7.10.16

DOIS MONGES BUDISTAS – Robert Adams


Havia certa vez um monge budista que se sentava ao lado de uma estrada, meditando. Aparentemente ele estava meditando há muitos anos, porque seu cabelo tinha crescido até o chão, e os pássaros fizeram um ninho em seu cabelo.

Intuitivamente ele sentiu alguém passando por ali, um ser realizado, e então abriu os olhos para ver. E viu um velho sábio passando. Ele perguntou, "Santo Pai, onde está indo?" E o velho disse, "Estou indo ver Deus." O monge disse, "Por favor, interceda por mim e pergunte a Deus por quanto tempo ainda tenho que meditar antes de obter a liberação?” Então o velho disse, "Eu perguntarei." E continuou andando.

Uma milha adiante havia outro monge budista, que também tinha estado meditando por muitos anos. Ele também sentiu alguém se aproximar e sentiu que era um ser realizado. Abriu seus olhos e disse, "Onde está indo, Pai?"

E o velho disse, "Estou indo ver Deus." E o monge perguntou, "Por favor pergunte a Deus por quanto tempo mais devo meditar até ser liberado?" E o velho disse, "Perguntarei, meu filho," e continuou caminhando.

Seis meses se passaram. O velho sábio voltou caminhando pela estrada. O primeiro monge budista sentiu intuitivamente que ele estava vindo, abriu seus olhos e disse, "Pai, você viu Deus?"



O sábio disse, "Sim”. O monge, “E perguntou a ele quanto tempo ainda tenho que sentar em meditação antes de ser livre de samsara?" O velho disse, "Sim, perguntei, meu filho." E apontando uma árvore disse, "Está vendo as folhas daquela árvore? Deus me disse que você tem de reencarnar tantas vezes quantas são as folhas desta árvore antes de se tornar livre."

O monge ficou furioso e disse, "O que? Após todos esses anos meditando? Que bobagem! Isso é tudo uma perda de tempo! Chega disso para mim!" E levantou-se e dirigiu-se à cidade para ficar bêbado.

Mais tarde o velho passou pelo segundo monge, que também lhe perguntou, "Pai, você intercedeu por mim? Perguntou a Deus por quanto tempo mais tenho de meditar antes de me tornar livre?"

O velho disse, "Sim, meu filho, perguntei." O velho apontou uma árvore e disse, "Deus me disse que você tem de reencarnar tantas vezes quantas folhas existem nessa árvore."

E o monge ficou feliz e cantou de alegria, e disse, "Obrigado, obrigado! Poderiam ter sido duas árvores, ou três, ou cinco, a floresta toda! Mas é apenas uma! Sou grato a Deus!" E caminhou embora feliz.

Esta é a diferença entre as pessoas. Temos de ter paciência. Estamos destinados à liberdade. Não tenha medo, chegaremos lá. 

 

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