30.4.13

O VERDADEIRO SENTIDO DA LIBERDADE - Robert Adams


Quando o sábio diz, "Não preciso de ninguém”, ou “Não preciso de nada e sou livre," ele não quer dizer literalmente. Ele quer dizer que não está apegado às pessoas, lugares e coisas. Há uma total diferença. 

Talvez você pergunte, “Como posso ter um relacionamento sem estar apegado?" Você pode ter o mais belo relacionamento que pode imaginar. Não quer dizer que você se torna um solitário. Quer dizer que você tem amigos, tem pessoas amadas, mas lhes dá toda a liberdade do mundo, e você não está apegado às emoções deles e nem a coisa alguma. 

Estar desapegado significa ser compassivo, ser gentil. Ajudar seu amigo antes mesmo de ajudar a si mesmo. Se você está apegado, você pensa primeiro em si mesmo, mas se está desapegado pensa na outra pessoa primeiro.

26.4.13

O CAMINHO DIRETO E OS CAMINHOS INDIRETOS - Arthur Osborne


Imagine as pessoas vivendo ao pé de uma montanha, num lugar pantanoso e quente, subalimentados, doentes. E ouvem dizer que existe um maravilhoso platô no topo da montanha, com frutas e flores, ar fresco e saudável, água pura. Mas a subida é árdua, e elas têm de abandonar suas poucas e miseráveis possessões para trás, e por isso eles ficam onde estão.

Apenas uns poucos dos mais aventureiros, buscando o topo da montanha ou simplesmente lutando para se colocar fora daquele lugar quente, doentio e cheio de insetos, conseguem subir alguma distância e vêm a morar em lugares mais altos. Os moradores do fundo se referem a eles como “as pessoas da montanha”, mas ainda assim entre estes moradores existem inúmeras diferenças.

Alguns podem ter desenvolvido uma fazenda com frutas, leite e grãos para dar aos doentes e necessitados lá de baixo, enquanto outros podem descansar numa caverna da montanha tendo apenas um pouco mais do que precisam para viver. Alguns podem dirigir-se a uma aventura para alcançar o topo, enquanto outros são impulsionados meramente pela necessidade de alcançar um lugar mais alto onde haja ar fresco e ambientes mais belos e saudáveis, sem nem mesmo saberem que existe um topo aonde chegar.

O CAMINHO ESPIRITUAL... por Swami Dhyan Rasul | consciencia.in

Mesmo entre os que começaram planejando chegar ao topo, alguns desistiram do objetivo após algum tempo, enquanto outros podem considerar cada lugar prazenteiro que alcançam como apenas um local de descanso do qual planejam alcançar o próximo estágio da subida.

Do mesmo modo são variadas as pessoas conhecidas como “santos” e yogues. Não apenas em seu nível de evolução, mas também variam em seu entendimento da meta e em sua dedicação para lutar em direção a ela. Também nos poderes que eles manifestam e os benefícios que concedem a outros.

Na Igreja Católica, um dos critérios para ser considerado santo é realizar milagres. O poder pode fluir através de um santo ou yogue, mas não é necessário que ele se interesse em manifestar poderes. Além disso, possuir poderes não é prova de santidade.

Voltando ao exemplo dado, existe um flanco da montanha onde a subida é mais difícil, sem lugares prazenteiros no caminho onde descansar, mas para compensar, neste flanco o caminho é direto e o pico é visível desde muito antes. Este é o caminho direto ensinado por Bhagavan. Não existem estágios neste caminho.

Os seguidores de Bhagavan ficam impacientes quando ouvem falar de estágios ou graus de realização que existem em algum caminho indireto, e dizem: “O que isto significa? Ou um homem realizou o Eu ou não”.

Esta atitude é correta no tocante ao caminho deles, mas não necessariamente em relação aos outros, pois existem caminhos nos quais o viajante não tem como objetivo a realização do Eu, o fim último da Verdade Suprema, ou ao menos não diretamente, e o termo 'realização' é usado com um significado diferente, denotando meramente a obtenção de um estado mais elevado, o qual entretanto é igualmente transitório e ilusório sob o ponto de vista da realidade do Eu. Entretanto, embora o viajante do caminho direto não obtenha regiões mais elevadas ao longo dele, ele pode ser abençoado com percepções de pura auto-realização, que irradiam luz em toda sua vida.

Existem, portanto, duas maneiras de subida consciente: aquela do homem que sobe em estágios, ficando estabilizado nesta vida em algum estado mais elevado, possivelmente com poderes mentais, mas sem um conhecimento direto do estado supremo de auto-realização; e aquela do homem que objetiva a verdade suprema, luta em direção a ela, talvez com percepções ocasionais de sua Realização, mas que até consegui-la, não está estabilizado em qualquer estado superior.

Qual caminho é preferível? A pergunta é irrealista, uma vez que cada aspirante seguirá o caminho que se adapta a seu temperamento e que seu destino torna disponível. 
  

8.4.13

O KARMA COLETIVO - Ramatis



O carma dos incendiários e dos famigerados inquisidores do Santo Ofício - que no século XIV tanto tripudiaram sobre a ternura de Jesus, matando infiéis em seu abençoado nome - normalmente se compensa por terríveis acontecimentos, em que os corpos carnais desses espíritos também se carbonizam em incêndios ou provas semelhantes.

Muitas vezes a Lei os reúne propositadamente em um mesmo veículo terrestre, barco, edifício ou aeronave, enquanto os jornais, depois, estampam notícias tétricas e confrangedoras do inexplicável destino ou "acaso" que reuniu um grupo de criaturas estranhas entre si, fazendo-as sucumbir em um mesmo local, sob o fogo indomável ou pela explosão destruidora.

Certas criaturas que anteveem em sua intimidade espiritual as provas de sua expiação retificadora, sempre procuram evitar transportes, passeios ou atividades em que haja o perigo de fogo ou de explosão, que devem caracterizar os seus desenlaces escolhidos quando se achavam em liberdade no mundo astral.

         Embora para a maioria da humanidade tais acontecimentos pareçam acidentes que vitimam criaturas boníssimas reunidas por "mera coincidência", trata-se de liquidações cármicas que congregam comparsas do pretérito, malgrado as suas raças, idades, sexos e condições sociais no mundo. É a Lei que os convoca e os ajusta para cumprirem o severo resgate da máxima inexorável que tanto subestimaram: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido".




O KARMA DOS SUICIDAS - Ramatis

Os venenos atacam e depredam terrivelmente a tessitura do perispírito do suicida, pois produzem nele lesões astrais que se prolongam pelas encarnações seguintes, causando incessante aflição e enfermidade no futuro corpo de carne.

Além do sofrimento dantesco que o suicida tem de suportar após a sua morte tresloucada - vivendo incessantemente todo o fenômeno de sua agonia final, que só se extingue quando também atinge o limite exato que lhe restava para viver fisicamente, ele não pode se furtar a efeitos daninhos e enfermidades que ainda se prolongarão vigorosamente pela encarnação seguinte.

Então a Lei Cármica providencia para que, através de outra encarnação, o tóxico etérico seja condensado pelo corpo carnal e depois drenado para a terra, quando o cadáver se desmantelar no sepulcro. Daí o fato de em posterior existência serem muitos ex-suicidas portadores de organismos enfermiços e lesados principalmente no sistema nervoso e circulatório, ou nos principais órgãos atingidos, como sejam a faringe, a laringe, o esôfago ou o estômago.

        Inúmeros epilépticos, parkinsonianos, coréicos ou neuróticos, que não gozam harmonia no seu sistema nervoso, são ex-suicidas, trânsfugas das vidas anteriores, vitimados pelos tóxicos e corrosivos que ingeriram num momento de loucura.

Nem todas as situações caóticas do corpo físico, ou perturbações psíquicas dos seres humanos, são exclusivamente provenientes de suicídios provocados em existências anteriores, mas a verdade é que grande parte dessas condições enfermas provém, realmente, dessa condenável precipitação do homem em destruir o seu corpo terreno.

Se os suicidas em potencial, do vosso mundo, pudessem entrever, num segundo, o panorama e a situação pavorosa que os aguardam no Além, após a fuga covarde da vida humana, extinguir-se-ia neles definitivamente qualquer laivo de rebeldia ao sentido educativo da vida.

Aqueles que rompem o cérebro com a bala mortífera ou com qualquer objeto perfurante também deformam o seu duplo-etéreo astral, ou seja, o cérebro do perispírito, que é exata contraparte do organismo de carne. Quando, na encarnação seguinte, o perispírito tiver de aglutinar o novo conjunto de moléculas e as fibras neurocerebrais, para a formação de outro corpo de carne, nas regiões lesadas do perispírito essa aglutinação se processa na forma de calosidade, estenose ou deformações. E assim a criança vem à luz da vida física congenitamente surda e muda, em face do desarranjo existente no cérebro do seu perispírito, que não pôde harmonizar as células responsáveis por tais faculdades humanas.

       Aqueles que se enforcam ou se afogam num momento de desespero também fotografam na memória etérica do seu perispírito todos os tremendos esgares, repuxos, aflições e sufocamentos, criando-se então os estigmas perispirituais deformativos. Em conseqüência, posteriormente esses infelizes podem renascer corcundas, gibosos, atrofiados e mesmo terrivelmente asfixiados pela asma brônquica, que os tortura durante toda a existência.

          Os que se suicidam através de quedas e se estatelam arrebentados sobre o solo, ou que se atiram sob as rodas dos veículos que lhes trituram as carnes, comumente tornam a se encarnar vitimados por cruciantes enfermidades, que se situam na patologia dos artritismos e reumatismos deformantes, sofrendo as dores dos ossos que estalam, nervos que se rompem e músculos que se rasgam. Alguns se arrastam penosamente como aleijados congênitos, com os corpos quebrados e os músculos torcidos.

Outros, que atearam fogo ao seu corpo e preferiram abandonar o mundo sob a destruição pelas chamas, quase sempre retornam ao meio de onde fugiram, reproduzindo em si mesmos a terrível forma patológica do pênfigo foliáceo, ou seja, a moléstia popularmente conhecida como "fogo selvagem". Esses sofrem intermitentemente, na carne nova, as angústias e a causticidade da loucura suicida da existência física anterior quando, rebelando-se contra a Lei da Vida, se consumiram nas chamas ardentes.

      O punhal fatídico ou o tiro mortal que dilacera o coração do trânsfuga da vida humana deixa-lhe no perispírito a marca fatal e lesiva para a outra existência, criando-lhe o pesado fardo da incurável lesão cardíaca a torturá-lo incessantemente com a ameaça da morte. 


 


A GESTAÇÃO E O KARMA - Ramatis

Todas as forças envenenadas do psiquismo doentio, que se geraram pela rebeldia, cólera, irascibilidade ou fúria, baixam vibratoriamente durante a acomodação do perispírito no órgão etérico da gestante e, à medida que vai se constituindo o novo corpo, também absorve os venenos da veste perispiritual do encarnante.

A carga tóxica transfere-se desta última para o corpo tenro, que depois será, então, um instrumento de sofrimentos e dificuldades para o seu próprio dono, vítima de suas tropelias e invigilâncias pretéritas.

       Então o indivíduo poderá nascer com o corpo coberto de chagas incuráveis, lesado no sistema circulatório, nervoso ou linfático, ou enfermo de outros órgãos vitais do corpo. Em certos casos, as perturbações nos plexos nervosos ou na zona cerebral são as responsáveis por angustiosas paralisias, quadros mórbidos de alucinações vividas no astral inferior, ou ainda pelos estados confrangedores da epilepsia. Justifica-se, então, a existência dessa tenebrosa caravana de criaturas teratológicas, imbecilizadas ou portadoras das mais aberrativas atrofias, que expõem os seus molambos de carne pelas ruas das cidades ou se arrastam grotescamente como inquilinos torturados de um mundo infernal, e em ânsias frementes de viver!

          São infelizes almas que há muito tempo vêm se estertorando no resgate dos mais trágicos desatinos do passado ou, então, inveterados suicidas que fugiram da vida esfrangalhados sob veículos ou por quedas desesperadas, carbonizados pelo fogo, envenenados pelos corrosivos ou aniquilados pelas armas de fogo ou pelos punhais.


A AURA DOS ANJOS - Ramatis



Um espírito elevadíssimo e de imenso amor para com a humanidade, como Francisco de Assis, por exemplo, possui uma aura fundamentada em um tom rosa claríssimo, impregnado de suaves matizes de lilás resplandecente, indescritíveis à visão humana, em que o rosa interpreta o amor incondicional e o lilás a humildade espontânea.

Mas um tipo espiritual, mais afim à natureza de um Buda, por exemplo — cujo equilíbrio e santidade muito deviam à sua grande sabedoria e a um mentalismo de alta espiritualidade -, deve possuir uma aura baseada num amarelo dourado, formoso e franjado de azul claro, em cintilantes filigranas a lhe formarem extenso bordado. Esses tons indicam também elevada sabedoria espiritual, quando aliada ao poder de grande concentração mental.

Suponhamos que se trate de um espírito da mais extrema e consciente humildade, vivendo a espontaneidade da flor em viva doação ao mundo: a sua aura pode ser formada por um rosa formoso claro, ou então pelo lilás resplandecente, exsudando o mais suave aroma de violeta sidérea; se além da humildade ele já tiver alcançado os dons da sabedoria sideral, o admirável lilás tanto pode se apresentar matizado de lantejoulas douradas e refulgentes, entrecortadas de fios diamantíferos, com reflexos amarelos, como envolto por majestoso rendilhado fulgindo no matiz do ouro.

Só a aura de Jesus, com a sua cor lirial, imaculada, e impossível de ser concebida pela mente humana, apresenta manifestações mais belas do que as descritas.

Em sintonia com as cores áuricas das entidades de alta vibração espiritual, também se manifestam os demais fenômenos do espírito, como o magnetismo balsâmico, a temperatura sedativa e os odores inebriantes que lembram os do jasmim, da violeta, do sândalo ou da açucena. 
 


A CENTELHA DIVINA - Ramatis

Essa luz íntima (no coração), que existe em nós todos, quer sejamos demônios ou anjos, é o cunho definitivo de nossa individualidade eterna, permanecendo como incessante atração para a fonte original que nutre e ilumina o Cosmo. É chama espiritual, indescritível, como garantia absoluta do "elo religioso" entre a criatura e o seu Criador; é a luz que realmente alimenta o nosso espírito em sua pulsação de vida eterna.
Todas as existências malignas e de crueldades, das quais já temos participado no pretérito das trevas de nossa ignorância, significam alguns punhados de fuligem atirados sobre a eterna e formosa lâmpada de luz imorredoura.
Não há alma absolutamente pervertida, pois, se assim fosse, justificar-se-ia a crença absurda e infantil no Diabo eterno! A alma nunca pode se libertar da divina centelha de luz, que pulsa na intimidade do seu ser e abala a sua personalidade inferior forjada no tempo e no espaço.
Assim como as almas benfeitoras, por qualquer descuido ou invigilância, podem entrar em contato com as zonas trevosas, os espíritos extremamente pervertidos também permanecem atentos e procuram endurecer os seus próprios ouvidos espirituais, a fim de não se deixarem vencer pela "voz silenciosa" que, no recesso de suas almas, os convida incessantemente para a gloriosa angelitude!
Mesmo no âmago da alma extremamente perversa, a lâmpada divina permanece eternamente acesa, impedindo o completo domínio das Trevas! É por isso que os mais terríveis malfeitores do Além terminam cedendo em sua rebeldia e crueldade, dobrando os joelhos, afogados pelos soluços de arrependimento, clamando por suas culpas e vencidos pela chama eterna do Espírito Universal que, no âmago de suas almas, consegue atravessar as sombras espessas e modificar-lhes a consciência para a realidade do espírito angélico.


O QUE REVELA A FACE - Ramatis


A face da criatura humana assemelha-se à tela cinematográfica refletindo as sensações do filme; ali plasmam-se tanto os estados de ventura, bondade e otimismo, como se refletem as subversões íntimas e insistentes do ódio, da cupidez, da astúcia ou da avareza.

O semblante humano retrata prontamente as investidas emotivas da alma, assim como registra os seus mínimos pensamentos. Quantas vezes não tendes notado que os rostos das criaturas escravizadas ao vício e às paixões aviltantes são parecidos à fisionomia de certas aves e animais! O avarento, por exemplo, não é representado pela figura do abutre, com o seu nariz adunco e os olhos com o brilho da rapina? O homem lerdo e inexpressivo não o comparam ao boi, o astuto à raposa, o cruel à hiena, o voraz ao lobo e o luxurioso à figura do caprino?

Notai que os extremos fisionômicos, da alegria e da dor, que em alguns segundos podem se mostrar na mesma criatura, parecem retratar dois indivíduos completamente diferentes entre si! O homem pessimista, letárgico ou hipocondríaco sente dificuldade até para rir, pois é de catadura conventual e aspecto desanimador, capaz até de perturbar o sorriso da criança!

No entanto, aquele que vibra sob o júbilo das atividades construtivas e busca os bens superiores, aceitando a vida humana como um ensejo educativo de libertação espiritual, imprime no seu rosto um cunho estimulante e de simpatia, que a própria velhice custa a roubar das faces!

Que é isso tudo senão o resultado do próprio modo de a criatura pensar e viver as suas emoções em contato com o mundo? O rosto apenas reflete para a luz do mundo material aquilo que a alma já configurou com prioridade no seu mundo astral e mental.



AS LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS - Ramatis


As reminiscências das vidas anteriores se manifestam gradativamente e através de espontâneas associações de idéias, quando então certos acontecimentos da atual existência se afinam com alguns fatos semelhantes, já vividos no pretérito. Em tais momentos, as criaturas são dominadas por estranhas emoções e por efeitos misteriosos, que elas desconhecem em sua origem, mas "sentem" como exatos e vividos em outro tempo. 
 
         Assim é que, para certas criaturas, os sons vigorosos e sonoros do bater dos sinos, nos templos religiosos, podem associá-las inesperadamente a quaisquer acontecimentos importantes que já viveram noutras existências físicas e que se ligam a igrejas, catedrais, templos ou festividades religiosas, que tanto podem ter ocorrido em Roma, Paris, Budapeste ou Madri! 

      Doutra feita, os gritos, o vozerio e as imagens das multidões desordenadas acordam então na memória astral cenas idênticas, que se associam as lembranças subjetivas de movimentos belicosos, rebeldias, chacinas ou revoluções em que também tomaram parte em outras encarnações. 
 
      Da mesma forma, o perfume de determinadas flores, ou de algumas ervas odorantes e originais de países onde o espírito já viveu alguma existência mais impressionante, no pretérito, podem associar-lhe outros quadros importantes, embora não consiga defini-los com perfeita nitidez. O sândalo da Índia, as margaridas do Egito, as flores de cerejeira do Japão, os cravos da Espanha ou o almíscar da Ásia podem transformar-se em súbitos élans, associando a mente encarnada às paisagens ou às lembranças de acontecimentos vividos outrora.

         Em alguns casos, as cúpulas de edifícios exóticos, as paisagens estranhas, os filmes históricos, as músicas, canções, os vestuários ou os costumes pitorescos de outros povos atiçam reminiscências misteriosas na alma desprevenida, despertando-lhe a memória astral e superativando a imaginação sensível. 
 
        Quantas vezes encontrais criaturas que vos acordam lembranças ou reflexões estranhas, sem que possais descobrir os verdadeiros motivos que vos induzem a reconhecer, detrás daqueles corpos diferentes, alguém que já amastes ou que então odiastes em outro tempo!

         Há casos em que o homem maltrapilho, feio e rude, que encontrais pela primeira vez, consegue despertar-vos a simpatia que outro mais comunicativo e afidalgado não logra obter de vossa afeição! Sem dúvida, no primeiro caso é possível que estejais defrontando com o espírito amigo do querido progenitor ou filho do passado, enquanto que, no segundo, reconheceis no subjetivismo de vossa alma o adversário ou algoz que vos causou dolorosas atribulações e desesperos em vidas sucedidas anteriormente!



OS PODERES PSÍQUICOS - Ramatis


Inúmeros magos do passado, que desenvolveram suas forças e faculdades ocultas sob tenazes exercícios de penetração no mundo astral inferior, têm o direito de usufruir do fruto de suas realizações penosas, mesmo quando sejam malignos os seus objetivos. Embora, no futuro, devam ser responsáveis por todos os desatinos e prejuízos que praticaram pela subversão das energias perigosas, é evidente que sempre se trata de uma conquista pessoal, malgrado a cultivem sob o comando diabólico. 
 
Trata-se de almas tenazes e egocêntricas, que atuam com vigor no subterrâneo das paixões perigosas e visam obter a glória e o poder, que idolatram no mundo material. Mas, de acordo com a lei de que "a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", elas terão que pagar até o último ceitil o resultado de todos os sofrimentos e torpezas que semearam na crosta terráquea. 
 
           Através do desenvolvimento disciplinado dos chakras etéricos, em sincronia com o despertamento do fogo kundalíneo, que serpenteia pela medula, podem se manifestar poderes extraterrenos nas almas perseverantes e tenazes. No entanto, qualquer descontrole mental ou emotivo, pernicioso, pode levá-las a produzirem danos e calamidades alheias quando, por lei sideral, as mesmas forças desencadeadas pela dinâmica do desejo ou do pensamento imprudente se voltam, depois, terrivelmente, contra os seus próprios agentes desarvorados.

5.4.13

A MENTE MADURA - Ramana Maharshi

QUEM ESTÁ PREPARADO PARA A VICHARA

Pergunta: É possível a todos seguir o caminho da autoinvestigação (vichara)?

Bhagavan: É verdade que apenas é possível para as mentes maduras, não para as imaturas. Para estas últimas, japa (repetição do mantra), adoração de imagens, pranayama, visualização e práticas yóguicas similares foram prescritas. Através destas práticas, as pessoas se tornam maduras e realizam o Eu através da vichara.

* Embora Bhagavan diga que só a mente madura pode praticar a vichara, se uma pessoa comum, sem grande capacidade espiritual,  sentir-se atraída por esta técnica de meditação, com certeza Bhagavan lhe abrirá o caminho e aos poucos sua mente começará a entender a vichara; esta começará a fazer um maravilhoso sentido, abrindo uma fonte oculta de alegria e paz em seu coração.


O QUE É FELICIDADE - Ramana Maharshi

Bhagavan: O que é saúde e o que é felicidade? Veja por exemplo um Marajá. Todo dia ele tem uma rica e deliciosa comida feita para si. Mas está sempre doente; sempre sofre de indigestão. Não tem gosto em comer. Não pode digerir o que come e sofre de dor de estômago. Não pode dormir, mesmo tendo uma bela cama, cortinas de seda e colchão macio. De que lhe servem? Ele está sempre preocupado com uma ou outra coisa. Um trabalhador braçal é mais feliz que o rei. Ele come ou bebe aquilo que conseguir, e dorme sonoramente sem nenhuma preocupação. Enquanto trabalha em serviços pesados, fica com um apetite enorme. Com esse apetite, sua comida lhe parece néctar, mesmo que seja uma mera sopa de aveia. Ele nada guarda para o amanhã, portanto não se preocupa em guardar seus pertences. Ele se deita confortavelmente sob uma árvore e desfruta de um bom sono.

Devoto: Mas ele não se considera um homem feliz.

Bhagavan: Este é o problema do mundo. Aquele que dorme sob a árvore olha os palácios e mansões e lamenta não ter aqueles prazeres. Mas ele tem a verdadeira felicidade. Certa vez vi um trabalhador braçal aqui. O dia inteiro ele trabalhava duro cavando a terra para jogá-la na estrada. Ele suava profusamente o tempo todo e estava cansado. Ficou esfomeado. Lavou suas pernas, mãos e o rosto no tanque, sentou-se sobre uma tábua e abriu um pote contendo sua comida. Estava cheio de arroz cozido com um pouco de sopa espalhada em cima. Ele engoliu aquele arroz com grande gosto. Nada foi deixado. Ele lavou o pote, bebeu um pouco de água e deitou-se sob a árvore, com um de seus braços servindo como travesseiro. Então senti que ele era realmente uma pessoa feliz. Se a pessoa come apenas para viver, tudo que ela come lhe dá saúde. É apenas quando você vive para comer que você se torna doente.

Devoto: O que Bhagavan diz é verdadeiro, mas um Marajá se lamenta de não ser um Imperador; um Imperador se lamenta de não ser um Devendra (o Senhor dos Deuses). Eles não sentirão que um trabalhador braçal é mais feliz. Não é mesmo?

Bhagavan: Não. Eles não sentirão assim. Esta é a ilusão. Se eles tiverem o verdadeiro sentimento, eles se tornam almas realizadas. A felicidade que eu sentia enquanto estava na caverna de Virupaksha, quando eu comia apenas se alguém trouxesse algo para mim e dormia sobre um chão de terra batida sem nem mesmo um pano sob o corpo, essa felicidade eu não tenho agora com esta rica comida que como. Esta casa, esta cama e estes travesseiros – tudo isso é um cativeiro.

3.4.13

O PODER DOS MANTRAS - Leadbeater


Há mantras que operam pelo significado (Mais radiante que o sol, mais puro que a neve, mais sutil que o éter, é o Eu que mora em meu coração, eu sou esse Eu, esse Eu sou eu) e há os que operam pelo som (OM).

Proíbe-se usar mantras na presença de pessoas grosseiras e mal-intencionadas, pois uma pessoa que não possa responder às vibrações em sua forma superior pode receber uma oitava inferior, o que fortaleceria o mal existente nela.

Se a recitação de OM produzir dor de cabeça, náusea ou tontura, deve cessar imediatamente. Continuemos a aperfeiçoar o caráter, e tentemos de novo dentro de alguns meses. Ao usar este mantra invocamos enormes forças, e se ainda não nos achamos bem em seu nível, elas podem não ser harmoniosas.

O YOGA E OS CHAKRAS - Leadbeater


Os chakras diferem de tamanho e brilho segundo a pessoa, e num mesmo indivíduo uns podem ser mais vigorosos que outros.

Os chakras se dividem em grupos: fisiológico, pessoal e espiritual. O primeiro e o segundo transferem para o corpo forças do plano físico: o fogo serpentino da terra e a vitalidade do sol; o terceiro, o quarto e o quinto se relacionam com forças que o ego recebe por meio da personalidade: o terceiro, astral inferior; o quarto, astral superior; o quinto, mental. O sexto e o sétimo são espirituais: o sexto, o ego; o sétimo a mônada (Eu Superior).

Há sete escolas de yoga: karma (1º raio), raja (2º raio), jnana (3º raio), hatha (4º raio), laya ou kundaliní (5º raio), bhakti (6º raio) e mantra (7º raio).

Na pessoa inferior, o terceiro chakra é o assento da ira, o quarto do amor-próprio, o quinto da inveja e avareza, o sétimo do orgulho. Pensamentos negativos nos chegam pelo terceiro, amor pelo quarto. Na pessoa superior, o quarto é o centro do sentimento, o quinto é o centro da linguagem, inteligência e poder criador, o sexto é o chakra da vontade, clarividência e poder espiritual, e o sétimo é o centro da união com a divindade interior.



AS INFLUÊNCIAS DAS ENERGIAS DA NATUREZA - Leadbeater


Somos influenciados pelo sol, planetas, natureza, espíritos da natureza, ambientes, música, opinião pública, amigos, seres invisíveis, tipos de solo.

Cada vegetal, de acordo com seu raio, influi benéfica ou nocivamente, ou inocuamente, sobre a pessoa, conforme seu raio ou condição no momento.

O oceano, a montanha, a floresta, a queda d’água – cada um tem seu tipo de vida astral, etérica e física, e suas influências. As entidades invisíveis irradiam vitalidade, despertando porções não habituais de nosso duplo etérico, e corpos astral e mental.

Cada cidade possui uma individualidade, a qual atrairá alguns e repelirá outros, conforme suas características, sua moralidade média, crença religiosa, comércio e indústria principais.

SUGESTÕES VALIOSAS PARA A SAÚDE - Yogue Ramacháraka


Aposentos cheios de pensamentos negativos devem ser abertos à luz do sol e ao ar.

Água, ar e luz solar – afugentam todos os males.

Deixai que os raios do sol cheguem ao vosso corpo sem a interposição da roupa e vede quão fortes vos sentireis. Se tiverdes alguma fraqueza, conseguireis alívio permitindo que os raios solares caiam bem na parte afetada. Pela manhã, seus raios são ainda mais benéficos. Não vos exponhais ao sol no rigor do verão ou próximo do meio-dia.

 O banho desobstrui a superfície da pele.

Água canalizada, parada ou fervida contém pouco prana e deve ser passada pelo ar de um vaso para outro para reabsorver prana.

A falta de água provoca enrugamento da pele, constipação, mau funcionamento de fígado, rins etc. Beba água em pequenas quantidades, com frequência durante o dia (2 litros/dia). Não esqueça a água ao se sentir cansado.

A melhor respiração é a baixa, que enche os pulmões impelindo o abdomen para fora. A pele também respira, não se cubra com muita roupa.

As fossas nasais são um filtro protetor, além de aquecer o ar. Não se encerre em aposentos sem ventilação, pois o ar expelido contamina o ambiente.

O alimento não é para gratificar o paladar, mas para a nutrição. O yogi deixa que a fome se manifeste nele. O alimento deve ser completamente mastigado, reduzido a uma massa pastosa. Assim obterás melhor nutrição e difestão.

Falta de eliminação envenena o sistema.

Ao andar descalço sobre a terra, adquirimos seu magnetismo.

Trabalho físico sem atividade mental, ou labor mental sem atividade física atrofiam a vida humana. Um deve alternar o outro.

FORÇA DO PENSAMENTO - Yogue Ramacháraka


Os pensamentos conduzem o pensador a circunstâncias e condições apropriadas para manifestar estas inclinações em ação.

Cada pessoa atrai para si outras de pensamentos similares e será atraído para elas. Fazemos nosso círculo de relações por nossos pensamentos de ontem ou de hoje.

 Assim como um homem pensa, assim ele olha, gesticula, age, caminha, senta-se etc.

Atraímos pensamentos que correspondem em natureza aos que estamos habituados a entreter. Pensamentos de cólera, tristeza atraem outros semelhantes que alimentam estas emoções. Pensamentos de amor, alegria atraem outros que nos saturam de um ardor de amorosa emoção.

O pensamento se manifesta em ação e atrai a si as coisas, pessoas e circunstâncias que estão em harmonia com ele.

O que cremos ser opinião nossa é, muitas vezes, produto dos pensamentos dos que nos cercam.

O homem vê um mundo que tem a cor dos óculos da sua alma. Se odiais alguém, vereis um mundo odiável. Projetais pensamentos benévolos e eles vos serão devolvidos com juros e vos vereis em face de um mundo benévolo e auxiliador.

Pelo desejo chamamos à existência, pela afirmação conservamos, pela negação destruímos.

MORAL E COMPORTAMENTO - Yogue Ramacháraka


Quem de vós é sem pecado, atire-lhe a primeira pedra.

O homem espiritualmente adiantado acha sua maior felicidade em poder tornar os outros felizes.

Aos críticos, praticai a resistência passiva, e achareis que esta é muito mais eficaz do que a resistência ativa do mundo ao redor.

Nossos próximos não quererão fazer-nos mais mal do que nós queremos fazer a eles.

Não rastejeis como um verme, não vos humilheis prostrando-vos no pó. Não enganeis o semelhante nem vos deixeis enganar. Não provoqueis rixa, mas não vos deixeis espancar por ninguém.

Se estais vestidos com a “armadura do justo” e o mundo vê que tendes auto-respeito e que não fazeis asneiras, o mundo vos tratará com deferência.

Ser franco e sincero ao extremo de prejudicar-se é ridículo.

Ninguém conhece o valor de algo se não o relaciona ao esforço que lhe custou obtê-lo.

Se duvidais, dizei não.

Nenhum temor assaltará quem saiba se defender com calma e equilíbrio.

Para assegurar a independência, pratique uma simples economia, repelindo o supérfluo.

A pobreza impede a prática do bem e torna impossível resistir ao mal, físico e moral. Não fique em débito com ninguém, gaste menos do que tiver.
 

EXPERIÊNCIA E EVOLUÇÃO - Yogue Ramacháraka


Certas coisas não nos causam tentação porque aprendemos a lição numa vida passada e não precisamos tornar a aprendê-la.

O desejo vincula a pessoa numa próxima encarnação em condições de satisfazê-lo.

O melhor mestre é a experiência. Ao recordar os bons e maus resultados das ações, procuramos repetir os de resultado feliz e impedir os de má consequência.

Vede o que as pessoas estão fazendo, dizendo e pensando. Tudo isso é bom para os que estão nestes degraus (evolutivos).

Tudo o que pensais que é superioridade é um pouco mais de idade e experiência.(*)

(*) Ramacháraka se refere à idade e experiência da alma mais velha e com mais reencarnações.

A FORÇA DA MENTE HUMANA - Yogue Ramacháraka


A perseverança é uma consequência da energia.

Até na guerra, a moral está para o físico como dez estão para um.

A atenção é encontrada somente entre pessoas de mentalidade forte. Quem não presta atenção tem má memória.

O homem que deseja fortificar-se encontrará sempre grandes forças a seu lado que o auxiliarão, porque está realizando o plano favorito da natureza. A natureza parece gostar de indivíduos fortes e se deleita em ajudá-los a avançar.

Todo homem que desenvolver sua concentração triunfará. Não perca tempo a queixar-se da “opressão do capital” ou coisas assim. Se és um homem de concentração, o capital se apressará a aproveitar teus serviços ou comprar-te mercadorias.

O único modo de cultivar qualquer faculdade ou parte, mental ou física, é exercitá-la.

A INFLUÊNCIA DA AURA - Yogue Ramacháraka


Algumas casas têm uma atmosfera (aura) de alegria, sociabilidade e carinho, enquanto outras são frias e repulsivas. Algumas pessoas trazem consigo uma atmosfera de contentamento e otimismo; outras produzem um sentimento de discórdia e mal-estar.

Prana se acha no ar, na água, no alimento etc. Circunda o corpo com uma aura. É transmitido pelo contato da mão e pelo olhar.

A atmosfera mental de uma comunidade é o resultado da composição dos pensamentos das pessoas que a compõem. Se uma pessoa permanece muito tempo num lugar, é provável que seja influenciada por sua atmosfera mental e se degrade ou eleve ao nível do pensamento dominante.

Vida é a natureza externa do Absoluto, e Amor sua natureza interna.


A aura se estende até dois metros além do corpo. A pessoa sensível em contato com outra pode sentir esta emanação, carregada de pensamentos e sentimentos. Pessoas cujos caracteres mentais e emotivos se assemelham absorvem ideias e sentimentos umas às outras, se a aproximação é bastante para entrelaçar suas auras. (P.Brunton)


Os objetos conservam traços dos sentimentos de seus donos e emitem radiações que afetam as pessoas, influindo em seu caráter. (P.Brunton)