O mundo
se surpreenderia se soubesse quantos de seus famosos personagens,
tanto do passado quanto do presente, fizeram secretamente o
recolhimento diário da quietude mental, como refúgio dos onerosos
deveres e pesadas responsabilidades, encontrando em seus momentos de
meditação forças para suportar seu destino inevitável e
orientação em meio de perplexidades.
Um
destes, Lord Kitchener (1850-1916), marechal de campo inglês,
procurou e recebeu iniciação secreta nas práticas de ioga durante
seus longos serviços no comando das forças militares britânicas,
tanto na Índia quanto no Egito.
Existe
uma pequena ilha no rio Nilo, próxima à cidade de Assuan, onde
Kitchener criou um agradável retiro espiritual, que durante toda sua
vida foi reservado para seu uso exclusivo, durante o período em que
governou o Egito. Ali ele abriu alamedas orladas de raras árvores
tropicais e palmeiras de folhas ondulantes, de modo a formar uma
perfeita cortina protetora de seu retiro.
No
centro da ilha construiu um pequeno pavilhão. Quando suas ocupações
do dia estavam terminadas, gostava ele de se meter num barco e
afastar-se para este pacífico local, completamente sozinho. Ali, em
meio de um silêncio quebrado apenas pelo zumbido musical de
incontáveis insetos e sob o soberbo céu azul do Egito, ele esquecia
seus pesados fardos e cuidados, e entregava-se à meditação para
recolher sua mente ao centro de seu ser.
Durante
seu serviço na Índia, Kitchener criou um retirou semelhante aos pés
dos Himalayas, perto de Simla. O ambiente ali era de um encanto
inesquecível e ele denominou este lugar “Mansão da Flor
Silvestre”. Foi ele um dos poucos mas afortunados homens que
ouviram o profundo chamado do Super-Eu, e bastante sábios para
responder-lhe.
Um de
seus exercícios favoritos era a prática yogue de trataka. Kitchener
usava este exercício contemplativo como um meio de fixar os
pensamentos, pois ele mergulhava em si mesmo e esquecia de tudo que o
rodeava. Foi sempre um homem solitário e seguia um curso isolado,
mesmo em sua profissão de militar; ali ele podia por-se face a face
com o grande Solitário.
O povo
britânico costumava lamentar sua natureza solitária, sua falta de
sociabilidade, mas não compreendia que ele era daqueles que haviam
passado pela iniciação superior dos brâmanes, quando o sacerdote
diz ao candidato: “Ele é o Solitário que está dentro de vós.
Estais de pé, totalmente só, diante do fogo sagrado, e de agora em
diante o fogo que vos será dado será Solitário, e com ele estareis
solitário. Estais preparado para aceitar essa solidão?”
Em
linguagem mais simples, isso simplesmente significa que o iniciado
daqui em diante olhará primeiro para seu interior, o Eu mais
sagrado, em busca de ajuda, luz, amor e forças, e só depois disso
recorrerá aos frágeis homens mortais. Esta é realmente a melhor
forma de autoconfiança, pois traz poderes espirituais superiores
para operar através da vida pessoal.
Kitchener
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