28.12.13

O CULTO DA COISA - Paul Brunton


Cada decênio dos últimos cem anos, na atual humanidade, tem visto mais orgulho, porém menos reverência, mais informação porém menos sabedoria, e mais franqueza porém menos bondade que o decênio precedente.

A perda dessas qualidades deve ser chorada. Pagamos muito caro a substituição do culto de Deus pelo culto da Coisa. Porque possuímos o automóvel, o avião e a bomba atômica, pretendemos saber mais do que nossos antepassados.

Sabemos, de fato, mas só a respeito de coisas. Na realidade sabemos menos acerca de nós mesmos, acerca dos propósitos ocultos da vida, acerca do mundo da realidade interna. Fazemos tão pouco do que realmente importa, e tanto do que é relativamente trivial!

A amplitude do conhecimento entre os antigos filósofos era limitada, mas não o era a profundidade do pensamento. Dessa maneira foi possível aos místicos realizar o milagre de chegar, com um número menor de fatos à sua disposição, a conclusões supremas mais verdadeiras a respeito do universo do que nós, os modernos, assim como a um conhecimento mais exato do ser essencial do homem.

A ciência saiu a campo a pôs-se a investigar o universo em todas as direções, exceto uma – o próprio cientista! Tamanhas são a pressão e a tensão de nossa pretensa vida civilizada, que se torna cada vez mais difícil aos homens encontrar um pouco de tempo para examinar o próprio eu, e ainda mais para sondá-lo.

 

VIDA NA CIDADE x VIDA NO CAMPO – Paul Brunton


A vida na cidade desenvolve a mente humana. Sua competição aguça a faculdade humana. Isto é bom quando equilibrado por sentimentos mais belos, mas é mau quando não existe o equilíbrio. A vida em grandes cidades estimula a inteligência, promove a ambição e desenvolve a personalidade, ao passo que a vida nas fazendas enrijece o corpo, aumenta a autoconfiança, mas achata a personalidade.

Os homens e mulheres que vivem em grandes cidades perderam o contato direto com a Natureza que possuíam seus antepassados lavradores. Os valores e virtudes que a vida citadina desenvolve na humanidade se convertem em deméritos e vícios quando levados ao excesso. Quando uma área metropolitana não é restringida em certo ponto, cria perturbações, perigos e males. Passa a concorrer para o materialismo sem alma de seus habitantes.

O rápido crescimento de enormes centros comerciais e industriais acarretou uma existência artificial, antinatural. Esta, por sua vez, redundou em desequilíbrio mental e enfermidade física. Os ruídos estridentes desgastam os nervos e conturbam a saúde mental.

O desejo da beleza verde e da paz do campo, que se expressa em escapadas de fim de semana para fora da cidade, ou em jardinzinhos em volta da casa, é no fundo um desejo espiritual. O rompimento de todo contato com a Natureza durante longos períodos priva o morador das cidades de um alimento vital para seu eu interior.

 


INICIAÇÃO PELO MANTRA – Swami Prabhavananda


Na Índia, quando um discípulo vai ao mestre para ser iniciado, ele recebe um mantra. O mantra consiste de uma ou mais palavras sagradas que o discípulo deve repetir e meditar sobre, até o fim de sua vida. Este mantra é considerado muito sagrado e particular – é a semente dentro da qual a sabedoria e poder do mestre passa ao discípulo.

Este mantra nunca deverá ser revelado a qualquer outro ser humano. Ele poderá ser repetido (japa) em voz alta quando se está sozinho, ou em silêncio em meio a outras pessoas. Como os aspirantes procuram repetir o mantra um número fixo de vezes, eles usam rosário (mala) de 108 contas a fim de saber o número de repetições.

A prática da repetição do mantra não está confinada ao hinduísmo. Os católicos a ensinam também. A Ave Maria é um mantra, ou ainda a oração “Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim”, usada pelos ortodoxos.

Nota: no Brasil a única instituição séria que dá iniciação em mantra é o Ramakrishna Vedanta Ashrama, situado no Largo Senador Raul Cardoso, 146 e 204, São Paulo, SP.

Fones: (11) 5572-0428 e 5908-1970 - www.vedanta.org.br

 

OS PODERES DERIVADOS DA CONCENTRAÇÃO IÓGUICA – Swami Prabhavananda


A concentração no yoga é certamente difícil de obter, e pode-se levar toda uma vida para consegui-la, mas ainda assim é um poder material (dentro de Prakriti). Portanto, tem suas tentações e perigos.

Conhecer a natureza interior de um objeto é ganhar poder sobre aquele objeto. À medida que o aspirante cresce na concentração, ele pode subitamente ver-se possuidor de poderes psíquicos – pode ser capaz de curar o doente, ler os pensamentos alheios, predizer o futuro ou controlar certas forças da natureza.

A possessão de tais poderes apresenta uma terrível tentação de usá-los por motivos de ganância e ambição pessoais. E infelizmente é verdade que muitos que adentram o ocultismo procuram estes poderes, e nada mais.

Tudo é uma questão de pureza de motivos. A cocaína, nas mãos de um médico responsável, é um benéfico anestésico; nas mãos de um viciado, é um destruidor mortal da saúde física e mental. Do mesmo modo, os poderes ocultos são usados por um santo com discriminação e desapego; ele nunca os usa para sua vantagem ou desejos pessoais.

Mas a pessoa impura que adquire estes poderes não pode usá-los corretamente; e mais cedo ou mais tarde eles causarão sua ruína. Nos contos de fada lemos simbolicamente como após conceder alguns desejos, o demônio ou gênio volta-se contra seu mestre e o domina, física e mentalmente.
  O sucesso em obter a concentração ióguica é frequentemente retardado por nossos karmas passados, nossos medos e desejos presentes, e a relativa força de nossa energia. Não se pode generalizar o período requerido, que pode para uns demorar meses, anos ou vidas. Tudo que se pode dizer é que nenhum esforço, mesmo que pequeno, é desperdiçado; quanto mais duramente tentarmos, mais rápido teremos sucesso.


 



26.12.13

O CONDE DE SAINT GERMAIN – Fraternidade Rosacruz

O Conde de St. Germain apareceu em Leipzig (Alemanha) em 1777 como o Príncipe Racogzy, da Transilvânia. A última menção histórica ao Conte de Saint Germain data de 1822, em tal caso estava embarcando para a India.

Ele nunca foi acusado de fraude, embora fossem feitos muitos esforços para estragar sua reputação. Suas habilidades e realizações eram as maravilhas daquele tempo. Pessoa célebre, transitava pelos altos círculos da sociedade, sendo um artista talentoso, músico, químico competente e um dedicado estudioso das disciplinas iogues e tântricas, que ele dominava, as quais, segundo a crença, aprendera durante sua viagem à Índia na companhia de lorde Clive. Quando na companhia de eruditos, provou ser letrado em quase todos os ramos da erudição.

Foi chamado "o homem que não morre", e é certo que o interesse por sua pessoa ainda está bem vivo. Saint-Germain foi um iniciado da Tradição dos Mistérios e deve ser incluído entre aqueles que os rosacruzes chamaram de servos do Generalíssimo do Mundo e fiéis secretários da Natureza.
Quanto à aparência pessoal, o conde de Saint-Germain é descrito como tendo altura mediana, corpo bem proporcionado e traços regulares e agradáveis. Ele era moreno e seu cabelo escuro, embora freqüentemente empoado. Vestia-se com simplicidade, usualmente de preto, mas suas roupas tinham bom corte e eram da melhor qualidade. 

Seus olhos possuíam um grande fascínio e aqueles que se fixavam neles eram profundamente influenciados. Segundo madame de Pompadour, ele afirmava possuir o segredo da juventude eterna e, em certa ocasião, afirmou ter conhecido Cleópatra pessoalmente e, em outra, ter conversado intimamente com a rainha de Sabá!
O conde de Saint-Germain era reconhecido como um estudioso e lingüista eminente da época. Sua habilidade lingüística beirava o sobrenatural. Ele falava alemão, inglês, italiano, português, espanhol, francês com sotaque piemontês, grego, latim, sânscrito, árabe e chinês com tal fluência que em cada país que visitava era aceito como nativo. 

"Erudito", escreve um autor, "falando cada língua civilizada admiravelmente, um grande músico, um excelente químico, ele desempenhava o papel de prodígio à perfeição." Até os seus detratores mais impiedosos admitiam que o conde possuía conhecimentos quase inacreditáveis em cada área do saber.
O conde era ambidestro a tal ponto que conseguia escrever o mesmo artigo com as duas mãos simultaneamente. Quando as duas folhas de papel eram depois sobrepostas e colocadas contra a luz, a escrita de uma folha cobria exatamente a da outra. Conseguia recitar páginas impressas após uma única leitura. Para provar que os dois hemisférios de seu cérebro podiam trabalhar independentemente, escrevia uma carta de amor com a mão direita e um conjunto de versos místicos com a esquerda, ambos ao mesmo tempo. Ele também cantava maravilhosamente.
Por meio de algo semelhante à telepatia, era capaz de sentir quando sua presença era necessária em alguma cidade ou estado distante e foi até registrado que ele tinha o hábito desconcertante de aparecer em seus alojamentos e nos de seus amigos sem recorrer ao uso convencional da porta.
Ele foi, por alguma circunstância curiosa, o patrono das estradas de ferro e dos navios a vapor. Franz Graeffer, em seu Recolections of Vienna, relata o seguinte incidente na vida do conde:
"Saint-Germain foi, gradualmente, adquirindo um ar solene. Durante alguns segundos, ficou rígido como uma estátua; seus olhos, que sempre eram expressivos além das palavras, tornaram-se opacos e sem cor. De repente, porém, seu ser inteiro se reanimou. Esboçou um gesto com a mão, como que em sinal de despedida, depois disse: 'Estou partindo. Não me visiteis. Ireis ver-me uma vez mais. Amanhã à noite partirei. Precisam de mim em Constantinopla, depois na Inglaterra, para preparar ali duas invenções que tereis no próximo século - trens e navios a vapor."
Como historiador, o conde possuía um conhecimento preciso de todos os fatos dos dois mil anos anteriores e, em suas lembranças, descrevia nos mínimos detalhes os fatos dos séculos precedentes nos quais desempenhara papéis importantes. Ele falava de cenas da corte de Francisco I como se as tivesse visto, descrevendo exatamente a aparência do rei, imitando sua voz, suas maneiras e sua linguagem - sugerindo o tempo todo ter sido testemunha ocular. No mesmo estilo, entretinha sua audiência com histórias agradáveis sobre Luis XIV, e os presenteava com descrições vívidas de lugares e pessoas.
A maioria dos biógrafos de Saint-Germain menciona seus hábitos peculiares com relação à alimentação. Era a dieta, declarava ele, combinada com seu maravilhoso elixir, que constituía o verdadeiro segredo da longevidade e, embora convidado aos mais suntuosos banquetes, recusava-se terminantemente a comer qualquer alimento que não fosse especialmente preparado para ele e de acordo com suas receitas. Sua alimentação consistia na maior parte em aveia, sêmola e carne branca de frango. 

Sabe-se que em raras ocasiões bebeu um pouco de vinho e sempre tomava elaboradas precauções contra a possibilidade de contrair resfriado. Freqüentemente convidado para jantar, dedicava o tempo, durante o qual deveria estar comendo, a entreter os outros convidados com histórias de magia e feitiçaria, aventuras fantásticas em lugares remotos e episódios íntimos da vida dos poderosos.
Numa dessas histórias sobre vampiros, Saint-Germain mencionou de forma despretensiosa que possuía a vara, ou o bastão, com o qual Moisés fizera brotar água das pedras, acrescentando que havia sido presenteado na Babilônia, durante o reinado de Ciro, o Grande.
Numa ocasião, ao relatar uma história sobre suas experiências num tempo remoto, falhou-lhe a lembrança clara de um detalhe que considerava relevante. Virou-se para seu pajem e perguntou: "Será que me enganei, Roger?" O bom homem respondeu no mesmo instante: "O senhor conde esquece que eu estou com ele há apenas quinhentos anos. Portanto, não poderia ter estado presente nessa ocasião. Deve ter sido o meu predecessor."
Suas habilidades de químico eram tão profundas que conseguia remover defeitos de diamantes e esmeraldas, façanha essa que, de fato, realizou a pedido de Luís XV em 1757. Pedras de valor comparativamente pequeno eram transformadas em pedras preciosas de primeira água depois de permanecer com ele por um curto período de tempo.
Foi na corte de Versalhes que o conde de Saint-Germain encontrou-se frente a frente com a condessa de Gergy, já em idade avançada. Ao ver o célebre mago, a velha senhora recuou espantada e ocorreu entre os dois a seguinte conversa, bem autenticada por documentação.
- Há cinqüenta anos - disse a condessa - eu era embaixatriz em Veneza e me lembro ter-vos visto lá com a mesma aparência de agora, talvez um pouco mais maduro, pois rejuvenescestes desde então.
Com uma profunda mesura, o conde respondeu com dignidade:
- Sempre me considerei feliz por ser capaz de me fazer agradável para as senhoras.
Se Luís XV tivesse se beneficiado da sabedoria e dos avisos proféticos do misterioso conde, o Reino do Terror poderia ter sido evitado. Saint-Germain sempre foi o protetor, jamais o protegido. Luís havia encontrado o diplomata sem mácula.
As viagens do conde de Saint-Germain cobriam um período longo, de muitos anos, e uma grande variedade de países. Ele era conhecido e respeitado da Pérsia à França, e de Calcutá a Roma. Frederico o Grande, Voltaire, madame de Pompadour, Rousseau, Chatham e Walpole, todos que o conheceram pessoalmente, rivalizavam entre si na curiosidade sobre suas origens.

 Durante as muitas décadas nas quais ele esteve diante do mundo, ninguém conseguiu descobrir por que apareceu como agente jacobita em Londres, conspirador em Petersburgo, alquimista e conhecedor de quadros em Paris, ou general russo em Nápoles. 

De vez em quando a cortina que oculta suas ações é afastada e nos é permitido vê-lo tocando violino na sala de música em Versalhes, trocando idéias com Horace Walpole em Londres, sentado na biblioteca de Frederico o Grande em Berlin, ou conduzindo reuniões de iluministas nas cavernas ao longo do Reno.
Nada se sabe a respeito da fonte do conhecimento oculto do conde de Saint-Germain. Com toda a certeza, ele não só demonstrava possuir uma vasta sabedoria, mas também deu muitos exemplos corroborando suas reivindicações. Quando lhe perguntaram uma vez sobre ele mesmo, respondeu que seu pai era a Doutrina Secreta e sua mãe, os Mistérios. Saint-Germain tinha total domínio dos princípios do esoterismo oriental. Praticava o sistema oriental de meditação e concentração, tendo sido visto, em várias ocasiões, sentado com os pés cruzados e mãos unidas na posição de um Buda hindu. Possuía um retiro no coração do Himalaia para onde se retirava, periodicamente, do mundo. Em certa ocasião, declarou que permaneceria na Índia por oitenta e cinco anos e depois retornaria à cena de seus trabalhos na Europa.
Em diversas ocasiões, admitiu que obedecia as ordens de um poder mais alto e maior que ele mesmo. O que não disse era que este poder superior era a Escola de Mistérios que o enviara para o mundo a fim de realizar uma missão específica. O conde de Saint-Germain e sir Francis Bacon são os dois maiores emissários enviados ao mundo pela Irmandade Secreta nos últimos mil anos.
Os princípios disseminados pelo conde de Saint-Germain eram sem dúvida de origem rosacruz e permeados pelas doutrinas dos gnósticos. O conde foi o espírito impulsor do movimento rosacruz durante o século XVIII - possivelmente, o verdadeiro chefe dessa ordem - e suspeita-se que foi o grande poder por trás da Revolução Francesa. Existe razão também para acreditar que o famoso romance de lorde Bulwer-Lytton, Zanoni, seja na verdade o relato da vida e das atividades de Saint-Germain.
O Conde de St. Germain, segundo Max Heindel foi uma das últimas encarnações de Christian Rosenkreutz, fundador da Ordem Rosacruz.

saint germain





9.11.13

STALIN E HITLER - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Não estou certa de que Stalin fosse um ser humano. Acredito que era a encarnação direta de um ser do mundo vital (mundo próximo ao físico, povoado por entidades negativas). E esta era a grande diferença entre ele e Hitler. Hitler era simplesmente um homem, sentimental e fraco mentalmente. Ele tinha a consciência de um trabalhador comum, de um sapateiro ou operário.

Mas ele era possuído, era um médium muito bom – a coisa se apossava dele, e quando pensavam que ele tinha ataques de epilepsia, era na verdade uma possessão. Quando queria saber algo daquele poder, ia para seu castelo e ali, em “meditação”, invocava intensamente o que ele chamava de seu “deus”, seu deus supremo, que era o Senhor das Nações (um Asura chamado Senhor da Falsidade) .

E tudo lhe parecia grandioso – o ser lhe aparecia em armadura de prata, com um capacete de prata e plumas douradas!  E desse ser saía uma luz ofuscante, que ele mal podia ver e suportar. Hitler tinha um tipo de clarividência. E era nessas ocasiões que ele tinha seus ataques: rolava no chão, babava, mordia o tapete, seu estado era assustador.

E aquele ser nem mesmo era o Senhor das Nações em sua origem, era uma emanação do Senhor das Nações, uma emanação muito poderosa.


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QUEM É JEOVÁ, A DIVINDADE DO ANTIGO TESTAMENTO - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Um ocultista costumava dizer que a verdadeira interpretação da história da Bíblia sobre o paraíso e a serpente é que o homem quis se elevar de um estado de divindade animal – como os animais – para um estado de divindade consciente desenvolvendo a mente – e isto é o que o símbolo significa quando se diz que comeram da fruta da árvore do conhecimento. E  este ocultista sempre dizia que a serpente era iridescente, isto é, tinha todas as cores do arco-íris; ela não era em absoluto o espírito do Mal, ela era a força evolutiva, o poder da evolução, e logicamente foi este poder que os fez provar da fruta do conhecimento.

Assim, de acordo com ele, Jeová era o chefe dos Asuras, o supremo Asura, o deus egoísta que quis dominar tudo e ter tudo sob seu controle. E desde que tinha tomado a posição de senhor supremo em relação à realização da Terra, logicamente não lhe agradava que o homem fizesse um progresso mental, pois isto lhe traria um conhecimento que o capacitaria a não mais obedecer! Isto o deixou furioso! Pois isto capacitaria o homem a se tornar um deus pelo poder evolutivo da consciência. E por isto foram expulsos do paraíso.

Existe uma grande porção de verdade nisso. E Sri Aurobindo concordava totalmente. Ele disse a mesma coisa. É o poder evolucionário – o poder da mente – que levou o homem ao conhecimento, um conhecimento separativo. E é um fato que o homem se tornou consciente de si mesmo com o sentido de bem e mal. Mas logicamente, isto estragou tudo e ele não pôde mais ficar ali. Ele foi expulso por sua própria consciência.

OS QUATRO GRANDES ASURAS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Havia quatro grandes Asuras (que ambicionavam o poder no planeta Terra). Dos quatro, dois se converteram. Estão tomando parte no trabalho divino. Os outros dois resistem bem. Por quanto tempo vão resistir? Veremos. Assim, eles têm a escolha entre ser convertido, isto é, tomar seu lugar na totalidade, ou ser dissolvido, isto é, reabsorvido em sua origem.

Há um deles que quase tentou a conversão, mas não conseguiu. Quando estava para ser feita, pareceu-lhe completamente desagradável. Assim ele a adiou até outra época. Quanto ao outro, ele recusa-se a tentar. Ele tem uma posição muito importante no mundo, porque as pessoas que nada sabem o chamam “Senhor das Nações”.

De fato, eu estava falando um momento atrás sobre as forças que governam o mundo e não querem abandonar seu papel em absoluto. Elas estão perfeitamente satisfeitas com ele – não é que os Asuras não saibam que seu fim virá um dia, mas mesmo assim continuam a adiar enquanto podem. Mas como não têm dimensões humanas, isso pode durar por um longo tempo. Enquanto encontrarem em algum lugar sobre a terra uma consciência humana pronta a responder a sua influência, estas forças permanecerão. Então você pode imaginar o problema! Mas não é através de indivíduos, é através de nações que exercem sua influência.

Pergunta: Quais são as duas forças que já estão convertidas? Você disse que havia quatro forças divinas: Amor, Luz, Verdade e Vida. Então estas quatro forças se separaram do Divino e se transformaram em falsidade...

Sim, é algo assim! Luz, Amor, Vida e Verdade. Então a Luz ou Consciência se tornou Escuridão e Inconsciência. Amor e Felicidade se tornou Ódio e Sofrimento, e a Verdade se tornou Falsidade, e a Vida se tornou a Morte. O primeiro está convertido e trabalha, mas se recusou a tomar um corpo humano, ele diz que é uma limitação em seu trabalho; talvez um dia ele tomará um, mas por enquanto ele se recusa. O segundo está convertido e sua própria vontade foi dissolvida. Ele foi dissolvido em sua origem. E os últimos dois estão resistindo. O da Morte tentou encarnar. Mas não pôde ser convertido. Ele tentou encarnar, o que é algo muito raro. Mas foi uma encarnação parcial, não total. Isto é difícil para eles, uma encarnação total. Os corpos humanos são muito pequenos, as consciências humanas também são muito pequenas. Quanto ao outro, ele tem emanações que são muito ativas em certos corpos humanos e tem exercido um grande papel na história recente da terra!


Pergunta: Os Asuras não lutam entre si?

Oh sim! Assim como os homens que estão sob influência asúrica. Eles são os piores inimigos entre si. Devemos dizer que é uma bênção que assim seja, porque se tivessem compreensão, as coisas seriam muito mais difíceis. Talvez assim seja porque é a lei de equilíbrio que governa o mundo. É assim para que a força de sua influência seja menor. O Senhor da Falsidade tem verdadeiramente uma grande influência.

Pergunta: Mãe, a Falsidade não tentou encarnar?

Ele enviou emanações à terra, mas não acho que foi com o propósito de conversão. De qualquer modo, ele não conseguiu. As forças adversas normalmente não trabalham sobre um homem. Elas tentam apoderar-se da atmosfera terrestre, e sem dominar os homens, elas não podem dominar a atmosfera terrestre, porque é no homem que se manifesta a mais alta força terrestre.



O CONFLITO ATUAL ENTRE O BEM E O MAL - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

O conflito do mundo atual é essencialmente o conflito das forças adversas; as forças antidivinas estão tentando impedir a realização Divina o mais que podem... elas esperam isso há milhares de anos.

E é este conflito que chegou a uma crise. É a última chance dessas forças; e aqueles que estão por trás de sua ação externa são seres completamente conscientes, eles sabem muito bem que é sua última chance, e farão tudo que podem para isso, e o que podem é muito. Não são pequenas consciências humanas comuns. Não são em absoluto consciências humanas. São consciências que, comparadas às possibilidades humanas, parecem ser divinas em seu poder, sua força e seu conhecimento.

Portanto é um terrível conflito, totalmente concentrado na terra, porque eles sabem que é sobre a terra que a primeira vitória deve ser ganha – a vitória decisiva, que vai determinar o curso do futuro da terra. Àqueles que tem um coração nobre, é uma oportunidade para se elevarem acima de si mesmos, e poderão ser felizes mesmo quando as coisas se tornarem perigosas.

CONVERTER OS PAGÃOS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

A primeira vez que vim à Índia, vim num navio japonês. E neste navio japonês havia dois clérigos, isto é, pastores protestantes, de diferentes seitas. Acho que um anglicano e o outro presbiteriano. Então chegou o domingo, e deveria haver uma cerimônia no navio, do contrário pareceríamos pagãos, como os japoneses! Mas quem faria a cerimônia? O anglicano ou o presbiteriano?

Depois de discutirem, um deles deu-se por vencido, acho que o anglicano, e o presbiteriano fez a cerimônia, que aconteceu no salão do navio. Então todos os homens colocaram seus ternos, sapatos de couro, chapéus, e seguiram com um livro embaixo do braço, quase em procissão até o salão. As senhoras colocaram seus chapéus, algumas com guarda-sol, e elas também com um livro sob o braço, um livro de orações. E encheram o salão.

O presbiteriano fez um sermão e todos ouviram muito religiosamente. E quando tudo acabou, saíram com um ar de satisfação, de alguém que tivesse cumprido seu dever. E cinco minutos depois estavam no bar bebendo e jogando cartas, e sua cerimônia religiosa estava esquecida. Tinham feito seu dever e nada mais tinham a dizer a respeito.

E o pastor veio e me perguntou, polidamente, por que eu não havia comparecido.
Eu lhe disse: “Senhor, sinto muito, mas não creio em religião.”
O pastor: “Oh, você é materialista?”
Eu: “Não, absolutamente.”
O pastor: “Então por que?”
Eu disse: “Se eu lhe dissesse, ficaria desapontado, talvez seja melhor nada dizer”.

Mas ele insistiu tanto que finalmente eu disse, “Não acho que vocês sejam sinceros, nem você nem seu rebanho. Vocês foram apenas atender um dever e um costume social, mas não porque queriam realmente entrar em comunhão com Deus.”
O pastor, “Entrar em comunhão com Deus! Mas não podemos fazer isto! Tudo que podemos fazer é dizer algumas boas palavras, mas não temos capacidade para entrar em comunhão com Deus.”
Então eu disse, “Mas é justo por causa disso que não fui, não me interessa.”

Depois disso ele me fez muitas perguntas e admitiu que estava indo para a China para converter os “pagãos”.

Então eu fiquei séria e disse a ele, “Ouça, antes que sua religião surgisse, antes mesmo de dois mil anos atrás, os chineses tinham uma elevada filosofia e conheciam o caminho que os leva ao Divino; e quando eles pensam nos ocidentais, pensam neles como se fossem bárbaros. E você está indo converter aqueles que sabem mais que você? O que você vai ensiná-los? A serem insinceros, a realizar cerimônias vazias ao invés de seguir uma profunda filosofia que os leva ao desapego e à consciência espiritual? Não creio que seja uma boa coisa que você está indo fazer.”

Então, o pobre homem se sentiu tão sufocado; ele me disse, “Acho que não posso ser convencido por suas palavras!”
“Oh!”, eu disse, “não estou tentando convencê-lo, apenas descrevi a situação, e o motivo de não haver razão para bárbaros quererem ir e ensinar a pessoas civilizadas aquilo que elas conhecem há mais tempo que você. Apenas isso.”


E a coisa terminou aí.



A NATUREZA DOS ASURAS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Um  Asura é geralmente um ser consciente e ele sabe que tem um fim. Ele sabe que a atitude que tomou no universo vai destruí-lo após algum tempo.

Naturalmente, o tempo de um Asura é extremamente longo se comparado à vida de um homem. Mesmo assim, ele sabe que terá um fim, porque se separou da Eternidade. Assim ele tenta realizar seu plano o máximo que puder até o dia de sua derrota completa.

E possivelmente, se lhe for permitido realizá-lo, a derrota virá mais cedo. É talvez por essa razão que atualmente grandes coisas estão por ser feitas -  é neste tempo que as forças adversas estão mais ativas, mais violentamente ativas, e aparentemente têm mais sucesso. Elas parecem ter um campo claro: talvez para que as coisas possam ser mais rapidamente terminadas.


*Nota: os Asuras são uma classe de seres muito poderosos e inteligentes, no entanto voltados ao mal, em consequência de sua desmedida ambição e orgulho.

A VERDADEIRA BELEZA - na visão dos espíritos


(relato de dois espíritos que observam uma família encarnada, isto é, no corpo físico)

A pequena família se reuniu, ao redor da mesa posta, e a esposa do médico me impressionou pelo apuro da apresentação. A pintura do rosto, sem dúvida, era admirável. O traje elegante e sóbrio, as jóias discretas e o penteado harmonioso realçavam-lhe a profundez do olhar, mas rodeava-se ela de substância fluídica deprimente. A aura escura denunciava-lhe a posição de inferioridade. Socialmente, aquela dama devia ser das de mais fino trato; contudo, terminado o jantar, deixou positivamente evidenciada sua deplorável condição psíquica. Depois de uma discussão menos feliz com o marido, a jovem mulher buscou o sono da sesta, num sofá largo e macio.

Intencionalmente, Maurício convidou-me a observar-lhe o repouso e, com enorme surpresa, não lhe vi os mesmos traços fisionômicos no corpo astral que abandonava a estrutura carnal, entregue ao descanso. Alguma semelhança era de notar-se, mas, afinal de contas, a senhora tornara-se irreconhecível. Estampava no rosto os sinais das bruxas dos velhos contos infantis. A boca, os olhos, o nariz e os ouvidos revelavam algo de monstruoso.

Lembrei-me, então, do livro em que Oscar Wilde nos conta a história do retrato de Dorian Gray, que adquiria horrenda expressão à medida que o dono se alterava, intimamente, na prática do mal e, endereçando a Maurício olhar indagador, dele recebi esclarecimento:

— Sim, meu amigo — disse, tolerante —, a imaginação de Wilde não fantasiou. O homem e a mulher, com os seus pensamentos, atitudes, palavras e atos criam, no íntimo, a verdadeira forma espiritual a que se acolhem. Cada crime, cada queda, deixam aleijões e sulcos horrendos no campo da alma, tanto quanto cada ação generosa e cada pensamento superior acrescentam beleza e perfeição à forma astral, dentro da qual a individualidade real se manifesta, principalmente depois da morte do corpo denso. Há criaturas belas e admiráveis na carne e que, no fundo, são verdadeiros monstros mentais, do mesmo modo que há corpos torturados e detestados, no mundo, escondendo Espíritos angélicos, de celestial formosura.

E mostrando a infeliz que se ausentava de casa, semiliberta do veículo material, acentuou:
— Esta irmã desventurada permanece sob o império de Espíritos gozadores e animalizados que, por muito tempo, a reterão em lastimáveis desequilíbrios. Acreditamos que ela, sem fé renovadora, sem ideais santificantes e sem conduta digna, não perceberá tão cedo os perigos que corre e somente se lembrará de chorar, aprender e transformar-se para o bem, quando se afastar, em definitivo, do vaso de carne, na condição de autêntica bruxa.




5.10.13

A CONTINÊNCIA SEXUAL NA ADOLESCÊNCIA - Swami Sivananda

 Quando o estudante alcança a adolescência, certas mudanças acontecem no corpo físico. A voz muda. Novas emoções e sentimentos surgem. Naturalmente o jovem se torna curioso e consulta os garotos de rua. Assim fica mal aconselhado. Arruína sua saúde devido a hábitos vis. Um conhecimento claro da saúde sexual, higiene e Brahmacharya, de como controlar a paixão, deve ser dado a ele.


Conversas suaves com os garotos e garotas são muito necessárias quando entram na puberdade. As matérias relativas ao sexo não devem ser mantidas ocultas. O silêncio apenas excitará a curiosidade do adolescente. Por outro lado, se ele entender estas coisas claramente no devido tempo, seguramente não será desencaminhado por más companhias.

Tem havido mais sofrimento causado pela ignorância dessas matérias que por qualquer outra coisa. Os professores e pais devem observar a conduta dos jovens e imprimir claramente em sua mente a importância vital de brahmacharya (continência). Panfletos sobre Brahmacharya devem ser livremente distribuídos a eles.

Os professores devem explicar aos adolescentes a importância de Brahmacharya e instruí-los nos vários métodos pelos quais eles podem preservar o sêmen, a força-da-alma que está escondida neles.
 






3.10.13

COMO OS SERES HUMANOS SÃO TESTADOS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

As forças hostis, em sua relação com os seres humanos, têm um malvado prazer em testá-los. Por exemplo, se você não é muito forte e sincero, e diz a si mesmo, “Estou seguro da minha fé”, imediatamente algo acontece que vai tentar balançar sua fé completamente. Esta é a diversão daquelas forças. 

Quando alguém se gaba de algo, “Estou certo disso, nunca farei esse erro”, imediatamente vejo uma formação hostil passando ali, e entrando e preparando tudo para que você faça exatamente o que não queria fazer. Mas isso é uma diversão, é algo para te atrapalhar o progresso (a Mãe ri). Mas se você souber levar, isso pode ajudá-lo a progredir. Você diz, “Bom, da próxima vez não me gabarei.”


Como essas forças são muito conscientes nos planos mental e vital, a pessoa nem tem de dizer as palavras. Por exemplo, se você se esforçou para corrigir um mau hábito ou uma fraqueza e teve um certo sucesso. Então, se apenas mentalmente disser a si mesmo que teve sucesso, no momento seguinte as forças hostis testam você. 

Isto é uma coisa muito certa, porque existem muitas testemunhas (espirituais) ao seu redor que são notoriamente maliciosas, e isto as diverte terrivelmente. Às vezes, inclusive, eu as ouço rir quando alguém diz algo francamente. E no momento seguinte, tudo está desfeito.

PARA DESENVOLVER A CORAGEM - Swami Sivananda


1 - Repita a fórmula “Om coragem” mentalmente, várias vezes ao dia.

2 - Medite e afirme:

Eu sou todo coragem OM OM OM
Eu sou a encarnação da coragem OM OM OM
Eu sou como Bhishma OM OM OM
Eu sou um grande herói OM OM OM
Minha vontade é muito poderosa OM OM OM
Não tenho medo de nada OM OM OM
Sou audacioso e nobre OM OM OM
A coragem é meu direito de nascimento OM OM OM













27.9.13

AS EXPERIÊNCIAS NA MEDITAÇÃO - Swami Sivananda


No início da meditação, podem aparecer na frente da testa luzes de várias cores, assim como vermelhas, brancas, azuis, verdes, uma mistura de verde com vermelho, etc. Cada tattva (elemento) tem seu próprio matiz. Prithvi tattva (terra) tem a cor amarela. Apas tattva (água) é branco. Agni tattva (fogo) possui a cor vermelha. Vayu tattva (ar) é verde. Akasa (éter) é de cor azul. As luzes coloridas se devem a estes tattvas.
 
Algumas vezes aparece na frente da fronte um grande sol ou uma grande lua durante a meditação. Não ligue para essas aparições. Tente mergulhar profundamente na fonte dessas luzes.
 
Os seres ou objetos com os quais se entra em contato no primeiro período da meditação pertencem ao mundo astral. São seres humanos sem o corpo físico. Eles têm desejos, anseios, amor, ódio etc. da mesma forma que os humanos encarnados. Têm corpos sutis, podem se mover livremente, têm visão clarividente de uma ordem inferior.
 
As formas mais brilhantes são devas do mundo mental ou de mundos mais elevados que descem para dar-lhe darshan (a bênção da presença) e para estimulá-lo.
 
Às vezes aparecem devas (seres divinos), rishis (sábios) e siddhas (pessoas com poderes paranormais) durante a meditação. Receba-os com honrarias. Curve-se diante deles. Receba conselho deles. Eles lhe aparecem para ajudar e encorajar.
 
No início da meditação e da concentração verá, no centro da fronte, uma luz brilhante que durará meio ou um minuto e depois desaparecerá. Às vezes um sol de 6 ou 8 polegadas de diâmetro, com ou sem raios, será visto.
 
Quando você tem vislumbres do Eu, quando você vê a luz abrasadora, quando recebe alguma experiência espiritual extraordinária, não caia para trás de terror. Não desista das práticas. Não confunda isso com fantasmas. Seja corajoso. Avance alegremente e com coragem.

 

O PODER DO SILÊNCIO - Swami Sivananda


Entenda o poder do silêncio. O poder do silêncio é infinitamente maior que conferências, palestras, orações e discursos. O Senhor Dakshinamurti (um aspecto de Shiva) ensinou os quatro grandes sábios que dirigem os destinos da Terra (Sanaka, Sanándana, Sanátana e Sanat Kumara) através do silêncio. A linguagem do silêncio é a linguagem do coração. Sente-se silenciosamente e controle as ondas mentais. Sente-se silenciosamente e envie sua força espiritual interior para todo o mundo. Viva em silêncio. Descanse em silêncio. Conheça o Eu interior e liberte-se.

Quando você se sentar para a meditação de manhã, envie seu amor e paz para todas as criaturas que vivem. Diga: 
Sarveshám shántir bhavatú (possa a paz estar com todos), 
sarveshám svásti bhavatú (possa a prosperidade estar com todos), 
lokahá samastahá súkhino bhavatú (possa a felicidade estar no mundo todo).

Durante a meditação você perderá a noção do tempo. Não ouvirá nenhum som. Não terá ideia do ambiente que o cerca. Esquecerá seu nome e seu relacionamento com outras pessoas. Gozará de paz. Sentirá uma alegria inexplicável e uma felicidade indescritível.

 

23.9.13

ONDE E QUANDO MEDITAR - Swami Sivananda


Um aspirante que medita num quarto solitário e silencioso de sua casa terá tanta quietude ali como na floresta. Apenas não terá as vibrações espirituais adequadas como teria em Rishikesh, Uttarakasi ou Gangotri.

As vibrações representam um importante papel na elevação da mente e na produção da concentração. Nesses lugares sagrados, as vibrações dos Rishis (sábios) são depositadas no espaço etéreo e os aspirantes são grandemente beneficiados por elas.

O desapego, a inspiração sátvica e a disposição meditativa aparecem espontaneamente, sem esforço, em tais lugares sagrados. Algumas senhoras que desciam do trem em Rishikesh, ao verem as montanhas do Himalaya, gritaram: “Quem é o filho? Quem é o pai? Tudo é Maya. Tudo é ilusão!”

Tal é a influência poderosa das vibrações da mente. Somente sábios e yoguins podem notar de imediato a natureza das vibrações de um lugar de meditação.

Nas horas da madrugada, das 4 às 6h, sua mente será mais brilhante e tranqüila. Há uma influência espiritual e um silêncio misterioso nesse horário. Todos os santos e yogues praticam a meditação nesse período e enviam suas vibrações espirituais para todo o mundo.

Você será altamente beneficiado por elas se iniciar sua meditação nesse tempo. Não precisa se esforçar, o estado meditativo surge por si mesmo.

FASES DA MEDITAÇÃO - Swami Sivananda

Durante a meditação, você entrará em êxtase, que é de cinco tipos: a excitação menor, o êxtase efêmero, o êxtase transbordante, o êxtase arrebatador e o êxtase que a tudo permeia.
A excitação menor arrepiará os pelos do corpo (como a pele dos gansos). O êxtase efêmero é como o coruscar de relâmpagos, de momento em momento. O êxtase transbordante inunda o corpo e transborda, como as ondas que se quebram na praia. O êxtase arrebatador é forte e eleva o corpo a ponto de arremessá-lo para o ar. Quando sobrevém o êxtase que a tudo permeia, o corpo fica completamente saturado e estufado como uma bexiga cheia.

Poderes maravilhosos são obtidos pelo yoguin, como a clarividência, a clariaudiência, a capacidade de transportar-se a grandes distâncias num instante, grande poder de oratória, habilidade de assumir qualquer forma, habilidade de tornar-se invisível, o poder da transformação de ferro em ouro, leitura de pensamentos, domínio de mentes alheias etc.

AS APARÊNCIAS NA VIDA ESPIRITUAL - Swami Sivananda


Conhecer as coisas traz sua própria luz. Não se iluda. 

A emoção é tomada, enganosamente, por devoção; saltos violentos no ar, durante o sankirtan (dançar e cantar para a Divindade), são tomados por êxtase divino; desmaiar de exaustão por pular demais é tomado por bhava samadhi (êxtase devocional); inquietude e movimento são tomados por atividade divina e karma yoga; um homem tamásico (inerte) é tomado por um homem sátvico (harmonioso); o movimento do reumatismo costal é tomado pela ascensão da kundaliní; sono profundo é tomado por samadhi (êxtase); construção de castelos no ar é tomada por meditação; nudez física por estado de jivanmukta (iluminado).

Se o corpo for leve, se a mente for clara, se houver boa disposição, saiba que você está meditando. Se o corpo for pesado, a mente obtusa, saiba que você esteve dormindo enquanto meditava.

3.9.13

SÁDHANA E EVOLUÇÃO - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram


O corpo foi feito para fazer yoga. O período que a pessoa passa sobre a terra é aquele no qual pode fazer progresso. A pessoa não progride depois de deixar o corpo. A vida material é essencialmente a vida de progresso, é aqui que se pode progredir.

Fora da vida material (após deixar o corpo), a pessoa descansa, ou fica inconsciente, ou pode ter períodos de assimilação. Portanto, quando você toma um corpo é para progredir, e quando o deixa o período de progresso terminou.

E o verdadeiro progresso é sádhana (prática espiritual); este é o mais consciente e rápido progresso. Do contrário, a pessoa vai progredir com o ritmo da Natureza, o que significa que pode levar séculos e milênios para acontecer um progresso mínimo. Mas o verdadeiro progresso é feito através da sádhana.

No yoga, a pessoa pode fazer em curto tempo aquilo que de outro modo levaria um tempo interminável. É por isso que, quando está no corpo, a pessoa deve tirar vantagem disso e não perder tempo dizendo: “Mais tarde, mais tarde.” É bem melhor fazer agora. Os anos que você passa sem fazer nenhum progresso são anos perdidos, dos quais mais tarde certamente se lamentará.

A GRAÇA DIVINA - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram


Pergunta: Como aceitar a Graça Divina com gratidão?

A Mãe: Ah! Primeiro de tudo, você deve sentir a necessidade dela. Deve ter uma certa humildade interior que te faz consciente de seu desamparo sem a Graça, que sem ela você está incompleto e fraco.

 Mesmo pessoas que nada sabem, quando se encontram em circunstâncias difíceis ou com um problema a ser resolvido, percebem que estão perdidas, não sabem o que fazer – então acontece, há algo dentro delas como um tipo de chamamento por algo que possa fazer o que elas não podem. Esta é a primeira condição.

E então, se você se conscientizar de que apenas a Graça Divina pode te salvar, dar a solução e a força, naturalmente uma intensa aspiração desperta em ti. Se você chamar e aspirar, e esperar ter uma resposta, você se abrirá à Graça. E mais tarde, a Graça responderá, te tirará do problema ou da dificuldade.

Mas ao estar livre do problema, não esqueça que foi a Graça que te salvou, não pense que foi você mesmo que resolveu tudo. Este é o ponto mais importante. Muitas pessoas, assim que a dificuldade se vai, dizem: “No final das contas, eu me livrei da dificuldade muito bem.” E assim você fecha a porta e não pode mais receber nada. E novamente precisa de uma aguda agonia, uma terrível dificuldade, para que essa estupidez se vá mais uma vez, para perceber mais uma vez que sozinho você nada pode.

Porque apenas quando você se conscientiza de que é fraco, é que começa a se abrir um pouco e a ser menos rígido. Mas enquanto pensa que tudo depende de sua própria habilidade e capacidade, não apenas você fecha a porta, fecha na verdade várias portas uma sobre a outra, e as tranca. Você se tranca numa fortaleza e nada pode entrar ali. Esta é a grande inconveniência: a pessoa se esquece muito rapidamente de como se livrou de seus males.

Pergunta: Mas Mãe, mesmo quando alguém tenta pensar que não tem poder, há algo dentro dele que acredita que é poderoso.

A Mãe: Ah, sim! Ah, é muito difícil ser sincero. É por isso que se recebem tantos golpes, e às vezes alguns terríveis, porque isto é a única coisa que quebra a estupidez. Apenas quando a pessoa está numa situação muito dolorosa, é que essa estupidez se derrete um pouco. Quantos golpes são necessários na vida para a pessoa saber profundamente que ela nada é, nada pode fazer, que ela não existe sem a Consciência Divina dentro dela! No momento que a pessoa sabe isso, todas as dificuldades vão embora. Mas esse momento demora muito para chegar.