29.3.15

AMOR E LIBERDADE – Krishnamurti


Pode-se amar sem liberdade? Se não somos livres, podemos amar? Se somos ciumentos, podemos amar? Se sentimos medo, podemos amar? Ou se, em nosso emprego, estamos no encalço de nossas ambições pessoais e, chegando em casa, dizemos ”amo-te, minha querida” - isso é amor?

No escritório somos brutais, sagazes, e em casa queremos ser dóceis, amoráveis – é possível isso? É possível matar com uma das mãos e com a outra amar? Pode o homem ambicioso amar, ou pode um homem entregue à competição conhecer o significado do amor? Aceitamos todas essas coisas e a moralidade social; mas quando negamos essa moralidade social totalmente, com todo o nosso ser, somos então verdadeiramente morais; mas nós não a negamos.

Nós criamos esta sociedade, com nossa avidez, nossa ambição, nosso nacionalismo, nosso espírito de competição, nossa brutalidade e violência; foi isso que fizemos exteriormente, porque é isso que somos interiormente. As guerras que acontecem no mundo, por elas somos responsáveis, vós e eu, visto que aceitamos a guerra como norma de vida.

Social e moralmente, somos pessoas respeitáveis e, por conseguinte, não sabemos o que é o amor. Sem o amor, jamais descobriremos o que é a verdade, jamais descobriremos se existe, ou não, isso que se chama “Deus”. Só se pode saber o que é o amor quando se sabe morrer para todas as coisas de ontem, para todas as imagens do prazer, sexual ou outro.

Então, havendo amor, que em si é virtude, que em si é moralidade – nele está contida toda a ética – só então pode tornar-se existente aquela realidade, aquela “certa coisa” imensurável. 


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