20.12.16

O SÁBIO E O HOMEM MUNDANO – Swami Sivananda


Lá às margens do sagrado Ganges em Rishikesh, um sábio de oitenta anos, com olhos luminosos, face serena, personalidade magnética, corpo brilhante, senta-se com apenas tanga. Há uma pequena cabana a seu lado sob uma árvore. Dentro da cabana você encontrará uma pequena cuia para guardar água e uma bengala comum. Isso é tudo que ele possui.

Ele está sempre ali sentado em contemplação. Ele nunca fala, nem ri, mas ocasionalmente vira a cabeça e sorri gentilmente. Nunca se afasta do lugar. Não é afetado pelo calor do verão nem pelo frio do inverno. Nunca usa um cobertor, nem mesmo no inverno. Que maravilhoso poder de resistência!

Ele vive apenas com um pouco de leite e algumas frutas. Seu coração está cheio de pureza, compaixão, simpatia e amor! Pessoas de várias partes do país vêm a ele às centenas com flores e frutas em suas mãos, prostram-se a seus Sagrados Pés, adoram-no com suas oferendas e deixam o lugar levando suas bênçãos.

Ele nunca fala, mas todas as dúvidas se dissipam em sua presença. As pessoas esquecem o mundo, suas famílias, seus filhos. Elas se banham em sua aura magnética. Tal é a benigna influência de um sábio liberado que é verdadeiramente um farol para o mundo.

Por outro lado, há um homem vivendo no bairro mais fervilhante de uma metrópole. Ele recebe um gordo salário. Gasta metade de seu salário em jogos e bebidas. A outra metade vai para cinema e prostitutas. Come peixe, carne e fuma muito. Adquire dívidas todo mês e acha difícil pagá-las.

Não gosta de santos e sábios. Não tem fé em Deus ou nas escrituras. É muito cruel de coração. Frequenta salões de baile e teatros, vai dormir às 2 da madrugada e se levanta às 9 horas da manhã. Tem o rosto preocupado, embora use roupas caras. Está sempre sombrio e deprimido. Seu coração está cheio de desejo, ira, cobiça, vaidade, hipocrisia e egoísmo.

Compare por um momento a vida deste homem com aquela do sábio magnânimo dos Himalayas! São polos distantes. Um é um homem divino, o outro é um bruto. Mas se o bruto buscar a companhia do homem divino, seguramente abandonará seus velhos hábitos vis. Assim como o ferro é transmutado em ouro pelo toque da pedra filosofal, também o bruto será transformado radicalmente num santo através do constante contato com um yogue desenvolvido.
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