11.3.19

O ELEFANTE SELVAGEM – Madhukarnath



Certo dia, na época em que eu vivia com meu guru Maheshwarnath numa caverna dos Himalayas, três sadhus (monges renunciantes) chegaram relatando que um elefante selvagem estava se comportando violentamente e causando muita destruição. Tinha matado ao menos seis pessoas, incluindo dois guardas florestais.

O departamento florestal era incapaz de captura-lo e as pessoas tinham medo de viajar pela estrada que cortava a floresta, até mesmo durante o dia. E perguntaram a meu guru se ele poderia ajudar de algum modo.

Meu guru sorriu e disse: “Hoje nada posso fazer a respeito do elefante irado. Amanhã, sendo lua cheia, verei o que posso fazer. Enquanto isso, fiquem por aqui e não tenham medo. Hari Om.”

Então a conversação terminou e meu guru voltou-se para mim e disse: “Amanhã à noite, venha comigo. Precisamos ensinar ao rei dos elefantes uma boa lição e acalmá-lo.”

Por volta da meia-noite, meu guru me despertou. A lua cheia brilhava lá fora em todo seu esplendor. Saímos da caverna e entramos na floresta. Caminhamos por algum tempo e nos sentamos sobre uma rocha. Pouco depois, vi um grande leopardo sair dos arbustos que havia em nossa frente. Olhou em nossa direção e parou.

Meu guru disse: “Junte suas mãos em saudação e curve-se ao leopardo. Diga em sua mente: Você é uma manifestação do Divino, você é o companheiro de Durga. Não queremos lhe fazer mal. Nós nos curvamos a você.”

Fiz como ele me instruiu. O leopardo então ficou nos olhando por um longo tempo e depois foi embora. Ficamos esperando o elefante. Ele surgiu de repente em nossa retaguarda, urrou e partiu em nossa direção.

Meu guru e eu nos voltamos. Eu tremia de medo. Mas antes de ele nos alcançar, meu guru ergueu sua mão direita e o elefante parou, imobilizado. Ficou olhando meu guru com completa atenção, com uma de suas patas dianteiras suspensa e movendo o corpo para frente e para trás, em cima de três pernas.

Meu guru falou com ele com firmeza, mas com suavidade. Sei que isso parece insano, mas preciso descrever o que ocorreu.

“Então”, disse meu guru, “é assim que você se comporta, caro amigo? Sei que você se ressente da presença dos barulhentos seres humanos que perturbam sua solidão, mas isso não é modo de reagir. Você está no cio. Posso ver. O excesso de hormônios masculinos está influenciando suas ações. Acalmarei esse excesso e você logo voltará ao normal. Aqui!”

Ante meus olhos espantados, meu guru deu um passo à frente e colocou sua mão direita sobre a testa do elefante. Com a esquerda, tocou sua tromba. O elefante parou de se balançar, caiu de joelhos e tocou os pés de meu guru com a ponta de sua tromba.

Em seguida, levantou-se e, erguendo sua tromba, deu um alegre urro e foi embora. Abandonou seu comportamento violento e daí em diante os peregrinos e sadhus novamente se sentiram seguros na estrada da floresta.

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