Estamos
apegados às coisas que possuímos. Por causa desse apego, nascemos
muitas vezes e passamos por muitas experiências. O apego pode ser
físico ou mental.
Se você
odeia alguém, voltará a esta terra, ou a outro planeta similar a
esta terra, várias vezes, e encontrará esta pessoa que você odeia
sob diferentes circunstâncias. Numa vida essa pessoa pode ser sua
filha, em outra sua mãe, ou pode ser seu marido, ou sua esposa. Mas
aquela pessoa que você despreza tanto vai te encontrar sempre, e
fará coisas que vão te aborrecer.
E você
vai sempre odiar. Nunca estará livre até entender. A compreensão é
voltar-se para dentro, esquecer sobre aquela pessoa, e ver sua
própria realidade, seguir o eu até sua fonte. Porque é o eu
inferior que odeia e ama, que se apega a uma pessoa, lugar ou coisa.
Quando o
eu inferior é transcendido, apenas o Eu fica. Então seu karma chega
ao fim, seu corpo chega ao fim, seu mundo chega ao fim, seu Deus
chega ao fim, e você está livre.
Mas
enquanto você permitir-se apego por uma pessoa, lugar ou coisa, você
nunca será livre. Deve deixá-la ir. Deve reconciliar-se com todo o
Universo, com o reino mineral, o reino vegetal, o reino animal e o
reino humano. Quando você se tornar amigo de todo o Universo, não
terá mais que fazer a vichara. A reconciliação com o Universo o
libertará. É o ego que o faz amar alguém especial ou odiar alguém
especial.
Pense
nos problemas que você pensa que tem. Por que são um problema? Que
diferença faz? Não há nada neste mundo que seja tão importante a
ponto de fazê-lo sentir-se mal, querer se vingar, ou temer que algo
aconteça a seu corpo, ou preocupar-se com uma pessoa amada ou com a
situação do mundo.
Quando
você se sente assim, assume responsabilidade por estas coisas.
Afinal você não pediu para nascer, não pediu para nascer na
família em que nasceu, no país, na religião em que nasceu, na
cidade e estado em que nasceu. O poder que cuidou disso sabe como
cuidar de você.
Você
não vê? Não
há nada que você possa fazer para ajudar. Em outras palavras, Deus
não precisa de sua ajuda. Tudo que tem a fazer é respirar fundo e
dizer, "Pegue isso, Deus. Não
quero mais saber. Nunca mais vou me preocupar novamente. Nunca
mais vou me aborrecer com alguma coisa novamente."
Pense
de novo: qual é a pior coisa que pode acontecer com você? Você
pode morrer. Pode perder sua fortuna. Você
veio a este mundo sem fortuna e sairá dele sem fortuna. Não se
preocupe com essas coisas.
Segundo
seu karma, você passará por experiências pelas quais tem de
passar, mas elas são para seu corpo, não para você. Não consegue
ver que é totalmente livre? Sua verdadeira natureza é absoluta
bondade, Parabrahman, absoluta realidade. Você é o Eu, o
onipresente Eu. O que pode temer? O que alguém poder fazer contra
você?
Você
olha através do buraco de uma fechadura e vê apenas parte da cena.
Vê, por exemplo, que uma região é atingida por um ciclone, vê
alguém se afogando e diz, "Pobre alma." Mas então a porta
se abre e agora você vê toda a cena. Você vê a vida anterior. A
mesma pessoa era parte da inquisição na Espanha, era seu trabalho
torturar as pessoas afogando-as. E então vê o final da cena e vê
que a pessoa afogada e a outra pessoa que causou seu afogamento,
estão ambas rindo agora. Tudo
era uma mentira. Nunca aconteceu.
Como eu
lhe disse antes, você não é responsável por nada. Liberte-se do
sentimento de culpa. Volte-se
para dentro. Veja a verdade. Torne-se
a verdade. Não procure os conselhos dos outros sobre o que fazer,
como viver. Seja uma lâmpada para si mesmo, como o Buddha disse.
Todas as respostas estão em você.
Enquanto
trilha o caminho da auto-realização, deve ajudar os outros. Fazer
o que deve ser feito. Tudo acontece por si mesmo. Se você tiver que
alimentar os sem-teto, então alimente os sem-teto. Acontecerá
automaticamente. Se tiver que viver no topo de uma montanha e nunca
mais ver a civilização, acontecerá por si mesmo.
A coisa
principal para se entender é que você nada tem a ver com isso em
absoluto.
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