Pode-se amar sem
liberdade? Se não somos livres, podemos amar? Se somos ciumentos,
podemos amar? Se sentimos medo, podemos amar? Ou se, em nosso
emprego, estamos no encalço de nossas ambições pessoais e,
chegando em casa, dizemos ”amo-te, minha querida” - isso é amor?
No escritório somos
brutais, sagazes, e em casa queremos ser dóceis, amoráveis – é
possível isso? É possível matar com uma das mãos e com a outra
amar? Pode o homem ambicioso amar, ou pode um homem entregue à
competição conhecer o significado do amor? Aceitamos todas essas
coisas e a moralidade social; mas quando negamos essa moralidade
social totalmente, com todo o nosso ser, somos então verdadeiramente
morais; mas nós não a negamos.
Nós criamos esta
sociedade, com nossa avidez, nossa ambição, nosso nacionalismo,
nosso espírito de competição, nossa brutalidade e violência; foi
isso que fizemos exteriormente, porque é isso que somos
interiormente. As guerras que acontecem no mundo, por elas somos
responsáveis, vós e eu, visto que aceitamos a guerra como norma de
vida.
Social e moralmente,
somos pessoas respeitáveis e, por conseguinte, não sabemos o que é
o amor. Sem o amor, jamais descobriremos o que é a verdade, jamais
descobriremos se existe, ou não, isso que se chama “Deus”. Só
se pode saber o que é o amor quando se sabe morrer para todas as
coisas de ontem, para todas as imagens do prazer, sexual ou outro.
Então, havendo amor,
que em si é virtude, que em si é moralidade – nele está contida
toda a ética – só então pode tornar-se existente aquela
realidade, aquela “certa coisa” imensurável.
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