É
na meia-idade que as aspirações espirituais sepultadas de passadas
encarnações reaparecem e exigem satisfações. Consequentemente,
grande número de aspirantes à Busca é arrebanhado entre as
fileiras dos que alcançaram ou passaram os quarenta ou cinquenta
anos de idade.
A
meia-idade traz ao homem qualidades valiosas que antes ele não
possuía. Traz-lhe equilíbrio entre a paixão e a razão, entre as
emoções e o pensamento, entre o corpo e a mente, e entre os ideais
e a realidade.
Traz-lhe
uma discriminação mais sábia no trato das idéias, das atitudes,
das pessoas, dos eventos e do meio ambiente. Traz-lhe uma revisão
global dos valores e da experiência, o hábito de pensar duas vezes
e um reconhecimento mais claro da natureza irreal da existência.
Tudo
isso o favorecerá na Busca. Poucos jovens o possuem. Se ele já não
tem entusiasmos adolescentes, excitações juvenis, históricas
presunções, é apenas porque estas foram substituídas por algo
melhor – calmas apreciações, admirações justas, sadias e
equilibradas.
Com
a idade, as paixões perdem sua força ou se submetem melhor à
disciplina nos aspirantes. Essa mudança surge-lhe como um alívio.
Resta ainda o fator benéfico, porém misterioso, da graça do Eu
Supremo; suas operações são impredizíveis, mas sua fatualidade é
certa. Por um esforço correto, juntamente com a oração e o
serviço, é possível invocar essa graça.

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