15.2.14

A MEIA-IDADE E A VIDA ESPIRITUAL - Paul Brunton


É na meia-idade que as aspirações espirituais sepultadas de passadas encarnações reaparecem e exigem satisfações. Consequentemente, grande número de aspirantes à Busca é arrebanhado entre as fileiras dos que alcançaram ou passaram os quarenta ou cinquenta anos de idade.

A meia-idade traz ao homem qualidades valiosas que antes ele não possuía. Traz-lhe equilíbrio entre a paixão e a razão, entre as emoções e o pensamento, entre o corpo e a mente, e entre os ideais e a realidade.

Traz-lhe uma discriminação mais sábia no trato das idéias, das atitudes, das pessoas, dos eventos e do meio ambiente. Traz-lhe uma revisão global dos valores e da experiência, o hábito de pensar duas vezes e um reconhecimento mais claro da natureza irreal da existência.

Tudo isso o favorecerá na Busca. Poucos jovens o possuem. Se ele já não tem entusiasmos adolescentes, excitações juvenis, históricas presunções, é apenas porque estas foram substituídas por algo melhor – calmas apreciações, admirações justas, sadias e equilibradas.

Com a idade, as paixões perdem sua força ou se submetem melhor à disciplina nos aspirantes. Essa mudança surge-lhe como um alívio. Resta ainda o fator benéfico, porém misterioso, da graça do Eu Supremo; suas operações são impredizíveis, mas sua fatualidade é certa. Por um esforço correto, juntamente com a oração e o serviço, é possível invocar essa graça.

 


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