27.3.18

A PRÁTICA DE REPETIR O MANTRA RAM – Gandhi



Através de minha razão e meu coração cedo reconheci a Verdade no nome de Rama. No período mais difícil de minha vida, esse mantra me salvou e ainda está me salvando.

Quando eu era criança, minha aia ensinou-me a repetir o mantra RAM sempre que me sentisse com medo ou triste, e isso tem me acompanhado à medida que avanço em idade.

Posso até dizer que essa Palavra está em meu coração, se não em meus lábios, 24 horas por dia. Ela tem sido meu Salvador.

Rio quando dizem que cantar o mantra Ram é apenas para hindus. Existirá um Deus para os não hindus e outro para os hindus? Deus é único e onipresente. Ele tem vários nomes e lembramos d'Ele através do nome que nos é mais familiar.

Meu Rama, o Rama de minhas orações não é o Rama histórico, filho de Dasharatha, rei de Ayodhya. Ele é o eterno, o único sem segundo, o não nascido. Apenas Ele eu adoro. Apenas Sua ajuda eu vejo. Ele pertence igualmente a todos.



Rama é a essência toda-poderosa cujo nome, inscrito no coração, remove todo sofrimento – mental, moral e físico.

O mantra Ram não pode realizar o milagre de restaurar um membro perdido. Mas pode realizar um milagre ainda maior, de ajudá-lo a sentir uma paz inefável apesar de todos os problemas materiais.

Cantar apenas com os lábios o mantra Ram não terá efeitos. Tem de vir do coração. Pureza de coração é difícil de alcançar, mas é possível fazer muitos avanços em direção a essa meta. A doença é uma impossibilidade onde existe pureza de pensamento. E para adquirir essa pureza, o mantra Ram é a melhor maneira, revelada pelos sábios da antiguidade, que eram homens divinos.

Mas repetir o mantra de Ram e continuar fazendo coisas imorais é inútil. Você pode enganar a si mesmo ou ao mundo, mas não pode enganar o Todo-Poderoso.
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(*) Nota aos que desejarem entoar esse mantra: o mantra Ram não dá poderes psíquicos, não traz riquezas, não ajuda a conquistar a pessoa desejada, nem traz sucesso mundano. Ele “apenas” traz felicidade e paz. Tente-se cantá-lo na medida da possibilidade de cada um. É muito desejável entoá-lo 108 vezes ao dia, ou mais. É um mantra curto e fácil de lembrar.



20.3.18

O MANTRA RAM PARA CURAR O NERVOSISMO E O MEDO – Neel N.



O mantra RAM tem uma grande importância na elevação ou progresso espiritual de uma pessoa, levando-a ao próximo passo da auto-realização, que é o despertar da Kundalini.

Rama é o sétimo avatar de Vishnu, Rama é considerado o ser perfeito. Muitas pessoas repetem esse mantra diariamente para resolver problemas materiais e mentais.

Existe uma energia na palavra RAM (este mantra deve ser pronunciado com um R duro, como na palavra arame, e fechando-se os lábios ao pronunciar o M final). Mesmo que você não se sinta atraído pelo hinduísmo, mesmo que cante RAM sem devoção, este mantra vai fazê-lo encontrar a paz mental que busca desesperadamente.



RAM é o mantra raiz do terceiro chakra, que é Manipura, localizado no plexo solar. É o chakra da motivação, da energia e do dinamismo. É o chakra que leva aos chakras superiores, no coração e no cérebro.

RAM simboliza o guerreiro invencível, a energia do guerreiro, que é um dos principais atributos do chakra Manipura. Qualquer bloqueio ou mau funcionamento do chakra Manipura afeta as partes do corpo situadas na área ao redor do umbigo, plexo solar e estômago, tais como os órgãos digestivos, os rins, os intestinos, o fígado e outros órgãos.

Isto tem um impacto negativo no sistema digestivo, causando diversos problemas estomacais, como excesso de gás, acidez, problemas e dor no trato urinário, excessivo sangramento ou irregularidades no ciclo menstrual.

O chakra Manipura estando bloqueado ou desequilibrado também afeta o sistema nervoso e leva a falta de energia, passividade, medo, sentimento de desamparo, fadiga e letargia.

O chakra Manipura é o portão para níveis espirituais mais elevados. Meditar e cantar o mantra RAM pode ajudar a estimular rapidamente o chakra Manipura. Enquanto canta RAM, o praticante sentirá a circulação de energia nesse chakra.



INSTRUÇÕES PARA A MEDITAÇÃO – Swami Virajananda



Medite no escuro com os olhos fechados. Mantenha as janelas abertas para que o quarto não fique abafado. Mantenha suas roupas folgadas. O Mestre (Sri Ramakrishna) instruiu alguns de seus discípulos Sannyâsins a meditar sentados nus, para desenvolver o sentimento de uma criança e o sentido de liberdade da escravidão.

Na hora da meditação pode-se conceber o coração como o lugar do Ideal escolhido, em qualquer das várias formas como lhe agradar, por exemplo, como o assento do coração, o lótus do coração, a gruta do coração, o templo do coração, o céu ou éter do coração, o vazio do coração, a urna ou estojo do coração, o centro do coração, a casa do coração, a cabana do coração, o arbusto do coração, o trono do coração – em tantas formas que sejam possíveis para a imaginação poética do aspirante.

O coração significa o mais íntimo centro da consciência onde, na linguagem comum, o intenso sentimento de doçura do amante anela abraçar o bem-amado de forma apaixonada. Aquele que não consegue meditar mantendo o Ideal dentro do coração pode, em um estágio preliminar, meditar com uma foto ou imagem em frente de si próprio, mas isto é externo.

As mais favoráveis horas para a meditação são: (1) a junção do dia e da noite, ou seja, de madrugada ou ao crepúsculo; (2) no “momento de Brahman” como é chamado, a parte mais tarde da noite, uma hora antes de amanhecer; (3) no final da noite.

Durante essas horas a Natureza está tranquila, pacífica e solene. E durante essas horas o nervo Sushumnâ, que está no interior da coluna espinhal geralmente torna-se ativo e como consequência a respiração é feita por ambas as narinas. Em outras horas um ou outro dos dois nervos, Idâ ou Pingalâ, que correm por ambos os lados do Sushumnâ, está ativo e a respiração é feita pela narina direita ou esquerda. Isto torna a mente instável.

Muitos Yogis, por esta razão, observam quando o Sushumnâ se torna ativo e tão logo verificam isto eles se sentam para a meditação, deixando de lado toda outra ação.

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Existem momentos em que o aspirante sente que a mente está inerte e monótona, e que nenhum sentimento ou ideia a anima; não há inclinação para a meditação; ou a mente mergulha de cabeça nos maus pensamentos e tendências, e não parece possível detê-la com qualquer esforço.

Se ela continua desta maneira, então o único remédio é companhia santa. Entrando em contato com pessoas santas, por sua visão e toque, e por serviço pessoal a eles, seu espírito e divino estado são transmitidos ao coração do devoto, trazendo anelo espiritual e inspiração, as impurezas da mente são lavadas e se avança com novo entusiasmo.

Se não há oportunidade para companhia santa, deve-se recorrer ao estudo das sagradas escrituras, discussão sobre bons assuntos e orar a Deus com um coração cheio de anelo. Uma resolução firme deve ser feita de meditar, goste ou não disto, e exercer a força de vontade. Se irá descobrir então que o mal desapareceu e que a sombria noite de Tamas terminou.

Mantenha a mente sempre engajada em algum trabalho ou outro; nunca permita que ela permaneça desocupada; pois tão logo você a deixe sem uma ocupação, imediatamente descobrirá que fará más ações e o atormentará.

Sempre que perceba que a mente está indevidamente inquieta e com maus pensamentos ou descubra que você é incapaz de resistir a alguma tentação ou de terminar com a excitação mental a despeito de esforços, então deixe este local e se afaste do ambiente adverso que pode ao final degradá-lo.

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Ao sair do local e andar energicamente por cinco ou seis quilômetros ao ar livre no campo, a tendência inferior será controlada pelo menos nestes momentos. Só existem dois modos de se salvar das tentações – lutar ou fugir. Mas, que pena! Não há modo de fugir e ficar afastado da mente; ou ela deve ser controlada ou iremos para cima ou para baixo aos seus comandos.

Como a fricção traz o fogo que está na madeira, batendo o leite, a manteiga que está nele, esmagando o gergelim, o óleo que está nele, cavando o solo, a água que está no subsolo – da mesma forma, o Supremo Ser que jaz escondido na câmara do coração se manifesta em Sua verdadeira natureza ao Jiva como sua essência, através de austeridades e concentração mental executadas com uma devoção exclusiva.

No primeiro estágio da prática espiritual, a meditação deveria ser aumentada vagarosa e gradualmente. Se você devotar, por exemplo, meia hora ou quarenta e cinco minutos hoje, pratique uma hora após alguns dias ou semanas; em seguida vá aumentando regularmente para uma hora e meia, duas, e assim vagarosamente de acordo com sua capacidade.

Se, devido a um excesso de desejo ou excitação febril da mente para ganhar resultados rápidos, você subitamente prosseguir com força precipitada e esforçar-se para fazer mais do que você é física e mentalmente capaz, você terá que sofrer posteriormente as terríveis consequências de sua ação impensada.

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A reação é tão terrível que é extremamente difícil suportá-la. Como uma consequência, debilidade ou exaustão nervosa acontece tão severamente que mesmo a capacidade e a vontade de praticar pranayama e meditação desaparecem e a cabeça ou o cérebro sentem-se vazios, por assim dizer, e não respondem.

Então será necessário muito tempo e cuidado e ocasionam muitas dificuldades para recuperar o estado inicial. Pode até causar insanidade. Não é possível atingir ao teto de um salto; isto pode causar uma queda e quebrar alguns ossos. Para subir ao teto, é preciso subir os degraus de uma escada um de cada vez.

Aqueles que praticam meditação intensamente, ou Yoga, desenvolvem um novo corpo Sáttvico e um sistema nervoso mais sutil e centros nervosos sutis que são capazes de suportar a força de profundas ideias e emoções supra sensoriais.

O PODER DA SHAKTI NO CORPO HUMANO – Swami Virajananda



Os Yogis dizem que existem sete lótus ou centros nervosos no corpo humano. Na base, na região retal existe o lótus de quatro pétalas Mulâdhâra; o de seis pétalas Swâdhisthâna na raiz do órgão genital; o de dez pétalas Manipura atrás do umbigo; o de doze pétalas Anâhata no coração; o de dezesseis pétalas Vishuddha atrás da garganta; o de duas pétalas Ajnâ entre as sobrancelhas e o lótus de mil pétalas chamado Sahasrâra no topo da cabeça. 

Além disso, existem os três nervos chamados Idâ, Pingalâ e Sushumnâ respectivamente à esquerda, à direita e no centro da coluna espinhal, subindo através dela. A corrente nervosa, Sushumnâ, termina no Sahasrâra, o assento de Brahman, depois de passar através do centro dos seis lotús, um após o outro. 

Mas a passagem do Sushumnâ permanece fechada até que Kulakundalini, o poder enrolado como uma serpente, desperte. O Kulakundalini é o poder do Conhecimento do Ser, é da essência da Inteligência e Brahman. 

Esta Shakti está dormente – inativa e não percebida – adormecida, por assim dizer, deitada enrolada como uma serpente adormecida no lótus Mulâdhâra em todos os seres humanos e é despertada pela Yoga, meditação, práticas espirituais, etc. 

Quando este poder no Mulâdhâra desperta e une-se com o Supremo Shiva ou Paramâtman (Ser Supremo) no Sahasrâra, após subir pelo canal do nervo Sushumnâ abrindo e passando sucessivamente através dos centros Mulâdhâra, Swâdhisthâna, Manipura, Anâhata, Vishuddha e Ajnâ, então o néctar de uma doçura supra sensória flui da união dos dois, saboreando o qual o indivíduo mergulha no Samâdhi. Somente então o indivíduo desperta para o Conhecimento do Ser Supremo e atinge a Perfeição. 

Mais ainda, várias experiências espirituais maravilhosas ocorrem, como a percepção de uma luz auto-luminosa que abrange tudo ou a gloriosa visão do Ideal Escolhido. 

Algumas vezes esta Kundalini-Shakti desperta por si mesma, ou com pouco esforço, pela graça do Guru ou do Supremo Senhor, devido à força das Sâdhanâs ou boas ações feitas nas vidas passadas. 

O Mestre (Sri Ramakrishna) costumava dizer que o corpo não dura normalmente mais do que vinte e um dias neste estado de Nirvikalpa Samâdhi (o estado de Pura Consciência além de todas as modificações mentais), quando o indivíduo é absorvido no Supremo Ser ou Brahman – torna-se UM com Ele. Isto, de forma abreviada é o que é conhecido como Shat-chakra-bheda ou a abertura dos seis Chakras, ou místicos centros nervosos.   

Mas aqueles que são mestres do mundo, Achâryakotis (mestres espirituais especialmente dotados) ou Iswarakotis (pessoas com autoridade Divina), que nasceram no corpo humano para o bem do mundo ou para o cumprimento de uma especial missão divina, podem e trazem para baixo novamente o despertado poder serpentino do Sahasrâra (cabeça) por meio desta passagem ao Anâhata (coração) e permanecem em um estado divino especial chamado Bhâvamukha, rejeitando para si mesmos até a Bem-aventurança de Brahman. 

Eles vivem alternativamente nos estados de consciência absoluta e relativa, quer dizer, algumas vezes se perdem em Samâdhi ou consciência Divina e descem ao plano humano, com o único propósito de liberar, por compaixão, milhares de almas da ilusão e das correntes da ignorância. 

Swamiji (Swami Vivekananda) disse que somente muito raramente o poder da Kundalini de algumas grandes almas desperta por si só, sem terem seguido de forma apropriada os usuais métodos científicos do Yoga como estabelecido nas escrituras Hindus. É como a súbita descoberta de alguma verdade inesperada. 

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Suponha que enquanto caminha ao longo de uma rua um homem tropeça e encontra algo brilhando sob uma pedra que foi deslocada por acaso. Levantando a pedra, ele descobre enterradas jarras e jarras cheias de moedas de ouro. É desta forma. 

Mas aqueles que realizam subitamente desta maneira alguma verdade elevada, podem causar ao mundo tanto o bem quanto o mal, por seu fanatismo ou mente estreita. No momento do canto coletivo de canções religiosas eles podem chorar, gemer e dançar energicamente até que percam a consciência devido a exuberância de emoção subitamente excitada. 

Uma parte de seu poder da Kundalini despertou, sem dúvida, por uns poucos momentos, mas isto frequentemente tem uma reação terrível. Descobre-se geralmente que o desejo de indulgência em seus hábitos viciosos, ou seu desejo por nome e fama por posar como grandes devotos ou adeptos espirituais diante do público cresce muito fortemente e eles finalmente degeneram em hipócritas e charlatões. (*)


(*) Isto de certa forma explica  o fato de haver muitos auto-intitulados mestres que, possuindo alguns poderes psíquicos, posam como seres iluminados e iludem e dominam a mente de muitos buscadores desavisados, uma vez que tais "mestres" carregam ainda dentro de si muita ambição, cobiça e desejos, inclusive sexuais. 

O CAMINHO DA AÇÃO - Swami Virajananda

Muitos pensam, “De que vale eu seguir o caminho da Ação ou do Serviço à humanidade? Que eu tente primeiro realizar a Deus segundo o caminho da Yoga e meditação dia e noite.”

Por acaso isto é possível? Se você tentar isto por alguns meses, você chegará a compreender que isto não é praticável. Como a mente será purificada a menos que trabalhe para o bem dos demais? A mente se tornará calma e pacífica antes de ser purificada? E se a mente não estiver imóvel e tranquila, será fácil meditar ou concentrar-se no Ideal?

É através do trabalho que se tem o verdadeiro teste e avaliação de si mesmo. Então se descobre as limitações de seus poderes e capacidades. É apenas através do trabalho [ação] que chega a conhecer quantos e quais são os defeitos e fraquezas da mente, quão forte é a atração e o apego pelos objetos mundanos, quanto egoísmo e quanta paciência e força existem e se estão gradualmente aumentando ou diminuindo. E é apenas através da ação e do Serviço que o mais fácil e eficaz remédio para estes defeitos deve ser encontrado.

Se o hábito do discernimento, introspecção e da autoanálise for cultivado, a mente gradualmente torna-se pura e sem desejos, o sentimento egoísta é destruído e o coração se enche de Amor Divino. Então não se considera o trabalho como trabalho e longe de ser uma causa da escravidão o trabalho torna-se um meio para a Liberação.

Ou seja, o trabalho é então transformado em adoração, nenhuma diferença é sentida entre o trabalho e a adoração de Deus, entre o serviço ao homem como divino e devoção a Ele. Isto apenas é a verdadeira Bhakti, ou amor por Deus. E o caminho mais natural para se atingi-lo é seguir o caminho da Karma Yoga, da ação sem apego.

Paramartha Prasanga - Swami Virajananda
  Swami Virajananda

11.3.18

SRI AUROBINDO, O GRANDE SÁBIO DA ÍNDIA DO SUL – Swami Sivananda


Em 15 de agosto de 1871, Sri Aurobindo nasceu em Calcutá. Foi mandado por sua família para estudar numa escola da Inglaterra. O antigo diretor da escola observou, "De todos os garotos que passaram por minhas mãos durante os últimos 25 ou 30 anos, Aurobindo foi de longe o mais ricamente dotado de capacidade intelectual".

Posteriormente Aurobindo foi estudar em Cambridge, onde se distinguiu ao estudar os clássicos europeus. Voltando para a Índia em 1893, tornou-se o vice-diretor de uma universidade no estado de Baroda.

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Aurobindo era um grande erudito em obras gregas. Aprendeu também o Latim, o Francês e um pouco de Alemão e Italiano para estudar Goethe e Dante no original. Era um gênio em história e poesia, um erudito na Língua Inglesa e Latim.

De 1893 a 1906 absorveu profundamente a literatura, filosofia e ciência política em Sânscrito e Bengali. Era uma grande figura nos movimentos nacionalistas de libertação na época.

Aurobindo editou o jornal Bande Mataram e escreveu editoriais destemidos. Espalhou sua mensagem: "Nosso ideal é a libertação do jugo inglês, com absoluta autonomia e autogoverno". Advogava abertamente o boicote aos produtos ingleses. Sempre pedia às pessoas que se preparassem para uma resistência passiva.

Sri Aurobindo, o profeta do nacionalismo indiano, foi um dos pioneiros do despertar político na Índia. Foi o líder do movimento revolucionário e atuou em grande parte da luta nacional até 1908.

Foi preso pelos ingleses e passou um ano na solitária de uma prisão. Nesta cela ele teve a visão de sua vida futura, a missão divina que Deus lhe ordenava.

Aurobindo suportou os rigores da prisão, a comida ruim, as roupas inadequadas, a falta de luz e ar livre e a assustadora solidão de uma cela escura. Utilizou este período de prisão para um intenso estudo e prática dos ensinamentos do Bhagavad Gita.

Sri Aurobindo começou sua Yoga em 1904. Não tinha um guru nem ninguém para ajudá-lo, até encontrar Lele, um yogue de Maharashtra; e isso apenas por um curto período. Meditando apenas por três dias com Lele, Aurobindo seguiu as instruções do yogue para silenciar a mente e libertá-la da constante pressão do pensamento.

Sri Aurobindo escreveu sobre esse período numa carta: "Comecei minha Yoga em 1904 sem um guru. Em 1908 recebi importante ajuda de um yogue e descobri os fundamentos de meu sádhana". Inicialmente ele se limitou à assídua prática de Pranayama, durante seis ou mais horas por dia. Aurobindo praticou e meditou nos ensinamentos do Gita e dos Upanishads.

Sri Aurobindo chegou em Pondicherry em abril de 1910 fugindo da polícia inglesa. Em Pondicherry, vivia com quatro ou cinco companheiros. Gradualmente o número de membros aumentou e um ashram cresceu à sua volta. Atualmente há centenas de casas em seu ashram e os moradores se engajam em várias atividades conectadas ao ashram – alguns na produção de laticínios, alguns na produção de hortaliças, outros na lavanderia, na padaria etc.

A maior parte das garotas trabalha na impressão dos livros do ashram. Para os moradores do ashram, todas as atividades fazem parte de seu sádhana. O ashram também tem sua própria escola e dá grande ênfase à cultura física. Vocação educacional é dada aos membros com idade entre 14 e 18 anos.

Em 1920, Mira, uma senhora francesa, esposa de Paul Richard, juntou-se ao ashram de Sri Aurobindo. Ela tornou-se a Mãe do ashram e dirigia ali as atividades. Toda manhã ela se encontrava com os devotos e supervisionava cada item na organização do ashram.

Os moradores do ashram de Sri Aurobindo não são Sannyasins (renunciantes). O próprio Aurobindo não era um Sannyasin, mas um Rishi (sábio divino). No ashram moram cristãos, muçulmanos e pessoas de outras crenças.

Aurobindo dava darshan (a graça de sua presença) a seus devotos quatro dias por ano.
A espiritualidade de Aurobindo estava inseparavelmente unida à razão. A meta que busca não era meramente a liberação do indivíduo, mas "realizar a vontade do Divino no mundo, para efetuar uma transformação espiritual e trazer para baixo a natureza divina e a vida divina para dentro da natureza mental, vital e física da humanidade".

"Somos chamados" disse Sri Aurobindo, "para crescer como imagens de Deus, para morar em Deus e ser um canal de Sua alegria e poder e um instrumento de Suas obras. Purificados de todo mal, temos de agir no mundo como dínamos daquela Divina Eletricidade e enviá-la pela humanidade, a fim de que onde um de nós estiver, centenas possam estar cheios de Sua luz e força, cheios de Deus e cheios de Ananda".

Sri Aurobindo deixou o corpo em 5 de dezembro de 1950 em Pondicherry. Tinha 78 anos de idade. Sri Aurobindo foi um poeta, político e filósofo. Suas obras – filosóficas e poéticas – são indianas em espírito e ocidentais no ritmo e na cor. Ele foi o maior intelectual de nossa época. A Índia não esquecerá seus serviços na política e filosofia. O mundo se lembrará com gratidão de suas grandes obras no campo da filosofia e religião.

Ele demonstrou que a verdadeira Índia, a Índia dos videntes védicos, poderia sobreviver e absorver em si mesma as culturas estrangeiras, unindo o Ocidente e o Oriente. A posteridade o saudará como um membro da galáxia dos videntes védicos. Possa sua Luz brilhar para sempre.

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O CONTENTAMENTO - Swami Sivananda

Esteja absolutamente satisfeito com aquilo que Deus lhe deu. Por que Deus me deu este tipo de nariz? Nunca pense nas coisas que não são suas. Fique alegre com as coisas que possui. Esse é o truque da mente para mantê-lo sempre na tristeza e necessidade.

Você sempre fica cismando sobre as coisas que não tem e sobre as coisas que os outros têm. O chefe de um território pensa em se tornar rei. Um rei pensa em se tornar imperador. Um imperador pensa em conquistar o mundo.

A indigência da mente nunca pode ser satisfeita. Um imperador mundial pensa que deve tornar-se o Senhor dos Céus – Indra. E depois disso vai pensar em algo mais. Assim, desde o mais elevado Brahma, que é o Senhor da criação, só existe insatisfação. Mas um homem vestido em trapos, se estiver contente, é feliz.

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Assim, esteja contente em qualquer posição que a vida o colocou. Quaisquer habilidades, quaisquer talentos que você possuir, qualquer coisa que obtiver para suas necessidades diárias, esteja contente. Assim terá a chave para a felicidade e a paz.

Outra coisa importante: quando você está feliz, toda rivalidade termina. Do contrário, você vai pensar, “Este homem tem o que eu não tenho”. Este tipo de inveja é criada em sua mente e se torna a causa de seu sofrimento. Mas quando existe contentamento, você é feliz. O espírito da rivalidade termina.

Da rivalidade vem a inveja, a competição, a hostilidade, e se você não puder ter o que outra pessoa tem, você no mínimo tentará privá-la do que ela tem e trazê-la a seu nível. A inveja humana é tal que, se você não puder chegar ao nível da outra pessoa, vai querer puxá-la para baixo. Tais pensamentos e ações se devem à ausência de contentamento.

Desse modo, o contentamento provoca um maravilhoso efeito purificador na mente. A mente se livra da hostilidade, da mesquinhez, e a reação que o contentamento produz sobre a mente tende a purificar a mente. Tenha serenidade, que é o pré-requisito essencial para pacificar a mente.



6.3.18

COMO ALIVIAR A DOR DE CABEÇA CAUSADA PELA MEDITAÇÃO – Human Being



O despertar espiritual às vezes é acompanhado de um sentimento físico de energia fluindo pelo corpo ou ao redor do terceiro olho e alto da cabeça. Esse sentimento é um dos sintomas mais comuns do despertar espiritual. Há pessoas que lutam com essa pressão durante longo tempo; é necessário descobrir como lidar com isso de maneira a se atualizar todo o corpo energético e preparar o sistema nervoso para canalizar mais energia que antes.
Por que sentimos essa pressão energética? Quando despertamos espiritualmente, os chakras superiores (alto da cabeça e terceiro olho) começam a se abrir, e isso faz com que a energia canalizada se acumule na cabeça, causando uma pressão muito forte que pode às vezes ser dolorosa.
Eventualmente o chakra da garganta e o do coração também começarão a se abrir, e isso poderá levar a sensações da energia estar fluindo através de seu coração ou garganta. A pressão sempre significa resistência; significa que sempre há algo que você não está permitindo ou alguma tensão física que você não está relaxando. Também pode significar que você está controlando sua vida em vez de permitir que ela flua e se desenvolva naturalmente.
Se isso acontece a você, aqui estão alguns exercícios que podem ajudar. Você pode ajustá-los a suas necessidades e sua experiência. Seja seu próprio juiz.
1- Sente-se numa posição confortável, sem ser perturbado, durante dez minutos.
2 – Respire 3 ou 4 vezes calma e profundamente. Sinta sua respiração à medida que entra e sai vagarosamente.
3 – Volte sua atenção para a pressão em sua cabeça, mas sem concentrar-se nela. Relaxe sua cabeça, seus lábios, seu queixo, sua testa e a parte de trás. Faça isso com suavidade, sem pressa.
4 – Sinta que a pressão está se movendo para baixo, para seu pescoço, muito devagar.
Termine sua meditação quando sentir que a pressão foi aliviada.
Outra maneira de aliviar a pressão energética é deitar-se de costas sobre uma cama firme, ou sobre um cobertor colocado no chão, mãos e pernas levemente abertos, e relaxar o corpo, permitindo que a energia se ajuste e se distribua pelo corpo todo. Na Hatha Yoga, esta posição é chamada Shavâsana (pose do cadáver). Pense: estou relaxando e deixando a energia fluir, encontrando seus caminhos no corpo. Faça isso até sentir-se equilibrado energeticamente. Adormecer durante esta prática é comum e benéfico.

Shavasana
 shavâsana

Outras sugestões, que podem ajudar como alternativas:
- Interrompa a meditação por uns dias e envolva-se em atividades físicas. Simplesmente sinta o sabor de viver e ignore a pressão, até que ela se vá.
- Faça algumas âsanas de hatha yoga.
- Tome uma ducha quando sentir que a pressão está intensa.
- Caminhe descalço sobre a terra ou a grama, a fim de estabelecer um fio-terra.
Se você puder lidar com a pressão ou não se incomodar com sua existência, então nada terá a temer, porque a seu devido tempo a energia encontrará seu caminho próprio, os chakras vão ser purificados e se abrirão por si mesmos, e a energia fluirá em equilíbrio.




O PAPEL DE BUDDHI – I. K. Taimni


A iluminação de Buddhi (corpo da intuição, corresponde ao Ajna Chakra) é necessária não apenas para evitar que nos desviemos na vida, ou que caiamos no mau caminho, mas também no campo da sádhana (práticas espirituais), quando embarcamos na divina aventura da auto-realização.

Muitas pessoas acreditam que tudo que têm a fazer para assegurar seu progresso espiritual é encontrar um guru adequado que as guiará em tudo e se tornará responsável por seu bem-estar espiritual.

A verdade, no entanto, é que nenhuma caminhada verdadeira na vida espiritual é possível até que o buscador tenha desenvolvido seu Buddhi suficientemente para encontrar dentro de si mesmo toda orientação que necessita para seu progresso espiritual.

O guru pode ajuda-lo nos pontos mais importantes ou em ocasiões especiais, mas ele não pode estar sempre junto ao discípulo para ajuda-lo em cada dificuldade ou provação. Na verdade, quanto mais o discípulo avança no caminho, mais tem de aprender a ser independente de seu guru. A luz no Caminho deve vir do interior.

Meditação - Wikiwand

Essa luz, que resulta de um funcionamento sadio da faculdade búdica, pode vir do interior apenas quando a mente está suficientemente purificada pelo reto viver e pela autodisciplina ióguica.

Essa luz o guia através de diferentes estágios da longa e difícil jornada, e o protege dos perigos e tentações de todo tipo. Desse modo, ele precisa de discriminação (Viveka) e intuição (Buddhi) desde o momento em que entra no caminho. Daí a importância de desenvolver Buddhi.

Os antigos rishis não esperavam que cada pessoa quisesse ou estivesse qualificada para trilhar a difícil senda da auto-realização, mas queriam que cada pessoa levasse uma vida de retidão, com sua face voltada para Deus.

Mesmo que a pessoa não fosse forte ou desenvolvida o suficiente para trilhar a difícil senda, esperava-se que vivesse de modo inteligente e buscasse a felicidade ordinária de maneira correta e não de maneira errada, o que lhe poderá trazer indizível sofrimento.

Desse modo, a pessoa pode gradativamente desenvolver suas faculdades espirituais até se tornar forte e discriminativa o suficiente para trilhar o Caminho da Santidade.