Sahasrara não é um
caminho. Quando usamos a palavra “caminho”, ela significa um caminho demarcado,
estabelecido. Se deve haver demarcação, você precisa de espaço físico. Sahasrara
não é um espaço físico. Ele está presente na geografia do corpo, mas não
representa um espaço físico. Por causa disso, não existe caminho.
Há muitas indicações
sobre esse chakra na tradição, mas um exemplo dramático seria provavelmente de Ramakrishna Paramahamsa
e seu mestre Totápuri. Ramakrishna, que costumava permanecer muito tempo em Sahasrara,
não teria vivido muito tempo, porque esse chakra não é um espaço onde você possa
morar no corpo físico e continuar vivendo neste mundo.
Embora seja um chakra
fantástico, de êxtase, não é um local para permanecer, mas sim um local para
“passar” por ele. Você o toca e volta. Se alguém permanece ali muito tempo, o
corpo físico não suporta.
Talvez você tenha ouvido
falar que Totápuri tomou um pedaço de vidro e cravou no Ajna Chakra de
Ramakrishna para fazê-lo entrar em contato com o conhecimento supremo, ao invés
de simplesmente permanecer em êxtase.

Flutuar por aí em êxtase
não é bom? É ótimo, mas nessa condição você não consegue fazer sua obra e
manifestar algo. É uma condição parecida com a embriaguez. É uma condição
maravilhosa e existencialmente fantástica, mas em termos de atividade humana,
você não pode ser funcional nesses estados. Mesmo que você funcione, não será
muito efetivo.
Assim, quanto menos se
disser sobre Sahasrara, melhor, porque neste momento todos temos uma missão e
não podemos nos permitir falta de concentração nessa missão. Aqui e ali temos
nossos pequenos êxtases, mas em seguida precisamos estar focados no que
precisamos fazer. Cumprir a missão não seria possível se todos estivessem em Sahasrara.
E se todos começarem a viver ali, não ficarão neste mundo por muito tempo.
Às vezes uma pessoa que
é muito concentrada e intensa fica de repente como que embriagada de êxtase e
deixa de estar disponível. Isso acontece por causa desses
“momentos de Sahasrara”.

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