12.3.19

PERIGOS DA MEDITAÇÃO E COMO EVITÁ-LOS – Paul Brunton



A prática da meditação é benéfica, não prejudicial; mas há pessoas que ainda não estão prontas para ela e que devem adiá-la até que estejam. Essas pessoas incluem: aquelas cujos valores morais são baixos; aquelas que sofrem de psicoses, distúrbios mentais ou histeria emocional; aquelas que tomam drogas, que possuem ambições desordenadas, que buscam poderes ocultos ou praticam feitiçaria ou magia negra. Tais pessoas precisam de disciplinas ou tratamentos preparatórios, físicos e psicológicos, do contrário a prática pode leva-las a um estado de desequilíbrio que pode torna-las incapazes de cumprir com as obrigações e deveres da vida.

A meditação é uma técnica muito delicada que, feita incorretamente, pode fazer tanto bem quanto mal. Há períodos em que é necessário abandonar a prática, a fim de fortalecer as partes mais fracas da personalidade que poderiam de outro modo afetar o praticante adversamente, à medida que ele se torna mais sensível através da prática. Além disso, é necessário entender que a meditação feita incorretamente pode atrair espíritos perniciosos ou desequilibrar a mente.

Após praticar por algumas semanas ou meses, se fortes dores de cabeça ou sensação de tédio aparecerem, são sinais para o buscador interromper ou diminuir seus exercícios temporariamente, até sentir-se melhor.

Sentar-se passivamente em meditação na presença de uma pessoa de caráter pouco recomendável traz o perigo de receber e absorver daquela pessoa suas emanações emocionais e mentais de caráter negativo. Essa é a razão de se recomendar a prática solitária da meditação.

Se desejos surgirem durante a meditação, levando o pensamento do praticante para longe de sua meta, é melhor levantar-se e tentar novamente em outro momento.

Não é aconselhável praticar em demasia a meditação. É necessário às vezes reduzir os esforços por algum tempo, ou até mesmo parar completamente. De outro modo, a sensibilidade gerada pode tornar-se um empecilho e não uma ajuda.

Se a pessoa está meramente buscando poderes paranormais, ela corre um grave risco. Quando o desejo por poderes paranormais está misturado com aspirações espirituais, o risco não é eliminado: é apenas reduzido. O risco resulta daqueles seres que vivem no mundo astral, que ou são malévolos ou prejudiciais, e que estão prontos a se aproveitar da condição mediúnica na qual a pessoa desprotegida pode cair.

Se a pessoa faz seus exercícios da maneira certa, com objetivos sãos e por um tempo não muito longo de cada vez, então suas capacidades de funcionar no plano físico não serão enfraquecidas e nenhum mal será causado a seus interesses pessoais. Do contrário, a pessoa se tornará cada vez menos capaz de lidar com a vida prática e será levada a retirar-se da existência social.

O objetivo da meditação é levar a pessoa ao mais profundo de si mesma. Se ela permite que alguma experiência psíquica a detenha no caminho, entra naquela experiência e não dentro de si mesma. É um meio astuto do ego para fazer a pessoa pensar que aquela experiência é mais importante que realmente é, mais espiritual do que realmente é. Assim podem-se desperdiçar anos inutilmente em psiquismo – às vezes toda uma vida.

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Pelo poder de simpatia que se desenvolve no praticante, ele é capaz de elevar-se mais alto que seu próprio nível, bem como descer a níveis mais baixos que o seu. No primeiro caso, ele se abre à ajuda de sábios e santos. No segundo, ele dá ajuda a viciados e criminosos.

Se por meditação a pessoa pensa em absorção em si mesma, retirar-se do mundo exterior ou contatar algum mundo interior, isso não necessariamente significa um estado divino, mas pode significar um estado não divino onde a comunhão se dá com seres demoníacos. Há várias maneiras de se conseguir essa profunda absorção semelhante a um transe, e essas maneiras incluem drogas, feitiçaria e magia negra. A diferença para os estados divinos deve ser claramente entendida. Muitas pessoas meio loucas que se recusam a reconhecer isso caíram num misticismo falso que as leva à queda e destruição.

Qualquer coisa boa feita exageradamente pode facilmente se tornar uma coisa má. Qualquer prática mística feita em exagero pela pessoa errada, no tempo errado e em circunstâncias erradas, pode levar à loucura. Nos casos de dúvida, desconforto ou inquietação, é melhor voltar atrás e interromper do que continuar a prática até chegar a extremos.

Alguns exercícios de meditação não serão benéficos se praticados por mentes ainda não preparadas, e podem inclusive causar danos.


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Pessoas bêbadas, mentalmente doentes, iradas ou insensíveis não podem praticar meditação. Estados psicóticos e psicopatológicos tornam indesejáveis as práticas de meditação. Essas pessoas se perderam no caminho e precisam de tratamento exterior.

Se, enquanto se encontra num estado altamente sensitivo, o indivíduo descobre que está chegando a um nível mais psíquico que espiritual, ele deve substituir a meditação por oração ou adoração, ao menos por algum tempo. Será necessário também praticar o fortalecimento da vontade e livrar-se de temores ocultos. Deve aumentar sua fé no Eu Superior e invoca-lo para receber força e coragem.

Tomemos cuidado com cultos tolos, grupos lunáticos e líderes paranoicos. Também devemos evitar cair em fantasias que fabricam um mundo particular. Mas uma atitude mental sadia prontamente vai nos proteger.

Aspirantes que desejam mais ter "experiências" em sua meditação do que livrar-se do ego, correm o risco de cair nos desvios da busca. As experiências são buscadas por causa do prazer que dão às emoções do ego.

O místico, sentado no silêncio de seu quarto de meditação, pode receber grande sabedoria e sentir uma presença benevolente, ou extraviado do bom caminho e imprudente, pode cair no engano psíquico e ser possuído por presenças más. Para evitar esses perigos, deve adotar certas salvaguardas e encontrar um guia competente. Sem eles, é melhor que se contente com a leitura, o estudo e a crença.

Na forma de relaxamento simples, a meditação é urgente atualmente e não há perigo nisso.

Se vier um tempo em que a corrente da meditação seca, em que a prática não traz resultado e é feita sem fervor, o aspirante deve tomar esses sinais como avisos para fazer uma mudança por algum tempo. Deve desistir de seus exercícios habituais e engajar-se em atividades externas, informais, ou simplesmente dar-se um longo descanso.

Meditação demais pode criar hipersensibilidade e nervosismo em certas pessoas.

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