Os Yogis dizem que existem sete lótus
ou centros nervosos no corpo humano. Na base, na região retal existe
o lótus de quatro pétalas Mulâdhâra; o de seis pétalas
Swâdhisthâna na raiz do órgão genital; o de dez pétalas Manipura
atrás do umbigo; o de doze pétalas Anâhata no coração; o de
dezesseis pétalas Vishuddha atrás da garganta; o de duas pétalas
Ajnâ entre as sobrancelhas e o lótus de mil pétalas chamado
Sahasrâra no topo da cabeça.
Além disso, existem os três nervos
chamados Idâ, Pingalâ e Sushumnâ respectivamente à esquerda, à
direita e no centro da coluna espinhal, subindo através dela. A
corrente nervosa, Sushumnâ, termina no Sahasrâra, o assento de
Brahman, depois de passar através do centro dos seis lotús, um após
o outro.
Mas a passagem do Sushumnâ permanece fechada até que
Kulakundalini, o poder enrolado como uma serpente, desperte. O
Kulakundalini é o poder do Conhecimento do Ser, é da essência da
Inteligência e Brahman.
Esta Shakti está dormente – inativa e não
percebida – adormecida, por assim dizer, deitada enrolada como uma
serpente adormecida no lótus Mulâdhâra em todos os seres humanos e
é despertada pela Yoga, meditação, práticas espirituais, etc.
Quando este poder no Mulâdhâra desperta e une-se com o Supremo
Shiva ou Paramâtman (Ser Supremo) no Sahasrâra, após subir pelo
canal do nervo Sushumnâ abrindo e passando sucessivamente através
dos centros Mulâdhâra, Swâdhisthâna, Manipura, Anâhata,
Vishuddha e Ajnâ, então o néctar de uma doçura supra sensória
flui da união dos dois, saboreando o qual o indivíduo mergulha no
Samâdhi. Somente então o indivíduo desperta para o Conhecimento do
Ser Supremo e atinge a Perfeição.
Mais ainda, várias experiências
espirituais maravilhosas ocorrem, como a percepção de uma luz
auto-luminosa que abrange tudo ou a gloriosa visão do Ideal
Escolhido.
Algumas vezes esta Kundalini-Shakti desperta por si mesma,
ou com pouco esforço, pela graça do Guru ou do Supremo Senhor,
devido à força das Sâdhanâs ou boas ações feitas nas vidas
passadas.
O Mestre (Sri Ramakrishna) costumava dizer que o corpo não dura normalmente
mais do que vinte e um dias neste estado de Nirvikalpa Samâdhi (o
estado de Pura Consciência além de todas as modificações
mentais), quando o indivíduo é absorvido no Supremo Ser ou Brahman
– torna-se UM com Ele. Isto, de forma abreviada é o que é
conhecido como Shat-chakra-bheda ou a abertura dos seis Chakras, ou
místicos centros nervosos.
Mas aqueles que são mestres do
mundo, Achâryakotis (mestres espirituais especialmente dotados) ou
Iswarakotis (pessoas com autoridade Divina), que nasceram no corpo
humano para o bem do mundo ou para o cumprimento de uma especial
missão divina, podem e trazem para baixo novamente o despertado
poder serpentino do Sahasrâra (cabeça) por meio desta passagem ao
Anâhata (coração) e permanecem em um estado divino especial
chamado Bhâvamukha, rejeitando para si mesmos até a Bem-aventurança
de Brahman.
Eles vivem alternativamente nos estados de consciência
absoluta e relativa, quer dizer, algumas vezes se perdem em Samâdhi
ou consciência Divina e descem ao plano humano, com o único
propósito de liberar, por compaixão, milhares de almas da ilusão e
das correntes da ignorância.
Swamiji (Swami Vivekananda) disse
que somente muito raramente o poder da Kundalini de algumas grandes
almas desperta por si só, sem terem seguido de forma apropriada os
usuais métodos científicos do Yoga como estabelecido nas escrituras
Hindus. É como a súbita descoberta de alguma verdade inesperada.
Swami Vivekananda
Suponha que enquanto caminha ao longo de uma rua um homem tropeça e
encontra algo brilhando sob uma pedra que foi deslocada por acaso.
Levantando a pedra, ele descobre enterradas jarras e jarras cheias de
moedas de ouro. É desta forma.
Mas aqueles que realizam subitamente
desta maneira alguma verdade elevada, podem causar ao mundo tanto o
bem quanto o mal, por seu fanatismo ou mente estreita. No momento do
canto coletivo de canções religiosas eles podem chorar, gemer e
dançar energicamente até que percam a consciência devido a
exuberância de emoção subitamente excitada.
Uma parte de seu poder
da Kundalini despertou, sem dúvida, por uns poucos momentos, mas
isto frequentemente tem uma reação terrível. Descobre-se
geralmente que o desejo de indulgência em seus hábitos viciosos, ou
seu desejo por nome e fama por posar como grandes devotos ou adeptos
espirituais diante do público cresce muito fortemente e eles
finalmente degeneram em hipócritas e charlatões. (*)
(*) Isto de certa forma explica o fato de haver muitos auto-intitulados mestres que, possuindo alguns poderes psíquicos, posam como seres iluminados e iludem e dominam a mente de muitos buscadores desavisados, uma vez que tais "mestres" carregam ainda dentro de si muita ambição, cobiça e desejos, inclusive sexuais.
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