11.3.18

SRI AUROBINDO, O GRANDE SÁBIO DA ÍNDIA DO SUL – Swami Sivananda


Em 15 de agosto de 1871, Sri Aurobindo nasceu em Calcutá. Foi mandado por sua família para estudar numa escola da Inglaterra. O antigo diretor da escola observou, "De todos os garotos que passaram por minhas mãos durante os últimos 25 ou 30 anos, Aurobindo foi de longe o mais ricamente dotado de capacidade intelectual".

Posteriormente Aurobindo foi estudar em Cambridge, onde se distinguiu ao estudar os clássicos europeus. Voltando para a Índia em 1893, tornou-se o vice-diretor de uma universidade no estado de Baroda.

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Aurobindo era um grande erudito em obras gregas. Aprendeu também o Latim, o Francês e um pouco de Alemão e Italiano para estudar Goethe e Dante no original. Era um gênio em história e poesia, um erudito na Língua Inglesa e Latim.

De 1893 a 1906 absorveu profundamente a literatura, filosofia e ciência política em Sânscrito e Bengali. Era uma grande figura nos movimentos nacionalistas de libertação na época.

Aurobindo editou o jornal Bande Mataram e escreveu editoriais destemidos. Espalhou sua mensagem: "Nosso ideal é a libertação do jugo inglês, com absoluta autonomia e autogoverno". Advogava abertamente o boicote aos produtos ingleses. Sempre pedia às pessoas que se preparassem para uma resistência passiva.

Sri Aurobindo, o profeta do nacionalismo indiano, foi um dos pioneiros do despertar político na Índia. Foi o líder do movimento revolucionário e atuou em grande parte da luta nacional até 1908.

Foi preso pelos ingleses e passou um ano na solitária de uma prisão. Nesta cela ele teve a visão de sua vida futura, a missão divina que Deus lhe ordenava.

Aurobindo suportou os rigores da prisão, a comida ruim, as roupas inadequadas, a falta de luz e ar livre e a assustadora solidão de uma cela escura. Utilizou este período de prisão para um intenso estudo e prática dos ensinamentos do Bhagavad Gita.

Sri Aurobindo começou sua Yoga em 1904. Não tinha um guru nem ninguém para ajudá-lo, até encontrar Lele, um yogue de Maharashtra; e isso apenas por um curto período. Meditando apenas por três dias com Lele, Aurobindo seguiu as instruções do yogue para silenciar a mente e libertá-la da constante pressão do pensamento.

Sri Aurobindo escreveu sobre esse período numa carta: "Comecei minha Yoga em 1904 sem um guru. Em 1908 recebi importante ajuda de um yogue e descobri os fundamentos de meu sádhana". Inicialmente ele se limitou à assídua prática de Pranayama, durante seis ou mais horas por dia. Aurobindo praticou e meditou nos ensinamentos do Gita e dos Upanishads.

Sri Aurobindo chegou em Pondicherry em abril de 1910 fugindo da polícia inglesa. Em Pondicherry, vivia com quatro ou cinco companheiros. Gradualmente o número de membros aumentou e um ashram cresceu à sua volta. Atualmente há centenas de casas em seu ashram e os moradores se engajam em várias atividades conectadas ao ashram – alguns na produção de laticínios, alguns na produção de hortaliças, outros na lavanderia, na padaria etc.

A maior parte das garotas trabalha na impressão dos livros do ashram. Para os moradores do ashram, todas as atividades fazem parte de seu sádhana. O ashram também tem sua própria escola e dá grande ênfase à cultura física. Vocação educacional é dada aos membros com idade entre 14 e 18 anos.

Em 1920, Mira, uma senhora francesa, esposa de Paul Richard, juntou-se ao ashram de Sri Aurobindo. Ela tornou-se a Mãe do ashram e dirigia ali as atividades. Toda manhã ela se encontrava com os devotos e supervisionava cada item na organização do ashram.

Os moradores do ashram de Sri Aurobindo não são Sannyasins (renunciantes). O próprio Aurobindo não era um Sannyasin, mas um Rishi (sábio divino). No ashram moram cristãos, muçulmanos e pessoas de outras crenças.

Aurobindo dava darshan (a graça de sua presença) a seus devotos quatro dias por ano.
A espiritualidade de Aurobindo estava inseparavelmente unida à razão. A meta que busca não era meramente a liberação do indivíduo, mas "realizar a vontade do Divino no mundo, para efetuar uma transformação espiritual e trazer para baixo a natureza divina e a vida divina para dentro da natureza mental, vital e física da humanidade".

"Somos chamados" disse Sri Aurobindo, "para crescer como imagens de Deus, para morar em Deus e ser um canal de Sua alegria e poder e um instrumento de Suas obras. Purificados de todo mal, temos de agir no mundo como dínamos daquela Divina Eletricidade e enviá-la pela humanidade, a fim de que onde um de nós estiver, centenas possam estar cheios de Sua luz e força, cheios de Deus e cheios de Ananda".

Sri Aurobindo deixou o corpo em 5 de dezembro de 1950 em Pondicherry. Tinha 78 anos de idade. Sri Aurobindo foi um poeta, político e filósofo. Suas obras – filosóficas e poéticas – são indianas em espírito e ocidentais no ritmo e na cor. Ele foi o maior intelectual de nossa época. A Índia não esquecerá seus serviços na política e filosofia. O mundo se lembrará com gratidão de suas grandes obras no campo da filosofia e religião.

Ele demonstrou que a verdadeira Índia, a Índia dos videntes védicos, poderia sobreviver e absorver em si mesma as culturas estrangeiras, unindo o Ocidente e o Oriente. A posteridade o saudará como um membro da galáxia dos videntes védicos. Possa sua Luz brilhar para sempre.

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