Certo
dia, na época em que eu vivia com meu guru Maheshwarnath numa caverna dos
Himalayas, três sadhus (monges renunciantes) chegaram relatando que um elefante
selvagem estava se comportando violentamente e causando muita destruição. Tinha
matado ao menos seis pessoas, incluindo dois guardas florestais.
O
departamento florestal era incapaz de captura-lo e as pessoas tinham medo de
viajar pela estrada que cortava a floresta, até mesmo durante o dia. E
perguntaram a meu guru se ele poderia ajudar de algum modo.
Meu
guru sorriu e disse: “Hoje nada posso fazer a respeito do elefante irado.
Amanhã, sendo lua cheia, verei o que posso fazer. Enquanto isso, fiquem por
aqui e não tenham medo. Hari Om.”
Então
a conversação terminou e meu guru voltou-se para mim e disse: “Amanhã à noite,
venha comigo. Precisamos ensinar ao rei dos elefantes uma boa lição e
acalmá-lo.”
Por
volta da meia-noite, meu guru me despertou. A lua cheia brilhava lá fora em
todo seu esplendor. Saímos da caverna e entramos na floresta. Caminhamos por
algum tempo e nos sentamos sobre uma rocha. Pouco depois, vi um grande leopardo
sair dos arbustos que havia em nossa frente. Olhou em nossa direção e parou.
Meu
guru disse: “Junte suas mãos em saudação e curve-se ao leopardo. Diga em sua
mente: Você é uma manifestação do Divino, você é o companheiro de Durga. Não
queremos lhe fazer mal. Nós nos curvamos a você.”
Fiz
como ele me instruiu. O leopardo então ficou nos olhando por um longo tempo e
depois foi embora. Ficamos esperando o elefante. Ele surgiu de repente em nossa
retaguarda, urrou e partiu em nossa direção.
Meu
guru e eu nos voltamos. Eu tremia de medo. Mas antes de ele nos alcançar, meu
guru ergueu sua mão direita e o elefante parou, imobilizado. Ficou olhando meu
guru com completa atenção, com uma de suas patas dianteiras suspensa e movendo
o corpo para frente e para trás, em cima de três pernas.
Meu
guru falou com ele com firmeza, mas com suavidade. Sei que isso parece insano,
mas preciso descrever o que ocorreu.
“Então”,
disse meu guru, “é assim que você se comporta, caro amigo? Sei que você se
ressente da presença dos barulhentos seres humanos que perturbam sua solidão,
mas isso não é modo de reagir. Você está no cio. Posso ver. O excesso de
hormônios masculinos está influenciando suas ações. Acalmarei esse excesso e
você logo voltará ao normal. Aqui!”
Ante
meus olhos espantados, meu guru deu um passo à frente e colocou sua mão direita
sobre a testa do elefante. Com a esquerda, tocou sua tromba. O elefante parou
de se balançar, caiu de joelhos e tocou os pés de meu guru com a ponta de sua
tromba.
Em
seguida, levantou-se e, erguendo sua tromba, deu um alegre urro e foi embora.
Abandonou seu comportamento violento e daí em diante os peregrinos e sadhus
novamente se sentiram seguros na estrada da floresta.
Madhukarnath
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