23.7.19

OS TRÊS TIPOS DE YOGUES – Sadhguru



Certas escolas de yoga classificam os yogues em três categorias. São chamados de mandha, madhyama e uttama.
Mandha Yogues – de percepção não contínua
Mandha significa que o yogue experimentou a consciência interior. Ele experimentou a fonte da criação, conheceu a unidade, mas não consegue manter esse estado o dia todo. Precisa esforçar-se para voltar a ele. Às vezes está consciente e às vezes perdeu toda a percepção. Em outras palavras, sua percepção não é sempre a mesma. 

Ninguém consegue estar divinamente consciente vinte e quatro horas por dia. Se você está fazendo um esforço para ser consciente e puder consegui-lo por alguns segundos ou minutos, já é uma grande coisa. Portanto, o primeiro estágio de um yogue é chamado mandha.
Madhyama Yogues – de percepção contínua
A segunda categoria de yogues é chamada madhyama, que significa médio. Ele tem constante percepção da dimensão interior, mas não consegue lidar com a dimensão física. Têm havido vários yogues, que são adorados ainda hoje, que eram absolutamente incapazes em sua vida física. Em certos momentos de suas vidas, tinham que ser lembrados de comer ou fazer suas necessidades no toalete. Estavam num fantástico estado interiormente, mas eram como crianças, desconectadas do mundo exterior.

Um exemplo é Neem Karoli Baba, que não sabia quando tinha de ir ao toalete. Quando alguém lhe dizia “Você não foi ao toalete por tantas horas, deve ir,” então ele ia. As funções físicas, a atividade mundana estava completamente ausente  de sua consciência.

Uttama Yogues – a história de Guru Dattatreya
O terceiro estado de um yogue é estar em constante percepção do estágio final, e ao mesmo tempo, estar perfeitamente sintonizado com o mundo exterior. Um exemplo foi Dattatreya. As pessoas que conviviam com ele diziam que era a encarnação de Shiva, Vishnu e Brahma ao mesmo tempo. Essa era a maneira das pessoas expressarem aquele estado espiritual. Porque viam que, embora ele estivesse em forma humana, nada havia de humano nele.

Por isso, vemos nas imagens de Dattatreya que ele é representado com três cabeças, por ser considerado a encarnação das três divindades.

Dattatreya viveu uma vida muito misteriosa. Ainda hoje, depois de séculos, os adoradores de Dattatreya são um clã poderoso. Vocês devem ter ouvido falar dos Kanphats. Ainda hoje, eles caminham acompanhados de cachorros pretos. Dattatreya sempre tinha a seu redor cachorros que eram totalmente pretos.

Se você tem um cachorro em casa, sabe que ele tem mais percepção que você. No olfato, na audição, na visão – ele parece ser melhor que você. Assim, Dattatreya colocava o cão num nível diferente e escolhia aqueles que eram completamente pretos. Também os Kanphats levam consigo esses cães, e os tratam muito bem. Aquilo que Dattatreya estabeleceu para o caminho espiritual ainda é seguido hoje e seus seguidores formam um dos maiores grupos de buscadores espirituais.
A busca de Parashurama por um Guru
Parashurama foi um grande sábio guerreiro da época do Mahabhárata. De muitas maneiras, mesmo sem participar diretamente, Parashurama decidiu o destino da guerra de Kurukshetra. Ele treinou Karna desde o começo. Portanto, tinha enormes capacidades guerreiras, mas sua volatilidade emocional não lhe permitia perceber o divino em todos os momentos de sua vida. Algumas vezes tinha a consciência interior, outras não. Na maior parte do tempo, era dominado pela ira. Ele era um brâmane (casta dedicada à busca espiritual) que odiava os kshátrias (casta guerreira).

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Então ele foi a muitos gurus sem encontrar solução para sua consciência não contínua. Finalmente, chegou a Dattatreya. As pessoas lhe diziam "Dattatreya é sua resposta." E Parashurama foi até ele, com seu machado de guerra na mão. Quando os outros discípulos do mestre o viram, fugiram de medo!

Quando Parashurama entrou na morada de Dattatreya, viu um homem sentado com uma garrafa de vinho de um lado e uma jovem mulher do outro. Ele apenas olhou. Dattatreya parecia bêbado. Parashurama olhou para ele, colocou seu machado no chão para nunca mais pegá-lo e prostrou-se perante o mestre. 
No momento em que ele se prostrou, a garrafa de vinho e a mulher desapareceram e Dattatreya estava ali sentado com seu cachorro a seus pés. Parashurama encontrou sua salvação em Dattatreya.

Parashurama  era um homem de imensas capacidades, mas sua capacidade encontrava expressão na ira, sempre se encontrava num estado negativo de volatilidade emocional. O momento que ele encontrou Dattatreya foi o momento de sua abertura para o divino. Se aquela consciência tivesse chegado mais cedo em sua vida, muitos guerreiros teriam sido poupados por seu machado!


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