11.5.17

OS PRIMEIROS PASSOS NO YOGA – Ernest Wood


Na Índia, onde a ideia do yoga é familiar aos menos instruídos e onde dificilmente se encontra alguém que não tenha visto um yogue, as pessoas sentem-se surpreendentemente livres de qualquer ansiedade ou de qualquer remorso a respeito de sua evolução espiritual.

Aceitam-se com a maior das tranquilidades. Dizem: “Ainda não estou preparado para o yoga; na verdade não necessito dele por enquanto.” Não encontram qualquer motivo para descontentamento ou remorso. Aceitam-se tal como são e dizem: “Gosto dos prazeres da comida, da conversa e do sexo”, por moderados que estes sejam.

As pessoas têm a ideia de que algum dia se tornarão perfeitas. Mas não é para já, não existe em suas mentes nenhuma luta interior entre o ideal e o real, que provoca tantos danos nas mentes ocidentais. Por vezes, o principiante ocidental deve ser aconselhado a não fazer do yoga um novo motivo de ansiedade.

A grande maioria dos indianos também não têm nenhuma teoria do “agora ou nunca” para se preocupar, porque a crença adquirida na infância é que o futuro infinito lhes proporcionará todas as oportunidades necessárias, quando se sentirem preparados para isso. Não perdem nada com o adiamento, nem se sentem angustiados. Há “mais vidas”.



Na Índia, os aspirantes ao yoga são classificados em três classes: os principiantes, os que adotaram algumas das concepções e práticas do yoga, e os avançados. A última classe se compõe de pessoas que estão à vontade dentro da ciência e das artes do yoga, e conseguem praticar no meio de muitas distrações que seriam perturbadoras para o principiante.

Principiantes são aqueles em quem surgiu o desejo de praticar. É como o “despertar” do misticismo cristão, um despertar para o valor e prazer da vida segundo o yoga. Se pensasse que só haveria prazer no fim do caminho do yoga e não durante o percurso, o candidato contaria com um tempo difícil à sua frente. Mas se cada estágio comporta um novo prazer, então haverá progresso. A felicidade e o progresso vão de mãos dadas.

Para o yogue, o corpo é um instrumento, uma ferramenta para o contato de sua mente com o mundo. O yogue coloca, desde o início de sua prática, os prazeres da mente num plano muito superior aos do corpo.

Uma vez que as pessoas não têm normalmente uma atividade igual de pensamento, sensibilidade e vontade, surgiram escolas de yoga destinadas aos vários tipos de mente, nas quais pode predominar um destes. O Vedanta (Jnana Yoga) representa o caminho das pessoas com maior atividade do pensamento. O Bhagavad Gita (Bhakti Yoga), com sua doutrina de bondade e devoção, representa o caminho dos que têm maior atividade das emoções. E os Yoga Sutras de Patánjali (Raja Yoga) é o caminho no qual a vontade é usada para governar a mente e o corpo.

Estas três escolas de yoga pretendem alcançar a mesma finalidade, por caminhos diferentes.




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