16.2.19

OS LOCAIS DE SHIVA – Sadhguru


Na cultura yóguica, Shiva não é visto como um Deus. Ele foi um ser que caminhou sobre esta terra e é a fonte das tradições yóguicas. Ele é o Adiyogi ou o primeiro yogue, e também o Adi Guru, o primeiro Guru. Essa primeira transmissão das ciências do yoga aconteceu às margens de Kanti Sarovar, um lago glacial distante algumas milhas de Kedarnath nos Himalayas, onde Adiyogi começou uma exposição sistemática dessa tecnologia interior para seus primeiros sete discípulos, conhecidos hoje como os Sapta Rishis (os Sete Sábios primordiais da tradição hindu: Agastya, Atri, Bharadwaja, Gautama, Jamadagni, Vasishtha e Vishvamitra).

Kantisarovar – Lago da Graça
Diz a lenda que Shiva e Parvati viveram às margens de Kantisarovar, e em Kedarnath viviam muitos yogues que Shiva e Parvati visitavam. Kanti significa graça, sarovar significa lago. É um lago da graça.
O lago é cercado de montanhas cujos picos estão cobertos de neve. Em termos de beleza natural, é fantástico: um grande lago de águas absolutamente tranquilas, sem vegetação, e todos os picos de montanha cobertos de neve refletindo-se na água totalmente tranquila. É um lugar incrível.
Quando estive lá, sentei-me em suas margens e a serenidade, silêncio e pureza penetraram minha consciência. A altura e a beleza desolada do lugar me deixaram sem respiração. Sentei-me naquela tranquilidade sobre uma pequena pedra com meus olhos abertos, absorvendo cada forma ao meu redor.

Imagem relacionada  Kantisarovar
A paisagem ao redor gradualmente perdeu sua forma e apenas existia o som primordial. A montanha, o lago e os arredores, incluindo meu corpo, não existiam em suas formas usuais. Tudo era apenas som. Vagarosamente, após algum tempo, tudo voltou à sua forma anterior.

Kailash, a Montanha Mística

Diz-se que Kailash é a morada de Shiva. Isso não significa que ele está sentado em cima dessa montanha, dançando ou escondendo-se na neve. Significa que ele depositou seu conhecimento ali.
Quando Adiyogi viu que cada um dos sete Rishis tinha entendido um aspecto do conhecimento, e que não poderia encontrar outro ser humano que pudesse entender todas as sete dimensões do  yoga, decidiu depositar tudo no Monte  Kailash, para que todas as sete dimensões do conhecimento da mecânica da vida fossem preservadas em um lugar e uma fonte. Kailash tornou-se a maior biblioteca mística do planeta – uma biblioteca viva, não apenas com informação, mas viva!
Por isso, por milhares de anos os seres realizados sempre viajaram a Kailash e depositaram ali seu conhecimento numa certa forma de energia, usando a montanha como uma base. É por isso que o misticismo do sul da Índia sempre diz que Agastya vive na face sul de Kailash. Os budistas dizem que três de seus principais Buddhas vivem na montanha. Os jainas dizem que Rishabh, o primeiro dos Tirthankaras (mestres jainas), vive em Kailash.
Para um buscador espiritual, estar em Kailash é como tocar a fonte última deste planeta. Para quem busca o misticismo, este é o lugar. Não há outro lugar como este.
Na Índia, nos tempos antigos, os templos eram construídos apenas para Shiva. Foi apenas nos últimos mil anos que outros templos surgiram. A palavra Shiva significa “aquilo que não é”. “Aquilo que é” é a manifestação física. Um templo é um buraco através do qual você entra num espaço que não é. Existem milhares de templos de Shiva na Índia, e a maioria deles não se parecem a templos, têm apenas uma forma representativa e geralmente é um linga.
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VELLIANGIRI
No sul da Índia existe outro repositório de misticismo – a montanha Velliangiri. Ela é chamada a Kailash do sul. É um espaço fenomenal. A maior pilha de conhecimento é Kailash. Mas vários místicos e yogues no sul usaram Velliangiri quando queriam estocar conhecimento. Nada se compara a Kailash como biblioteca em termos de volume, mas em termos de qualidade Velliangiri é igualmente boa.
A montanha Velliangiri é conhecida como as Sete Colinas, porque se você sobe nela, vê sete ondulações que o fazem sentir como se estivesse subindo sete colinas. O último pico fica totalmente exposto ao vento – nada cresce ali a não ser grama. Existem três grandes pedras que formam um abrigo e se parecem com um pequeno templo contendo um pequeno linga. É um local incrivelmente poderoso.
Os yogues e siddhas que viveram nessa montanha eram de um tipo completamente diferente – extremamente ardentes e intensos. Muitos seres desse tipo têm caminhado nessa montanha. Esses grandes seres deixaram seu conhecimento embebido na montanha, e esse conhecimento nunca pode ser perdido.
Essa também é uma montanha onde meu Guru caminhou e o lugar que ele escolheu para deixar o corpo. Por isso, para nós não é apenas uma montanha, mas um templo.
KASHI (ou VARANASI)
Pessoas do mundo todo têm visitado Kashi durante milhares de anos. Gautama foi ali para dar seu primeiro ensinamento. Os chineses visitaram Kashi após a chegada de Gautama. A Universidade de Nalanda – que é reconhecida como o maior local de aprendizado na antiguidade – foi apenas uma pequena gota que caiu de Kashi.
Quando os yogues viram a natureza dos cosmos – como ele evolui de si mesmo e como sua habilidade de se expandir é totalmente ilimitada – se sentiram tentados a fazer seu próprio cosmos. Em Kashi, construíram algo em forma de uma cidade que realiza a união entre o microcosmo e o macrocosmo.
Ali o pequeno ser humano pode ter uma fenomenal possibilidade de unir-se à realidade cósmica, e conhecer o prazer, o êxtase e a beleza de tornar-se um com a natureza cósmica.
Geometricamente, Kashi é uma perfeita manifestação de como o macrocosmos e  o microcosmos podem se encontrar. Tem havido muitos locais assim neste país, mas criar uma cidade como Kashi é uma louca ambição. E os yogues o fizeram, milhares de anos atrás.
Havia 72.000 santuários em Kashi – o número de nadis no corpo humano. A cidade toda é como a manifestação de um mega corpo humano para fazer contato com um corpo cósmico maior. É por causa disso que surgiu a tradição que diz: “Se você for a Kashi, é o suficiente.” Você não deseja deixar o lugar porque, quando você se conecta à natureza cósmica, por que iria querer ir a outro lugar?
A lenda de Kashi diz que o próprio Shiva viveu ali. Ali era sua residência de inverno. Há histórias de como ele mandou pessoas a Kashi, uma após a outra, e elas nunca voltaram porque a cidade era tão fantástica. Ele mandava as pessoas para construir a cidade, e após terminada, ele foi para ali e gostou, e decidiu ficar.
Nos últimos séculos, Kashi foi totalmente destruída três vezes. Infelizmente não estávamos aqui quando a cidade estava em sua plena glória. Ela deve ter sido o lugar mais fenomenal para ter atraído pessoas do mundo todo na antiguidade.

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Temos sobrevivido ao passado, mas a questão é: Vamos sobreviver ao futuro? Quando digo nós, não estou falando sobre uma religião particular. Estou falando sobre aqueles povos do planeta que querem olhar a vida como ela é, sem tentar impor sua opinião sobre os outros. O mundo não precisa de dogmas, filosofias ou sistemas de crença. O que ele precisa é a habilidade humana de perceber algo que agora se considera como “além.” Essa é a única maneira pela qual um ser humano vai evoluir além das estreitas divisões que há nas sociedades.



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