Pergunta:
Você disse que numa vida anterior estávamos juntos; mas se não tivéssemos
praticado yoga, poderíamos nos encontrar assim mesmo?
Resposta:
Não necessariamente. Lembro-me das circunstâncias em que eu disse isso; foi uma
senhora que tinha vindo aqui e me perguntou como foi que chegou aqui.
Isso é
verdadeiro de modo geral; quando aqueles que renasceram espalhados sobre o
mundo e distantes uns dos outros são levados por circunstâncias ou por uma
impulsão para vir e reunir-se aqui, é quase sempre porque eles se conheceram em
vidas passadas (não todos na mesma vida) e porque seu ser psíquico sentiu que
pertenciam à mesma família.
Assim
prometeram a si mesmos continuar a agir juntos e a colaborar. É por isso que,
embora tenham nascido distantes um do outro, há algo que os compele a
reunir-se; é o ser psíquico, a consciência psíquica que está por trás. E isso
acontece apenas na medida em que a consciência psíquica é forte o bastante para
ordenar e organizar as circunstâncias ou a vida, isto é, forte o bastante para
não se permitir sofrer a oposição de forças externas, movimentos da vida
exterior, e então as pessoas podem se encontrar.
Existem
grandes “famílias de seres” que trabalham pela mesma causa, que existem em
maior ou menor número e que vêm como que em grupo. É como se às vezes houvesse
um despertar no mundo psíquico, e estes seres baixam à terra. Nem sempre nascem
no mesmo lugar, mesmo assim há algo que os incomoda, que os empurra; por uma
razão ou outra eles se juntam.
Mas isso
é algo que acontece nas profundezas do ser, algo que não está na superfície, já
que quando se encontram podem não estar conscientes do elo que têm entre si. As
pessoas se encontram e reconhecem umas às outras apenas na medida em que se
tornam conscientes de seu ser psíquico, obedecem a seu ser psíquico, são
guiadas por ele.
Há apenas
uma solução, encontrar seu ser psíquico e uma vez encontrado ligar-se a ele
desesperadamente, deixá-lo guiar você passo a passo seja qual for o obstáculo.
Esta é a única solução.
Tudo isso eu expliquei àquela senhora. Ela
fez-me a pergunta: “Como aconteceu de eu vir aqui?” Eu lhe disse que
seguramente não era por razões da consciência externa, era algo em seu ser
interior que a tinha empurrado. Mas o despertar não foi forte o bastante para
dominar todo o resto e ela voltou à vida comum por motivos muito comuns de
viver.
Exteriormente,
foi uma coisa engraçada que a fez vir aqui. Ela era uma jovem como outras,
tinha sido noiva, mas não se casou; o homem a abandonou. Ela estava muito
infeliz, tinha chorado muito e isso estragou seu bonito rosto, cavou rugas ali.
E quando a dor maior passou, ela não mais era bonita. Então ficou muito
preocupada; consultou profissionais de beleza e eles lhe recomendaram injeções
de parafina no rosto para tirar as rugas. Ela o fez e em vez do efeito
desejado, ficou com nódulos gordurosos aqui e ali. Ela ficou desesperada, pois ficou mais feia que antes.
Então alguém lhe disse que na Inglaterra não havia meios de
restaurar seu rosto bonito: “Vá para a Índia, existem grandes yogues lá que
farão isso por você!”
É por
isso que veio aqui. A primeira coisa que me disse foi: “Veja como meu rosto está
arruinado, você pode restaurar minha beleza?” Eu disse não! Então começou a fazer perguntas sobre
yoga. Um dia me disse: “Vim para a Índia para me livrar das rugas; agora
o que você diz me interessa. Mas então por que vim? Este não é o verdadeiro
motivo que me fez vir aqui.”
Expliquei-lhe
que havia algo mais que seu ser exterior e que foi seu ser psíquico que a tinha
trazido aqui. Motivos externos são simples pretextos usados pelo ser psíquico
para obter a auto-realização.
No
começo ela tinha uma atitude de benevolência e boa-vontade para com tudo e com
todos, até mesmo com o pior patife; ela via apenas o lado bom. Então com o
tempo sua consciência se desenvolveu; começou a ver as pessoas como elas eram.
Assim, um dia me disse: “Antes, quando eu era inconsciente, achava que todos
eram bons, as pessoas pareciam tão simpáticas! Por que você me tornou consciente?” Eu lhe respondi: “Não
pare no caminho. Vá um pouco adiante.”
Se você
começou o yoga, é melhor ir até o fim.
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