Quando encontrei meu guru, ele me disse:
"Você não é o que acha que é. Encontre o que você é. Observe a sensação
“Eu sou”, encontre seu verdadeiro Eu”. Eu obedeci, porque confiava nele. Fiz
como ele me disse. Todo meu tempo livre eu passava olhando para mim mesmo em
silêncio. E que diferença isso fez, e muito depressa!
Meu guru me disse para agarrar a
sensação “Eu sou” tenazmente e não me desviar dela nem por um momento. Fiz o
melhor que pude para seguir seu conselho e em pouco tempo realizei dentro de
mim mesmo a verdade de seu ensinamento. Tudo que eu fazia era relembrar seu
ensinamento, sua face, suas palavras constantemente. Isso trouxe um fim à
mente; na quietude da mente vi a mim mesmo como Eu Sou.
Simplesmente segui a instrução de meu
mestre para focalizar a mente no puro ser “Eu sou”, e permanecer nele. Eu
costumava sentar-me horas seguidas, com nada em minha mente a não ser “Eu sou”
e logo a paz, a alegria e um profundo amor se tornaram meu estado normal. Nesse
estado tudo desaparecia – eu mesmo, meu guru, a vida que eu vivia, o mundo ao
meu redor. Apenas a paz permanecia, bem como um silêncio insondável.
Nisargadatta ao centro
Meu guru me ordenou para prestar
atenção à sensação “Eu sou” e a nada mais. Simplesmente obedeci. Não pratiquei
nenhum pranayama, meditação ou estudo das escrituras. Qualquer coisa que
acontecia, eu tirava minha atenção daquilo e permanecia na sensação “Eu sou”.
Isso pode parecer muito simples, até mesmo grosseiro. Minha única razão para
fazer isso era que meu guru me tinha dito para fazer. E mesmo assim funcionou!
A obediência é um poderoso solvente de todos os desejos e medos.
Não há propósito em nada que faço. As
coisas acontecem por si mesmas, não porque as faço acontecer, mas porque Eu Sou
elas acontecem. Na realidade nada jamais acontece. Quando a mente está
inquieta, ela faz a dança de Shiva, como as águas inquietas de um lago fazem a
dança da lua. É tudo aparência, devido a ideias erradas.
Em qualquer papel que esteja
representando e qualquer função que realize, permaneço o que sou: o “Eu sou”
imóvel, inabalável, independente.
Quando digo “Eu sou”, não me refiro a
uma entidade separada com um corpo como seu núcleo. Eu me refiro à totalidade
do ser, ao oceano da consciência, ao universo inteiro de tudo que existe e
conhece. Nada tenho a desejar, pois estou completo para sempre.
As palavras escondem seu vazio. O real
não pode ser descrito, ele deve ser experimentado. Não posso encontrar palavras
melhores para o que sei. O que digo pode parecer ridículo. Mas o que as
palavras transmitem é a mais alta verdade. Tudo é um, e tudo é feito para
satisfazer a fonte única e meta de todo desejo, a qual todos conhecemos como o
“Eu sou”.

Assim como o sol é refletido em um
bilhão de gotas de orvalho, assim aquilo que é sem tempo é eternamente
repetido. Quando repito: “Eu sou, Eu sou”, simplesmente reafirmo um fato sempre
presente. Vocês se cansam de minhas palavras porque não veem a verdade viva
atrás delas. Entrem em contato com essa verdade e descobrirão o pleno
significado das palavras e do silêncio – ambos.
Confiei em meu guru. O que ele me disse
para fazer, eu fiz. Disse que me concentrasse no “Eu sou” – eu o fiz. Disse-me
que “Eu sou” está além de tudo que é percebido e pensado – eu acreditei. Você
pode escolher o caminho espiritual que melhor se adequa a você. Sua
determinação em seguir esse caminho vai determinar o grau de seu progresso.
Em primeiro lugar, estabeleça um
contato constante com seu ser interior, esteja com seu ser o tempo todo. Na
autoconsciência todas as bênçãos fluem. Comece como um centro de observação, de
deliberado conhecimento, e cresça até tornar-se um centro de amor em ação. “Eu
sou” é uma pequena semente que vai crescer até se tornar uma poderosa árvore –
de modo completamente natural, sem nenhum esforço.
Estabeleça-se firmemente na consciência
do “Eu sou”. Este é o começo e também o fim de todo esforço.

Agarre-se à sensação do “Eu sou”
excluindo tudo o mais. Quando a mente se torna assim completamente silenciosa,
ela brilha com uma nova luz e vibra com um novo conhecimento. Tudo vem
espontaneamente, você apenas precisa agarrar-se ao “Eu sou”.
Recuse todos os pensamentos, exceto um:
o pensamento “Eu sou”. A mente vai se rebelar no início, mas com paciência e
perseverança ela vai se submeter e se aquietar. Quando você estiver na
quietude, as coisas começam a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma
interferência de sua parte.
Apenas mantenha na mente o sentimento
“Eu sou”, mergulhe nele, até que sua mente e seu sentimento se tornem um.
Através de repetidas tentativas você vai se estabelecer no correto equilíbrio
entre atenção e afeição e sua mente estará firmemente concentrada no pensamento-sentimento
“Eu sou”. Em tudo que você pensar, disser ou fizer, essa
sensação imutável e afetiva de ser permanece como o pano de fundo sempre
presente de sua mente.
Para saber quem você é, deve primeiro
investigar e saber o que não é. E para saber o que você não é, deve observar
cuidadosamente a si mesmo, rejeitando tudo que necessariamente não acompanha o
fato básico: “Eu sou”. Separe de modo consistente e perseverante o “Eu sou” de
“isso” ou “aquilo”, e tente sentir o que significa “ser”, apenas “ser”, sem ser
“isto” ou “aquilo”.
Deixe de lado todas as questões, exceto
uma: “Quem sou eu?” Afinal, o único fato do qual está seguro é que “você é”. O
“Eu sou” é certo. O “Eu sou isto” não é. Lute para descobrir quem você é na
realidade.

Apegue-se a uma coisa, à coisa que
importa, apegue-se ao “Eu sou” e deixe de lado tudo o mais. Isso é sádhana. Na
realização nada existe a que se agarrar e nada para esquecer. Tudo é conhecido,
nada é lembrado. Apenas se lembre. “Eu sou” é suficiente para curar sua mente e
leva-lo além. Apenas tenha confiança.
Pare de buscar e veja – está aqui e
agora, é aquele “Eu sou” que você conhece tão bem. Você não pode realmente
dizer “isto é o que eu sou”. Não faz nenhum sentido. “Eu sou” é conhecimento de
primeira mão e não precisa de provas. Permaneça nesse conhecimento.
Fique satisfeito com aquilo do qual
você tem certeza. E a única coisa de que você tem certeza é “Eu sou”. Permaneça
nesse estado e rejeite tudo o mais. Isso é Yoga.
Volte para aquele estado de puro ser,
onde o “Eu sou” ainda está em sua pureza antes de ser contaminado com “Eu sou
isto” ou “Eu sou aquilo”. A carga da sua vida é devida a falsas
auto-identificações – abandone-as todas.
Você não percebe que é sua própria busca
por felicidade que o faz sofrer? Tente uma outra maneira: indiferença à dor e
ao prazer, nem buscando nem recusando, coloque toda sua atenção no nível onde o
“Eu sou” está eternamente presente. Logo você realizará que a paz e a
felicidade estão em sua própria natureza e que é apenas por procura-las através
de alguns canais particulares que perturba você.
Dê seu coração e sua mente ao
pensamento sobre o “Eu sou”, o que ele é, como ele é, qual é sua fonte, sua
vida, seu significado. É bem parecido a cavar um poço. Você rejeita tudo que
não é água, até alcançar a fonte da vida.

O “Eu sou” que busca o prazer e evita a
dor é falso; o “Eu sou” que vê que prazer e dor são inseparáveis vê
corretamente. Aqueles que praticam o sádhana de concentrar suas mentes no “Eu
sou” podem sentir-se relacionados a outros que têm seguido o mesmo sádhana e
foram bem sucedidos.
Não se preocupe com suas preocupações.
Apenas “seja”. Não tente aquietar a mente; não faça do “estar quieto” uma
tarefa a ser realizada. Não fique inquieto sobre “estar quieto” nem fique
infeliz sobre “ser feliz”. Apenas esteja consciente de quem você é e permaneça
consciente. Não diga “Sim, eu sou; e agora?” Não há nada depois no “Eu sou”. É
um estado atemporal.
A sensação “Eu sou” é algo minúsculo,
um ponto, um átomo. A luz pela qual você vê o mundo, é este minúsculo ponto “Eu
sou”, aparentemente tão pequeno, e ainda assim a primeira e última coisa em
todo ato de conhecer e amar.
Sem o “Eu sou”, nada existe. Fora do Eu
nada existe. Tudo é um e está contido no “Eu sou”. O “Eu sou” em movimento cria
o mundo. O “Eu sou” em paz se torna o Absoluto. O “Eu sou” é o fato final;
“Quem sou eu?” é a pergunta final para a qual todos devem encontrar uma
resposta.
Você já experimentou tantas coisas,
tudo se tornou nada. Apenas a sensação “Eu sou” persistiu, imutável. Permaneça
com o que é imutável entre as coisas mutáveis, até que seja capaz de ir além.
Existem muitos caminhos na vida
espiritual – todos levam à mesma meta. Você pode começar com serviço inegoísta,
abandonando os frutos da ação. Ou você pode eliminar os pensamentos ou os
desejos. Ou pode agarrar-se ao pensamento-sentimento “Eu sou”. Todo tipo de
experiência pode vir a você; permaneça firme no conhecimento de que tudo que se
percebe com os sentidos é transitório, e que apenas o “Eu sou” permanece.
Vá para casa, cuide dos negócios de seu
pai, cuide de seus pais em sua velhice. Case-se com a garota que o está
esperando, seja leal, seja simples, seja humilde. Esconda sua virtude, viva
silenciosamente. E que “Eu sou” seja seu grande mantra.

Nenhum comentário:
Postar um comentário