A pessoa termina uma sessão de meditação bem-sucedida não apenas com um
sentimento de ter feito algo meritório, mas também com um sentimento de satisfação
interior, de ter sido abençoado.
Continuar essa prática fielmente é encontrar em si mesmo uma fonte de
água viva da qual se pode beber diretamente e com a qual a pessoa pode
satisfazer seu ser interior.
A vida exterior da pessoa pode sofrer todo tipo de meditação, de
paralisia física a pobreza material, mas interiormente ela é livre para
alcançar uma esfera de luz, beleza, verdade, amor e poder.
Se a pessoa continua praticando firmemente seus exercícios, virá o dia
em que o período de meditação será considerado uma bênção diária. Quanto mais
ela aprofunda sua vida interior, mais
vai querer estar sozinha para se entregar a suas práticas. Terá o cuidado de
evitar encontros desnecessários com os outros. Para ela, as conversas sem
propósitos terminaram. O deleite da meditação as substituiu.
O êxtase a que o iniciante tão ansiosamente dá as boas vindas é considerado
uma perturbação para aquele meditador mais avançado.
A pessoa que senta em silêncio diariamente para suas práticas não
permanecerá a mesma todo o tempo. A natureza animal nela se tornará cada vez
mais subjugada e a natureza angélica cada vez mais vivificada.
Se no processo da meditação a pessoa
sente que está ficando parcialmente fora do corpo, não precisa se amedrontar,
mas sim deixar o acontecimento tomar seu curso natural. A sensação de estar se
separando do corpo pode ser prazerosa ou amedrontadora, dependendo da
preparação anterior de quem medita.
A sensibilidade aos pensamentos e sentimentos de outras pessoas se
tornará tão desenvolvida, que a mera entrada de outra pessoa na sala
espontaneamente registrará em sua consciência a atitude daquela pessoa em
relação a si mesmo.
É quando o segundo estágio (meditação) está plenamente desenvolvido que
os poderes ocultos podem aparecer. A pessoa que adquire o poder da
clarividência deve se proteger de misturar os pensamentos alheios com seus
próprios, ou de toma-los como se fossem seus.
O praticante deve ser capaz de reconhecer e detectar o advento de um
poder superior, que pode se apresentar de diferentes maneiras. Uma delas é
fazer-se sentir como um misterioso aperto na cabeça e pescoço que é
completamente involuntário, e que ao mesmo tempo são torcidos para o lado e
assim permanecem rígidos. Ou podem vagarosamente, em intervalos, mover-se num
semicírculo. O praticante deve aceitar o acontecimento e suportá-lo até que
termine por si mesmo.
Seus encontros com outras pessoas podem afetá-lo emocionalmente ou
interferir com ele mentalmente, tão sensível ele se torna. É por isso que é
melhor limitar seus contatos e se possível evitar as pessoas que deixam efeitos
indesejáveis, até que com o tempo seu desenvolvimento o faz capaz de
controla-los. Ele aprende por experiência como guardar a pureza mental e a paz
interior.
Muitos tipos diferentes de experiência interior são possíveis à medida
que a meditação progride, alguns muito interessantes mas todos temporários.
Entre eles estão: estar fora do corpo, ver uma luz brilhante, perder a vontade
de conversar com os outros, perder o sentido de identidade pessoal, sentir que
tudo ficou parado e a passagem do tempo suspensa, e um vasto vazio espacial. Se
a pessoa penetra profundamente na meditação, ela também se torna sensível às
emanações invisíveis dos outros – a seu pensamento, sentimento e caráter.
Um sentimento de delicada doçura pode surgir no coração. Se acontecer,
entregue-se a ele completamente.
Nem todo buscador passa pelo transe místico. Alguns sim, a maioria não,
mas ambos os grupos chegam à mesma meta. Não é aconselhável que todo buscador
tente deliberadamente conseguir o transe, quando o meio em que vive não é
adequado a isso, e tenta-lo pode até mesmo ser perigoso.
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