15.2.14

PRANAYAMA PARA RELAXAR - Paul Brunton


Deite-se de costas, sobre uma superfície plana e confortável, e feche os olhos. Deixe o corpo flácido e mole. Comece respirando profunda e ritmicamente: inale silenciosa e lentamente, contando até cinco. Ao exalar, repita mentalmente a mesma contagem.

Uns poucos minutos dessa prática difundirão vitalidade, em ondulações, por todo o corpo.

Em seguida, pense que a Força Vital contida no ar penetra todo seu corpo, através da respiração: enche suas pernas, a esquerda depois a direita, em seguida o lado esquerdo do tronco, depois o direito, depois também os braços e finalmente enche o cérebro de energia.

Faça tudo com os olhos fechados.

O ritmo equilibrado e medido atrai a vitalidade do ar para o corpo e lhe harmoniza as funções.

Com o tempo, os pulmões obedecerão automaticamente a esse ritmo e a atenção estará tão absorvida que se identificará com ele.

As inspirações devem ser longas, profundas, lentas e uniformes, e não espasmódicas ou forçadas. A diminuição do ritmo da respiração resultará numa diminuição da tensão.

 





A PURIFICAÇÃO DAS EMOÇÕES - Paul Brunton


A pessoa infantil petulante, cuja atitude emocional é adolescente, precisa desenvolver-se e transformar-se num adulto mais maduro e equilibrado, para que as práticas espirituais deem resultado.

O neurótico cujas emoções ainda se encontram num nível infantil, que dá caminho ao pânico ou a acessos de cólera, que explode em paroxismos histéricos à menor provocação, deve compreender que sua tarefa não é desenvolver poderes místicos, mas antes desenvolver virtudes morais.

O Eu Supremo lhe recusará um vislumbre enquanto ele não as desenvolver. É mais importante para ele construir seu caráter que deixar-se ficar sentado e meditar, buscando sensações psíquicas.

As emoções negativas como a maldade, a malevolência, a inimizade, a mesquinhez, a intolerância, o fanatismo, o mau-humor e a belicosidade fazem a força do ego quando este se recusa a ceder à voz silenciosa do Eu Supremo.

Seus juízos serão errôneos, suas metas serão fantasmas e sua vida será salteada de infortúnios quando ele insiste em defender o ego em lugar de censurá-lo. Quanto mais depressa reconhecer seus equívocos, tanto melhor será seu futuro comparado com seu passado.

Quanto menos ansioso se mostrar em melhorar seus vizinhos, e quanto mais ansioso se mostrar de aprimorar-se, tanto maiores serão as chances de que venha a fazer ambas as coisas.

O aspirante precisará de humildade para reconhecer suas próprias deficiências em lugar de enlevar-se nas deficiências de outras pessoas, mas a recompensa será proporcionada.

A prudência aconselha a evitar os lugares, as pessoas e as situações capazes de despertar sua natureza inferior. Se por exemplo, a propensão para a cólera é uma de suas falhas, procederá com prudência evitando as situações que podem provocá-la, enquanto não tiver adquirido algum domínio do eu.

 

A PURIFICAÇÃO DO CORPO - Paul Brunton


O homem que deseja vencer a si mesmo deve fazer um esforço tão grande que necessariamente se estenderá por muitas e muitas reencarnações. A primeira purificação a que ele se obriga é a do corpo.

A redução, ou eliminação, da gula à mesa, do comer carne, do tomar bebidas alcoólicas e do fumar são indícios desse progresso.

A gula é mais um erro em matéria de higiene do corpo que um pecado moral; consiste em levar à boca uma quantidade maior de comida e bebida do que o corpo precisa para sua saúde. Uma forma eficaz de reduzir a acumulação é o jejum, praticado de vez em quando e apenas por curtos períodos.

Os homens enchem o corpo de resíduos tóxicos comendo mal, e isso por sua vez, enche-o de apetites mórbidos e contínuos desejos.

O aspirante pode manter relações sexuais, mas não permitirá que a preciosa destilação da sua essência vital seja continuamente gasta na debilitante satisfação dos próprios apetites, nem que a preciosa liberdade de seu coração e da sua mente se submeta à escravidão sexual.

Não se deixará cegar pelo êxtase físico produzido pelo ato sexual, lembrando que se trata de uma lembrança breve, lastimável e incerta do êxtase produzido pela elevação espiritual.

Breve porque em minutos se dissipa. Lastimável porque seu custo frequentemente é muito superior ao seu valor. Incerta porque as pessoas em que o desejo se origina poderão vir a cansar, desamar e até odiar umas às outras.

A energia sexual é uma forma baixa, limitada, da energia criativa da Mente Universal. O prazer que ela proporciona é um eco abafado, cujo som original pertence a uma região divina. Eis porque ele é tão procurado.

Aquele que regularmente pratica exercícios físicos moderados, exercícios respiratórios, modificando a rotina e dieta diárias, aprimora sua força física e robustece sua força moral.

 

A MEIA-IDADE E A VIDA ESPIRITUAL - Paul Brunton


É na meia-idade que as aspirações espirituais sepultadas de passadas encarnações reaparecem e exigem satisfações. Consequentemente, grande número de aspirantes à Busca é arrebanhado entre as fileiras dos que alcançaram ou passaram os quarenta ou cinquenta anos de idade.

A meia-idade traz ao homem qualidades valiosas que antes ele não possuía. Traz-lhe equilíbrio entre a paixão e a razão, entre as emoções e o pensamento, entre o corpo e a mente, e entre os ideais e a realidade.

Traz-lhe uma discriminação mais sábia no trato das idéias, das atitudes, das pessoas, dos eventos e do meio ambiente. Traz-lhe uma revisão global dos valores e da experiência, o hábito de pensar duas vezes e um reconhecimento mais claro da natureza irreal da existência.

Tudo isso o favorecerá na Busca. Poucos jovens o possuem. Se ele já não tem entusiasmos adolescentes, excitações juvenis, históricas presunções, é apenas porque estas foram substituídas por algo melhor – calmas apreciações, admirações justas, sadias e equilibradas.

Com a idade, as paixões perdem sua força ou se submetem melhor à disciplina nos aspirantes. Essa mudança surge-lhe como um alívio. Resta ainda o fator benéfico, porém misterioso, da graça do Eu Supremo; suas operações são impredizíveis, mas sua fatualidade é certa. Por um esforço correto, juntamente com a oração e o serviço, é possível invocar essa graça.

 


13.2.14

A SATISFAÇÃO DO CORAÇÃO - Paul Brunton


A crença de que, se pudermos encher a vida de coisas, pessoas e acontecimentos, teremos realizado o objetivo da vida e atingido a felicidade, é o erro que tanto escora a atividade social dos modernos povos ocidentais.

Equivocados no tocante à natureza de seu verdadeiro bem, o fim de todos nossos esforços é, inevitavelmente, a frustração, o descontentamento ou a desilusão. Nem uma multidão de coisas – por mais úteis ou mecânicas que sejam - nem uma multidão de pessoas – por mais ricas ou importantes que sejam – serão suficientes para dar ao coração o que este realmente, embora inconscientemente, procura.

Os que têm coisas para viver em quantidade suficiente poderão, durante algum tempo, sentir-se satisfeitos consigo mesmos e com o mundo externo, mas isso será apenas por algum tempo. Outros estão correndo de uma satisfação para outra diferente, começando cada experiência com a patética ilusão de que será a definitiva, mas terminando com o pesaroso conhecimento de que não o é.

Mas aqueles que sofreram frustrações, privações e infortúnios, cujas esperanças morreram e cuja coragem acabou, cuja decepção é profunda e permanente, poderão querer escapar de si mesmos ou do mundo. São eles os que mais frequentemente têm ouvidos para ouvir e ouvem a voz da antiga sabedoria mais prontamente.

Como poderão as pessoas conhecer a paz interior quando sucumbem, continuamente, às sugestões vindas de todos os cantos para aumentar seus desejos? Abaixo de um certo máximo e acima de um certo mínimo de posses, não existe nenhuma necessidade delas.

A paz interior só é possível àqueles que desprezam não somente a pobreza do pauperismo, mas também as riquezas da superfluidade. A complexidade da vida moderna fez que suas vítimas perdessem a capacidade de discriminar entre o que é meramente supérfluo e o que é realmente indispensável.

O melhor que procuramos está ao alcance de nossa mão, porque o Eu Supremo está dentro de nós mesmos. Pode ouvir-nos a prece sincera e pode conceder-nos sua graça benigna. Quando reconhecemos humildemente que nossas forças são limitadas e nossas luzes são fracas, e nos arrojamos aos pés do poder superior, buscando comunhão com ele e rogando-lhe que nos guie, chamamos em nosso auxílio seus recursos, bem maiores.

No entanto, a resposta a esses rogos pode não chegar imediatamente, mas sim através dos meses ou dos anos, que talvez tenhamos de esperar um pouco enquanto nossas súplicas perseverantes nos saem do coração.

 

ADVERTÊNCIAS AO ASPIRANTE - Paul Brunton


O estudante cuidadoso, que deseja conservar sua sanidade mental e chegar ao verdadeiro conhecimento, precisa ser avisado de que o reino dos estudos místicos está orlado de atalhos ocultos e ensombrado de tolas superstições.

Essa mistura foi propagada por movimentos fanáticos, cultos tolos, líderes charlatães e dúbias sociedades secretas. Os que nunca se submeteram a nenhuma disciplina intelectual, quer durante o curso da sua educação formal, quer durante seu autodesenvolvimento, podem facilmente acreditar no que é puramente fantasioso.

O investigador inteligente deverá palmilhar com cautela esses campos, pois ali medram, luxuriantes, ervas daninhas. Tenha ele sempre em mente que, se quiser aceitar a crença num poder superior, poderá fazê-lo sem precisar aceitar, ao mesmo tempo, uma multidão de perigos, superstições, charlatanices e ilusões.

Só mesmo quando se atém firmemente à prova científica do fato prático observado, poderá ele abrir caminho seguro através da teoria exposta com eloquência.

Os crédulos seguidores de certos cultos os levam demasiadamente a sério, tão a sério, de fato, que não tardam a perder seu senso de humor. Serão eles meros simplórios cujas faculdades críticas ainda não se desenvolveram e engolem todas as histórias e princípios fantásticos?

Os ensinamentos de certas escolas e cultos contêm uma curiosa mistura de verdade e fantasia; daí a dificuldade que, às vezes, encontramos na avaliação dos movimentos existentes por detrás deles. Uma das razões porque eles dominam a mente das pessoas é que, a par com seus exageros e falsificações, frequentemente contêm elementos úteis.

Quando o milagre e o mistério predominam sobre o misticismo, abundam as dificuldades e multiplicam-se os perigos. Quando o bem místico assim degenera, não conduz à esplêndida iluminação a que poderia ter conduzido, mas leva a um coração murcho, uma indefensibilidade moral e uma verdadeira atrofia intelectual.

Portanto, é insensato aceitar sem crítica qualquer conceito fantástico ou afirmação exagerada promulgados em nome do ocultismo, do misticismo ou do yoga; tudo deverá ser posto à prova para que se lhe determine a verdade intelectual e se constatem os resultados morais e práticos.

 

1.2.14

A ESPIRAL DO PROGRESSO ESPIRITUAL - Paul Brunton


O homem não evolui passando calmamente, numa linha ascendente direta, de um ponto inferior para um ponto superior. Ele evolui arrastando-se ao longo de um caminho tortuoso e espiralado, que sobe e desce e dá voltas em torno de si mesmo.

O progresso espiritual, mental e moral é ziguezagueante. Efetua-se o desenvolvimento através de uma espiral de subidas e descidas finalmente ascendente. A cada fluxo que avança, toca um ponto além do ponto máximo anterior, e a cada refluxo, não volta tanto quanto no refluxo anterior. O ciclo parece girar sobre si mesmo, mas é na realidade uma espiral ascendente.

Desse modo segue a evolução, da vida celular aos seres celestiais; cada fase do desenvolvimento é finalmente seguida de sua fase complementar de desintegração e colapso. O progresso é intermitente, resultado total de uma longa série de triunfos e reveses.

Em certos momentos as criaturas se precipitam num abismo de dor e sofrimento, mas apesar disso a jornada espiritual da humanidade é essencialmente progressiva. Cada subida do arco cíclico da evolução é mais alta que a anterior.

 

A ATRAÇÃO MAGNÉTICA DO EU SUPERIOR - Paul Brunton

A parte do ser humano que permanece no céu é o Eu Superior. A parte que desce (encarna) para sofrer e lutar na Terra é a personalidade. Ambos estão indissoluvelmente ligados, embora a ignorância só veja a pessoa.

O divino Eu Superior, que habita no coração do ser humano, não o persegue no sentido em que uma criatura apaixonada persegue o objeto de sua paixão. Mas também não se deixa ficar alheio e indiferente. Permanece sereno, no coração, esperando para saudar-lhe o regresso (após muitas reencarnações, talvez), sabendo que seu poder de atração magnética o atrairá, e que a instrução e o sofrimento acabarão por fazê-lo cônscio de sua presença.

A paciência é incomensurável exatamente porque o amor é incomensurável. O amor divino só é limitado pela compreensão e receptividade do ser humano. E por ser um amor incrivelmente paciente não o obrigará a desvencilhar-se da sua escravidão às atrações terrenas.

A única coisa que se pede a toda pessoa é que se volte, mude a direção de sua visão e encare o Eu Superior. Assim que o homem tiver descoberto essa presença, sentido essa inspiração, capitulado diante desse poder, este o conduzirá serenamente através de todas as dificuldades e todas as crises, de todas as vergastadas e convulsões que a vida possa trazer-lhe (em razão de seu karma).

E compreenderá, com o tempo, que este é o propósito para o qual veio ao mundo (conhecer o Eu Superior).