16.3.16

A SINCERIDADE NO YOGA – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Muitas pessoas aceitam certas teorias, algumas das quais são muito convenientes, e elas dizem, “Tudo é o resultado da Vontade Divina”; outras dizem, “O Divino está em toda parte e em tudo e faz todas as coisas”; ainda outras dizem, “Minha vontade é una com a Vontade Divina, é o Divino que me inspira.”

De fato, existem muitas teorias e elas dizem isso. Naturalmente o ego delas está vivo. Elas fazem tudo que querem fazer, dizendo, “É o Divino que está fazendo isso em mim. Não sou eu que ajo, é o Divino que age através de  mim.” Elas fazem tudo que desejam fazer. Há pessoas assim. Portanto eu digo, “Não use o Divino como um belo disfarce para esconder seus desejos.”

A questão é ser sincero. Se você não é sincero, não comece o yoga. Sinceridade é talvez a coisa mais difícil e talvez também a mais efetiva. Se você tiver perfeita sinceridade, pode estar certo da vitória.


A primeira coisa necessária é não enganar a si mesmo. A pessoa sabe que não pode enganar o Divino; mesmo o mais esperto dos Asuras não pode enganar o Divino. Mas mesmo quando se entendeu isso, a pessoa se pega durante o dia tentando enganar a si mesma sem saber, espontaneamente e quase automaticamente.

A pessoa sempre dá explicações favoráveis de tudo que faz, de suas palavras, de seus atos. A pessoa sempre considera que o outro é que está errado, o outro que cometeu o erro. Mesmo quando você é uma alma mais experiente, ainda dá a mais estúpida de todas as desculpas: “Se ele não tivesse feito aquilo, eu não teria feito isso.”

Tome o mais comum exemplo de alguém que fica irado: em vez de dizer coisas que magoam, você nada diz, se mantém calmo e quieto, não se contagia com a ira. Isso é algo bem elementar, um pequeno começo para ver se é sincero. Eu lhe digo: se você olhar para si mesmo com inteligência, pegará em si centenas de insinceridades, mesmo que esteja tentando ser sincero. Você verá como é difícil. Se você for totalmente sincero e se todo seu ser integralmente quer o Divino, pode ter certeza da vitória.





FAMÍLIAS DE SERES – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram





Pergunta: Você disse que numa vida anterior estávamos juntos; mas se não tivéssemos praticado yoga, poderíamos nos encontrar assim mesmo?

Resposta: Não necessariamente. Lembro-me das circunstâncias em que eu disse isso; foi uma senhora que tinha vindo aqui e me perguntou como foi que chegou aqui.

Isso é verdadeiro de modo geral; quando aqueles que renasceram espalhados sobre o mundo e distantes uns dos outros são levados por circunstâncias ou por uma impulsão para vir e reunir-se aqui, é quase sempre porque eles se conheceram em vidas passadas (não todos na mesma vida) e porque seu ser psíquico sentiu que pertenciam à mesma família.

Assim prometeram a si mesmos continuar a agir juntos e a colaborar. É por isso que, embora tenham nascido distantes um do outro, há algo que os compele a reunir-se; é o ser psíquico, a consciência psíquica que está por trás. E isso acontece apenas na medida em que a consciência psíquica é forte o bastante para ordenar e organizar as circunstâncias ou a vida, isto é, forte o bastante para não se permitir sofrer a oposição de forças externas, movimentos da vida exterior, e então as pessoas podem se encontrar.

Existem grandes “famílias de seres” que trabalham pela mesma causa, que existem em maior ou menor número e que vêm como que em grupo. É como se às vezes houvesse um despertar no mundo psíquico, e estes seres baixam à terra. Nem sempre nascem no mesmo lugar, mesmo assim há algo que os incomoda, que os empurra; por uma razão ou outra eles se juntam.

Mas isso é algo que acontece nas profundezas do ser, algo que não está na superfície, já que quando se encontram podem não estar conscientes do elo que têm entre si. As pessoas se encontram e reconhecem umas às outras apenas na medida em que se tornam conscientes de seu ser psíquico, obedecem a seu ser psíquico, são guiadas por ele.

Há apenas uma solução, encontrar seu ser psíquico e uma vez encontrado ligar-se a ele desesperadamente, deixá-lo guiar você passo a passo seja qual for o obstáculo. Esta é a única solução.

Tudo isso eu expliquei àquela senhora. Ela fez-me a pergunta: “Como aconteceu de eu vir aqui?” Eu lhe disse que seguramente não era por razões da consciência externa, era algo em seu ser interior que a tinha empurrado. Mas o despertar não foi forte o bastante para dominar todo o resto e ela voltou à vida comum por motivos muito comuns de viver.

Exteriormente, foi uma coisa engraçada que a fez vir aqui. Ela era uma jovem como outras, tinha sido noiva, mas não se casou; o homem a abandonou. Ela estava muito infeliz, tinha chorado muito e isso estragou seu bonito rosto, cavou rugas ali. E quando a dor maior passou, ela não mais era bonita. Então ficou muito preocupada; consultou profissionais de beleza e eles lhe recomendaram injeções de parafina no rosto para tirar as rugas. Ela o fez e em vez do efeito desejado, ficou com nódulos gordurosos aqui e ali. Ela ficou desesperada, pois ficou mais feia que antes. Então alguém lhe disse que na Inglaterra não havia meios de restaurar seu rosto bonito: “Vá para a Índia, existem grandes yogues lá que farão isso por você!”

É por isso que veio aqui. A primeira coisa que me disse foi: “Veja como meu rosto está arruinado, você pode restaurar minha beleza?” Eu disse não! Então começou a fazer perguntas sobre yoga. Um dia me disse: “Vim para a Índia para me livrar das rugas; agora o que você diz me interessa. Mas então por que vim? Este não é o verdadeiro motivo que me fez vir aqui.”

Expliquei-lhe que havia algo mais que seu ser exterior e que foi seu ser psíquico que a tinha trazido aqui. Motivos externos são simples pretextos usados pelo ser psíquico para obter a auto-realização.

No começo ela tinha uma atitude de benevolência e boa-vontade para com tudo e com todos, até mesmo com o pior patife; ela via apenas o lado bom. Então com o tempo sua consciência se desenvolveu; começou a ver as pessoas como elas eram. Assim, um dia me disse: “Antes, quando eu era inconsciente, achava que todos eram bons, as pessoas pareciam tão simpáticas! Por que você me tornou consciente?” Eu lhe respondi: “Não pare no caminho. Vá um pouco adiante.”

Se você começou o yoga, é melhor ir até o fim.

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11.3.16

A INFLUÊNCIA DOS LIVROS E DA CONVERSAÇÃO – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Cada vez que você lê um livro no qual a consciência é muito baixa, ele fortalece seu subconsciente e inconsciente; ele impede sua consciência de se elevar. É como se jogasse baldes de água suja nos esforços que fez para purificar seu subconsciente.

É inevitável, mas existem pessoas que nem percebem que sua consciência caiu muito baixo. Em certo estágio espiritual, uma simples conversação que o obrigue a permanecer no nível da vida comum lhe dá uma dor de cabeça, revira seu estômago e, se ela continuar, pode lhe causar febre. Estou logicamente falando de conversas fúteis, que impedem completamente que sua consciência se eleve; você se acorrenta com correntes de ferro à consciência comum.

Se você deseja fazer yoga, abstenha-se disso.

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8.3.16

RESPIRAÇÃO RELAXANTE DIAFRAGMÁTICA – Prof. Hermógenes


Postura: Deite-se de costas em superfície dura, mas sobre uma manta. Encolha as pernas mantendo os joelhos altos e juntos e os pés afastados, no chão. Deixe as mãos languidamente abandonadas sobre o ventre. Olhos fechados, sem esforço.

Certifique-se de que conseguiu o melhor relaxamento possível em todo corpo, inclusive nas mãos que ficam inteiramente inertes, pesando.

Atitude mental: Diga, para si mesmo, vou afrouxar ao máximo o plexo solar. Vou desengatilhá-lo. Ele, assim, frouxo, vai me dar uma grande tranqüilidade, vai liquidar a reatividade com que respondo às emoções e assim ajudar-me a controlá-los. Vou gozar profunda paz. Meus aborrecimentos, meus sintomas, minhas tristezas e preocupações findarão. Vou-me tornar, agora, muito dócil na mão de Deus. Vou libertar-me de minhas tensões. Vou repousar e libertar-me.



Execução: Entregue-se. Deixe que a respiração se faça normal, espontaneamente, como quiser ser, como quiser vir. Torne-se um espectador, a distância de sua respiração. Há de notar que docemente se reduz. Fique algum tempo assim, impassível, conscientizando a respiração. Um minuto ou dois e você poderá começar a fazer algo. Ao perceber o fim da expiração (o abdome lá embaixo), faça uma delicada solicitação para que o ventre desça mais um pouco e logo o liberte, para que não crie obstáculo à nova inspiração, que o vai levantar.

Resumindo: o que você tem a fazer é, simplesmente, sugar um pouco mais o abdome, no fim da expiração. Nada mais do que isto. É preciso treinar algum tempo para dominar esta técnica, que parece tão simples. As dificuldades iniciais correm por conta de descompassos respiratórios de origem emocional, fisiológica, ou anatômica. Os bons proveitos são observáveis desde as primeiras práticas.

A experiência lhe mostrará que esta massagem natural sobre o plexo solar constitui remédio fisiológico de alto poder, agindo como um descondicionamento de respostas somáticas (facilitadas) às emoções. Cura insônia e desmonta a crise nervosa. Livra o praticante de muitos de seus desagradáveis sintomas psicossomáticos.

O mais evidente é uma sensível predisposição para um relaxamento mais profundo, mais fácil e mais frutífero. Quando sentir a grande languidez (neurolepsia) deste exercício e quiser entrar em relax, abandone os membros em queda livre, e eles se derramam para o chão, caindo naturalmente em perfeita shavâsana (postura do cadáver).

RESPIRAÇÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO – Prof. Hermógenes


Esta técnica é um remédio contra a diluição mental em que vive o homem comum. É admirável que alguns poucos minutos de concentração mental e conscientização de um fenômeno tão corriqueiro como a respiração possam criar condições de tranqüilidade e segurança psíquicas.

Todos nós, desde o momento em que nascemos até o último instante de nossas vidas, estamos fazendo algo que nem por dois minutos deixamos de fazer — respirar. Sendo um ato tão presente, tão íntimo, tão nosso, comumente se processa à nossa revelia, sem nossa participação, sem que interfiramos. A respiração funciona ao comando de nossas emoções, e portanto normalmente, sob regulações neurovegetativas.

No momento em que decidimos prestar-lhe atenção, alguma coisa interessante acontece. Você deve experimentar por si mesmo.

Postura: em Shavâsana (postura do cadáver).
Execução: Ininterruptamente procure sentir o fluxo da respiração dentro das narinas. Não interfira. Fique "a distância", assistindo o ir e vir dos movimentos respiratórios. A corrente inspiratória refresca, enquanto a da expiração aquece a mucosa nasal. Busque sentir a suave alternância da temperatura dentro das narinas. Mantenha o semblante em perfeito relax, sem o mínimo sinal de contração, completamente aliviado. Não há indicação de quanto tempo deve durar. Faça o tempo que quiser.

A TÉCNICA DO RELAXAMENTO – Prof. Hermógenes


Pode-se relaxar sempre. Mesmo em atividade, pode-se fazer um relax parcial. No entanto, é mais fácil, mais eficaz, mais repousante fazê-lo estando o corpo todo inerte, até ao ponto de deixar-se de senti-lo.

É possível entretanto sacar proveitos terapêuticos e até repouso do relax, mesmo que estejamos andando, trabalhando, comendo, divertindo-nos. Para isto, é preciso treinar manter a lassidão relativa das partes do corpo não comprometidas com o que se está fazendo. Se você está lendo, por que ficar sapateando o chão com o calcanhar? Por que a contração do semblante? Por que ou para que os dedos não param? Aprenda como observar-se a si mesmo e, conseqüentemente, a evitar esforços e tensões sem proveito.

Agora você vai aprender sobre o relax inativo ou relax profundo, para quando estiver sem nada fazer ou puder deixar de lado os múltiplos afazeres exatamente para gozar uns instantes de repouso, de esvaziamento de tensões, de assimilação energética, de calma e de busca da saúde.

Técnica de shavâsana (postura do cadáver): Deitado sobre as costas, os membros despejados no chão, como se fossem mortos. Feche os olhos. Os braços devem ficar formando com o corpo um ângulo de aproximadamente 45°. As mãos frouxas, com as palmas para cima, sem forçamento, naturalmente. Os dedos nem esticados nem fechados. As pernas largadas, tanto que os pés, afastados, deixem suas pontas caídas para fora. Semblante límpido, sem quaisquer contrações. A cabeça numa posição em que não haja forçamento do pescoço. Por algumas razões anatômicas ou fisiológicas, é aconselhável a certas pessoas o uso de um pequenino travesseiro. A mandíbula suavemente descerrada. Os lábios mal se tocam.

Imobilidade total. Não ceda à vontade de coçar-se, de engolir em seco, de mexer com dedos ou artelhos. Se você não se mantiver imóvel, ficará sem saber o que é relaxamento. É exatamente a tensão que faz você mexer-se. Agora cuide de sua atitude psicológica. O que você quer é ausentar-se um pouco de seus problemas, aflições e incômodos.

Pois bem, largue-se todo, confiante, nas mãos de Deus. Deixe tudo por Sua conta. Deixe sua respiração fazer o que quiser. Largue-a a si mesma. Não interfira em seu ir e vir. Fique no entanto como observador neutro. Ponha-se à margem, feito testemunha silente. Vai notar que ela vai se acalmando, acalmando . . . ficando cada vez mais discreta, parecendo até que vai sumir de todo, o que realmente não acontecerá.



Agora centralize a atenção nas várias partes de seu corpo, a começar pelas pernas. Procure senti-las, como que a tomar consciência delas, procurando verificar se ainda restam áreas tensas. Aproveitando o ritmo da expiração, comece a comandar: Relaxem! Afrouxem! Fiquem muito pesadas! Amoleçam! Fiquem por aí largadas, desligadas!

O que fez com as pernas, siga fazendo com as demais partes anatômicas, inclusive, com muito carinho e empenho, nos seguintes pontos: epigástrio (boca do estômago, visando ao plexo solar), coração, pulmões, braços, pescoço, queixo, bochechas, lábios, nariz, olhos, testa, couro cabeludo e estruturas cerebrais, especialmente as da zona que lhe parece mais central da cabeça (visando a relaxar o tálamo, o hipotálamo e a hipófise).

Imagine que está conseguindo esvaziar a energia nervosa das pernas, por exemplo, ao mesmo tempo em que vai sugerindo a si mesmo: Não estou podendo mover minhas pernas. Elas estão pesadíssimas e fogem ao meu mando! Não estou mais sentindo minhas pernas. Onde estarão elas, que não as sinto?!. . .

Segue-se o mesmo trabalho com os braços, tronco e cabeça. Assim, você está induzindo um estado de anestesia em cada uma destas partes, por fim ao corpo todo. Quando você deixar de sentir o corpo, terá realizado o mais profundo repouso e terá, em profundidade e efetivamente, permitido que o Onipresente tome conta de você. Você gozará então a paz da criancinha que, sem problemas, sem medos e conflitos, se entrega aos braços protetores da mãe.

Neste estado, você estará igualmente aninhado nos cósmicos braços da Mãe
Divina, de onde ninguém sai levando tristeza na alma, feridas nas carnes e lágrimas de dissabor nos olhos. Não há palavras para descrever esta bem-aventurada experiência no reino da Paz Onipotente.

Efeitos psicossomáíicos: Recupera-nos rápida e completamente de fadiga de qualquer natureza. Cura transtornos funcionais produzidos pelo excesso de trabalho e pela tensão. Harmoniza os processos mentais. Limpa os entraves psíquicos de origem tensional. Desfaz com presteza os obstáculos derivados de contrações musculares permanentes. Harmoniza a economia energética do corpo e da mente. Enriquece e aprofunda a vida afetiva. Possibilita a vivência de paz e aprofundamento da consciência.

Observações:
Se vccê é uma personalidade rajásica e leva agitada vida, procure relaxar sempre. Deixe as decisões mais importantes para depois de um bom relax. Ao sentir-se nervoso, irritado, cabeça fervendo, ameaçado por uma crise nervosa, isole-se num lugar e comande seu relaxamento.

Uma forma excelente e fácil de relaxar e simultaneamente irrigar os centros cerebrais está sugerida na figura acima, usando a prancha inclinada (prânali). Aos idosos e suspeitos de danos cardíacos aconselhamos começar com pequeníssima inclinação e ir aumentando-a progressiva e lentamente.

4.3.16

O QUE DEVEMOS COMER – Prof. Hermógenes


A alimentação ideal para o ser humano em geral, especialmente para os nervosos é a ovo-lacto-vegetariana. A carne não é indispensável, e sim nociva, principalmente se usada em excesso e na ausência de legumes, verduras e frutas que lhe contrabalançam a toxidez e outros malefícios.

Os alimentos mais aconselhados e que devem portanto fazer parte da alimentação diária são:

a) Levedo de cerveja — Encerra 17 diferentes vitaminas, inclusive toda a família B. Praticamente não tem gordura, açúcar e amido. Tem 46% de proteínas. Puro, é um pó de cor creme, amargo e quase intragável. Misturando-o em pratos que levem mel de abelhas, disfarça-se o gosto. Pode-se misturar com leite, recorrendo ao liquidificador. Deve-se começar com pequena dose — uma colherinha de chá. Vende-se em comprimidos.

b) Leite — que tem uma grande quota de cálcio, do qual se aproveitam 86%, tendo ainda ferro, fósforo, as melhores proteínas e mais vitaminas A, BI, B2 e outras.

c) Iogurte — é rico em B2, fósforo, carboidratos, cálcio e proteínas. No intestino, com seus fermentos, combate a flora patogênica, gerando ali mesmo consideráveis doses de vitamina B, que é assimilada pelas vilosidades intestinais.

d) Germe de trigo — Germe quer dizer embrião. É a parte essencial do grão, onde se encontram as melhores proteínas. O germe de trigo é rico em vitamina E e todas da família B. Pode ser usado em pães, bolos... Substitui com vantagem a farinha de mesa.

e) Melado e açúcar mascavo — São os substitutos inteligentes para o desprezível açúcar empobrecido pelo "beneficiamento" (?!) e embranquecido por aditivos químicos, alguns cancerígenos.

f) Mel de abelha — Não é um açúcar, como o melado, mas, glicose, isto é, açúcar natural, assimilável facilmente. É o único açúcar natural, isto é, fabricado pela natureza e não pelo homem. Rico em cálcio, ferro, fósforo, vitaminas A, BI e C. Excelente para o cérebro. Contém grande dose de hormônios das flores de que é feito. Comece a usá-lo com cautela. De início, apenas uma colherinha de chá diariamente. Vá, depois, aumentando.

g) Feijão soja — Das vitaminas, só não tem a D, que é exclusiva do reino animal. Todas as outras, porém, nos oferece. É o único tipo de feijão que tem todos os aminoácidos indispensáveis à nutrição humana, merecendo por isto o nome de "carne vegetal". Quem sabe preparar soja consegue: leite, coalhada, queijo, bife, bolos, biscoitos, saladas. . . A proteína contida num simples quilograma de soja em grão vale por 2,2 kg de carne bovina; 5 dúzias de ovos, 2 litros de leite, 1,5 kg de queijo.. .

h) Arroz integral — É o alimento mais doador de vida e saúde. Não é apenas um alimento. É remédio capaz de salvar vidas. Tão completo é, que os macrobióticos fazem dele 60% de seu regime. É o arroz bruto, do qual somente foi tirada a dura casca de celulose. Conserva, pois a pardacenta cutícula, onde estão todas suas virtudes. O arroz "beneficiado" (?!), bonitinho, polidinho, é execrável mistificação. Já não é alimento. Sua riqueza vitamínica foi despojada pelo "beneficiamento" (?!).

Vimos alguma coisa sobre o que é aconselhável como alimento. Chegou a hora de falar sobre o que deve ser evitado.

a) A carne, reconhecida erroneamente como indispensável e alimento natural do ser humano é, não só dispensável, mas chega até mesmo a ser nociva, por que é "rica em colesterol e purinas, causa eczemas, moléstias hepáticas e enfartes do miocárdio; alimento pobre em vitaminas; alimento antinatural, pois o homem não fabrica o amoníaco que neutraliza os ácidos que ela produz; alimento acidificante, perturba a vida psíquica; produz ou acelera os processos de degeneração orgânica, responsável portanto pelo envelhecimento precoce, desde que também provoca apendicite, arteriosclerose, eczema, enterite, gastrite, reumatismo, úlcera péptica, vegetações adenóides..." Quem deixa este alimento excitante, reduz a rajasidade de seu temperamento. Se você quiser ingressar no clube dos tranqüilos e longevos vegetarianos, faça-o lenta e prudentemente. As mudanças bruscas prejudicam. Não se descuide de suprir-se de proteínas do leite, manteiga, queijo, soja, feijão, amendoim. . .

b) Alguns enlatados são altamente danosos à saúde. Se puder comer um alimento fresco e vivo, prefira-o. Os processos de industrialização recorrem a tratamentos químicos, alguns deles até capazes de produzir câncer (cancerígenos). Alguns enlatados têm tanta vitamina como cobra tem ombros.

c) Fumo. Embora não sendo alimento, é um hábito relacionado com a alimentação, demasiadamente conhecido como nocivo. O fumo danifica os nervos, pois tóxico que é, envenena a célula nervosa. O pior do fumo é sobre o psiquismo, pois sua toxidez condiciona o organismo, fazendo-o dependente, isto é, viciado. Assim, o fumo liquida a vontade, e entorpece a inteligência.

d) O álcool. Pior do que o cigarro, é ainda mais tóxico, mais destruidor dos nervos, mais devastador da personalidade, e por isso, deveria ser altamente controlado pelos governos do mundo. O veneno que se oculta sob tantos anúncios convincentes e rótulos tão belos, vai para o sangue. Quando está a 5%, quem bebeu ainda não se denuncia influenciado, mas já em condições de provocar acidentes de veículos. Atingindo 15%, demonstra-se alegre, eufórico, extrovertido (por isso é procurado pelos tímidos, introvertidos e acanhados). O bêbado é então um palhaço. Aos 20% transforma-se o homem numa fera ridícula, querendo brigar com todo. Nesta condição de desordeiro, pode matar ou ferir. Chegando a 30%, cai, machuca-se, não consegue manter-se de pé. A insensibilidade e a inconsciência sobrevém aos 40%. A paralisia e mesmo a morte podem vir depois dos 50%. É preciso dizer mais? Se você ainda não" bebe, continue assim. Se já o faz, deixe de fazê-lo em seu próprio bem e para o bem de seus parentes e da própria comunidade. Deixe o álcool antes de tornar-se escravo dele.

e) O açúcar. O tão inocente açúcar branquinho e gostoso, que desde criança comemos em doces, bolinhos, mingaus, refrescos, licores etc, começa a ser denunciado como "inimigo público número um da humanidade". A doença das coronárias, isto é, das artérias que suprem de sangue, o próprio coração, até há pouco, eram explicadas com o colesterol, o que fazia com que todos criassem uma espécie de medo de comer gorduras animais. Ao homem de meia idade, sem tempo para fazer exercícios físicos e cheio de responsabilidades e apreensões, sempre o médico alertava: cuidado com o colesterol! Hoje uma grande corrente de pesquisadores começa a responsabilizar pelos enfartes, não o colesterol, mas o açúcar. Por este e outros motivos, entre os quais o de ser um ladrão de sais minerais e vitaminas B, portanto um desalimento, o açúcar "beneficiado" (?!) deve desaparecer do regime para saúde. O açúcar bruto é alimento energético e menos perigoso. O mel de abelhas é o melhor substituto.

f) Frituras, condimentos excitantes, chocolate, produtos de salsicharia, sorvetes, farinhas brancas, vinagre, colorantes artificiais: tudo isto é de jogar no lixo. Tudo isto tem que ser excluído de um método de vida saudável, jovem e feliz.

g) Café e chá preto, somente para uso terapêutico para deprimidos e astênicos têm seu lugar. Fazer do café um hábito, tomá-lo, quase automaticamente, várias vezes por dia tem arrebentado a saúde dos nervos de muitos. A cafeína é um excitante que convém ser controlado profilaticamente pela pessoa comum, que ainda não é doente dos nervos. O nervoso excitado, rajásico, inquieto, angustiado, principalmente o insone, deve abandoná-lo. No chá preto se encontra a teína, um excitante ainda pior do que a cafeína. É outro inimigo. Em muitos casos, somente o abandono do café e do chá preto tem praticamente resolvido casos de insônia rebelde.