Medite no escuro com os olhos
fechados. Mantenha as janelas abertas para que o quarto não fique
abafado. Mantenha suas roupas folgadas. O Mestre (Sri Ramakrishna)
instruiu alguns de seus discípulos Sannyâsins a meditar sentados
nus, para desenvolver o sentimento de uma criança e o sentido de
liberdade da escravidão.
Na hora da meditação pode-se
conceber o coração como o lugar do Ideal escolhido, em qualquer das
várias formas como lhe agradar, por exemplo, como o assento do
coração, o lótus do coração, a gruta do coração, o templo do
coração, o céu ou éter do coração, o vazio do coração, a urna
ou estojo do coração, o centro do coração, a casa do coração, a
cabana do coração, o arbusto do coração, o trono do coração –
em tantas formas que sejam possíveis para a imaginação poética do
aspirante.
O coração significa o mais íntimo
centro da consciência onde, na linguagem comum, o intenso sentimento
de doçura do amante anela abraçar o bem-amado de forma apaixonada.
Aquele que não consegue meditar mantendo o Ideal dentro do coração
pode, em um estágio preliminar, meditar com uma foto ou imagem em
frente de si próprio, mas isto é externo.
As mais favoráveis horas para a
meditação são: (1) a junção do dia e da noite, ou seja, de
madrugada ou ao crepúsculo; (2) no “momento de Brahman” como é
chamado, a parte mais tarde da noite, uma hora antes de amanhecer;
(3) no final da noite.
Durante essas horas a Natureza está
tranquila, pacífica e solene. E durante essas horas o nervo
Sushumnâ, que está no interior da coluna espinhal geralmente
torna-se ativo e como consequência a respiração é feita por ambas
as narinas. Em outras horas um ou outro dos dois nervos, Idâ ou
Pingalâ, que correm por ambos os lados do Sushumnâ, está ativo e a
respiração é feita pela narina direita ou esquerda. Isto torna a
mente instável.
Muitos Yogis, por esta razão,
observam quando o Sushumnâ se torna ativo e tão logo verificam isto
eles se sentam para a meditação, deixando de lado toda outra ação.

Existem momentos em que o aspirante
sente que a mente está inerte e monótona, e que nenhum sentimento
ou ideia a anima; não há inclinação para a meditação; ou a
mente mergulha de cabeça nos maus pensamentos e tendências, e não
parece possível detê-la com qualquer esforço.
Se ela continua desta maneira, então
o único remédio é companhia santa. Entrando em contato com pessoas
santas, por sua visão e toque, e por serviço pessoal a eles, seu
espírito e divino estado são transmitidos ao coração do devoto,
trazendo anelo espiritual e inspiração, as impurezas da mente são
lavadas e se avança com novo entusiasmo.
Se não há oportunidade para
companhia santa, deve-se recorrer ao estudo das sagradas escrituras,
discussão sobre bons assuntos e orar a Deus com um coração cheio
de anelo. Uma resolução firme deve ser feita de meditar, goste ou
não disto, e exercer a força de vontade. Se irá descobrir então
que o mal desapareceu e que a sombria noite de Tamas terminou.
Mantenha a mente sempre engajada em
algum trabalho ou outro; nunca permita que ela permaneça desocupada;
pois tão logo você a deixe sem uma ocupação, imediatamente
descobrirá que fará más ações e o atormentará.
Sempre que perceba que a mente está
indevidamente inquieta e com maus pensamentos ou descubra que você é
incapaz de resistir a alguma tentação ou de terminar com a
excitação mental a despeito de esforços, então deixe este local e
se afaste do ambiente adverso que pode ao final degradá-lo.

Ao sair do local e andar energicamente
por cinco ou seis quilômetros ao ar livre no campo, a tendência
inferior será controlada pelo menos nestes momentos. Só existem
dois modos de se salvar das tentações – lutar ou fugir. Mas, que
pena! Não há modo de fugir e ficar afastado da mente; ou ela deve
ser controlada ou iremos para cima ou para baixo aos seus comandos.
Como a fricção traz o fogo que está
na madeira, batendo o leite, a manteiga que está nele, esmagando o
gergelim, o óleo que está nele, cavando o solo, a água que está
no subsolo – da mesma forma, o Supremo Ser que jaz escondido na
câmara do coração se manifesta em Sua verdadeira natureza ao Jiva
como sua essência, através de austeridades e concentração mental
executadas com uma devoção exclusiva.
No primeiro estágio da prática
espiritual, a meditação deveria ser aumentada vagarosa e
gradualmente. Se você devotar, por exemplo, meia hora ou quarenta e
cinco minutos hoje, pratique uma hora após alguns dias ou semanas;
em seguida vá aumentando regularmente para uma hora e meia, duas, e
assim vagarosamente de acordo com sua capacidade.
Se, devido a um excesso de desejo ou
excitação febril da mente para ganhar resultados rápidos, você
subitamente prosseguir com força precipitada e esforçar-se para
fazer mais do que você é física e mentalmente capaz, você terá
que sofrer posteriormente as terríveis consequências de sua ação
impensada.

A reação é tão terrível que é
extremamente difícil suportá-la. Como uma consequência, debilidade
ou exaustão nervosa acontece tão severamente que mesmo a capacidade
e a vontade de praticar pranayama e meditação desaparecem e a
cabeça ou o cérebro sentem-se vazios, por assim dizer, e não
respondem.
Então será necessário muito tempo e
cuidado e ocasionam muitas dificuldades para recuperar o estado
inicial. Pode até causar insanidade. Não é possível atingir ao
teto de um salto; isto pode causar uma queda e quebrar alguns ossos.
Para subir ao teto, é preciso subir os degraus de uma escada um de
cada vez.
Aqueles que praticam meditação
intensamente, ou Yoga, desenvolvem um novo corpo Sáttvico e um
sistema nervoso mais sutil e centros nervosos sutis que são capazes
de suportar a força de profundas ideias e emoções supra
sensoriais.
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