A técnica mais adequada para explorar
a realidade interior, que o próprio Buddha praticou, é a técnica
da respiração consciente. O praticante senta-se numa postura
confortável e ereta, e fecha seus olhos. Deve estar num quarto
quieto para que sua atenção não seja distraída.
Voltando-se do mundo exterior para o
mundo interior, ele descobre que sua principal atividade é sua
própria respiração. Então ele presta atenção nisso: a
respiração entrando e saindo das narinas. Este não é um exercício
de respiração; é um exercício de estar consciente. Não deve
haver esforço para controlar a respiração, mas sim permanecer
consciente dela como ela é naturalmente: longa ou curta, pesada ou
leve, forte ou sutil.
Pelo tempo que for possível, a pessoa
fixa a atenção na respiração, sem permitir que qualquer distração
interrompa essa consciência. Logo descobrimos como isso é difícil.
Assim que tentamos suprimir todos os pensamentos, mil pensamentos
saltam para dentro da mente: lembranças, planos, esperanças, medos.
Um desses pensamentos toma conta da mente e logo percebemos que
esquecemos completamente sobre a respiração. Novamente recomeçamos
com determinação renovada, e novamente após um curto período de
tempo percebemos que a mente escapou sem notarmos.
Assim que a pessoa começa esse
exercício, rapidamente se torna muito claro o fato de que a mente
está fora de controle. Como uma criança inquieta que pega um
brinquedo, e rapidamente se cansa dele e pega outro, e outro, a mente
continua pulando de um pensamento a outro, fugindo da realidade.
Precisamos mudar esse hábito mental e
aprender a permanecer na realidade. Começamos tentando fixar a
atenção na respiração. Quando percebemos que a atenção se
desviou, com paciência e calma a trazemos de volta. Falhamos, e
tentamos novamente, e novamente. Sorrindo, sem tensão, sem
desencorajar-se, continuamos repetindo o exercício.
A tarefa requer prática repetida e
contínua, bem como paciência e calma. É assim que desenvolvemos
consciência da realidade. Esta é a prática do aqui-e-agora, de
estar consciente do momento presente.
Gradualmente, os períodos de
esquecimento se tornam mais curtos e os momentos conscientes mais
longos. À medida que a concentração se fortalece, começamos a nos
sentir relaxados, felizes, cheios de energia. Pouco a pouco a
respiração muda, se torna suave, regular, leve, superficial. Às
vezes pode parecer que a respiração foi totalmente interrompida. Na
verdade, o que acontece é que a mente se tornando tranquila, o corpo
e seu metabolismo também se acalmam, e daí que menos oxigênio é
necessário.
Nesse estágio, alguns praticantes
podem ter experiências tais como ver luzes ou ouvir sons
extraordinários, por exemplo. Em si mesmos, estes fenômenos não
tem importância e não devem merecer muita atenção. O objetivo
continua sendo estar consciente da respiração, qualquer outra coisa
é distração.










