20.10.16

A QUESTÃO DO APEGO – Robert Adams


Estamos apegados às coisas que possuímos. Por causa desse apego, nascemos muitas vezes e passamos por muitas experiências. O apego pode ser físico ou mental.

Se você odeia alguém, voltará a esta terra, ou a outro planeta similar a esta terra, várias vezes, e encontrará esta pessoa que você odeia sob diferentes circunstâncias. Numa vida essa pessoa pode ser sua filha, em outra sua mãe, ou pode ser seu marido, ou sua esposa. Mas aquela pessoa que você despreza tanto vai te encontrar sempre, e fará coisas que vão te aborrecer.

E você vai sempre odiar. Nunca estará livre até entender. A compreensão é voltar-se para dentro, esquecer sobre aquela pessoa, e ver sua própria realidade, seguir o eu até sua fonte. Porque é o eu inferior que odeia e ama, que se apega a uma pessoa, lugar ou coisa.

Quando o eu inferior é transcendido, apenas o Eu fica. Então seu karma chega ao fim, seu corpo chega ao fim, seu mundo chega ao fim, seu Deus chega ao fim, e você está livre.

Mas enquanto você permitir-se apego por uma pessoa, lugar ou coisa, você nunca será livre. Deve deixá-la ir. Deve reconciliar-se com todo o Universo, com o reino mineral, o reino vegetal, o reino animal e o reino humano. Quando você se tornar amigo de todo o Universo, não terá mais que fazer a vichara. A reconciliação com o Universo o libertará. É o ego que o faz amar alguém especial ou odiar alguém especial.

Pense nos problemas que você pensa que tem. Por que são um problema? Que diferença faz? Não há nada neste mundo que seja tão importante a ponto de fazê-lo sentir-se mal, querer se vingar, ou temer que algo aconteça a seu corpo, ou preocupar-se com uma pessoa amada ou com a situação do mundo.

Quando você se sente assim, assume responsabilidade por estas coisas. Afinal você não pediu para nascer, não pediu para nascer na família em que nasceu, no país, na religião em que nasceu, na cidade e estado em que nasceu. O poder que cuidou disso sabe como cuidar de você.

Você não vê? Não há nada que você possa fazer para ajudar. Em outras palavras, Deus não precisa de sua ajuda. Tudo que tem a fazer é respirar fundo e dizer, "Pegue isso, Deus. Não quero mais saber. Nunca mais vou me preocupar novamente. Nunca mais vou me aborrecer com alguma coisa novamente."

Pense de novo: qual é a pior coisa que pode acontecer com você? Você pode morrer. Pode perder sua fortuna. Você veio a este mundo sem fortuna e sairá dele sem fortuna. Não se preocupe com essas coisas.

Segundo seu karma, você passará por experiências pelas quais tem de passar, mas elas são para seu corpo, não para você. Não consegue ver que é totalmente livre? Sua verdadeira natureza é absoluta bondade, Parabrahman, absoluta realidade. Você é o Eu, o onipresente Eu. O que pode temer? O que alguém poder fazer contra você?

Você olha através do buraco de uma fechadura e vê apenas parte da cena. Vê, por exemplo, que uma região é atingida por um ciclone, vê alguém se afogando e diz, "Pobre alma." Mas então a porta se abre e agora você vê toda a cena. Você vê a vida anterior. A mesma pessoa era parte da inquisição na Espanha, era seu trabalho torturar as pessoas afogando-as. E então vê o final da cena e vê que a pessoa afogada e a outra pessoa que causou seu afogamento, estão ambas rindo agora. Tudo era uma mentira. Nunca aconteceu.

Como eu lhe disse antes, você não é responsável por nada. Liberte-se do sentimento de culpa. Volte-se para dentro. Veja a verdade. Torne-se a verdade. Não procure os conselhos dos outros sobre o que fazer, como viver. Seja uma lâmpada para si mesmo, como o Buddha disse. Todas as respostas estão em você.

Enquanto trilha o caminho da auto-realização, deve ajudar os outros. Fazer o que deve ser feito. Tudo acontece por si mesmo. Se você tiver que alimentar os sem-teto, então alimente os sem-teto. Acontecerá automaticamente. Se tiver que viver no topo de uma montanha e nunca mais ver a civilização, acontecerá por si mesmo.

A coisa principal para se entender é que você nada tem a ver com isso em absoluto.
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