Os
venenos atacam e depredam terrivelmente a tessitura do perispírito
do suicida, pois produzem nele lesões astrais que se prolongam pelas
encarnações seguintes, causando incessante aflição e enfermidade
no futuro corpo de carne.
Além
do sofrimento dantesco que o suicida tem de suportar após a sua
morte tresloucada - vivendo incessantemente todo o fenômeno de sua
agonia final, que só se extingue quando também atinge o limite
exato que lhe restava para viver fisicamente, ele não pode se furtar
a efeitos daninhos e enfermidades que ainda se prolongarão
vigorosamente pela encarnação seguinte.
Então
a Lei Cármica providencia para que, através de outra encarnação,
o tóxico etérico seja condensado pelo corpo carnal e depois drenado
para a terra, quando o cadáver se desmantelar no sepulcro. Daí o
fato de em posterior existência serem muitos ex-suicidas portadores
de organismos enfermiços e lesados principalmente no sistema nervoso
e circulatório, ou nos principais órgãos atingidos, como sejam a
faringe, a laringe, o esôfago ou o estômago.
Inúmeros
epilépticos, parkinsonianos, coréicos ou neuróticos, que não
gozam harmonia no seu sistema nervoso, são ex-suicidas, trânsfugas
das vidas anteriores, vitimados pelos tóxicos e corrosivos que
ingeriram num momento de loucura.
Nem
todas as situações caóticas do corpo físico, ou perturbações
psíquicas dos seres humanos, são exclusivamente provenientes de
suicídios provocados em existências anteriores, mas a verdade é
que grande parte dessas condições enfermas provém, realmente,
dessa condenável precipitação do homem em destruir o seu corpo
terreno.
Se
os suicidas em potencial, do vosso mundo, pudessem entrever, num
segundo, o panorama e a situação pavorosa que os aguardam no Além,
após a fuga covarde da vida humana, extinguir-se-ia neles
definitivamente qualquer laivo de rebeldia ao sentido educativo da
vida.
Aqueles
que rompem o cérebro com a bala mortífera ou com qualquer objeto
perfurante também deformam o seu duplo-etéreo astral, ou seja, o
cérebro do perispírito, que é exata contraparte do organismo de
carne. Quando, na encarnação seguinte, o perispírito tiver de
aglutinar o novo conjunto de moléculas e as fibras neurocerebrais,
para a formação de outro corpo de carne, nas regiões lesadas do
perispírito essa aglutinação se processa na forma de calosidade,
estenose ou deformações. E assim a
criança vem à luz da vida física congenitamente surda e muda, em
face do desarranjo existente no cérebro do seu perispírito, que não
pôde harmonizar as células responsáveis por tais faculdades
humanas.
Aqueles
que se enforcam ou se afogam num momento de desespero também
fotografam na memória etérica do seu perispírito todos os
tremendos esgares, repuxos, aflições e sufocamentos, criando-se
então os estigmas perispirituais deformativos. Em conseqüência,
posteriormente esses infelizes podem renascer corcundas, gibosos,
atrofiados e mesmo terrivelmente asfixiados pela asma brônquica, que
os tortura durante toda a existência.
Os que
se suicidam através de quedas e se estatelam arrebentados sobre o
solo, ou que se atiram sob as rodas dos veículos que lhes trituram
as carnes, comumente tornam a se encarnar vitimados por cruciantes
enfermidades, que se situam na patologia dos artritismos e
reumatismos deformantes, sofrendo as dores dos ossos que estalam,
nervos que se rompem e músculos que se rasgam. Alguns se arrastam
penosamente como aleijados congênitos, com os corpos quebrados e os
músculos torcidos.
Outros,
que atearam fogo ao seu corpo e preferiram abandonar o mundo sob a
destruição pelas chamas, quase sempre retornam ao meio de onde
fugiram, reproduzindo em si mesmos a terrível forma patológica do
pênfigo foliáceo, ou seja, a moléstia popularmente conhecida como
"fogo selvagem". Esses sofrem intermitentemente, na carne
nova, as angústias e a causticidade da loucura suicida da existência
física anterior quando, rebelando-se contra a Lei da Vida, se
consumiram nas chamas ardentes.
O punhal
fatídico ou o tiro mortal que dilacera o coração do trânsfuga da
vida humana deixa-lhe no perispírito a marca fatal e lesiva para a
outra existência, criando-lhe o pesado fardo da incurável lesão
cardíaca a torturá-lo incessantemente com a ameaça da morte.