vários tipos de
mente, nas quais pode predominar um destes. O Vedanta (Jnana Yoga)
representa o caminho das pessoas com maior atividade do pensamento. O
Bhagavad Gita (Bhakti Yoga), com sua doutrina de bondade e devoção,
representa o caminho dos que têm maior atividade das emoções. E os
Yoga Sutras de Patánjali (Raja Yoga) é o caminho no qual a vontade
é usada para governar a mente e o corpo.
Estas três escolas de yoga
pretendem alcançar a mesma finalidade, por caminhos diferentes.

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