12.3.19

HORÁRIOS PARA MEDITAÇÃO – Paul Brunton



Existem certas horas do dia que são as melhores para as práticas de meditação: o amanhecer, o por do sol, a meia-noite e a hora em que a pessoa nasceu.

Existem certos pontos no tempo que são particularmente auspiciosos para a meditação. São o começo do dia, o começo da noite, o começo de cada semana, o começo de cada mês e o começo de cada ano.

Duas vezes por ano, o período do equinócio dá ao aspirante a chance de se beneficiar dos movimentos da Natureza. Os equinócios da primavera e do outono trazem as forças naturais a um centro neutro, que afeta a parte mental, emocional e física do ser humano, assim como meio planetário fora dele. Perto de 21 de março e 21 de setembro, a duração do dia é igual à duração da noite. O aspirante igualmente pode temporariamente ganhar uma estabilidade ou equilíbrio mental se usar esses períodos para praticar meditação.

 


Donas de casa que não encontram outro período para meditar, a não ser quando seus maridos saem para o trabalho e as crianças para a escola, podem ignorar o conselho sobre os melhores períodos do dia e treinar a mente para aproveitar os momentos livres.

A meditação deve ser realizada antes de comer, e não depois. Também não deve ser feita quando se está muito cansado.

Se o aspirante despertar durante a noite de repente, com os pensamentos dirigindo-se a coisas espirituais, é um bom momento para meditar. Não é necessário levantar-se e vestir-se, nem assumir uma postura meditativa. Ele pode inclusive sentir um tipo de choque interno que o acorda no meio da noite, e sentir dificuldade para dormir novamente. Esse também é um sinal para começar a meditação imediatamente.

PERIGOS DA MEDITAÇÃO E COMO EVITÁ-LOS – Paul Brunton



A prática da meditação é benéfica, não prejudicial; mas há pessoas que ainda não estão prontas para ela e que devem adiá-la até que estejam. Essas pessoas incluem: aquelas cujos valores morais são baixos; aquelas que sofrem de psicoses, distúrbios mentais ou histeria emocional; aquelas que tomam drogas, que possuem ambições desordenadas, que buscam poderes ocultos ou praticam feitiçaria ou magia negra. Tais pessoas precisam de disciplinas ou tratamentos preparatórios, físicos e psicológicos, do contrário a prática pode leva-las a um estado de desequilíbrio que pode torna-las incapazes de cumprir com as obrigações e deveres da vida.

A meditação é uma técnica muito delicada que, feita incorretamente, pode fazer tanto bem quanto mal. Há períodos em que é necessário abandonar a prática, a fim de fortalecer as partes mais fracas da personalidade que poderiam de outro modo afetar o praticante adversamente, à medida que ele se torna mais sensível através da prática. Além disso, é necessário entender que a meditação feita incorretamente pode atrair espíritos perniciosos ou desequilibrar a mente.

Após praticar por algumas semanas ou meses, se fortes dores de cabeça ou sensação de tédio aparecerem, são sinais para o buscador interromper ou diminuir seus exercícios temporariamente, até sentir-se melhor.

Sentar-se passivamente em meditação na presença de uma pessoa de caráter pouco recomendável traz o perigo de receber e absorver daquela pessoa suas emanações emocionais e mentais de caráter negativo. Essa é a razão de se recomendar a prática solitária da meditação.

Se desejos surgirem durante a meditação, levando o pensamento do praticante para longe de sua meta, é melhor levantar-se e tentar novamente em outro momento.

Não é aconselhável praticar em demasia a meditação. É necessário às vezes reduzir os esforços por algum tempo, ou até mesmo parar completamente. De outro modo, a sensibilidade gerada pode tornar-se um empecilho e não uma ajuda.

Se a pessoa está meramente buscando poderes paranormais, ela corre um grave risco. Quando o desejo por poderes paranormais está misturado com aspirações espirituais, o risco não é eliminado: é apenas reduzido. O risco resulta daqueles seres que vivem no mundo astral, que ou são malévolos ou prejudiciais, e que estão prontos a se aproveitar da condição mediúnica na qual a pessoa desprotegida pode cair.

Se a pessoa faz seus exercícios da maneira certa, com objetivos sãos e por um tempo não muito longo de cada vez, então suas capacidades de funcionar no plano físico não serão enfraquecidas e nenhum mal será causado a seus interesses pessoais. Do contrário, a pessoa se tornará cada vez menos capaz de lidar com a vida prática e será levada a retirar-se da existência social.

O objetivo da meditação é levar a pessoa ao mais profundo de si mesma. Se ela permite que alguma experiência psíquica a detenha no caminho, entra naquela experiência e não dentro de si mesma. É um meio astuto do ego para fazer a pessoa pensar que aquela experiência é mais importante que realmente é, mais espiritual do que realmente é. Assim podem-se desperdiçar anos inutilmente em psiquismo – às vezes toda uma vida.

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Pelo poder de simpatia que se desenvolve no praticante, ele é capaz de elevar-se mais alto que seu próprio nível, bem como descer a níveis mais baixos que o seu. No primeiro caso, ele se abre à ajuda de sábios e santos. No segundo, ele dá ajuda a viciados e criminosos.

Se por meditação a pessoa pensa em absorção em si mesma, retirar-se do mundo exterior ou contatar algum mundo interior, isso não necessariamente significa um estado divino, mas pode significar um estado não divino onde a comunhão se dá com seres demoníacos. Há várias maneiras de se conseguir essa profunda absorção semelhante a um transe, e essas maneiras incluem drogas, feitiçaria e magia negra. A diferença para os estados divinos deve ser claramente entendida. Muitas pessoas meio loucas que se recusam a reconhecer isso caíram num misticismo falso que as leva à queda e destruição.

Qualquer coisa boa feita exageradamente pode facilmente se tornar uma coisa má. Qualquer prática mística feita em exagero pela pessoa errada, no tempo errado e em circunstâncias erradas, pode levar à loucura. Nos casos de dúvida, desconforto ou inquietação, é melhor voltar atrás e interromper do que continuar a prática até chegar a extremos.

Alguns exercícios de meditação não serão benéficos se praticados por mentes ainda não preparadas, e podem inclusive causar danos.


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Pessoas bêbadas, mentalmente doentes, iradas ou insensíveis não podem praticar meditação. Estados psicóticos e psicopatológicos tornam indesejáveis as práticas de meditação. Essas pessoas se perderam no caminho e precisam de tratamento exterior.

Se, enquanto se encontra num estado altamente sensitivo, o indivíduo descobre que está chegando a um nível mais psíquico que espiritual, ele deve substituir a meditação por oração ou adoração, ao menos por algum tempo. Será necessário também praticar o fortalecimento da vontade e livrar-se de temores ocultos. Deve aumentar sua fé no Eu Superior e invoca-lo para receber força e coragem.

Tomemos cuidado com cultos tolos, grupos lunáticos e líderes paranoicos. Também devemos evitar cair em fantasias que fabricam um mundo particular. Mas uma atitude mental sadia prontamente vai nos proteger.

Aspirantes que desejam mais ter "experiências" em sua meditação do que livrar-se do ego, correm o risco de cair nos desvios da busca. As experiências são buscadas por causa do prazer que dão às emoções do ego.

O místico, sentado no silêncio de seu quarto de meditação, pode receber grande sabedoria e sentir uma presença benevolente, ou extraviado do bom caminho e imprudente, pode cair no engano psíquico e ser possuído por presenças más. Para evitar esses perigos, deve adotar certas salvaguardas e encontrar um guia competente. Sem eles, é melhor que se contente com a leitura, o estudo e a crença.

Na forma de relaxamento simples, a meditação é urgente atualmente e não há perigo nisso.

Se vier um tempo em que a corrente da meditação seca, em que a prática não traz resultado e é feita sem fervor, o aspirante deve tomar esses sinais como avisos para fazer uma mudança por algum tempo. Deve desistir de seus exercícios habituais e engajar-se em atividades externas, informais, ou simplesmente dar-se um longo descanso.

Meditação demais pode criar hipersensibilidade e nervosismo em certas pessoas.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO – Paul Brunton


A pessoa termina uma sessão de meditação bem-sucedida não apenas com um sentimento de ter feito algo meritório, mas também com um sentimento de satisfação interior, de ter sido abençoado.

Continuar essa prática fielmente é encontrar em si mesmo uma fonte de água viva da qual se pode beber diretamente e com a qual a pessoa pode satisfazer seu ser interior.

A vida exterior da pessoa pode sofrer todo tipo de meditação, de paralisia física a pobreza material, mas interiormente ela é livre para alcançar uma esfera de luz, beleza, verdade, amor e poder.

Se a pessoa continua praticando firmemente seus exercícios, virá o dia em que o período de meditação será considerado uma bênção diária. Quanto mais ela aprofunda  sua vida interior, mais vai querer estar sozinha para se entregar a suas práticas. Terá o cuidado de evitar encontros desnecessários com os outros. Para ela, as conversas sem propósitos terminaram. O deleite da meditação as substituiu.

O êxtase a que o iniciante tão ansiosamente dá as boas vindas é considerado uma perturbação para aquele meditador mais avançado.

A pessoa que senta em silêncio diariamente para suas práticas não permanecerá a mesma todo o tempo. A natureza animal nela se tornará cada vez mais subjugada e a natureza angélica cada vez mais vivificada.

 Se  no processo da meditação a pessoa sente que está ficando parcialmente fora do corpo, não precisa se amedrontar, mas sim deixar o acontecimento tomar seu curso natural. A sensação de estar se separando do corpo pode ser prazerosa ou amedrontadora, dependendo da preparação anterior de quem medita.

A sensibilidade aos pensamentos e sentimentos de outras pessoas se tornará tão desenvolvida, que a mera entrada de outra pessoa na sala espontaneamente registrará em sua consciência a atitude daquela pessoa em relação a si mesmo.

É quando o segundo estágio (meditação) está plenamente desenvolvido que os poderes ocultos podem aparecer. A pessoa que adquire o poder da clarividência deve se proteger de misturar os pensamentos alheios com seus próprios, ou de toma-los como se fossem seus.

O praticante deve ser capaz de reconhecer e detectar o advento de um poder superior, que pode se apresentar de diferentes maneiras. Uma delas é fazer-se sentir como um misterioso aperto na cabeça e pescoço que é completamente involuntário, e que ao mesmo tempo são torcidos para o lado e assim permanecem rígidos. Ou podem vagarosamente, em intervalos, mover-se num semicírculo. O praticante deve aceitar o acontecimento e suportá-lo até que termine por si mesmo.

Seus encontros com outras pessoas podem afetá-lo emocionalmente ou interferir com ele mentalmente, tão sensível ele se torna. É por isso que é melhor limitar seus contatos e se possível evitar as pessoas que deixam efeitos indesejáveis, até que com o tempo seu desenvolvimento o faz capaz de controla-los. Ele aprende por experiência como guardar a pureza mental e a paz interior.

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Muitos tipos diferentes de experiência interior são possíveis à medida que a meditação progride, alguns muito interessantes mas todos temporários. Entre eles estão: estar fora do corpo, ver uma luz brilhante, perder a vontade de conversar com os outros, perder o sentido de identidade pessoal, sentir que tudo ficou parado e a passagem do tempo suspensa, e um vasto vazio espacial. Se a pessoa penetra profundamente na meditação, ela também se torna sensível às emanações invisíveis dos outros – a seu pensamento, sentimento e caráter.

Um sentimento de delicada doçura pode surgir no coração. Se acontecer, entregue-se a ele completamente.

Nem todo buscador passa pelo transe místico. Alguns sim, a maioria não, mas ambos os grupos chegam à mesma meta. Não é aconselhável que todo buscador tente deliberadamente conseguir o transe, quando o meio em que vive não é adequado a isso, e tenta-lo pode até mesmo ser perigoso.

NÍVEIS DE ABSORÇÃO NA MEDITAÇÃO – Paul Brunton




Existem vários graus de introversão, desde a leve desatenção até a absorção total. As diferentes fases da meditação são degraus de penetração dentro das várias camadas da mente. A maior parte das pessoas se detém em algum ponto dessa escala e poucas demonstram paciência ou habilidade para ir até o fim.

Existem estágios definidos que marcam seu progresso. Primeiro a pessoa esquece o mundo exterior, em seguida o local onde se encontra, depois seu corpo e finalmente seu ego. Primeiro acontece uma vaga fixação dos pensamentos no objeto da concentração; segundo, uma retirada da atenção das coisas externas; terceiro, uma concentração intermitente de pensamentos sobre o objeto; quarto, uma concentração contínua sobre o mesmo; quinto, o objeto sai do foco mas o estado de concentração é mantido em pura auto-contemplação.

As diferenças entre o primeiro e o segundo estágios (concentração e meditação)são: (a) no primeiro não há qualquer esforço para entender o assunto ou objeto no qual se colocou a atenção, enquanto que no segundo há; (b) a concentração pode ser dirigida a qualquer coisa física ou ideia mental, enquanto que a meditação deve ser dirigida a pensar sobre um tema espiritual, de modo lógico ou imaginativo.

No terceiro estágio (contemplação)esse tema permeia a mente tão completamente que a atividade do pensamento cessa, os pensamentos e fantasias se esvanecem. O meditador e seu tema então se unificam, ambos mergulham numa única consciência.

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Afastar todas as percepções do mundo exterior, todas as atividades sensoriais de ver, ouvir e tocar, é a meta do primeiro estágio. Afastar todos os movimentos do mundo interior, todas as atividades mentais do pensamento, raciocínio e imaginação, é a meta do segundo estágio. Afastar todos os pensamentos e coisas e descansar na contemplação da Vida Única Infinita é a meta do terceiro estágio.

No primeiro estágio de penetração (concentração), o ambiente externo desaparece. No segundo estágio, apenas o sentimento "estou enraizado em Deus," permanece. No terceiro estágio (contemplação)o pensamento “eu” também se vai. No estágio final, até mesmo a ideia de Deus desaparece. Não permanece ideia de qualquer tipo – apenas paz infinita, consciência pura.

Se a pessoa para nos níveis A ou B, ela é incapaz de completar seu propósito. Apenas penetrando nas profundezas de seu ser até alcançar o nível C, ela será capaz de passar por aquela tremenda, profunda e radical mudança que pode ser chamada o primeiro degrau da iluminação.

Poucos místicos passam do primeiro grau. O encanto que ele contém os detém.
A primeira fase (concentração) é aprender a reunir suas forças e coloca-las sobre um tema particular, um pensamento ou uma coisa. É essencialmente um exercício de atenção e concentração. Com suficiente trabalho nessa fase, a pessoa será capaz de iniciar a meditação, para a qual a concentração foi apenas uma preparação.

O trabalho que a pessoa tem de fazer no primeiro estágio (concentração) é acalmar as emoções, controlar a respiração e concentrar a atenção. Apenas quando isso tudo foi conseguido ela está pronta para o segundo estágio – a meditação – quando o objetivo é voltar-se em direção ao Eu Superior. Antes disso, tudo é apenas um trabalho preparatório para capacitá-la a manter sua mente concentrada no objetivo principal que emerge durante o segundo estágio.

O propósito da primeira fase (concentração) é aquietar, aprofundar e estabilizar a mente, terminar com as agitações do pensamento e da emoção. Mas isso é apenas uma preparação para se chegar ao real propósito da meditação.

A segunda fase (meditação) não será alcançada a menos que a pessoa cesse de tentar apenas pensar a respeito e comece a sentir a presença do Eu Superior em seu coração.

A pessoa começa a praticar a verdadeira meditação apenas quando alcança o silêncio de sentimentos e pensamentos dentro de si mesma. Até então, ela está apenas trabalhando para chegar a esse ponto.

Quando a concentração alcança total intensidade e quando seu objetivo é altamente espiritual, ela se torna meditação por si mesma.

O único modo de aprender o que é a meditação é praticar e continuar praticando. Isso envolve retiros diários da rotina e atividades, com duração de 45 minutos pelo menos, e a prática de algum exercício regular. Como será esse exercício depende parcialmente da preferência da pessoa. Pode ser um dos exercícios publicados em livros, ou pode ser um assunto tomado de uma sentença de algum livro inspirado cuja verdade causou forte impacto na mente; pode ser uma qualidade de caráter cuja falta em nós a tornou urgente; ou pode ser uma aspiração puramente devocional de comungar com o Eu Superior. Seja como for, o apelo pessoal deve ser o suficiente para despertar interesse e prender a atenção.

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No período da prática de concentração, a pessoa deve voltar continuamente ao tema escolhido em seu pensamento. Infelizmente, grande parte do período é comumente gasto em livrar-se de ideias estranhas e memórias, e assim pouco tempo fica para para a real prática da meditação. A cura para isso é a prática repetida. Em seguida, deve haver um esforço para cerrar o mundo dos cinco sentidos, suas impressões e imagens, enquanto se retém a linha do pensamento da meditação. Sentimos no começo dessa fase que estamos batendo contra uma porta invisível, cujo outro lado contém o misterioso objetivo de nossa aspiração.

A meditação deve começar aquietando-se os sentidos físicos. Não podemos deixar a mente confortável a menos que antes deixemos o corpo confortável; e não podemos tornar inativo o intelecto a menos que tornemos antes os sentidos inativos. O primeiro sinal de sucesso, marcando o final do primeiro estágio (concentração), é um sentimento de leveza do corpo, de adormecimento nas pernas e mãos, de estar leve como o ar. Isso mostra que estamos desapegados do corpo. Após isso, o segundo estágio(meditação) se abre, no qual uma profunda e intensa absorção deve ser conseguida e o corpo é totalmente esquecido.

O segundo estágio (meditação) vai ocupar os esforços da pessoa por muitos anos, e embora não tenha totalmente os benefícios da contemplação, trará seus próprios benefícios e ganhos. A meditação vai preparar a pessoa para o próximo estágio(contemplação) e remover os obstáculos a sua entrada.

A meditação deve se tornar muito intensa e profunda, antes que as últimas fases do segundo estágio possam ser deixadas para trás. É nessas fases que as grandes verdades concernentes ao ego, ao ser, a Deus e ao mundo são compreendidas pela mente.

A meditação deve se tornar cada vez mais profunda, e apenas quando a fronteira do terceiro estágio é alcançada que todo esforço cessa e a pessoa deve entregar-se passivamente ao Eu Superior. A mente então é capaz de repousar em si mesma.

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Você pode, pela força da vontade, provocar o primeiro e o segundo estágio, concentração e meditação, mas não pode provocar o terceiro estágio, contemplação. Tudo que pode fazer é preparar as condições necessárias para que ele aconteça. E então, quando vem, ele se apossa de você e o engole.

Na passagem da meditação para a contemplação, a tentação de parar no meio do caminho, de estar satisfeito com o que já foi conseguido, se apresentará insistentemente e irresistivelmente a cada vez que a pessoa senta para meditar. Depois do perigo de fracasso em purificar os sentimentos e concentrar os pensamentos, essa é a terceira maior razão de por que são poucas pessoas atingem o objetivo de sua busca pela Verdade.

Quando se atinge o estágio da contemplação, os esforços devem cessar. A pessoa deve esperar com paciência e quietude, com o coração vazio de tudo a não ser a fé de que aquele ser infinito pode se revelar a qualquer momento. O segundo estágio é o esforço humano; o terceiro estágio é a resposta do Eu Superior a esse esforço.

A ARTE DA MEDITAÇÃO – Paul Brunton


Existe uma profunda antipatia na natureza da maioria dos ocidentais em relação ao esforço requerido para concentrar-se e introverter a atenção. A concentração os fadiga excessivamente. E isso se deve à falta de familiaridade e de prática. Mas essa antipatia também tem um elemento misterioso nela, cuja origem está escondida no desejo do ego de evitar qualquer auto-análise profunda que penetre além de sua própria superfície. Pois isso levaria a sua própria exposição e destruição.

As técnicas de concentração e meditação não são as mesmas que as empregadas por médiuns a fim de entrarem no estado de transe, ou para conseguir a escrita automática. O estudante não deve se expor ao perigo de deixar forças psíquicas desconhecidas tomarem posse de seu corpo.


Existem três diferentes tipos de meditação. A elementar (concentração) se refere a entreter firmemente certos pensamentos na mente. A avançada (meditação propriamente dita) se refere a manter todos os pensamentos completamente fora da mente. A mais elevada (contemplação) se refere a mergulhar a mente na bênção do Eu Superior.

O primeiro estágio é a concentração mental; o segundo é o relaxamento mental. O primeiro é positivo; o segundo é passivo.

A meditação é um processo de retirar a atenção do mundo exterior e dirigi-la para dentro de si mesmo. Ela deve ser feita com cuidado e por períodos limitados, uma vez que a pessoa tem de viver e trabalhar no mundo e conservar sua capacidade normal de lidar com o mundo.


11.3.19

NITYANANDA, O SÁBIO DE GANESHPURI – Madhukarnath



Quando eu tinha nove anos de idade, fui convidado por meu tio, certo dia, para fazer uma visita ao grande sábio Nityananda, da cidade de Ganeshpuri.

Viajamos por quatro dias de trem e chegamos lá por volta das 11 horas, indo direto para a morada de Nityananda. Eu estava cansado, pois não tinha dormido bem, estava faminto, com uma leve dor de cabeça e já saudoso de minha família.

Disseram-nos para esperar numa fila. Havia pelo menos 50 pessoas esperando para ter o darshan (estar na sagrada presença) do sábio. Depois de meia hora, o portão se abriu e entramos na casa.

Numa poltrona estava sentado um homem amedrontador. Ele era grande, com uma pele escura, cabeça raspada e um rosto que parecia pequeno comparado ao resto do corpo, especialmente sua grande barriga. Tudo que usava era uma tanga, e estava descalço.

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Fiquei assustado, porque além de seu tamanho, ele parecia ser louco. Ficava murmurando alguma coisa para si mesmo numa linguagem incoerente, fazendo estranhos gestos com suas mãos e às vezes dava uma gargalhada sem razão aparente.

A fila de devotos passava por ele. Quando ficavam em sua frente, se prostravam, pediam sua bênção e iam embora. Ele tocava as cabeças de alguns, para outros apenas fazia um gesto com as mãos e ainda com outro gritou. Por um momento, pareceu-me que ia pular sobre o devoto, mas o momento passou e o próximo da fila se aproximou.

Quando chegou nossa vez, eu tremia de medo, apesar de meu tio segurar minha mão. Ao ficar de frente com Nityananda, que agora me parecia uma grande montanha, imitei os outros devotos e me prostrei.

Quando me levantei e olhei seu rosto, todo medo sumiu. Ele sorria com doçura, cheio de afeto e tocou em minha cabeça murmurando algo como “terá que escalar montanhas” (o que realmente ocorreu, quando parti em busca de meu guru nos Himalayas).

De repente, ele olhou para mim e deu-me um tapa na face direita. O tapa foi tão forte que caí de lado. Comecei a chorar e me levantei. Meu tio me levou em silêncio para fora, e me consolou dizendo: “É sua boa sorte. Isso foi uma bênção. Poucas pessoas conseguem essa bênção. Não se preocupe.”

Sequei minhas lágrimas com um lenço, mas não concordei com ele. Que tipo de bênção era aquela, dando um tapa numa inocente criança de nove anos? Fiquei convencido de que o sábio era completamente louco e que toda a viagem foi um erro.

Almoçamos no hotel e depois partimos de regresso. Meu tio ainda disse: “Não sei qual foi o significado do tapa, mas acho que você descobrirá o motivo mais tarde em sua vida”.

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Continuei a pensar no ocorrido como um ato desequilibrado de uma pessoa mentalmente doente até a idade de 16 anos, quando vim a entender que alguns seres muito evoluídos chamados avadhutas às vezes se comportam de maneira estranha para chegar a objetivos que nós mortais desconhecemos.

Talvez houve algum significado naquele tapa, pensei, mas qual era só vim a descobrir muitos anos depois, quando saí de casa e fui em busca de meu guru, Maheshwarnath.

Enquanto eu vivia numa caverna de Badrinath com meu guru, nos Himalayas, ele me ensinou uma certa técnica respiratória que purifica ida nadi, o canal sutil que começa no muladhara e termina na narina esquerda. Pratiquei essa técnica até chegar a executá-la com perfeição e meu guru se convenceu de que o caminho de ida nadi estava perfeitamente desimpedido.

Quando lhe perguntei se tinha de fazer o mesmo trabalho com pingala nadi, o canal que termina na narina direita, ele riu e disse: “Isso já foi feito há muito tempo atrás com o tapa de Nityananda em sua face direita. Pingala nadi está limpo e desobstruído agora e você não tem que se preocupar com ele. Sei que você pensou que ele era louco!”

São estranhos os caminhos de santos e sábios, frequentemente além do entendimento de nossos pequenos cérebros.

O ELEFANTE SELVAGEM – Madhukarnath



Certo dia, na época em que eu vivia com meu guru Maheshwarnath numa caverna dos Himalayas, três sadhus (monges renunciantes) chegaram relatando que um elefante selvagem estava se comportando violentamente e causando muita destruição. Tinha matado ao menos seis pessoas, incluindo dois guardas florestais.

O departamento florestal era incapaz de captura-lo e as pessoas tinham medo de viajar pela estrada que cortava a floresta, até mesmo durante o dia. E perguntaram a meu guru se ele poderia ajudar de algum modo.

Meu guru sorriu e disse: “Hoje nada posso fazer a respeito do elefante irado. Amanhã, sendo lua cheia, verei o que posso fazer. Enquanto isso, fiquem por aqui e não tenham medo. Hari Om.”

Então a conversação terminou e meu guru voltou-se para mim e disse: “Amanhã à noite, venha comigo. Precisamos ensinar ao rei dos elefantes uma boa lição e acalmá-lo.”

Por volta da meia-noite, meu guru me despertou. A lua cheia brilhava lá fora em todo seu esplendor. Saímos da caverna e entramos na floresta. Caminhamos por algum tempo e nos sentamos sobre uma rocha. Pouco depois, vi um grande leopardo sair dos arbustos que havia em nossa frente. Olhou em nossa direção e parou.

Meu guru disse: “Junte suas mãos em saudação e curve-se ao leopardo. Diga em sua mente: Você é uma manifestação do Divino, você é o companheiro de Durga. Não queremos lhe fazer mal. Nós nos curvamos a você.”

Fiz como ele me instruiu. O leopardo então ficou nos olhando por um longo tempo e depois foi embora. Ficamos esperando o elefante. Ele surgiu de repente em nossa retaguarda, urrou e partiu em nossa direção.

Meu guru e eu nos voltamos. Eu tremia de medo. Mas antes de ele nos alcançar, meu guru ergueu sua mão direita e o elefante parou, imobilizado. Ficou olhando meu guru com completa atenção, com uma de suas patas dianteiras suspensa e movendo o corpo para frente e para trás, em cima de três pernas.

Meu guru falou com ele com firmeza, mas com suavidade. Sei que isso parece insano, mas preciso descrever o que ocorreu.

“Então”, disse meu guru, “é assim que você se comporta, caro amigo? Sei que você se ressente da presença dos barulhentos seres humanos que perturbam sua solidão, mas isso não é modo de reagir. Você está no cio. Posso ver. O excesso de hormônios masculinos está influenciando suas ações. Acalmarei esse excesso e você logo voltará ao normal. Aqui!”

Ante meus olhos espantados, meu guru deu um passo à frente e colocou sua mão direita sobre a testa do elefante. Com a esquerda, tocou sua tromba. O elefante parou de se balançar, caiu de joelhos e tocou os pés de meu guru com a ponta de sua tromba.

Em seguida, levantou-se e, erguendo sua tromba, deu um alegre urro e foi embora. Abandonou seu comportamento violento e daí em diante os peregrinos e sadhus novamente se sentiram seguros na estrada da floresta.

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