20.3.18

INSTRUÇÕES PARA A MEDITAÇÃO – Swami Virajananda



Medite no escuro com os olhos fechados. Mantenha as janelas abertas para que o quarto não fique abafado. Mantenha suas roupas folgadas. O Mestre (Sri Ramakrishna) instruiu alguns de seus discípulos Sannyâsins a meditar sentados nus, para desenvolver o sentimento de uma criança e o sentido de liberdade da escravidão.

Na hora da meditação pode-se conceber o coração como o lugar do Ideal escolhido, em qualquer das várias formas como lhe agradar, por exemplo, como o assento do coração, o lótus do coração, a gruta do coração, o templo do coração, o céu ou éter do coração, o vazio do coração, a urna ou estojo do coração, o centro do coração, a casa do coração, a cabana do coração, o arbusto do coração, o trono do coração – em tantas formas que sejam possíveis para a imaginação poética do aspirante.

O coração significa o mais íntimo centro da consciência onde, na linguagem comum, o intenso sentimento de doçura do amante anela abraçar o bem-amado de forma apaixonada. Aquele que não consegue meditar mantendo o Ideal dentro do coração pode, em um estágio preliminar, meditar com uma foto ou imagem em frente de si próprio, mas isto é externo.

As mais favoráveis horas para a meditação são: (1) a junção do dia e da noite, ou seja, de madrugada ou ao crepúsculo; (2) no “momento de Brahman” como é chamado, a parte mais tarde da noite, uma hora antes de amanhecer; (3) no final da noite.

Durante essas horas a Natureza está tranquila, pacífica e solene. E durante essas horas o nervo Sushumnâ, que está no interior da coluna espinhal geralmente torna-se ativo e como consequência a respiração é feita por ambas as narinas. Em outras horas um ou outro dos dois nervos, Idâ ou Pingalâ, que correm por ambos os lados do Sushumnâ, está ativo e a respiração é feita pela narina direita ou esquerda. Isto torna a mente instável.

Muitos Yogis, por esta razão, observam quando o Sushumnâ se torna ativo e tão logo verificam isto eles se sentam para a meditação, deixando de lado toda outra ação.

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Existem momentos em que o aspirante sente que a mente está inerte e monótona, e que nenhum sentimento ou ideia a anima; não há inclinação para a meditação; ou a mente mergulha de cabeça nos maus pensamentos e tendências, e não parece possível detê-la com qualquer esforço.

Se ela continua desta maneira, então o único remédio é companhia santa. Entrando em contato com pessoas santas, por sua visão e toque, e por serviço pessoal a eles, seu espírito e divino estado são transmitidos ao coração do devoto, trazendo anelo espiritual e inspiração, as impurezas da mente são lavadas e se avança com novo entusiasmo.

Se não há oportunidade para companhia santa, deve-se recorrer ao estudo das sagradas escrituras, discussão sobre bons assuntos e orar a Deus com um coração cheio de anelo. Uma resolução firme deve ser feita de meditar, goste ou não disto, e exercer a força de vontade. Se irá descobrir então que o mal desapareceu e que a sombria noite de Tamas terminou.

Mantenha a mente sempre engajada em algum trabalho ou outro; nunca permita que ela permaneça desocupada; pois tão logo você a deixe sem uma ocupação, imediatamente descobrirá que fará más ações e o atormentará.

Sempre que perceba que a mente está indevidamente inquieta e com maus pensamentos ou descubra que você é incapaz de resistir a alguma tentação ou de terminar com a excitação mental a despeito de esforços, então deixe este local e se afaste do ambiente adverso que pode ao final degradá-lo.

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Ao sair do local e andar energicamente por cinco ou seis quilômetros ao ar livre no campo, a tendência inferior será controlada pelo menos nestes momentos. Só existem dois modos de se salvar das tentações – lutar ou fugir. Mas, que pena! Não há modo de fugir e ficar afastado da mente; ou ela deve ser controlada ou iremos para cima ou para baixo aos seus comandos.

Como a fricção traz o fogo que está na madeira, batendo o leite, a manteiga que está nele, esmagando o gergelim, o óleo que está nele, cavando o solo, a água que está no subsolo – da mesma forma, o Supremo Ser que jaz escondido na câmara do coração se manifesta em Sua verdadeira natureza ao Jiva como sua essência, através de austeridades e concentração mental executadas com uma devoção exclusiva.

No primeiro estágio da prática espiritual, a meditação deveria ser aumentada vagarosa e gradualmente. Se você devotar, por exemplo, meia hora ou quarenta e cinco minutos hoje, pratique uma hora após alguns dias ou semanas; em seguida vá aumentando regularmente para uma hora e meia, duas, e assim vagarosamente de acordo com sua capacidade.

Se, devido a um excesso de desejo ou excitação febril da mente para ganhar resultados rápidos, você subitamente prosseguir com força precipitada e esforçar-se para fazer mais do que você é física e mentalmente capaz, você terá que sofrer posteriormente as terríveis consequências de sua ação impensada.

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A reação é tão terrível que é extremamente difícil suportá-la. Como uma consequência, debilidade ou exaustão nervosa acontece tão severamente que mesmo a capacidade e a vontade de praticar pranayama e meditação desaparecem e a cabeça ou o cérebro sentem-se vazios, por assim dizer, e não respondem.

Então será necessário muito tempo e cuidado e ocasionam muitas dificuldades para recuperar o estado inicial. Pode até causar insanidade. Não é possível atingir ao teto de um salto; isto pode causar uma queda e quebrar alguns ossos. Para subir ao teto, é preciso subir os degraus de uma escada um de cada vez.

Aqueles que praticam meditação intensamente, ou Yoga, desenvolvem um novo corpo Sáttvico e um sistema nervoso mais sutil e centros nervosos sutis que são capazes de suportar a força de profundas ideias e emoções supra sensoriais.

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