12.3.19

EFEITOS DA MEDITAÇÃO – Paul Brunton


A pessoa termina uma sessão de meditação bem-sucedida não apenas com um sentimento de ter feito algo meritório, mas também com um sentimento de satisfação interior, de ter sido abençoado.

Continuar essa prática fielmente é encontrar em si mesmo uma fonte de água viva da qual se pode beber diretamente e com a qual a pessoa pode satisfazer seu ser interior.

A vida exterior da pessoa pode sofrer todo tipo de meditação, de paralisia física a pobreza material, mas interiormente ela é livre para alcançar uma esfera de luz, beleza, verdade, amor e poder.

Se a pessoa continua praticando firmemente seus exercícios, virá o dia em que o período de meditação será considerado uma bênção diária. Quanto mais ela aprofunda  sua vida interior, mais vai querer estar sozinha para se entregar a suas práticas. Terá o cuidado de evitar encontros desnecessários com os outros. Para ela, as conversas sem propósitos terminaram. O deleite da meditação as substituiu.

O êxtase a que o iniciante tão ansiosamente dá as boas vindas é considerado uma perturbação para aquele meditador mais avançado.

A pessoa que senta em silêncio diariamente para suas práticas não permanecerá a mesma todo o tempo. A natureza animal nela se tornará cada vez mais subjugada e a natureza angélica cada vez mais vivificada.

 Se  no processo da meditação a pessoa sente que está ficando parcialmente fora do corpo, não precisa se amedrontar, mas sim deixar o acontecimento tomar seu curso natural. A sensação de estar se separando do corpo pode ser prazerosa ou amedrontadora, dependendo da preparação anterior de quem medita.

A sensibilidade aos pensamentos e sentimentos de outras pessoas se tornará tão desenvolvida, que a mera entrada de outra pessoa na sala espontaneamente registrará em sua consciência a atitude daquela pessoa em relação a si mesmo.

É quando o segundo estágio (meditação) está plenamente desenvolvido que os poderes ocultos podem aparecer. A pessoa que adquire o poder da clarividência deve se proteger de misturar os pensamentos alheios com seus próprios, ou de toma-los como se fossem seus.

O praticante deve ser capaz de reconhecer e detectar o advento de um poder superior, que pode se apresentar de diferentes maneiras. Uma delas é fazer-se sentir como um misterioso aperto na cabeça e pescoço que é completamente involuntário, e que ao mesmo tempo são torcidos para o lado e assim permanecem rígidos. Ou podem vagarosamente, em intervalos, mover-se num semicírculo. O praticante deve aceitar o acontecimento e suportá-lo até que termine por si mesmo.

Seus encontros com outras pessoas podem afetá-lo emocionalmente ou interferir com ele mentalmente, tão sensível ele se torna. É por isso que é melhor limitar seus contatos e se possível evitar as pessoas que deixam efeitos indesejáveis, até que com o tempo seu desenvolvimento o faz capaz de controla-los. Ele aprende por experiência como guardar a pureza mental e a paz interior.

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Muitos tipos diferentes de experiência interior são possíveis à medida que a meditação progride, alguns muito interessantes mas todos temporários. Entre eles estão: estar fora do corpo, ver uma luz brilhante, perder a vontade de conversar com os outros, perder o sentido de identidade pessoal, sentir que tudo ficou parado e a passagem do tempo suspensa, e um vasto vazio espacial. Se a pessoa penetra profundamente na meditação, ela também se torna sensível às emanações invisíveis dos outros – a seu pensamento, sentimento e caráter.

Um sentimento de delicada doçura pode surgir no coração. Se acontecer, entregue-se a ele completamente.

Nem todo buscador passa pelo transe místico. Alguns sim, a maioria não, mas ambos os grupos chegam à mesma meta. Não é aconselhável que todo buscador tente deliberadamente conseguir o transe, quando o meio em que vive não é adequado a isso, e tenta-lo pode até mesmo ser perigoso.

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