29.3.15

VICHARA, UM MÉTODO PARA O MUNDO MODERNO – Paul Brunton

Um homem pode, através de uma intensa devoção a Deus ou a um de seus mensageiros encarnados, elevar-se pela força de sua emoção purificada àquela mesma experiência divina em que ele também é capaz de sentir sua personalidade fundindo-se no ser mais amplo da Alma.

No entanto, nesta era de racionalismo e ceticismo, há grande número de pessoas que não se sentem atraídas para tal caminho. Nenhum personagem religioso desperta sua reverência mais profunda, ainda que lhes mereça um respeito sincero. A religião e suas sanções perderam sua capacidade de convencer e as pessoas mencionadas vivem numa atmosfera espiritual de semi-oposição e semi-indiferença.

O intelecto recebe de preferência a maior parte de sua adoração, ao passo que a gélida figura da ciência tem seu pedestal próprio em seus santuários. Não devemos culpá-las. O valor atribuído aos dogmas religiosos e formas ocas serviu para fazer da Verdade um sofisma; transformou malabaristas da tradição religiosa em mestres da humanidade.

Não sejamos demasiado pessimistas com relação às dúbias tendências da nossa era; agradeçamos antes aos céus sua existência, pois talvez agora comecemos a atingir a verdade das coisas. Não quer isso dizer que não haja algo realmente valioso na religião, pois mesmo que fosse extintas restaria na alma humana uma fome espiritual que permaneceria insatisfeita até que as velhas religiões fossem reabilitadas ou algumas novas fossem fundadas.

Porque o homem não perdeu, não pode perder sua fonte no Absoluto. Ele perdeu apenas sua consciência dela. As religiões lhe recordam sua perda. Aquela tremenda consciência precisa ser recuperada.

Não haverá uma forma pela qual essas pessoas cheias de dúvidas poderão praticar a meditação e conquistar a misteriosa Verdade e Paz por ela oferecida? Tal forma decerto existe. O caminho que se adapta à moderna mente analítica do homem deve basear-se no uso da razão. Tal método é o Caminho da Auto-Indagação Introspectiva (Vichara, “Quem sou eu?”, como ensinada por Sri Rámana Maharshi).

Esse método pode ser praticado por qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer momento. Quase todas as outras práticas ostentam algum rótulo confessional, exigem autodisciplinas proibitivas, requerem uma fé profunda da parte daqueles que os adotam ou precisam de vidas inteiras de esforços desmedidos e de uma energia prodigiosa.

A arte da auto-indagação, porém, é simples, direta, primordialmente intelectual e totalmente liberta de quaisquer ligações com qualquer religião ou culto. É verdade que existem outros caminhos, atalhos, mas são recomendados ao estudante que não conta com orientação; só podem tais caminhos ser revelados por um mestre competente a uns poucos discípulos cujo merecimento e fidelidade já tenham sido submetidos à prova do tempo.

Aqueles que quiserem, portanto, poderão adotar o caminho da auto-indagação, que em razão de sua base intelectual e em razão de ser inteiramente despido de partidarismo, tem sido o único que exponho ao público.

Quem praticar este método libertará sua mente da inquietude, lhe dará paz e aguçará seu poder de concentração. Armado com esse instrumento, o indivíduo estará apto a entrar num caminho ainda mais elevado, o Caminho da Realidade Absoluta. No mínimo, ele passará por uma grande renovação da alma, conhecerá uma primavera de luz e sua vida florescerá como nunca. 
 

SOBRE A PREGUIÇA E O LAZER – Krishnamurti


Levanto-me pela manhã, sentindo uma preguiça terrível, sem vontade de fazer nada. Por que ficou preguiçoso o corpo? Provavelmente porque comemos demais, abusamos dos prazeres sexuais, tudo fizemos no dia e na noite anteriores para tornar nosso corpo pesado, deprimido; e o corpo pede pelo amor de Deus que lhe demos um pouco de sossego; mas queremos atiçá-lo, torná-lo vivo. Entretanto, como não corrigimos nossa maneira de vida, tomamos uma pílula para nos tornarmos ativos.

Se observamos bem, veremos que o corpo tem sua inteligência própria; requer-se muita inteligência para observar a inteligência do corpo. Nós o forçamos, impelimos; gostamos de comer carne, de beber, de fumar etc. e por essa razão o corpo perde sua própria, intrínseca, inteligência orgânica.

Para que o corpo possa agir inteligentemente, a mente deve tornar-se inteligente e não permitir a si própria contrariar o corpo. Experimentai isso e vereis como a preguiça sofrerá uma extraordinária mudança.

Temos também a questão do lazer. Estamos tendo cada vez mais horas de folga, principalmente nas sociedades prósperas. Que fazer dessas folgas, que estão se tornando um sério problema? Procurar mais divertimentos, mais cinemas, mais televisão, mais livros, mais tagarelices, mais esportes; preencher as horas de folga com atividades de toda ordem?

Vós dispondes de lazeres. Ireis empregá-los voltando-vos para dentro ou para fora. Podeis penetrar fundo em vosso interior. Para penetrarmos muito fundo em nós mesmos, o exterior precisa ser compreendido. Uma vez tenhais compreendido o exterior – não meramente os fatos físicos, como por exemplo, a distância entre a Terra e a Lua, o conhecimento técnico, mas também os movimentos exteriores da sociedade, das nações, as guerras, o ódio existente em toda parte.

Uma vez tenhais compreendido o exterior, estareis em condições de penetrar fundo em vós mesmo; e essa profundidade interior é ilimitada. Não se pode dizer: “Cheguei ao fim, à iluminação”. A iluminação não nos pode ser dada por outro; só há iluminação quando há a compreensão da confusão, e para se compreender a confusão temos de olhá-la.




A VERDADEIRA MEDITAÇÃO – Krishnamurti


Como pode a mente tornar-se completamente quieta – não mecanicamente, não forçada, obrigada a tornar-se quieta? A mente que está quieta, sem ter sido forçada a quietar-se, é sobremodo ativa, sensível, desperta. Ao compreendermos que não há método, nem sistema, nem mantra, nem instrutor, nem nada, neste mundo, que possa ajudar-nos a quietar-nos; quando percebemos a verdade de que só a mente quieta vê – a mente fica tranquila.

A meditação não difere da vida de cada dia; não é meter-nos num canto de nosso quarto para meditar durante dez minutos, e depois sairmos para matar nossos semelhantes – tanto metaforicamente quanto na realidade. A meditação é uma das coisas mais sérias que existem; ela deve durar o dia todo, no escritório, no lar, quando dizemos a alguém “eu te amo”, quando estamos observando nossos filhos, quando os estamos educando para ser soldados, para matar, ser nacionalistas, adorar a bandeira, cair na armadilha do mundo moderno. Considerar todas essas coisas, perceber a parte que nelas tomamos – tudo isso é meditação.

Nessa forma de meditação, encontrareis uma beleza extraordinária; agireis corretamente a cada momento; e se num dado instante não agirdes corretamente não importa, tereis outra oportunidade de fazê-lo – não há tempo para perder com lamentações. A meditação é uma parte da vida e não coisa diferente da vida. 
 

AMOR E LIBERDADE – Krishnamurti


Pode-se amar sem liberdade? Se não somos livres, podemos amar? Se somos ciumentos, podemos amar? Se sentimos medo, podemos amar? Ou se, em nosso emprego, estamos no encalço de nossas ambições pessoais e, chegando em casa, dizemos ”amo-te, minha querida” - isso é amor?

No escritório somos brutais, sagazes, e em casa queremos ser dóceis, amoráveis – é possível isso? É possível matar com uma das mãos e com a outra amar? Pode o homem ambicioso amar, ou pode um homem entregue à competição conhecer o significado do amor? Aceitamos todas essas coisas e a moralidade social; mas quando negamos essa moralidade social totalmente, com todo o nosso ser, somos então verdadeiramente morais; mas nós não a negamos.

Nós criamos esta sociedade, com nossa avidez, nossa ambição, nosso nacionalismo, nosso espírito de competição, nossa brutalidade e violência; foi isso que fizemos exteriormente, porque é isso que somos interiormente. As guerras que acontecem no mundo, por elas somos responsáveis, vós e eu, visto que aceitamos a guerra como norma de vida.

Social e moralmente, somos pessoas respeitáveis e, por conseguinte, não sabemos o que é o amor. Sem o amor, jamais descobriremos o que é a verdade, jamais descobriremos se existe, ou não, isso que se chama “Deus”. Só se pode saber o que é o amor quando se sabe morrer para todas as coisas de ontem, para todas as imagens do prazer, sexual ou outro.

Então, havendo amor, que em si é virtude, que em si é moralidade – nele está contida toda a ética – só então pode tornar-se existente aquela realidade, aquela “certa coisa” imensurável. 


10.3.15

O INTELECTO E A MENTE ESPIRITUAL - Ramatis


O Intelecto é o princípio mental que distingue o homem do bruto; o seu aparecimento marca um grande avanço na senda da realização do espírito lançado na corrente da matéria.

Antes, o ser é apenas emoção, desejos ou paixões, mas, depois do advento do Intelecto, goza da vontade raciocinadora e sente, em si, a manifestação da condição humana. É o despertar ou o amanhecer da consciência do "eu", porque o homem, então, já pode comparar-se aos outros seres e coisas; classifica, analisa, junta e separa os acontecimentos nos quais intervém ou os fatos que presencia.

Principia a julgar os acontecimentos em torno de si, a ter consciência do "eu", embora não possa definir tal condição. O homem já é um ser bom e evoluído, porém, o advento do Intelecto o ajuda a exercer o comando e o controle, cada vez mais enérgico, sobre os próprios instintos animais.

Dominando as forças instintivas da velha animalidade, pode dispor de energias submissas para realizar a sua própria ascensão espiritual. Mas, se enfraquecer na posse da razão pode tornar-se pior do que as bestas, pois raros animais abusam de suas forças e desejos, como é feito habitualmente entre os homens, conforme se verifica comumente, no caso do prazer sexual.

Ademais, se o Intelecto ajuda a raciocinar, e tanto pode exercer o seu poder sobre a Mente Instintiva como preparar o caminho para a melhor influência da Mente Espiritual, como só abrange certo limite, também pode criar a ilusão perigosa do "ego" separado do Todo, que é Deus.

O intelecto humano é de raciocínio frio, como um jogador que só vê resultados compensadores e imediatos, num jogo de cartas. Quando o homem se abandona ao jugo do intelecto puro, de sua Inteligência imediatista e operante nos limites da forma, a própria razão sem o calor da intuição cria a ilusão de separatividade.

Por isso, o Intelecto funciona exatamente entre a Mente Instintiva, que tenta atrair o ser para o nível inferior dos brutos, e a Mente Espiritual, que prodigaliza as noções sublimes da vida superior dos espíritos puros.

A Mente Espiritual é o porvir, assim como a Mente Instintiva é o passado; e o Intelecto, o que está para se processar no presente. A Mente Espiritual é produtora de sentimentos excelsos e derrama-se pela consciência do homem, como a luz invade os cantos frios de uma gruta escura.

As aspirações, as meditações puras e sublimes, proporcionam ao homem a posse, cada vez mais ampla e permanente, do conteúdo angélico da Mente Espiritual; e o ego humano capta, no seu mundo assombroso, os conhecimentos mais incomuns, através da intuição pura.

Sem dúvida, tal fenômeno não pode ser explicado pelo Intelecto, que só fornece impressões, símbolos, fatos, credos e propósitos tão provisórios como a figura do homem carnal. Por isso, o sentimento de fraternidade, a mansuetude, a bondade, a renúncia, o amor e a humildade não são elaborados pelo frio raciocínio, mas trazem um sentido cálido de vida superior, que se manifesta acima da torpeza e da belicosidade do mundo material.

A Mente Espiritual, cuja ação se exerce através do "chacra coronário", ainda é patrimônio de poucos homens, os quais se sentem impelidos por desejos, aspirações e sonhos cada vez mais elevados, crescendo, sob tal influência sublime, para a maior intimidade e amor com o plano Divino. Ela nutre a confiança nos motivos elevados da existência e alimenta a Fé inabalável no âmago do ser, enfraquecendo a força atrativa do domínio animal e acelerando as forças íntimas do espírito imortal.

O Intelecto é seco e frio nos seus raciocínios, pois não vibra mesmo quando fortemente influenciado pela Mente Espiritual. No entanto, devido à constante e progressiva atuação da Mente Espiritual, desenvolve-se no homem a Consciência Espiritual, que, pouco a pouco, vai despertando a sensação misteriosa da realidade da existência do Supremo Poder Divino.

Reconhece-se tal evento quando, no homem, começa a se desenvolver a compaixão, o despertar gradativo do seu senso de justiça superior e um contínuo sentimento de fraternidade. Só a Mente Espiritual proporciona os empreendimentos superiores e sua ação sobrepuja o Intelecto, pois, aviva o Amor entre os homens e os impele a semear a ventura alheia, como condição de sua própria felicidade.

Assim, a luta entre a Consciência Espiritual do homem, identificando-lhe a natureza superior, e a Mente Instintiva, que tenta escravizá-lo ao seu domínio inferior, é algo de épico e angustioso. Desse combate exaustivo, incessante e desesperador, então, surgiu a lenda de que o homem é aconselhado à esquerda pelo demônio e, à direita, inspirado pelo anjo.

Na realidade, essa imagem simbólica representa a Mente Instintiva com o seu cortejo da experiência animal inferior, tentando o homem a repetir os atos do jugo animal; do outro lado, a Mente Espiritual, na sua manifestação e convite sublime, é bem o emblema do anjo inspirando para a vida superior.

Sobre a contextura essencial do espírito do homem e, naturalmente, em fusão consciente com o próprio Espírito de Deus, ainda pouco sabemos em nosso atual estado evolutivo. Ademais, não encontramos vocábulos e meios de comparação para explicar ao Intelecto humano, na sua tradicional limitação, qual seja a concepção exata do Infinito.

Na verdade, o espírito só pode ser sentido e não descrito; é um apercebimento interno, íntimo e pessoal de cada ser, impossível de ser explicado a contento para aquele que ainda não usufrui da mesma experiência. Ninguém pode explicá-lo pelo simbolismo das palavras transitórias do mundo material; o Intelecto, jamais, poderá percebê-lo, porque o espírito existe antes do homem e muito antes do Intelecto.

A fim de auxiliar o estudo da mente, a filosofia yoga considera o espírito do homem o sétimo princípio, a "Chispa Divina", um raio de Sol ou gota do Oceano Cósmico. Mas, ainda terá de vencer muitos degraus, em sua escada evolutiva, desde a sua fase animal até o estado de arcanjo, para que o espírito humano se faça sentir, em sua glória e poder. Os que já sentem essa realidade habitam planos inacessíveis ao nosso entendimento e não poderiam explicar-nos, pela insuficiência da linguagem humana.


No entanto, há momentos em nossa vida, quando imergimos na profundidade religiosa, alimentados por pensamentos sublimes; quando nos enternecemos ante maravilhoso poema, ou nos empolga a misteriosa beleza da alvorada. Então, sentimos o vislumbre da nossa origem Divina. É, na realidade, o apercebimento fugaz, num ápice de segundo, o início da Iluminação, o prenúncio da Consciência Espiritual.


6.3.15

A MENTE INSTINTIVA - Ramatis



 A Mente Instintiva é realmente a sede ou o lugar, onde na intimidade do homem, permanecem em estado latente as paixões, emoções, sensações, os apetites, instintos, sentimentos, impulsos e desejos da natureza grosseira e violenta, porque são provindos da época de sua formação animal.

Cabe ao homem disciplinar e dominar essas forças vivas que herdou da "fase animal" e lhe fazem pressão interior. Deve examinar-lhes as ações intempestivas, os impulsos sub-reptícios e submetê-los ao raciocínio superior, antes de agir.

Sem dúvida, já foram energias louváveis na construção de sua animalidade, mas, podem se transformar em forças prejudiciais, quando sobrepujam o domínio intelectual ou a razão.

É certo que a fome, a sede ou o desejo sexual animal são anseios justos e imprescindíveis, que a Mente Instintiva transmite aos homens para prosseguir ativos no plano físico. No entanto, apesar dessa justificativa, angeliza-se mais cedo o homem frugal, abstêmio e de continência sexual, porque tais práticas, além do limite fixado pelas necessidades humanas, terminam por escravizar o homem aos grilhões da vida inferior animal.

No entanto, as coisas do mundo instintivo não devem ser condenadas, porque todas são úteis e boas no seu devido tempo e lugar, significando degraus benfeitores na escalonada do espírito, através das formas dos mundos. O mal provém de o homem usar, exageradamente, ou fora de tempo, as coisas já superadas da fase animal. Assim, a brutalidade, a malícia, a violência, a desforra, a astúcia ou a voracidade, embora sejam qualidades louváveis e necessárias à sobrevivência, ao crescimento e à proteção dos animais sob a direção da Mente Instintiva, hão de ser um grande mal, quando a serviço do homem que já possui o discernimento superior do raciocínio.

Daí, a curiosa identificação de alguns pecados com certos tipos de animais, pois, a traição é instinto do tigre, a perfídia é da cobra, o orgulho é do pavão, a glutonice é do porco, a crueldade é da hiena, o egoísmo é do chacal, a libidinosidade é do macaco, a fúria é do touro, a brutalidade é do elefante e a astúcia é da raposa.

PERGUNTA: — Como se formou a Mente Instintiva?

RAMATÍS: — A Mente Instintiva é considerada pelo ensino da Yoga a manifestação Cósmica mais elementar operando nos mundos planetários, pois, a sua primeira atuação é no reino mineral, onde dá forma aos cristais. Do reino mineral, a sua atividade amplia-se para o reino vegetal, motivo por que as plantas já demonstram uma instintiva inteligência, como nos fenômenos de "tropismo", no processo de fecundação, germinação e crescimento.

Aliás, essa inteligência instintiva é perfeitamente visível nas espécies vegetais carnívoras, que usam de processos e recursos hábeis, armando ciladas mortais para os insetos que pretendem devorar.

Depois, em sentido cada vez mais ascendente, ela elabora e coordena o reino animal, onde a sua interferência valiosa prepara os rudimentos do equipo carnal para servir ao homem futuro. Em sua sabedoria instintiva ela orienta e controla todos os atos humanos, que podem ser executados sem a atenção do consciente, pois toda experiência ou conhecimento acumulado é o resultado do desenvolvimento desde o reino mineral, vegetal e animal, e transforma-se no alicerce para o homem firmar-se na conquista dos planos superiores.

Quando a Mente Instintiva termina o seu trabalho, principia a ação do Intelecto ou da Mente Intelectiva, surgindo a razão humana ou o discernimento superior, a diferenciar o homem do animal irracional.

Então, ele adquire certa individualidade e se separa da espécie global, mas ainda anda às apalpadelas, tentando reconhecer o seu destino; pois se surpreende com as diferenças verificadas nas suas relações exteriores.

Em conseqüência, a Mente Instintiva também é utilíssima na fase inicial da Mente Intelectiva, porque é a base segura do crescimento incessante da consciência do ser. Mas, é um campo de forças criadoras de natureza inferior e torna-se bastante perturbador, quando interfere facilmente na escala superior intelectiva.

É uma fase intermediária perigosa, em que o homem desperta o raciocínio, podendo distinguir as realizações nobres e superiores, mas, ainda pratica atos próprios da bagagem hereditária da Mente Instintiva, a qual lhe desenvolveu a linhagem animal para a confecção do corpo carnal.

Ele, então, oscila no comando intelectivo, entre o "demônio" dos impulsos atávicos da animalidade e o convite do "anjo", pela voz silenciosa da Mente Espiritual.

PERGUNTA: — E como se processa a atuação ou orientação da Mente Instintiva na estruturação das espécies inferiores?

RAMATÍS: — À medida que os animais progridem na sua escala evolutiva, precisam saber, ou fazer, certas coisas indispensáveis à sua sobrevivência no cenário do mundo físico. A Mente Instintiva, ou inteligência subconsciente, então, age no animal e orienta-lhe a experiência nos planos inferiores, fazendo-o realizar inúmeras coisas que lhe garantem a proteção, a vivência e o progresso ordeiro, sem a necessidade de mobilizar qualquer raciocínio.

Desse modo, tanto o animal selvagem como o pássaro, apesar de nascerem em ambientes tão impróprios e hostis, sobrevivem e se armam de poderes instintivos, que os adestram na luta e na defesa, e lhes desenvolvem a prudência e a astúcia.

É a Mente Instintiva que também propicia aos animais, insetos e aves o admirável recurso de "mimetismo", verdadeira camuflagem para os proteger, disfarçando-os na própria semelhança com o meio ou terreno onde atuam.

Essa sabedoria instintiva também ensina as aves a construírem seus ninhos, a emigrarem em vésperas de tempestades ou a fugirem, a tempo, do inverno rigoroso; também instrui o tatu a construir sua toca; e o joão-de-barro a edificar sua casa, protegida das tormentas; orienta o elefante a buscar vegetação medicinal para se vacinar contra as epidemias dos trópicos; o cão, a nutrir-se com ervas curativas de indigestão e reencontrar seu lar, depois de abandonados a quilômetros de distancia.

Ainda guia as abelhas, na confecção matemática dos favos de mel; auxilia as aranhas a tecer as teias admiráveis, as formigas a se organizarem de modo ordeiro e a abandonarem os formigueiros, à margem dos rios, em vésperas de inundações.

Depois que a Mente Instintiva ensina as espécies animais a fazerem as coisas necessárias para a sua sobrevivência e progresso, transforma essas experiências vividas em ações autômatas, e as arquiva, como "tarefas-modelos" para, mais tarde, servirem ao homem sem necessidade de consultar o intelecto ou gastar as energias do raciocínio. Por isso, o homem não precisa pensar para andar, respirar, digerir ou crescer, nem para outras múltiplas atividades do organismo, como produção e reparação de células, de lesões orgânicas, defesas contra vírus, obliteração de vasos sangüíneos ou formação de cicatrizes protetoras.

Graças à inteligência milenária da Mente Instintiva, o recém-nascido ingere leite branquíssimo por alguns meses e, no entanto, crescem-lhe cabelos louros, castanhos ou pretos, os olhos ficam negros, pardos ou azuis, o sangue vermelho, a bílis esverdeada, a pele rosada, os dentes brancos e o fígado num tom vinhoso.

Isso tudo acontece tão naturalmente porque, à medida que o homem supera a memória consciente, transfere os seus conhecimentos adquiridos para a Mente Instintiva, a qual, então, os arquiva para que sejam usados no momento oportuno.

PERGUNTA: Poderíeis dar-nos alguns exemplos?

RAMATÍS: — Os pintores, músicos, escultores, datilógrafos ou motoristas aprendem a desempenhar sua função mediante o intelecto, mas é evidente que se fatigariam imensamente, caso tivessem de "pensar" ou "rememorar" tais coisas, todas as vezes que delas necessitassem.

A Mente Instintiva se encarrega de arquivar as experiências do homem no processo de pintar, tocar, dirigir, escrever à máquina ou aprender qualquer outra coisa, e esse arquivo pode ser usado quando tais aquisições devem ser evocadas e usadas.

Mas, quando a Mente Espiritual principia a influir no homem, ele não demora a reconhecer em si que ainda é joguete dos impulsos animais, pois, logo se arrepende de suas precipitações ou decisões egoístas, coléricas ou hostis. Isso já é meio caminho andado para o seu crescimento espiritual, pois, os instintos inferiores são como feras que moram em nossa própria intimidade espiritual. O que ainda é legítimo para o animal, há de ser ilícito e ilegítimo para o homem.

Não deveis desprezar as coisas da Mente Instintiva, porque ela vos serviu e vos serve, continuamente, para o vosso bem. Mas, assim como o homem consegue dominar o leão, o elefante, o lobo ou o cavalo selvagem e, depois, os aproveita em benefício da existência humana, também precisa transformar as forças violentas e agressivas da bagagem desenvolvida pela mente instintiva em energias dóceis e benfeitoras, à disposição do raciocínio superior.

O instinto de violência, por exemplo, pode ser graduado na forma de uma energia que, depois, alimenta uma arte ou um ideal digno; o orgulho disciplinado estimula o heroísmo, a vaidade controlada desenvolve o bom gosto pela limpeza e o capricho pessoal; a avareza esclarecida pode nortear o princípio de segurança econômica para o futuro e a astúcia, a serviço do intelecto, pode transformar-se em elevado instinto de precaução.

A DRENAGEM DA CARGA TÓXICA DO ESPÍRITO - Ramatis




Não é a genética que impõe a forma ao organismo, mas as energias más do corpo perispiritual a causa determinante da hereditariedade patológica de cada um. A alma atribulada e enferma (como resultado de um viver errado em vidas passadas) deve filtrar e "drenar" a toxicidade do seu perispírito, através do corpo físico, durante as encarnações na matéria, e esse processo lento e insidioso provoca as doenças.

À medida que o homem cresce e envelhece, o conteúdo de seu campo vibratório tóxico perispiritual flui mais intensamente para o "mata-borrão" vivo, que é o corpo carnal; disso, então, resulta a enfermidade específica a cada tipo de ser, agravando-se tanto quanto a criatura se torna mais idosa.

Quase sempre, pela maturidade, o espírito encarnado principia a sentir a descida cármica e cáustica de sua carga tóxica do perispírito, a se desprender pelas vias endócrinas e nervosas, fluindo pelos "plexos nervosos" do corpo físico, afetando todos os centros principais etéricos que comandam o metabolismo orgânico.

Sob o aspecto de um morbo fluídico, que busca a sua materialização na indumentária psicofísica, as toxinas do perispírito incorporam-se, através dos sistemas próprios de drenagem, a todo o conjunto, produzindo os climas eletivos para a proliferação de determinados germens, vírus e ultravírus, que são os principais responsáveis pelas diversas doenças.

Assim, sob a ação específica das várias toxinas que se desagregam do perispírito para o corpo físico, se nutrem determinadas coletividades microbianas, além das cotas normais do seu organismo físico, surgindo as cefaléias, artrites, hiperestesias, dermatoses, inflamações, inclusive as infecções das regiões gástricas, pancreáticas, renais ou hepáticas, que, de conformidade com a gravidade, a ciência médica caracteriza por úlceras, colites, diabetes, nefrites ou hepatites.

E à medida que a criatura mais se impacienta, se irrita ou perde o ânimo vivificador, esse morbo "psicofísico" mais se acicata e agrava, porque o processo de envelhecimento reduz a produção de insulina, bílis, fermentos, sucos gástricos, diminui a fisiologia do fígado, a drenagem renal, perturba o peristaltismo intestinal ou altera o metabolismo endocrínico, as funções cerebrais pela atrofia cortical, numa técnica natural de libertação da individualidade.

Notamos a sabedoria das inteligências que regem o Universo quando, primeiramente, o ser cumpre o ciclo biológico de nascer, crescer, reproduzir-se, ajudar na criação da prole, pagando o seu tributo à vida, para, depois, saldar os seus débitos do pretérito, o que é facilitado pela pouca resistência do organismo ao escoamento do residual venenoso do perispírito para a matéria.

Como é uma ação planejada, então, se esgotam todos os procedimentos médicos. E as terapêuticas não têm efeito, ou podem agravar o estado geral, quando empregadas de maneira agressiva. Desesperada, não encontrando uma solução científica, a criatura entrega-se aos mais pitorescos métodos do curandeirismo amador.

Sendo católica, recorre ao socorro do padre; protestante, procura o pastor exorcista; em última instância, recorre ao médium kardecista ou ao "aparelho" de Umbanda.

Nessa busca, há o contato com as filosofias dos credos, o conhecimento de novas doutrinas; há o efeito salutar da prece, num conjunto de ações que podem mudar o modo de pensar do sofredor, permitindo mais entendimento de seus males e a conseqüente modificação de suas doenças anímicas, como o egoísmo, a vaidade, o orgulho, transformados em fraternidade e humildade.

À guisa de um vaso vivo, a colher em seu bojo a carga venenosa vertida do perispírito pelo mecanismo drenador e purificador, o corpo carnal do homem toma-se um excêntrico "fio-terra" dessa limpeza cruciante, mas benéfica.




4.3.15

A PEREGRINAÇÃO DE VITHOBA (um conto da antiga Índia)

(Esta história ilustra como a força do destino se sobrepõe a nossos desejos pessoais)

Às margens do rio Godavari, vivia um brahmin chamado Govindpant, e sua esposa era Nirabai. Govindpant era inteligente e generoso, cumpria seus deveres mencionados nas escrituras e servia os renunciantes com grande amor, mas a falta de filhos o deixava triste.

O casal apelou à deidade adorada pela família, Vithoba (uma manifestação de Vishnu), que os abençoou com um filho. Quando este nasceu, colocaram-lhe o nome de Vithoba. Quando Vithoba chegou à adolescência, seus pais começaram a procurar uma noiva para ele. Entretanto ele tinha planos diferentes e pediu aos pais permissão para realizar uma peregrinação.

Seus pais lhe disseram: “Estamos surpresos que tu, que apenas entraste na adolescência, queiras escolher esse caminho da renúncia! Pedimos-te que sejas um chefe de família, para seres um protetor em nossa velhice.”

Vithoba respondeu, “Amados pais, ouvi falar sobre a natureza efêmera da vida, a natureza transitória das posses, que é como a escrita sobre a água. Também ouvi falar que a juventude é passageira, que a vida é curta e que a mente é instável. Ainda assim vocês pretendem me obrigar a uma vida de chefe de família! Nem sonho com os prazeres dos sentidos, muito menos em viver com uma mulher. Desejo buscar a Verdade e dedicar minha vida ao guru. Antes de me casar, gostaria primeiro de visitar e adorar os lugares sagrados do país, e aprender o exaltado conhecimento das almas nobres. Voltarei a vós em dois anos e então farei como quereis”.

Seus pais responderam, “Não nos oporemos a tua resolução, mas alegra nossos corações voltando para nós da tua peregrinação.”

Vithoba então partiu para visitar os lugares sagrados. Ao chegar em Alankavati, deu um mergulho no rio sagrado e fez japa. Ali também vivia um respeitável brahmin chamado Siddhopant, que era conhecido por sua hospitalidade. Ele levava os peregrinos para casa e os alimentava com grande amor.

Um dia, enquanto procurava um peregrino, encontrou Vithoba. Maravilhado com a piedade, beleza e humildade do jovem, ele o levou para casa e lhe serviu comida. Passaram o dia discutindo tópicos das escrituras.

Então Siddhopant pediu a Vithoba que ficasse mais alguns dias com ele. Ele gostava da companhia de Vithoba, conversando com ele sobre temas divinos.

Naquela noite o Senhor apareceu num sonho a Siddhopant e lhe ordenou que casasse sua filha com Vithoba no dia seguinte. Despertando do sonho, Siddhopant ficou surpreso. Ele pensou, “Meu desejo era casar minha filha com um rapaz de mente nobre. Será que o desejo de meu coração tomou a forma de um sonho ou verdadeiramente será a vontade divina do Senhor?”

Quando Vithoba acordou, Siddhopant lhe contou sobre o sonho dizendo, “O Senhor me instruiu no sonho para dar-te minha filha em casamento. Não ignores a ordem divina.”

Vithoba ficou terrificado e com um coração agitado respondeu, “Senhor! Nada sabes sobre mim ou minha família, e vens me fazer essa proposta. Foi para me arrastar à vida mundana que me trouxeste à sua casa e me alimentaste com boa comida? Por favor, não toques mais nesse assunto.”

Siddhopant disse, “É a graça do guru que fez que nós nos conhecêssemos. Tu és o marido ideal para minha filha.” E com grande alegria chamou sua mulher e lhe contou tudo.

Assustado com os acontecimentos Vithoba exclamou, “Ó Brahmin, é justo me pegar em tua armadilha quando tudo que desejo é renúncia?” E Siddhopant lhe respondeu, “Não se deve ignorar a ordem do Senhor. Por favor casa-te com minha filha ainda hoje e prossegue em tua peregrinação com tua esposa.”

Vithoba exclamou desesperado, “Por que o mesmo Senhor não me visitou em meu sonho?” E Siddhopant, “Ele certamente aparecerá a ti essa noite. Portanto, deves ficar aqui conosco a noite de hoje.”

Ao por-do-sol, eles se banharam no rio e completaram seu japa e orações. Voltaram para casa, alimentaram-se e passaram horas cantando hinos devocionais, antes de ir deitar-se. No meio da noite, o Senhor apareceu a Vithoba num sonho e lhe disse que casasse com a filha de Siddhopant, que era uma moça de pensamento nobre.

Ao acordar, Vithoba ficou perturbado. Ele pensou consigo mesmo, “O próprio Deus destruindo minha promessa de permanecer um renunciante. Será que a pessoa que provou néctar desejará provar veneno? Será que uma pessoa que é da família real desejará levar a vida de mendigo? Assim também, uma pessoa que sabe como é precioso o nascimento humano desejará desperdiçar sua vida em coisas fúteis?”

Assim pensando, Vithoba passou o resto da noite sem dormir. Decidindo fugir dali, caminhou quietamente para a rua, mas naquele momento Rukmabai, a filha de Siddhopant, que antes havia adorado a Mãe Divina para que lhe enviasse um marido nobre e sábio, ouviu os passos e pensou, “Desde o momento que meu pai decidiu que ele seria meu marido, comecei a considerá-lo como meu marido. Agora ele está me abandonando. Mesmo que ele não tenha tido a visão do Senhor, eu já o aceitei como meu marido e coloquei minha vida a seus pés. Sendo assim, como pode uma mulher fiel viver separada de seu amado?

Com esses pensamentos, Rukmabai correu atrás dele na rua e caiu a seus pés dizendo, “Ó meu senhor, por que foges? Se não queres ficar aqui, podemos ir viver onde desejares. Conseguirei a permissão de meu pai.”

Tocado pela beleza cativante da moça, Vithoba perguntou, “Ó jovem, quem és tu?” Ela respondeu, “Meu pai decidiu casar-me contigo. Ele dorme sem saber que estás fugindo. Vim para levar-te de volta para casa.”

Vithoba disse, “Até que uma garota esteja legitimamente casada, não é apropriado que ela converse sozinha com um homem. É assim que age uma mulher virtuosa. Se um homem se casa com tal mulher indecente, a porta do inferno se abre para ele. Sendo assim, não acredito que tu serás uma esposa respeitável. Vá embora.”

Vithoba começou a andar mais apressado, mas Rukmabai se colocou em seu caminho dizendo, “Senhor de minha vida, amado de minha vida, meu coração foi dado a ti, que é meu tudo. Este é o verdadeiro voto do casamento, não qualquer cerimônia formal. É o estado da mente que importa. Tu achas que o casamento formal é o verdadeiro casamento? Se partires daqui sem meus pais saberem, seguirei teus passos. Se me rejeitares e me empurrares violentamente, deixarei aqui minha vida a teus pés.”

Assustado com o curso dos acontecimentos, Vithoba disse, “Vá depressa para casa. Sou um peregrino, além disso não tenho interesse no matrimônio. Uma moça decente não deve forçar seu casamento com um homem que deseja se tornar um renunciante. Tu pareces ser louca!”

Em resposta, ela disse, “Ó meu mestre, após aceitar alguém como marido, se a mente da mulher se dirige a outro, ainda que em sonho, ela é pior que um asno. Como posso afastar-me de ti, se te considero como o parceiro da minha vida? Não tenho uma mente pecaminosa para pensar em qualquer outro, que não seja tu.”

Vithoba replicou, “Ó mulher, é estranho que você prefira fugir com um estranho, traindo seus pais que te criaram com tanto amor. É um crime até mesmo falar contigo. Saia da minha frente!”

Rukmabai disse, “Está destinado que nos tornemos marido e mulher, por isso Deus apareceu no sonho de meu pai. O Senhor deve ter aparecido a ti também. Aquele que desafia a vontade do Senhor não pode ser feliz. Ó mestre de minha vida, teste-me. Podes maltratar-me que suportarei feliz, porque sou tua, pertenço a ti. Tens o direito de tratar-me como desejares.”

Vithoba disse a ela novamente, “Ó nobre mulher, não mereço tua beleza. Não ficas envergonhada de desejar um homem comum como eu? Não devias preferir um homem feio como eu, nem em sonhos. Teu pai parece ser pouco inteligente, mas tu és o bastante para notar este absurdo.”

Rukmabai, ignorando suas palavras, disse, “Uma mulher casta não se desvia de seu amor nem deseja outro, mesmo que seu marido seja pobre, doente, feio ou pouco inteligente. Ela não prefere nem mesmo Kama (o deus do amor). Ó senhor, por que me humilhas assim?”

Ouvindo a discussão que vinha de fora, Siddhopant e sua esposa se dirigiram para lá. Siddhopant disse, “Ó jovem, tu conheces o código da conduta correta. Por que chamaste essa moça sozinha à noite para conversar? Isso trará vergonha sobre nós.”

Dominado pela aflição Vithoba disse, “Deus é minha testemunha! Se desejei esta mulher, que um destino terrível caia sobre mim. Não estás satisfeito com todo o problema que me causaste? Por favor, deixe-me seguir meu caminho.”

Siddhopant dirigindo-se a Rukmabai disse, “Ó jóia entre as mulheres castas, tu me salvaste de uma grande angústia não o deixando ir embora. Eu o convencerei agora; por favor volta para casa.” A Vithoba, ele disse, “Ó jovem, o Senhor não apareceu em seu sonho?”

Vithoba: “Mesmo que o Senhor me ordenar, não me tornarei um chefe de família! Estou preparado até mesmo para morrer, mas não concordo em casar.”

Siddhopant: “Tu estás me causando grande preocupação, já que minha filha seguramente morrerá, se tu a abandonares. Após cometer o pecado de ser a causa da morte de uma mulher, que tipo de mérito pretendes ganhar em tuas austeridades?”

Sentindo-se incomodado, Vithoba lamentou-se em voz alta, “Ó Deus! Vós que sois o mais puro dos puros e a compaixão encarnada! Olhai este brahmin, como ele obstrui meu caminho, como ele me amaldiçoa! Ó Senhor dos senhores, rogo que me liberteis dessa situação!”

Naquele mesmo instante, uma voz etérea surgiu do nada, “Ó Vithoba, quero que tu desposes a filha deste nobre homem imediatamente e vivas feliz.”

Enquanto Vithoba estava atordoado, Siddhopant pulava de alegria dizendo, “Sou com certeza um homem de sorte em ter este grande homem como meu genro e minha filha é três vezes abençoada.”

Então o casamento entre Vithoba e Rukmabai se realizou. Após visitarem mais alguns lugares de peregrinação, Vithoba, sua esposa e os pais desta foram até a casa dos pais de Vithoba. Ao chegar em casa, Vithoba prostrou-se a seus pais e os informou sobre os acontecimentos durante sua peregrinação.

Siddhopant e sua filha também se prostraram a eles com reverência. Govindpant and Nirabai estavam emocionados por estarem juntos a seu filho novamente. Sua alegria era muito grande ao saber de seu casamento.

Nirabai ficou impressionada com a beleza e humildade de sua nora. Abraçando Siddhopant com gratidão, Govindpant o agradeceu por fazer de seu filho um chefe de família.