O
estudante cuidadoso, que deseja conservar sua sanidade mental e
chegar ao verdadeiro conhecimento, precisa ser avisado de que o reino
dos estudos místicos está orlado de atalhos ocultos e ensombrado de
tolas superstições.
Essa
mistura foi propagada por movimentos fanáticos, cultos tolos,
líderes charlatães e dúbias sociedades secretas. Os que nunca se
submeteram a nenhuma disciplina intelectual, quer durante o curso da
sua educação formal, quer durante seu autodesenvolvimento, podem
facilmente acreditar no que é puramente fantasioso.
O
investigador inteligente deverá palmilhar com cautela esses campos,
pois ali medram, luxuriantes, ervas daninhas. Tenha ele sempre em
mente que, se quiser aceitar a crença num poder superior, poderá
fazê-lo sem precisar aceitar, ao mesmo tempo, uma multidão de
perigos, superstições, charlatanices e ilusões.
Só
mesmo quando se atém firmemente à prova científica do fato prático
observado, poderá ele abrir caminho seguro através da teoria
exposta com eloquência.
Os
crédulos seguidores de certos cultos os levam demasiadamente a
sério, tão a sério, de fato, que não tardam a perder seu senso de
humor. Serão eles meros simplórios cujas faculdades críticas ainda
não se desenvolveram e engolem todas as histórias e princípios
fantásticos?
Os
ensinamentos de certas escolas e cultos contêm uma curiosa mistura
de verdade e fantasia; daí a dificuldade que, às vezes, encontramos
na avaliação dos movimentos existentes por detrás deles. Uma das
razões porque eles dominam a mente das pessoas é que, a par com
seus exageros e falsificações, frequentemente contêm elementos
úteis.
Quando
o milagre e o mistério predominam sobre o misticismo, abundam as
dificuldades e multiplicam-se os perigos. Quando o bem místico assim
degenera, não conduz à esplêndida iluminação a que poderia ter
conduzido, mas leva a um coração murcho, uma indefensibilidade
moral e uma verdadeira atrofia intelectual.

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