Bhagavan:
O que é saúde e o que é felicidade? Veja por exemplo um Marajá.
Todo dia ele tem uma rica e deliciosa comida feita para si. Mas está
sempre doente; sempre sofre de indigestão. Não tem gosto em comer.
Não pode digerir o que come e sofre de dor de estômago. Não pode
dormir, mesmo tendo uma bela cama, cortinas de seda e colchão macio.
De que lhe servem? Ele está sempre preocupado com uma ou outra
coisa. Um trabalhador braçal é mais feliz que o rei. Ele come ou
bebe aquilo que conseguir, e dorme sonoramente sem nenhuma
preocupação. Enquanto trabalha em serviços pesados, fica com um
apetite enorme. Com esse apetite, sua comida lhe parece néctar,
mesmo que seja uma mera sopa de aveia. Ele nada guarda para o amanhã,
portanto não se preocupa em guardar seus pertences. Ele se deita
confortavelmente sob uma árvore e desfruta de um bom sono.
Devoto:
Mas ele não se considera um homem feliz.
Bhagavan:
Este é o problema do mundo. Aquele que dorme sob a árvore olha os
palácios e mansões e lamenta não ter aqueles prazeres. Mas ele tem
a verdadeira felicidade. Certa vez vi um trabalhador braçal aqui. O
dia inteiro ele trabalhava duro cavando a terra para jogá-la na
estrada. Ele suava profusamente o tempo todo e estava cansado. Ficou
esfomeado. Lavou suas pernas, mãos e o rosto no tanque, sentou-se
sobre uma tábua e abriu um pote contendo sua comida. Estava cheio de
arroz cozido com um pouco de sopa espalhada em cima. Ele engoliu
aquele arroz com grande gosto. Nada foi deixado. Ele lavou o pote,
bebeu um pouco de água e deitou-se sob a árvore, com um de seus
braços servindo como travesseiro. Então senti que ele era realmente
uma pessoa feliz. Se a pessoa come apenas para viver, tudo que ela
come lhe dá saúde. É apenas quando você vive para comer que você
se torna doente.
Devoto:
O que Bhagavan diz é verdadeiro, mas um Marajá se lamenta de não
ser um Imperador; um Imperador se lamenta de não ser um Devendra (o
Senhor dos Deuses). Eles não sentirão que um trabalhador braçal é
mais feliz. Não é mesmo?
Bhagavan:
Não. Eles não sentirão assim. Esta é a ilusão. Se eles tiverem o
verdadeiro sentimento, eles se tornam almas realizadas. A felicidade
que eu sentia enquanto estava na caverna de Virupaksha, quando eu
comia apenas se alguém trouxesse algo para mim e dormia sobre um
chão de terra batida sem nem mesmo um pano sob o corpo, essa
felicidade eu não tenho agora com esta rica comida que como. Esta
casa, esta cama e estes travesseiros – tudo isso é um cativeiro.
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