Certa
ocasião, Buddha estava vivendo perto de Sumsumaragiri. Ali, seus
seguidores leigos Nakulapita e sua esposa, Nakulamata, lhe perguntaram como
poderiam estar juntos em vidas futuras. Buddha respondeu, “Se marido e mulher
querem estar juntos enquanto durar esta vida e também na vida futura, devem ter a mesma fé, a mesma
disciplina moral, a mesma generosidade, a mesma sabedoria”.
A
tradição budista que pratico – ensinada por S. N. Goenka – é uma tradição de
famílias, com muitos professores sendo casados e tendo filhos. Fazemos um voto
de celibato enquanto frequentamos um curso de meditação, mas na vida secular
somos encorajados a seguir os cinco preceitos, e o terceiro deles é abster-se
de má conduta sexual.
Na época
de Buddha, má conduta sexual era “ir à esposa de outro homem.” Abster-se de má
conduta sexual é um comportamento esperado de todo budista. Para frequentar um
curso de vinte dias de duração na tradição Vipássana, a pessoa deve estar numa
relação monogâmica por pelo menos um ano ou em celibato por pelo menos um ano
(e isso também inclui a masturbação).
A ideia é
que, à medida que se desenvolve o desapego, o desejo diminui e o sexo é
abandonado, mesmo dentro do casamento. Como a monja Bhadda Kapilani, esposa de
Mahakassapa, discípulo de Buddha, escreve: “Antes éramos marido e mulher, mas
vendo o perigo no mundo, removemos nossas compulsões e nos tornamos livres”.

Certa vez
Magandiya, um pai de família, ofereceu sua bela filha para ser esposa de Buddha.
Em resposta, Buddha perguntou, “O que eu iria querer com esta pessoa, cheia de urina e
excremento? Eu não iria querer tocá-la nem com meu pé”. Afinal, após seu
despertar espiritual, ele tinha visto as
filhas de Mara – o descontentamento, o desejo e a paixão – não mais despertarem
em si, então por que ele teria algum desejo pela filha de Magandiya?
Logicamente,
muitos dos ensinamentos de Buddha são dirigidos especificamente a monges. Então
como ficamos nós que não pretendemos nos fazer ordenar monges? Quando Buddha
condena a atividade sexual, não está declarando, “Não deveis.” Mas sim
declarando que o relacionamento sexual leva ao sofrimento.
A questão
deve ser decidida pela disposição pessoal e o grau em que queremos remover o
sofrimento de nossas vidas. Como pessoa comum que sou, que não está tentando
ser iluminado nesta vida, aceito ter uma certa quantidade de sofrimento que
resulta da atividade sexual natural e sem abusos.
Os monges
celibatários, por outro lado, têm decidido que querem livrar-se inteiramente do
sofrimento. Buddha nos desafia a examinar o que estamos buscando. O que está claro é que permanecer conscientes da natureza impermanente
de nossos corpos nos levará cada vez mais próximos da iluminação.
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