Gunas
são
as forças, os atributos ou qualidades componentes de cada ser, bem
como de todos os mundos. Em Yoga diz-se que Prakriti
(a
natureza) é triguna,
isto
é, formada por três atributos: satva,
rajas e
tamas.
Satva
é
a qualidade da sabedoria, da harmonia, luz, paz, leveza,
tranqüilidade, equilíbrio, sobriedade, saúde, santidade,
liberdade, coerência, imperturbabilidade, contentamento. . .
Rajas
é
o atributo da força, da luta, domínio, conquista, energia, ação,
dinamismo, violência, agitação, inquietude, agressividade...
Tamas
é
a guna
sombria:
da inércia, da preguiça, da estagnação, da indolência, da
pobreza, da ignorância, da treva, da lerdeza, da depressão, da
negatividade, do desânimo, da astenia. . .
Cada
ser, objeto e até mesmo cada fenômeno ou estado de ser resulta do
jogo das gunas.
Há
sempre uma dominante, enquanto as duas outras são secundárias e
concomitantes. Quando numa pessoa satva
domina,
ela é boa, feliz, sábia, sóbria, tranqüila, harmoniosa, sã e
santa, embora em todo santo reste ainda vestígios de intranqüilidade
ou de indolência, alguma coisa ainda
não santa.
Rajásico
é o homem bruto, inquieto, conquistador, insatisfeito, lutador,
agressivo, sem paz, sem pouso, ansioso, agitado. . . No entanto, o
mais rajásico dos ditadores, é a custo que sufoca raros sátvicos
impulsos de generosidade e, vez por outra, sente a tamásica
necessidade de repouso e solicitações
à indolência.
Ninguém,
de igual modo, é totalmente tamásico, isto é, inerte, indiferente,
parado, amorfo, abatido e sem força.
As
pessoas são, assim, de três tipos: sátvicas,
rajásicas e
tamásicas.
São
normais quando sua fórmula triguna se mantém em razoável
estabilidade. O equilíbrio do tamásico é de nível inferior. É um
homem vencido, normalmente desanimado. O equilíbrio do combativo
rajásico é uma oitava acima, mas é tenso, instável e sofrido. O
homem sátvico é o próprio símbolo de maturidade, da calma e do
equilíbrio.
As
práticas de Hatha Yoga aumentam a dimensão rajásica no tamásico,
tirando-o do equilíbrio inferior, sacudindo-o para um viver menos
estagnado, levando-o a produzir algo. De início, isto acarreta
sofrimento, pois nada mais doloroso para o indolente do que o toque
do despertador a retirá-lo da inércia. Ele perde um pouco da cômoda
negatividade, a fim de que possa caminhar para a frente.
Ao
sempre agitado homem rajásico, as práticas do Yoga aumentam a
dimensão sátvica, dando-lhe maior clareza e harmonia ao agir.
No
sentido contrário ao do Yoga, o viver inconsciente e desarvorado
esvazia o homem de sua dose de satividade, comunicando- lhe agitação
febril ou fazendo-o cair na inércia e na depressão e ele, assim, é
apanhado pela desarmonia e pela enfermidade.
O
rajásico, de tanto exaurir-se na ação sem inteligência, por sua
vez acaba se fatigando e adoece em tamas.
Para manter-se sempre feliz, eficaz e sadio, o homem rajásico nunca
deveria esquecer-se de aumentar sua dimensão sátvica, isto é,
aquela que o manterá sereno, portanto mais criativo e eficaz em seu
agir.
O
tamásico precisa vencer sua inércia, isto é, aumentar sua dose de
rajas,
e,
sob pena de o fazer com imprudência, também precisa conquistar cada
vez
maior
satividade.
Chamo
nervoso rajásico aquele que, por falta de sabedoria, transformou a
vida num inferno pelo tanto que realizou e realiza, pelo tanto que
andou ambicionando e ainda deseja, pelo tanto que juntou para si e
pelo sobressalto de guardar tanto, pelo exaustivo e agitado viver que
o obsedia. Ele é inquieto, exaltado,
violento, às vezes instável, medroso, reagindo emocionalmente com
exagero a tudo, sem medida nem lógica. É inseguro. Vive em luta e
apavorado contra o que o ameaça. Tem imaginação fértil. É
hipertenso e vem a dar o agitado. Nele, portanto, o característico é
a energia — rajas
—
em excesso e confusão.
Nervoso
tamásico é quieto. É parado. É autista (virado para dentro),
astênico, calado, deprimido, isolado, abatido, apático. Sem forças,
sua única expressão é a máscara de desânimo. É o símbolo da
inércia — tamas.
Sua
pressão é baixa; seus
músculos de baixo tono e sem energia.
O homem
sátvico jamais é um nervoso. É feliz e harmonioso sempre. A
orientação geral para o tratamento de um nervoso rajásico é
exatamente a redução de seu excitamento, nunca de sua energia. É a
redução de sua tensão e desgaste e não de suas forças. É um
tratamento tranqüilizante, sedante, relaxante, equanimizante.
O
tratamento dos tamásicos é exatamente oposto: consiste em
esquentar,
em
estimular, em despertar o enfermo, aumentando-lhe a dosagem de rajas,
isto
é, vibracidade. É tratamento antidepressivo, estimulante e
energizante.
Tanto
num caso como noutro, isto é, quer se trate do agitado quer do
deprimido, a psicoterapia é indispensável. Chama-se psicoterapia o
tratamento do psiquismo, isto é, o da mente. O que o psicoterapeuta
visa é a dar à mente enferma um estado e um funcionamento mais
harmonioso, claro, sadio e livre de perturbações. Em outras
palavras, a psicoterapia consiste em dar satvidade à mente
tumultuada e impura.
Os
psiquiatras vêm tratando seus pacientes com psicotrópicos, isto é,
medicamentos (fármacos), que atuam sobre os nervos e sobre a mente.
Aos abatidos prescrevem drogas que produzam psicoanalepsia
e
neuroanalepsia,
isto
é, estimulantes da atividade mental (psicotônicos)
e
são neuro-energizantes ou antidepressivos e, assim, rajasificam os
tamásicos, exercendo
ação
antipsicótica.
Aos
agitados, ao contrário, tratam de levá-los à psicolepsia
e
neurolepsia,
através
de drogas calmantes, ataráxicas, tranqüilizantes, hipnóticas,
sedantes... conseguindo, destarte, reduzir a agitação rajásica e
relaxar tensões.
Com o
mesmo critério, visando aos mesmos efeitos, a yogaterapia aplica
suas técnicas psicolépticas ou psicanalépticas, isto é,
tranqüilizantes e estimulantes, respectivamente a nervosos rajásicos
e nervosos tamásicos.
Enquanto
que as drogas acarretam efeitos colaterais indesejáveis, inclusive a
"dependência" ou vício e a intoxicação, as técnicas da
Hatha Yoga, ao contrário, colaboram, sem quaisquer riscos ou
prejuízos, para a libertação satvizante do enfermo.
Visando
aos mesmos efeitos — tranqüilizantes para o rajásico e
antidepressivos para o tamásico — também a yogaterapia, em todos
os aspectos da vida, prescreve: pensamentos, sentimentos,
comportamentos, diversões, música, esportes, alimentos, artes
etc...
Há
sentimentos estimulantes. Também os há tranqüilizantes. Certas
músicas fazem dormir ou relaxar; outras atiçam e irritam. Alguns
alimentos excitam; outros acalmam.
Cada
tipo de nervoso — rajásico ou tamásico — precisa optar sobre o
que comer, qual a diversão, atividade, forma de artes, cores, e
emoções a evitar ou cultivar.

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