PERGUNTA:
Tantra, ou a prática da “Sexualidade Sagrada,” está se tornando muito popular
no Ocidente atualmente. Você acha que esses ensinamentos oferecem um caminho
espiritual autêntico?
CHIDANANDA:
Não, não acho que esses ensinamentos ofereçam um caminho espiritual autêntico.
Por quê? Por causa da fragilidade humana, da fraqueza humana. A mente humana é
feita de modo que sempre toma o caminho da menor resistência. Ela sempre quer o
caminho fácil. Tantra é um caminho para Deus através de todos os tipos de
desfrute sensório. Tudo é oferecido a Deus e assim tudo se torna santificado;
nada é profano.
A pessoa goza da
satisfação dos sentidos e vê isso como parte da bem-aventurança de Deus.
Enquanto a dualidade persistir nas experiências humanas, existe um “Eu estou
desfrutando desse objeto”. Na experiência sexual mais elevada, quando um homem
que possui amor verdadeiro pela mulher e esse sentimento é inteiramente
recíproco, não há consciência de individualidade separada.
Existe uma fusão total da
consciência separatista em cada um, e vai existir apenas a consciência da
experiência bem-aventurada. Não vai existir o experimentador. Dizem que isso é
uma possibilidade quando a fusão é feita com perfeição. As duas pessoas deixam
de existir e existe apenas uma, a experiência não-dual, a Experiência Absoluta,
a consciência de Brahman.
Assim, dizem que o corpo
humano é um instrumento que, se usado apropriadamente, pode trazer uma elevação
da consciência acima do nível físico. Para um em um milhão, isso pode
acontecer.
A busca do prazer é parte
da visão da vida no Ocidente – não a negação do prazer. Talvez um mestre em dez
possa ser um instrutor autêntico, oferecendo genuinamente algo adequado ao
temperamento ocidental.
Mas noventa por cento
desses mestres são astutos. Sabem que existe um mercado para esse tipo de
doutrina, e se aproveitam disso. Esse caminho existiu na Índia, especialmente
em Bengala. Ainda hoje existe. Mas se tornou grosseiramente pervertido. As
pessoas se enredaram nisso. Diziam que estavam praticando tantra, mas era apenas
prazer sexual, prazer da comida e da bebida.
Esse caminho não as levou
a lugar nenhum, mas suponho que as levou onde queriam chegar. Por isso esse
caminho foi chamado pelas pessoas iluminadas da época de “caminho pervertido”.
Dois caminhos, então,
vieram à existência: o caminho autêntico que foi chamado “o caminho da mão
direita” e o caminho pervertido que apenas buscava o prazer sexual, que foi
chamado de “caminho da mão esquerda”.
Há um episódio na vida do
grande santo Sri Ramakrishna, o guru de Swami Vivekananda. Ele praticou todos os
caminhos espirituais, assim como o cristianismo, o islamismo e outros, e
descobriu que todos levam à mesma experiência divina final.
E durante um período de
sua vida espiritual, também praticou o tantra. Uma mestra tântrica aproximou-se
dele e disse, “Fui mandada aqui por Deus para inicia-lo no caminho tântrico
para Deus”.
Dia após dia ela lhe expôs
o caminho tântrico. Mas quando chegou no estágio final, Sri Ramakrishna, que
era totalmente celibatário, replicou que através de seu corpo era impossível
ter relações sexuais.
Ela disse, “Então farei
com que o ato completo seja realizado na sua presença.” E conseguiu
um praticante homem e uma praticante mulher do caminho tântrico para realizar o
maithuna (união sexual) ante Sri Ramakrishna.
E à medida que ele
observava o ato, estágio por estágio, ela ia lhe descrevendo, “Observe cuidadosamente.
Agora você vê que estão em êxtase. Estão perdendo a consciência exterior.” E
nesse estágio, de repente Ramakrishna perdeu também toda consciência exterior e
entrou em profundo samadhi.
Assim, observando o casal,
ele provou para si mesmo que a experiência sexual mais elevada pode elevar a
pessoa àquele estado além de toda dualidade.
Portanto, a ciência do
tantra existe, mas existem poucos instrutores autênticos. Além disso, esse
caminho deve ser estritamente seguido sob a supervisão pessoal de um verdadeiro
guru.
Acredito que a maior parte
dos que pregam a moderna sexualidade sagrada estão interessados em lucrar com
isso. A força sexual é sagrada; o sexo é sagrado. É uma das coisas mais
sagradas. Mas a sexualidade sagrada que pregam atualmente é um equívoco.
Se você se enredar na
sexualidade, o sagrado se distancia de você. E isso se deve à fraqueza humana.
Portanto, não é um caminho que recomendo.

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