Existem vários graus de introversão, desde a leve desatenção até a
absorção total. As diferentes fases da meditação são degraus de penetração
dentro das várias camadas da mente. A maior parte das pessoas se detém em algum
ponto dessa escala e poucas demonstram paciência ou habilidade para ir até o
fim.
Existem estágios definidos que marcam seu progresso. Primeiro a pessoa
esquece o mundo exterior, em seguida o local onde se encontra, depois seu corpo
e finalmente seu ego. Primeiro acontece uma vaga fixação dos
pensamentos no objeto da concentração; segundo, uma retirada da atenção das
coisas externas; terceiro, uma concentração intermitente de pensamentos sobre o
objeto; quarto, uma concentração contínua sobre o mesmo; quinto, o objeto sai
do foco mas o estado de concentração é mantido em pura auto-contemplação.
As diferenças entre o primeiro e o
segundo estágios (concentração e meditação)são: (a) no primeiro não há qualquer
esforço para entender o assunto ou objeto no qual se colocou a atenção,
enquanto que no segundo há; (b) a concentração pode ser dirigida a qualquer
coisa física ou ideia mental, enquanto que a meditação deve ser dirigida a
pensar sobre um tema espiritual, de modo lógico ou imaginativo.
No terceiro estágio (contemplação)esse tema permeia
a mente tão completamente que a atividade do pensamento cessa, os pensamentos e
fantasias se esvanecem. O meditador e seu tema então se unificam, ambos
mergulham numa única consciência.

Afastar todas as percepções do mundo exterior,
todas as atividades sensoriais de ver, ouvir e tocar, é a meta do primeiro
estágio. Afastar todos os movimentos do mundo interior, todas as atividades
mentais do pensamento, raciocínio e imaginação, é a meta do segundo estágio.
Afastar todos os pensamentos e coisas e descansar na contemplação da Vida Única
Infinita é a meta do terceiro estágio.
No primeiro estágio de penetração (concentração), o
ambiente externo desaparece. No segundo estágio, apenas o sentimento "estou
enraizado em Deus," permanece. No terceiro estágio (contemplação)o
pensamento “eu” também se vai. No estágio final, até mesmo a ideia de Deus
desaparece. Não permanece ideia de qualquer tipo – apenas paz infinita,
consciência pura.
Se a pessoa para nos níveis A ou B, ela é incapaz
de completar seu propósito. Apenas penetrando nas profundezas de seu ser até
alcançar o nível C, ela será capaz de passar por aquela tremenda, profunda e
radical mudança que pode ser chamada o primeiro degrau da iluminação.
A primeira fase (concentração) é aprender a reunir suas forças e
coloca-las sobre um tema particular, um pensamento ou uma coisa. É
essencialmente um exercício de atenção e concentração. Com suficiente trabalho
nessa fase, a pessoa será capaz de iniciar a meditação, para a qual a
concentração foi apenas uma preparação.
O trabalho que a pessoa tem de fazer no primeiro estágio (concentração) é
acalmar as emoções, controlar a respiração e concentrar a atenção. Apenas quando
isso tudo foi conseguido ela está pronta para o segundo estágio – a meditação –
quando o objetivo é voltar-se em direção ao Eu Superior. Antes disso, tudo é
apenas um trabalho preparatório para capacitá-la a manter sua mente concentrada
no objetivo principal que emerge durante o segundo estágio.
O propósito da primeira fase (concentração) é aquietar, aprofundar e
estabilizar a mente, terminar com as agitações do pensamento e da emoção. Mas
isso é apenas uma preparação para se chegar ao real propósito da meditação.
A segunda fase (meditação) não será alcançada a menos que a pessoa cesse
de tentar apenas pensar a respeito e comece a sentir a presença do Eu Superior
em seu coração.
A pessoa começa a praticar a verdadeira meditação apenas quando alcança
o silêncio de sentimentos e pensamentos dentro de si mesma. Até então, ela está
apenas trabalhando para chegar a esse ponto.
Quando a concentração alcança total intensidade e quando seu objetivo é
altamente espiritual, ela se torna meditação por si mesma.
O único modo de aprender o que é a meditação é praticar e continuar
praticando. Isso envolve retiros diários da rotina e atividades, com duração de
45 minutos pelo menos, e a prática de algum exercício regular. Como será esse
exercício depende parcialmente da preferência da pessoa. Pode ser um dos
exercícios publicados em livros, ou pode ser um assunto tomado de uma sentença
de algum livro inspirado cuja verdade causou forte impacto na mente; pode ser uma
qualidade de caráter cuja falta em nós a tornou urgente; ou pode ser uma
aspiração puramente devocional de comungar com o Eu Superior. Seja como for, o
apelo pessoal deve ser o suficiente para despertar interesse e prender a
atenção.

No período da prática de concentração, a pessoa deve voltar
continuamente ao tema escolhido em seu pensamento. Infelizmente, grande parte
do período é comumente gasto em livrar-se de ideias estranhas e memórias, e
assim pouco tempo fica para para a real prática da meditação. A cura para isso
é a prática repetida. Em seguida, deve haver um esforço para cerrar o mundo dos
cinco sentidos, suas impressões e imagens, enquanto se retém a linha do
pensamento da meditação. Sentimos no começo dessa fase que estamos batendo
contra uma porta invisível, cujo outro lado contém o misterioso objetivo de
nossa aspiração.
A meditação deve começar aquietando-se os sentidos físicos. Não podemos
deixar a mente confortável a menos que antes deixemos o corpo confortável; e
não podemos tornar inativo o intelecto a menos que tornemos antes os sentidos
inativos. O primeiro sinal de sucesso, marcando o final do primeiro estágio
(concentração), é um sentimento de leveza do corpo, de adormecimento nas pernas
e mãos, de estar leve como o ar. Isso mostra que estamos desapegados do corpo.
Após isso, o segundo estágio(meditação) se abre, no qual uma profunda e intensa
absorção deve ser conseguida e o corpo é totalmente esquecido.
O segundo estágio (meditação) vai ocupar os esforços da pessoa por muitos
anos, e embora não tenha totalmente os benefícios da contemplação, trará seus
próprios benefícios e ganhos. A meditação vai preparar a pessoa para o próximo
estágio(contemplação) e remover os obstáculos a sua entrada.
A meditação deve se tornar muito intensa e profunda, antes que as
últimas fases do segundo estágio possam ser deixadas para trás. É nessas fases
que as grandes verdades concernentes ao ego, ao ser, a Deus e ao mundo são
compreendidas pela mente.
A meditação deve se tornar cada vez mais profunda, e apenas quando a
fronteira do terceiro estágio é alcançada que todo esforço cessa e a pessoa
deve entregar-se passivamente ao Eu Superior. A mente então é capaz de repousar
em si mesma.

Você pode, pela força da vontade, provocar o primeiro e o segundo
estágio, concentração e meditação, mas não pode provocar o terceiro estágio,
contemplação. Tudo que pode fazer é preparar as condições necessárias para que
ele aconteça. E então, quando vem, ele se apossa de você e o engole.
Na passagem da meditação para a contemplação, a tentação de parar no
meio do caminho, de estar satisfeito com o que já foi conseguido, se
apresentará insistentemente e irresistivelmente a cada vez que a pessoa senta
para meditar. Depois do perigo de fracasso em purificar os sentimentos e
concentrar os pensamentos, essa é a terceira maior razão de por que são poucas
pessoas atingem o objetivo de sua busca pela Verdade.
Quando se atinge o estágio da contemplação, os esforços devem cessar. A
pessoa deve esperar com paciência e quietude, com o coração vazio de tudo a não
ser a fé de que aquele ser infinito pode se revelar a qualquer momento. O
segundo estágio é o esforço humano; o terceiro estágio é a resposta do Eu
Superior a esse esforço.
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