12.3.19

NÍVEIS DE ABSORÇÃO NA MEDITAÇÃO – Paul Brunton




Existem vários graus de introversão, desde a leve desatenção até a absorção total. As diferentes fases da meditação são degraus de penetração dentro das várias camadas da mente. A maior parte das pessoas se detém em algum ponto dessa escala e poucas demonstram paciência ou habilidade para ir até o fim.

Existem estágios definidos que marcam seu progresso. Primeiro a pessoa esquece o mundo exterior, em seguida o local onde se encontra, depois seu corpo e finalmente seu ego. Primeiro acontece uma vaga fixação dos pensamentos no objeto da concentração; segundo, uma retirada da atenção das coisas externas; terceiro, uma concentração intermitente de pensamentos sobre o objeto; quarto, uma concentração contínua sobre o mesmo; quinto, o objeto sai do foco mas o estado de concentração é mantido em pura auto-contemplação.

As diferenças entre o primeiro e o segundo estágios (concentração e meditação)são: (a) no primeiro não há qualquer esforço para entender o assunto ou objeto no qual se colocou a atenção, enquanto que no segundo há; (b) a concentração pode ser dirigida a qualquer coisa física ou ideia mental, enquanto que a meditação deve ser dirigida a pensar sobre um tema espiritual, de modo lógico ou imaginativo.

No terceiro estágio (contemplação)esse tema permeia a mente tão completamente que a atividade do pensamento cessa, os pensamentos e fantasias se esvanecem. O meditador e seu tema então se unificam, ambos mergulham numa única consciência.

Meditacao | Baixe Vetores, Fotos e arquivos PSD Grátis

Afastar todas as percepções do mundo exterior, todas as atividades sensoriais de ver, ouvir e tocar, é a meta do primeiro estágio. Afastar todos os movimentos do mundo interior, todas as atividades mentais do pensamento, raciocínio e imaginação, é a meta do segundo estágio. Afastar todos os pensamentos e coisas e descansar na contemplação da Vida Única Infinita é a meta do terceiro estágio.

No primeiro estágio de penetração (concentração), o ambiente externo desaparece. No segundo estágio, apenas o sentimento "estou enraizado em Deus," permanece. No terceiro estágio (contemplação)o pensamento “eu” também se vai. No estágio final, até mesmo a ideia de Deus desaparece. Não permanece ideia de qualquer tipo – apenas paz infinita, consciência pura.

Se a pessoa para nos níveis A ou B, ela é incapaz de completar seu propósito. Apenas penetrando nas profundezas de seu ser até alcançar o nível C, ela será capaz de passar por aquela tremenda, profunda e radical mudança que pode ser chamada o primeiro degrau da iluminação.

Poucos místicos passam do primeiro grau. O encanto que ele contém os detém.
A primeira fase (concentração) é aprender a reunir suas forças e coloca-las sobre um tema particular, um pensamento ou uma coisa. É essencialmente um exercício de atenção e concentração. Com suficiente trabalho nessa fase, a pessoa será capaz de iniciar a meditação, para a qual a concentração foi apenas uma preparação.

O trabalho que a pessoa tem de fazer no primeiro estágio (concentração) é acalmar as emoções, controlar a respiração e concentrar a atenção. Apenas quando isso tudo foi conseguido ela está pronta para o segundo estágio – a meditação – quando o objetivo é voltar-se em direção ao Eu Superior. Antes disso, tudo é apenas um trabalho preparatório para capacitá-la a manter sua mente concentrada no objetivo principal que emerge durante o segundo estágio.

O propósito da primeira fase (concentração) é aquietar, aprofundar e estabilizar a mente, terminar com as agitações do pensamento e da emoção. Mas isso é apenas uma preparação para se chegar ao real propósito da meditação.

A segunda fase (meditação) não será alcançada a menos que a pessoa cesse de tentar apenas pensar a respeito e comece a sentir a presença do Eu Superior em seu coração.

A pessoa começa a praticar a verdadeira meditação apenas quando alcança o silêncio de sentimentos e pensamentos dentro de si mesma. Até então, ela está apenas trabalhando para chegar a esse ponto.

Quando a concentração alcança total intensidade e quando seu objetivo é altamente espiritual, ela se torna meditação por si mesma.

O único modo de aprender o que é a meditação é praticar e continuar praticando. Isso envolve retiros diários da rotina e atividades, com duração de 45 minutos pelo menos, e a prática de algum exercício regular. Como será esse exercício depende parcialmente da preferência da pessoa. Pode ser um dos exercícios publicados em livros, ou pode ser um assunto tomado de uma sentença de algum livro inspirado cuja verdade causou forte impacto na mente; pode ser uma qualidade de caráter cuja falta em nós a tornou urgente; ou pode ser uma aspiração puramente devocional de comungar com o Eu Superior. Seja como for, o apelo pessoal deve ser o suficiente para despertar interesse e prender a atenção.

Imagem relacionada

No período da prática de concentração, a pessoa deve voltar continuamente ao tema escolhido em seu pensamento. Infelizmente, grande parte do período é comumente gasto em livrar-se de ideias estranhas e memórias, e assim pouco tempo fica para para a real prática da meditação. A cura para isso é a prática repetida. Em seguida, deve haver um esforço para cerrar o mundo dos cinco sentidos, suas impressões e imagens, enquanto se retém a linha do pensamento da meditação. Sentimos no começo dessa fase que estamos batendo contra uma porta invisível, cujo outro lado contém o misterioso objetivo de nossa aspiração.

A meditação deve começar aquietando-se os sentidos físicos. Não podemos deixar a mente confortável a menos que antes deixemos o corpo confortável; e não podemos tornar inativo o intelecto a menos que tornemos antes os sentidos inativos. O primeiro sinal de sucesso, marcando o final do primeiro estágio (concentração), é um sentimento de leveza do corpo, de adormecimento nas pernas e mãos, de estar leve como o ar. Isso mostra que estamos desapegados do corpo. Após isso, o segundo estágio(meditação) se abre, no qual uma profunda e intensa absorção deve ser conseguida e o corpo é totalmente esquecido.

O segundo estágio (meditação) vai ocupar os esforços da pessoa por muitos anos, e embora não tenha totalmente os benefícios da contemplação, trará seus próprios benefícios e ganhos. A meditação vai preparar a pessoa para o próximo estágio(contemplação) e remover os obstáculos a sua entrada.

A meditação deve se tornar muito intensa e profunda, antes que as últimas fases do segundo estágio possam ser deixadas para trás. É nessas fases que as grandes verdades concernentes ao ego, ao ser, a Deus e ao mundo são compreendidas pela mente.

A meditação deve se tornar cada vez mais profunda, e apenas quando a fronteira do terceiro estágio é alcançada que todo esforço cessa e a pessoa deve entregar-se passivamente ao Eu Superior. A mente então é capaz de repousar em si mesma.

Imagem relacionada

Você pode, pela força da vontade, provocar o primeiro e o segundo estágio, concentração e meditação, mas não pode provocar o terceiro estágio, contemplação. Tudo que pode fazer é preparar as condições necessárias para que ele aconteça. E então, quando vem, ele se apossa de você e o engole.

Na passagem da meditação para a contemplação, a tentação de parar no meio do caminho, de estar satisfeito com o que já foi conseguido, se apresentará insistentemente e irresistivelmente a cada vez que a pessoa senta para meditar. Depois do perigo de fracasso em purificar os sentimentos e concentrar os pensamentos, essa é a terceira maior razão de por que são poucas pessoas atingem o objetivo de sua busca pela Verdade.

Quando se atinge o estágio da contemplação, os esforços devem cessar. A pessoa deve esperar com paciência e quietude, com o coração vazio de tudo a não ser a fé de que aquele ser infinito pode se revelar a qualquer momento. O segundo estágio é o esforço humano; o terceiro estágio é a resposta do Eu Superior a esse esforço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário