A prática da
meditação é benéfica, não prejudicial; mas há pessoas que ainda não estão
prontas para ela e que devem adiá-la até que estejam. Essas pessoas incluem:
aquelas cujos valores morais são baixos; aquelas que sofrem de psicoses,
distúrbios mentais ou histeria emocional; aquelas que tomam drogas, que possuem
ambições desordenadas, que buscam poderes ocultos ou praticam feitiçaria ou
magia negra. Tais pessoas precisam de disciplinas ou tratamentos preparatórios,
físicos e psicológicos, do contrário a prática pode leva-las a um estado de
desequilíbrio que pode torna-las incapazes de cumprir com as obrigações e
deveres da vida.
A meditação é uma técnica muito delicada que, feita incorretamente, pode
fazer tanto bem quanto mal. Há períodos em que é necessário abandonar a
prática, a fim de fortalecer as partes mais fracas da personalidade que
poderiam de outro modo afetar o praticante adversamente, à medida que ele se
torna mais sensível através da prática. Além disso, é necessário entender que a
meditação feita incorretamente pode atrair espíritos perniciosos ou
desequilibrar a mente.
Após praticar por algumas semanas ou meses, se fortes dores de cabeça ou
sensação de tédio aparecerem, são sinais para o buscador interromper ou
diminuir seus exercícios temporariamente, até sentir-se melhor.
Sentar-se passivamente em meditação na presença de uma pessoa de caráter
pouco recomendável traz o perigo de receber e absorver daquela pessoa suas
emanações emocionais e mentais de caráter negativo. Essa é a razão de se
recomendar a prática solitária da meditação.
Se desejos surgirem durante a meditação, levando o pensamento do
praticante para longe de sua meta, é melhor levantar-se e tentar novamente em
outro momento.
Não é aconselhável praticar em demasia a meditação. É necessário às
vezes reduzir os esforços por algum tempo, ou até mesmo parar completamente. De
outro modo, a sensibilidade gerada pode tornar-se um empecilho e não uma ajuda.
Se a pessoa está meramente buscando poderes paranormais, ela corre um
grave risco. Quando o desejo por poderes paranormais está misturado com
aspirações espirituais, o risco não é eliminado: é apenas reduzido. O risco
resulta daqueles seres que vivem no mundo astral, que ou são malévolos ou prejudiciais,
e que estão prontos a se aproveitar da condição mediúnica na qual a pessoa
desprotegida pode cair.
Se a pessoa faz seus exercícios da maneira certa, com objetivos sãos e
por um tempo não muito longo de cada vez, então suas capacidades de funcionar
no plano físico não serão enfraquecidas e nenhum mal será causado a seus
interesses pessoais. Do contrário, a pessoa se tornará cada vez menos capaz de
lidar com a vida prática e será levada a retirar-se da existência social.
O objetivo da meditação é levar a pessoa ao mais profundo de si mesma.
Se ela permite que alguma experiência psíquica a detenha no caminho, entra
naquela experiência e não dentro de si mesma. É um meio astuto do ego para
fazer a pessoa pensar que aquela experiência é mais importante que realmente é,
mais espiritual do que realmente é. Assim podem-se desperdiçar anos inutilmente
em psiquismo – às vezes toda uma vida.

Pelo poder de simpatia que se
desenvolve no praticante, ele é capaz de elevar-se mais alto que seu próprio
nível, bem como descer a níveis mais baixos que o seu. No primeiro caso, ele se
abre à ajuda de sábios e santos. No segundo, ele dá ajuda a viciados e
criminosos.
Se por meditação a pessoa pensa em absorção em si mesma, retirar-se do
mundo exterior ou contatar algum mundo interior, isso não necessariamente
significa um estado divino, mas pode significar um estado não divino onde a
comunhão se dá com seres demoníacos. Há várias maneiras de se conseguir essa
profunda absorção semelhante a um transe, e essas maneiras incluem drogas,
feitiçaria e magia negra. A diferença para os estados divinos deve ser
claramente entendida. Muitas pessoas meio loucas que se recusam a reconhecer
isso caíram num misticismo falso que as leva à queda e destruição.
Qualquer coisa boa feita exageradamente pode facilmente se tornar uma
coisa má. Qualquer prática mística feita em exagero pela pessoa errada, no
tempo errado e em circunstâncias erradas, pode levar à loucura. Nos casos de
dúvida, desconforto ou inquietação, é melhor voltar atrás e interromper do que
continuar a prática até chegar a extremos.
Alguns exercícios de meditação não serão benéficos se praticados por
mentes ainda não preparadas, e podem inclusive causar danos.

Pessoas bêbadas, mentalmente doentes, iradas ou insensíveis não podem
praticar meditação. Estados psicóticos e psicopatológicos tornam indesejáveis
as práticas de meditação. Essas pessoas se perderam no caminho e precisam de
tratamento exterior.
Se, enquanto se encontra num estado altamente sensitivo, o indivíduo
descobre que está chegando a um nível mais psíquico que espiritual, ele deve
substituir a meditação por oração ou adoração, ao menos por algum tempo. Será
necessário também praticar o fortalecimento da vontade e livrar-se de temores
ocultos. Deve aumentar sua fé no Eu Superior e invoca-lo para receber força e
coragem.
Tomemos cuidado com cultos tolos, grupos lunáticos e líderes paranoicos.
Também devemos evitar cair em fantasias que fabricam um mundo particular. Mas
uma atitude mental sadia prontamente vai nos proteger.
Aspirantes que desejam mais ter "experiências" em sua meditação
do que livrar-se do ego, correm o risco de cair nos desvios da busca. As experiências
são buscadas por causa do prazer que dão às emoções do ego.
O místico, sentado no silêncio de seu quarto de meditação, pode receber
grande sabedoria e sentir uma presença benevolente, ou extraviado do bom
caminho e imprudente, pode cair no engano psíquico e ser possuído por presenças
más. Para evitar esses perigos, deve adotar certas salvaguardas e encontrar um
guia competente. Sem eles, é melhor que se contente com a leitura, o estudo e a
crença.
Na forma de relaxamento simples, a meditação é urgente atualmente e não
há perigo nisso.
Se vier um tempo em que a corrente da meditação seca, em que a prática
não traz resultado e é feita sem fervor, o aspirante deve tomar esses sinais
como avisos para fazer uma mudança por algum tempo. Deve desistir de seus
exercícios habituais e engajar-se em atividades externas, informais, ou
simplesmente dar-se um longo descanso.
olá! de qual livro foi retirado este texto?
ResponderExcluirhttps://www.paulbrunton.org/notebooks/4
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