26.12.17

O ESTRANHO SÁBIO NIM KAROLI BABA – Swami Chidananda


Sri Baba Neem Karoli (1900-1973), o maravilhoso místico da Índia do norte, foi um fenômeno único entre a fraternidade de santos, sábios e faquires do norte da Índia. Não me seria nada estranho se, enquanto estou aqui sentado e escrevo este artigo, Baba estiver sabendo onde estou e que palavras estou escrevendo, embora não esteja mais entre nós fisicamente.

Muitos dos discípulos e devotos de Baba tiveram a experiência pessoal do fato de que ele parecia estar consciente de tudo que faziam e diziam em locais distantes de onde estava. Por isso seus seguidores estão convencidos de que Baba era um ‘Siddha Purusha’ (ser perfeito)  e Trikala Jnani (conhecedor do passado, presente e futuro).

Na última vez que tive a boa sorte de encontrar o reverenciado Baba Neem Karoli foi em outubro de 1973. Eu e meus companheiros chegamos à noite em seu ashrama, o local estava totalmente deserto e silencioso. Baba nos recebeu com um olhar benigno e nos indicou um tapete no chão para sentarmos.

Um de nós, Sri Yogesh Bahuguna, tinha trazido consigo 7 ou 8 laranjas que colocou num pequeno cesto ao lado de Baba como oferenda. Cantamos alguns hinos religiosos e nos sentamos em silêncio durante alguns minutos. Então Baba começou a distribuir as frutas como prasad (alimento consagrado) para nós. Enquanto isso outros colaboradores do ashram e devotos haviam se aproximado de onde estávamos.

Sri Yogesh ficou muito surpreso ao observar que Baba continuou a pegar laranjas do cesto mesmo depois de ter dado as 8 que havia ali, e continuou distribuindo-as a todos os membros de nosso grupo e ao pessoal do ashram. No final acabou distribuindo 18 laranjas ao todo.

Imagem relacionada Baba

Fiquei sabendo da existência de Baba há 23 anos atrás, quando o pai de um amigo veio visitar Sivananda Ashram para conhecer esse grande santo (Sivananda). Como eu era o secretário do ashram nesta época, conduzi-o à presença do santo. Na conversa que tiveram fiquei sabendo que esse senhor era discípulo de Sri Baba Neem Karoli de Nainital.

Quando lhe pedimos que nos dissesse algo sobre seu guru, ele disse, "Agora neste momento Baba sabe onde estou, o que estou fazendo e o que exatamente estou dizendo a vocês. Da próxima vez que o encontrar, ele repetirá minhas palavras e me dirá que estive aqui. Ele sabe tudo."

Várias vezes os devotos íntimos de Baba Neem Karoli o viram simultaneamente em lugares diferentes, ao mesmo tempo. Não apenas viram, mas também conversaram com ele e tomaram um refresco que ele ofereceu.

Algo estranho era sua maneira de ir e vir. De repente ele aparecia caminhando em sua frente sem ser anunciado. Ao partir, despedia-se de todos e saía pela estrada, dizendo às pessoas que não o seguissem. Depois que desaparecia numa curva da estrada, seria impossível encontra-lo, mesmo que a pessoa corresse ou pegasse um veículo motorizado.
Acredita-se que ele fez a adoração de Sri Hanuman e que muitos de seus poderes milagrosos provinham desta adoração (upasana).

Alguns devotos dizem, inclusive, que Baba tinha conquistado o espaço e podia estar em qualquer lugar que desejasse, num piscar de olhos. Ele também tinha a característica de não estar apegado a nada nesta terra. Mas apesar de seu desapego, era muito compassivo com as pessoas que sofriam ou tinham problemas. Ele nunca negava um pedido fervoroso.

Baba era muito austero em sua vida pessoal e andava enrolado num cobertor ao redor de seu corpo. Ele tinha contato interior e conexão com outros mestres espirituais e santos que eram seus contemporâneos. Sua obra não era isolada e individual, mas formava parte de uma obra mais vasta na qual muitos outros santos estavam engajados ativamente.

Apesar de sua natureza reservada, Baba era capaz de grande afeição expressa por meros gestos e pelo olhar. Ele deu coragem a muitos corações que desfaleciam e trouxe consolo a inúmeras almas.

Baba certa vez tomou um trem numa estação e sentou-se num banco da primeira classe. Depois de um tempo o trem iniciou sua viagem. No meio do caminho o cobrador do trem veio pedindo os bilhetes dos passageiros, e viu aquele homem aparentemente rústico ocupando um assento no vagão de primeira classe, e então aproximou-se pedindo seu bilhete.

Baba apenas olhou para ele e não prestou muita atenção a sua solicitação. O cobrador ficou irritado e exigiu ver o bilhete. Baba balançou a cabeça e mostrou suas mãos vazias. O cobrador entendeu a situação e decidiu agir. Após alguns momentos o trem parou numa pequena estação e exigiram que Baba descesse. Ele obedeceu, levantou-se de seu banco e foi para a plataforma da estação, onde logo adiante permaneceu sob a sombra de uma árvore.

Ele parecia absolutamente despreocupado com o que tinha acontecido. Após alguns minutos o sino da estação tocou avisando da partida do trem. O condutor do trem ligou o apito e tentou por o trem em movimento. Nada aconteceu. O trem não se movia e continuava no mesmo lugar.

Então o fiscal desceu e perguntou ao maquinista qual era o problema. Nenhum problema foi encontrado, tudo parecia estar bem. Tudo foi checado várias vezes sem resultado. O tempo passava. O mestre da estação ficou ansioso. Um outro trem estava para chegar naquela estação e na mesma linha.

As mensagens telegráficas começaram a chegar noticiando a vinda do trem seguinte. Passaram 15 minutos, 20 minutos e meia hora. A ansiedade crescia. Então um empregado da estação aproximou-se timidamente do chefe e, apontando para Baba sentado sob a árvore, indicou que toda aquela situação era devida ao desrespeito mostrado ao homem santo. E sugeriu que a única maneira de resolver tudo era aproximar-se dele e suplicar seu perdão, pedindo-lhe que continuasse sua viagem sem qualquer impedimento.

Imagem relacionada
Baba com alguns devotos ocidentais

Isto foi relatado ao fiscal e ao maquinista. Inicialmente eles se recusaram veementemente a fazer aquilo, mas à medida que o tempo passava, a razão prevaleceu. Aproximaram-se respeitosamente de Baba, o saudaram, pediram-lhe que os perdoasse por sua rudeza, solicitaram que abençoasse o trem e continuasse sua viagem.

Baba olhou para cima em direção a eles por um momento e disse: "Está bem, vão. Eu irei em seguida, irei em seguida". Então levantou-se e entrou no trem. Imediatamente o trem deu um balanço e começou a se movimentar, como se nada tivesse acontecido.

Uma pequena multidão, que tinha se juntado ali naquele meio tempo, aclamou  Baba em alta voz com admiração. A partir daquele momento nenhum cobrador interferiu novamente nas viagens de Baba em qualquer trem em que estivesse.  

Antes de Baba deixar seu corpo, operou a transformação na vida de um buscador americano chamado Richard Alpert (que adotou o nome espiritual de Ram Das). Este americano era um bem conhecido líder do culto americano ao LSD, e também professor da Universidade de Harvard, mas se encontrava num estado de crise moral e espiritual em sua vida.

Imagem relacionada  Baba e Ram Das

Baba misteriosamente o atraiu e lançou seu olhar de graça sobre ele. Aquele primeiro encontro operou um milagre naquela alma inquieta e logo o transformou num professor espiritual bastante conhecido no Ocidente.


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