31.7.19

PARA UMA MEDITAÇÃO PROFUNDA – Swami Satchidananda



Os plexos nervos localizados na coluna, ou chakras, podem ser usados como focos para sua concentração durante a meditação. Porém não se recomenda manter a mente concentrada nos chakras baixos.

Se sentir calor num destes, desfrute-o, mas não permita que a mente se fixe nele. Leve a mente a um dos centros mais altos, como o coração ou o terceiro olho. Atraia toda sua energia para cima.

Os nervos psíquicos se unem num ponto entre as sobrancelhas – não no exterior mas no interior. Quase na parte central do crânio; para ser preciso, ali onde se alojam as glândulas pineal e pituitária, que são chamadas Shiva e Shakti no simbolismo do yoga.



Eles têm o touro como veículo: a glândula tireoide. Shiva monta o touro e, por isso, é o comandante chefe. Pois a tireoide se impõe sobre todo o sistema. É uma réplica de todo o corpo.

Você pode enfocar sua meditação no centro amoroso do coração ou na torre central, entre as sobrancelhas, na qual se localiza o santo dos santos.

Às vezes, durante a meditação, talvez você ouvirá um som muito sutil, mas quando tratar de ouvi-lo melhor, desaparecerá. Pois se você se emocionar ou se assustar, perderá a serenidade que gerou esse som. Espera com paciência e pouco a pouco começará a ouvi-lo de novo.

Para sair de sua meditação, com lentidão, vá aumentando o tempo de sua inalação e exalação. Respire com movimentos largos. Inale e exale profundamente, várias vezes.

VOCÊ VEIO PARA CRESCER – Swami Satchidananda



Todo desejo pessoal é um nó que o amarra. Desamarre-se. Você não tem que renunciar a nada neste mundo, somente ao seu apego às coisas. Pode possuir coisas, mas não permita que estas se apossem de você.

E não acumule mais do que necessita. Não saberia o que usar, onde guardar tantas coisas, como cuidar delas – tudo isto vai inquietar sua mente. Se tem muita roupa guardada e deseja ir depressa a algum lugar, gastará horas para saber o que vestir. Mas se tem só duas peças, se vestirá com uma delas e poderá sair rapidamente.

Só nos prejudica aquilo a que nos apegamos. Se você se desprende das coisas, experimenta paz. A pessoa que vive de forma simples, com o essencial para sobreviver, se livra de preocupações.

O mundo foi criado para que o compreendamos, nos sirvamos dele e para que cresçamos. Não podemos fugir. O mundo todo é como uma “onda quente”. Onde formos no cosmos seremos “cozidos” por nossas próprias experiências.

Portanto, temos que aceitar esta verdade até que estejamos “queimados”. A aceitação da vontade divina nos dá alegria, nos acalma. Outros talvez dirão: “Deus meu, quanto sofrimento!” Nós exclamaremos: “Muito bem. Se queres assim, vamos em frente”.



O mundo não é terrível nem imperfeito. Pelo contrário, é perfeito. Você está num processo de fabricação. Uma vez que esteja bem “queimado” pelas experiências da vida, se sentirá livre e dirá: “Agora sou feliz”. Então poderá aconselhar a outros: “Não se preocupem. Logo vocês também estarão ‘queimados’ como eu e serão felizes”.

Se você conhece o propósito do sofrimento – queimar seu ego – inclusive se alegrará com isso. O sofrimento é o caminho da purificação. Assim como o ouro deve ser derretido e esfriar para que seja purificado, todas as pessoas são purificadas pelo calor do sofrimento. Então aceite o sofrimento como vier.
Apesar disso, você não precisa ir em busca do sofrimento. Não deve provoca-lo a si mesmo nem a outros.

Para conhecer o bem, é preciso saber o que é o mal. Se o sofrimento se aproxima, aceite-o com alegria, agradeça a Deus e à pessoa que o produz. Se sofre, examine as causas.

23.7.19

OS TRÊS TIPOS DE YOGUES – Sadhguru



Certas escolas de yoga classificam os yogues em três categorias. São chamados de mandha, madhyama e uttama.
Mandha Yogues – de percepção não contínua
Mandha significa que o yogue experimentou a consciência interior. Ele experimentou a fonte da criação, conheceu a unidade, mas não consegue manter esse estado o dia todo. Precisa esforçar-se para voltar a ele. Às vezes está consciente e às vezes perdeu toda a percepção. Em outras palavras, sua percepção não é sempre a mesma. 

Ninguém consegue estar divinamente consciente vinte e quatro horas por dia. Se você está fazendo um esforço para ser consciente e puder consegui-lo por alguns segundos ou minutos, já é uma grande coisa. Portanto, o primeiro estágio de um yogue é chamado mandha.
Madhyama Yogues – de percepção contínua
A segunda categoria de yogues é chamada madhyama, que significa médio. Ele tem constante percepção da dimensão interior, mas não consegue lidar com a dimensão física. Têm havido vários yogues, que são adorados ainda hoje, que eram absolutamente incapazes em sua vida física. Em certos momentos de suas vidas, tinham que ser lembrados de comer ou fazer suas necessidades no toalete. Estavam num fantástico estado interiormente, mas eram como crianças, desconectadas do mundo exterior.

Um exemplo é Neem Karoli Baba, que não sabia quando tinha de ir ao toalete. Quando alguém lhe dizia “Você não foi ao toalete por tantas horas, deve ir,” então ele ia. As funções físicas, a atividade mundana estava completamente ausente  de sua consciência.

Uttama Yogues – a história de Guru Dattatreya
O terceiro estado de um yogue é estar em constante percepção do estágio final, e ao mesmo tempo, estar perfeitamente sintonizado com o mundo exterior. Um exemplo foi Dattatreya. As pessoas que conviviam com ele diziam que era a encarnação de Shiva, Vishnu e Brahma ao mesmo tempo. Essa era a maneira das pessoas expressarem aquele estado espiritual. Porque viam que, embora ele estivesse em forma humana, nada havia de humano nele.

Por isso, vemos nas imagens de Dattatreya que ele é representado com três cabeças, por ser considerado a encarnação das três divindades.

Dattatreya viveu uma vida muito misteriosa. Ainda hoje, depois de séculos, os adoradores de Dattatreya são um clã poderoso. Vocês devem ter ouvido falar dos Kanphats. Ainda hoje, eles caminham acompanhados de cachorros pretos. Dattatreya sempre tinha a seu redor cachorros que eram totalmente pretos.

Se você tem um cachorro em casa, sabe que ele tem mais percepção que você. No olfato, na audição, na visão – ele parece ser melhor que você. Assim, Dattatreya colocava o cão num nível diferente e escolhia aqueles que eram completamente pretos. Também os Kanphats levam consigo esses cães, e os tratam muito bem. Aquilo que Dattatreya estabeleceu para o caminho espiritual ainda é seguido hoje e seus seguidores formam um dos maiores grupos de buscadores espirituais.
A busca de Parashurama por um Guru
Parashurama foi um grande sábio guerreiro da época do Mahabhárata. De muitas maneiras, mesmo sem participar diretamente, Parashurama decidiu o destino da guerra de Kurukshetra. Ele treinou Karna desde o começo. Portanto, tinha enormes capacidades guerreiras, mas sua volatilidade emocional não lhe permitia perceber o divino em todos os momentos de sua vida. Algumas vezes tinha a consciência interior, outras não. Na maior parte do tempo, era dominado pela ira. Ele era um brâmane (casta dedicada à busca espiritual) que odiava os kshátrias (casta guerreira).

Resultado de imagem para parasurama   Parashurama

Então ele foi a muitos gurus sem encontrar solução para sua consciência não contínua. Finalmente, chegou a Dattatreya. As pessoas lhe diziam "Dattatreya é sua resposta." E Parashurama foi até ele, com seu machado de guerra na mão. Quando os outros discípulos do mestre o viram, fugiram de medo!

Quando Parashurama entrou na morada de Dattatreya, viu um homem sentado com uma garrafa de vinho de um lado e uma jovem mulher do outro. Ele apenas olhou. Dattatreya parecia bêbado. Parashurama olhou para ele, colocou seu machado no chão para nunca mais pegá-lo e prostrou-se perante o mestre. 
No momento em que ele se prostrou, a garrafa de vinho e a mulher desapareceram e Dattatreya estava ali sentado com seu cachorro a seus pés. Parashurama encontrou sua salvação em Dattatreya.

Parashurama  era um homem de imensas capacidades, mas sua capacidade encontrava expressão na ira, sempre se encontrava num estado negativo de volatilidade emocional. O momento que ele encontrou Dattatreya foi o momento de sua abertura para o divino. Se aquela consciência tivesse chegado mais cedo em sua vida, muitos guerreiros teriam sido poupados por seu machado!


15.7.19

OS REQUISITOS PARA BRAHMACHARYA – Swami Chidananda



Brahmacharya ou celibato é um processo racional de preservar ou conservar energia preciosa para que possa ser utilizada em outras funções essenciais e indispensáveis. Se essa energia é assim preservada, pode ser convertida como a água é convertida em vapor. E então ela realiza maravilhas. Um rio pode não ter muito poder em si mesmo. Você pode atravessá-lo a nado ou remando. Mas se ele é represado e suas águas são conservadas, então terá o poder, se devidamente canalizado, de mover grandes turbinas e produzir eletricidade.

É isso o que faz o celibato. Mas qual é a origem dessa energia? Tudo que você vê, toda força deriva da fonte última de energia cósmica. E nossos antigos sábios disseram que é essa energia cósmica que leva pelo espaço os corpos celestiais em seu curso. Todos os astros são mantidos em movimento através dessa misteriosa, inexplicável, indescritível, inimaginável energia. E consideravam essa energia como algo divino, sem começo e sem fim. Ela é eterna e permeia todo o espaço. Não há lugar onde não esteja.

E é essa energia, que não apenas mantém esse universo em funcionamento, mas também incontáveis universos, que está presente nos seres humanos como força sexual. Por isso os hindus consideram sagrada essa energia, algo que é digno de ser adorado e não desperdiçado. Dizem que essa energia é uma manifestação da Mãe Divina, a energia cósmica. Por isso, deve ser tratada com reverência.

 Imagem relacionada Sivananda

Essa força cósmica se manifesta em nosso sistema como prana (energia vital, força vital). E prana é a reserva preciosa do buscador espiritual. Toda atividade consome prana, e a atividade que consome a maior quantidade de prana é o ato sexual. Gurudev (Swami Sivananda) afirmou categoricamente: “A atividade sexual destrói o sistema nervoso.” Porque cria grande excitação, grande agitação e uma intensidade de sentimento que, como consequência, deixam a pessoa  exausta e vazia.

O maior de todos os objetivos da vida humana – a realização espiritual – requer o máximo de energia prânica disponível em todos os níveis: mental, intelectual e emocional. É através de prana que o buscador tranquiliza a mente inquieta. É através de prana que os raios da mente são concentrados. Através de prana a pessoa dirige a mente concentrada ao objeto da concentração. Prana é necessário para a reflexão espiritual e discriminação.

Você pode ser uma pessoa muito intelectual e compreender o significado das palavras do guru, mas se o guru falar de uma coisa que não está na experiência normal do ser humano, é necessário ter um tipo sutil e especial de compreensão. E essa compreensão é desenvolvida por brahmacharya (celibato).

O ato sexual é o auge da fisicalidade ou animalidade. É um processo que dirige toda sua atenção e desejo em sua parte animal. Você acha que isso o ajudará a obter a Consciência Cósmica?

A vida espiritual começa com o reconhecimento de que, enquanto você se mantiver buscando satisfação dos sentidos e prazeres, não vai se adiantar um passo. Tudo vai ficar apenas no nível teórico e acadêmico.

Um dos yogas onde o celibato é absolutamente essencial e indispensável é kundalini yoga. Desde o começo. De outro modo, é perigoso trilhar esse caminho que é baseado em pranayama,mudras, bandhas e âsanas.

Existem certos estágios e estados em que se pode ser altamente espiritual e ao mesmo tempo levar uma vida sexual normal. Isso é verdadeiro especialmente no caminho da devoção – bhakti yoga, em que as pessoas seguem o caminho do amor a Deus, devoção, oração e adoração, repetindo o Nome Divino, cantando suas glórias.

Esse caminho não faz nenhuma distinção entre um celibatário, um chefe de família ou um casal que vive uma vida espiritual dedicado a suas práticas. No caminho da devoção o celibato total não é exigido. Mas porque o ato sexual consome grande quantidade de energia prânica, naturalmente o autocontrole também é importante.

Portanto, algum tipo de celibato na forma de autocontrole e fidelidade com o parceiro sexual também pode ser considerado brahmacharya. Desse modo a vida sexual não é contrária à vida espiritual. E esse tem sido o caso de muitos devotos.

Brahmacharya (celibato) não é nem evitar a sexualidade, nem reprimi-la. É fazer uso do potencial sexual para algo dez vezes, cem vezes maior.Se uma pessoa é forçada a ser celibatária contra sua inclinação e vontade, condições anormais podem resultar em sua saúde mental.

Mas se uma pessoa inteligente, tendo analisado profundamente a base da vida, diz: “Se quero conseguir algo grande, não posso desperdiçar as energias que tenho. Quanto mais conservo, mais posso dedicar a conseguir meu objetivo”, então esse celibato não se torna supressão, mas sim algo positivo, criativo.

Quando o celibato é assim encarado, as teorias de Freud e outros psicólogos perdem o sentido. Eles nunca visualizaram tal situação, tal possibilidade. Mas não é apenas uma possibilidade, é uma tradição de milênios – alguém sendo preparado para fazer algo, dar algo, pagar qualquer preço para obter o Mais Elevado.

A vasta maioria de seres humanos são apenas animais humanos; estão totalmente imersos na consciência do corpo. Sua consciência gira ao redor dos três chakras inferiores, que correspondem à comida, sexo e eliminação. Se algum despertar lhes vem e eles desenvolvem compaixão pelos outros, um espírito de serviço etc., então a consciência se manifesta no quarto chakra, o centro do sentimento.

Se a consciência persistir em sua tendência para cima, para a evolução espiritual, ela alcança vishuddha-chakra, onde a pessoa pode ter muitas experiências subjetivas, visões etc. mas ainda nesse estágio a consciência se move para cima e para baixo continuamente.

Se a consciência se elevar ao ajna-chakra, a pessoa terá a tendência de ser mais estável, porque esse é o centro da mente, da psiquê. Mas é apenas quando a consciência alcança o sahasrara que não mais haverá chance de queda. A pessoa se elevou acima da consciência física.Mas até esse ponto, o aspirante deve estar vigilante.


O CAMINHO DA MÃO DIREITA E O CAMINHO DA MÃO ESQUERDA – Swami Chidananda




PERGUNTA: Tantra, ou a prática da “Sexualidade Sagrada,” está se tornando muito popular no Ocidente atualmente. Você acha que esses ensinamentos oferecem um caminho espiritual autêntico?

CHIDANANDA: Não, não acho que esses ensinamentos ofereçam um caminho espiritual autêntico. Por quê? Por causa da fragilidade humana, da fraqueza humana. A mente humana é feita de modo que sempre toma o caminho da menor resistência. Ela sempre quer o caminho fácil. Tantra é um caminho para Deus através de todos os tipos de desfrute sensório. Tudo é oferecido a Deus e assim tudo se torna santificado; nada é profano.

A pessoa goza da satisfação dos sentidos e vê isso como parte da bem-aventurança de Deus. Enquanto a dualidade persistir nas experiências humanas, existe um “Eu estou desfrutando desse objeto”. Na experiência sexual mais elevada, quando um homem que possui amor verdadeiro pela mulher e esse sentimento é inteiramente recíproco, não há consciência de individualidade separada.

Existe uma fusão total da consciência separatista em cada um, e vai existir apenas a consciência da experiência bem-aventurada. Não vai existir o experimentador. Dizem que isso é uma possibilidade quando a fusão é feita com perfeição. As duas pessoas deixam de existir e existe apenas uma, a experiência não-dual, a Experiência Absoluta, a consciência de Brahman.

Assim, dizem que o corpo humano é um instrumento que, se usado apropriadamente, pode trazer uma elevação da consciência acima do nível físico. Para um em um milhão, isso pode acontecer.

A busca do prazer é parte da visão da vida no Ocidente – não a negação do prazer. Talvez um mestre em dez possa ser um instrutor autêntico, oferecendo genuinamente algo adequado ao temperamento ocidental.

Mas noventa por cento desses mestres são astutos. Sabem que existe um mercado para esse tipo de doutrina, e se aproveitam disso. Esse caminho existiu na Índia, especialmente em Bengala. Ainda hoje existe. Mas se tornou grosseiramente pervertido. As pessoas se enredaram nisso. Diziam que estavam praticando tantra, mas era apenas prazer sexual, prazer da comida e da bebida.

Esse caminho não as levou a lugar nenhum, mas suponho que as levou onde queriam chegar. Por isso esse caminho foi chamado pelas pessoas iluminadas da época de “caminho pervertido”.

Dois caminhos, então, vieram à existência: o caminho autêntico que foi chamado “o caminho da mão direita” e o caminho pervertido que apenas buscava o prazer sexual, que foi chamado de “caminho da mão esquerda”.


Há um episódio na vida do grande santo Sri Ramakrishna, o guru de Swami Vivekananda. Ele praticou todos os caminhos espirituais, assim como o cristianismo, o islamismo e outros, e descobriu que todos levam à mesma experiência divina final.

E durante um período de sua vida espiritual, também praticou o tantra. Uma mestra tântrica aproximou-se dele e disse, “Fui mandada aqui por Deus para inicia-lo no caminho tântrico para Deus”.

Dia após dia ela lhe expôs o caminho tântrico. Mas quando chegou no estágio final, Sri Ramakrishna, que era totalmente celibatário, replicou que através de seu corpo era impossível ter relações sexuais.

Ela disse, “Então farei com que o ato completo seja realizado na sua presença.” E conseguiu um praticante homem e uma praticante mulher do caminho tântrico para realizar o maithuna (união sexual) ante Sri Ramakrishna.

E à medida que ele observava o ato, estágio por estágio, ela ia lhe descrevendo, “Observe cuidadosamente. Agora você vê que estão em êxtase. Estão perdendo a consciência exterior.” E nesse estágio, de repente Ramakrishna perdeu também toda consciência exterior e entrou em profundo samadhi.

Assim, observando o casal, ele provou para si mesmo que a experiência sexual mais elevada pode elevar a pessoa àquele estado além de toda dualidade.

Portanto, a ciência do tantra existe, mas existem poucos instrutores autênticos. Além disso, esse caminho deve ser estritamente seguido sob a supervisão pessoal de um verdadeiro guru.

Acredito que a maior parte dos que pregam a moderna sexualidade sagrada estão interessados em lucrar com isso. A força sexual é sagrada; o sexo é sagrado. É uma das coisas mais sagradas. Mas a sexualidade sagrada que pregam atualmente é um equívoco.

Se você se enredar na sexualidade, o sagrado se distancia de você. E isso se deve à fraqueza humana. Portanto, não é um caminho que recomendo.

AS VOGAIS E A SAÚDE – B. Leser-Lasario



As vogais atuam vibratoriamente nos tecidos do corpo humano quando são pronunciadas.

A vogal i vibra para o alto, para a laringe, o nariz e a cabeça e dissipa as enxaquecas. A vogal e atua sobre a garganta, as cordas vocais, a laringe, as tireoides. A vogal a atua sobre o esôfago, as três costelas superiores e os lóbulos pulmonares superiores e combate a tuberculose. A vogal o atua sobre o centro do tórax e o diafragma e nutre e tonifica o coração. A vogal u atua sobre as vísceras abdominais, o estômago, o fígado, o intestino e as gônadas.

O procedimento é o seguinte: inspire pelo nariz e retenha a respiração sem esforço. O tempo de retenção não importa. Em seguida se emite o som cantando-o e concentrando-se no lugar onde se situa a vibração, esvaziando os pulmões tão lentamente e tão fundo como seja possível, mas sem esforço exagerado.

Essa massagem vibratória põe em circulação toxinas acumuladas nos tecidos, as quais são eliminadas, enquanto o fluxo de sangue bem oxigenado alimenta e vitaliza as células.

Resultado de imagem para mantras


A MULHER NO TANTRA – André Van Lysebeth



Deusa-mãe, iniciadora, origem de toda vida, fonte de prazer, caminho para a transcendência: a mulher e seus mistérios estão no coração do Tantra, são a essência de sua mensagem milenar.

O Kaulavati Tantra diz: “É preciso prosternar-se ante toda mulher, seja jovem em seu esplendor juvenil ou seja velha, seja formosa ou feia, boa ou má. Jamais se deve abusar dela, maldizê-la ou causar-lhe dano, jamais se deve golpeá-la. Tais atos tornam impossível todo progresso espiritual”.

O culto que o Tantra dedica à mulher supera, de longe, tudo que os movimentos de liberação feminina reclamam. Para o Tantra, é essencial antes de tudo que a Mulher emerja da mulher, que ela compreenda o que ela verdadeiramente é.

Para o tântrico, toda mulher encarna a Shakti, a Deusa. Para ele, ela não é um objeto sensual que se deve cortejar para obter seus favores. Com ele, a mulher nada tem a temer: estará segura, será livre para comportar-se como quiser. Respeitada, em nenhum momento será importunada.

No tantrismo, a mulher deve converter-se na “verdadeira Mulher” que se atreve a explorar as profundezas de seu ser para descobrir ali seus fundamentos últimos.

Ela é a deusa, isto é, a encarnação da energia cósmica última, viva e presente, ainda que não estejamos conscientes disso. Para o homem, o mistério da mulher é sua natureza fantástica, irracional, imprevisível, que a faz impossível de capturar. Seu verdadeiro mistério é o mistério da Vida, pois a vida pessoal começa no ventre da mãe.

A mãe é infinitamente mais que uma incubadora ambulante, ainda que seu pequeno eu consciente não pense nisso. Seu mistério é a força criadora que nela existe. O tântrico percebe que, no ventre da mulher, aquilo que produz o óvulo é o poder criador último. É ali, na obscuridade cálida de seu ventre, onde as forças cósmicas primordiais surgem, seja o óvulo fecundado ou não.

Captar o que atua verdadeiramente no útero é compreender o mistério do universo. Este fantástico dinamismo criador que suscita os átomos e as galáxias, que faz germinar o trigo e proliferar as bactérias, está presente e ativo a todo momento, não apenas durante a gravidez, em toda mulher, em toda fêmea.

Imagem relacionada

Acaso o homem não leva também metade do capital genético? Não atuam nele as mesmas forças que atuam na mulher? Não fabrica a cada dia milhões desses torpedos da hereditariedade que são os espermatozoides? Sim, mas o plano básico de toda espécie, inclusive a humana, é feminino, biologicamente falando. O macho só foi “inventado” para disseminar os genes.

A Mulher foi a primeira religião do homem, a primeira divindade foi a deusa-mãe. Ela é Shakti, a energia primordial, de onde emerge o universo manifestado. Quem diz religião da mulher, também diz sacerdotisa e maga, isto é, intermediária cósmica.

O mistério da mulher não está limitado a seu sexo: impregna todo seu ser e seu psiquismo. A mulher é intuitiva porque é sensitiva e segue os ritmos cósmicos que capta. Conhece os segredos da vida e da saúde, das plantas e das flores. Compreende as profundezas da alma humana: através de seu inconsciente está em relação direta com as grandes correntes psíquicas que nos levam e nos trazem.

Na natureza, a mulher é o lar: para os gatinhos que mamam ronronando, pouco lhes importa o macho que os gerou. No sistema patriarcal, o macho se impõe graças a seus músculos. Mas biologicamente, o sexo dominante é a mulher, e não o homem.

1.7.19

ENSINAMENTOS BUDISTAS SOBRE O SEXO - Randy Rosenthal




Certa ocasião, Buddha estava vivendo perto de Sumsumaragiri. Ali, seus seguidores leigos Nakulapita e sua esposa, Nakulamata, lhe perguntaram como poderiam estar juntos em vidas futuras. Buddha respondeu, “Se marido e mulher querem estar juntos enquanto durar esta vida e também  na vida futura, devem ter a mesma fé, a mesma disciplina moral, a mesma generosidade, a mesma sabedoria”.

A tradição budista que pratico – ensinada por S. N. Goenka – é uma tradição de famílias, com muitos professores sendo casados e tendo filhos. Fazemos um voto de celibato enquanto frequentamos um curso de meditação, mas na vida secular somos encorajados a seguir os cinco preceitos, e o terceiro deles é abster-se de má conduta sexual.

Na época de Buddha, má conduta sexual era “ir à esposa de outro homem.” Abster-se de má conduta sexual é um comportamento esperado de todo budista. Para frequentar um curso de vinte dias de duração na tradição Vipássana, a pessoa deve estar numa relação monogâmica por pelo menos um ano ou em celibato por pelo menos um ano (e isso também inclui a masturbação).

A ideia é que, à medida que se desenvolve o desapego, o desejo diminui e o sexo é abandonado, mesmo dentro do casamento. Como a monja Bhadda Kapilani, esposa de Mahakassapa, discípulo de Buddha, escreve: “Antes éramos marido e mulher, mas vendo o perigo no mundo, removemos nossas compulsões e nos tornamos livres”.

Resultado de imagem para buddhist meditation

Certa vez Magandiya, um pai de família, ofereceu sua bela filha para ser esposa de Buddha. Em resposta, Buddha perguntou, “O que eu iria querer com esta pessoa, cheia de urina e excremento? Eu não iria querer tocá-la nem com meu pé”. Afinal, após seu despertar espiritual,  ele tinha visto as filhas de Mara – o descontentamento, o desejo e a paixão – não mais despertarem em si, então por que ele teria algum desejo pela filha de Magandiya?

Logicamente, muitos dos ensinamentos de Buddha são dirigidos especificamente a monges. Então como ficamos nós que não pretendemos nos fazer ordenar monges? Quando Buddha condena a atividade sexual, não está declarando, “Não deveis.” Mas sim declarando que o relacionamento sexual leva ao sofrimento.

A questão deve ser decidida pela disposição pessoal e o grau em que queremos remover o sofrimento de nossas vidas. Como pessoa comum que sou, que não está tentando ser iluminado nesta vida, aceito ter uma certa quantidade de sofrimento que resulta da atividade sexual natural e sem abusos.

Os monges celibatários, por outro lado, têm decidido que querem livrar-se inteiramente do sofrimento. Buddha nos desafia a examinar o que estamos buscando. O que está claro é que permanecer conscientes da natureza impermanente de nossos corpos nos levará cada vez mais próximos da iluminação.