Você
pode alcançar a meta da vida por quatro caminhos diferentes. Os
quatro caminhos são: o caminho do trabalho (Karma-Yoga), o caminho
da devoção (Bhakti-Yoga), o caminho do controle psíquico
(Raja-Yoga) e o caminho do conhecimento (Jnana-Yoga).
Karma-Yoga
é adequado ao homem de temperamento ativo. Bhakti-Yoga para um homem
de temperamento emocional. Raja-Yoga para o homem de temperamento
místico. E o caminho de Jnana-Yoga para o homem de temperamento
racional.
Os
quatro caminhos não são antagônicos. Karma-Yoga leva a
Bhakti-Yoga, que por sua vez leva a Raja-Yoga. Raja-Yoga traz Jnana.
A prática de Karma-Yoga prepara o aspirante para receber o
autoconhecimento. Pessoas ignorantes vão direto a Jnana-Yoga sem
nenhum treinamento preliminar em Karma-Yoga. É por isso que falham
em realizar a Verdade. As impurezas ainda se escondem em suas mentes.
Duas
coisas são indispensáveis em Karma-Yoga. Um Karma-Yogue deve
desapegar-se dos frutos de seu trabalho e deve dedicar suas ações
no altar de Deus. O desapego traz liberdade e imortalidade. O
desapego torna um homem absolutamente destemido.
Karma-Yoga
traz consolo, satisfação e felicidade. Felizmente os ocidentais
começaram a reconhecer sua importância. Cada homem ou mulher
sensível terá de aceitá-lo. “Assim como você semeia, você
colhe” é uma verdade não apenas no plano físico, mas também no
mundo moral.
Karma-Yoga
é o degrau mais inferior da Escada Espiritual, mas ele te leva a
alturas inefáveis. Ele destrói o orgulho e o egoísmo. Geralmente
as pessoas possuem vários motivos quando trabalham. Algumas
trabalham para conseguir nome e fama, algumas por dinheiro, algumas
por poder e posição, e algumas para alcançar alegrias no céu.
O maior
serviço que se pode prestar é transmitir o autoconhecimento. A
ajuda espiritual é a mais elevada. Se você remove a fome de um
homem, isso é uma ajuda física temporária, porque a fome novamente
se manifesta.
Da mesma
forma, construir hospitais, asilos, distribuir comida, roupas etc.,
embora necessários, não são o tipo mais elevado de ajuda. O mundo
permanecerá no mesmo estado miserável mesmo que construa milhões
de hospitais e distribua toneladas de alimentos. Mas há algo que
pode por fim a todas essas misérias e sofrimentos, que é o
autoconhecimento.
Bhakti-Yoga
é o caminho da devoção, ou da afeição, e é adequado a pessoas
com temperamento devocional, ou em quem o elemento amor predomina. As
mulheres estão aptas para este caminho, pois nelas predomina a
afeição.
Neste
caminho, o devoto desenvolve devoção ao Senhor gradualmente,
repetindo seu Nome (mantra), estudando as escrituras e orando a Deus.
Ele servirá seu semelhante, percebendo que o Senhor mora no coração
de todos.
Não
existe poder maior que o amor. A glória do amor é inefável. O
poder do amor é insondável. Na presença do amor puro, todas as
diferenças, todo ódio, inveja e egoísmo desaparecem. Não há
tesouro maior que o Amor, porque o Amor é a Verdade. O Amor é Deus.
Um
coração sem amor é um deserto sem água. Deus é o oceano do amor.
Um homem que luta para desenvolver o Amor Cósmico sacrificará até
o que lhe é absolutamente necessário para prestar um serviço a uma
pessoa necessitada; ele passará fome com grande prazer. Ele ficará
feliz pelo Senhor ter-lhe dado a oportunidade de servi-Lo naquela
pessoa necessitada.
O
estudante que trilha o caminho de Raja-Yoga tem de subir a Escada
Espiritual degrau por degrau. Existem oito passos em Raja-Yoga: Yama,
Niyama, Ásana, Pranayama, Pratyahara, Dhárana, Dhyana e Samádhi.
Praticando
Yama e Niyama, o estudante purifica sua mente. Praticando Ásana ele
estabiliza sua postura e domina o corpo. Então pratica Pranayama
para remover a agitação da mente e destruir Rajas (paixão) e Tamas
(inércia).
Praticando
Pratyahara (recolhimento dos sentidos), ele consegue força e paz
mental. Agora ele está pronto para a concentração (Dhárana), a
qual vem por si mesma. Em seguida, ele pratica meditação (Dhyana) e
entra em Samadhi.
Aqueles
que seguem o caminho de Jnana-Yoga devem discriminar entre o real e o
irreal (Viveka) e ter desapego (Vairagya).
Existem
ainda três outras formas de Yoga, que são: Hatha-Yoga, Mantra-Yoga
e Laya-Yoga ou Kundalini-Yoga. Hatha-Yoga está relacionada ao corpo
físico (Ásanas, Bandhas, Mudras e Pranayama). Hatha-Yoga não está
separada de Raja-Yoga. Ela prepara o estudante para a Raja-Yoga.
Raja-Yoga começa onde Hatha-Yoga termina. Um Hatha-Yogue começa seu
sádhana com seu corpo e sua respiração; um Raja-Yogue com sua
mente.
Mantra-Yoga
está relacionada à recitação de certos Mantras, tais como Om
Namô Narayana, Om Namô Bhagavatê Vasudevaya e
Om
Namáh Sivaya.
Laya-Yoga
é Kundalini-Yoga. Concentração no som que emana do lótus do
coração é Laya-Yoga. Laya é dissolução. A mente é dissolvida
em Deus.
Um
Jnana-Yogue pode praticar seu sádhana mesmo enquanto caminha, come
ou conversa. Ele não precisa de uma ásana ou de um quarto. Mas um
Raja-Yogue precisa de um quarto e uma ásana para sua prática.
Um
Jnana-Yogue começa suas práticas com sua vontade e razão. Um
Karma-Yogue faz serviço inegoísta para matar seu pequeno eu. Um
Bhakta ou devoto pratica auto-entrega para aniquilar seu egoísmo. Os
métodos são diferentes, mas todos objetivam destruir o pequeno e
arrogante eu, que é a causa da escravidão à matéria.

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