O
Intelecto é o princípio mental que distingue o homem do bruto; o
seu aparecimento marca um grande avanço na senda da realização do
espírito lançado na corrente da matéria.
Antes,
o ser é apenas emoção, desejos ou paixões, mas, depois do advento
do Intelecto, goza da vontade raciocinadora e sente, em si, a
manifestação da condição humana. É o despertar ou o amanhecer da consciência
do "eu", porque o homem, então, já pode comparar-se aos
outros seres e coisas; classifica, analisa, junta e separa os
acontecimentos nos quais intervém ou os fatos que presencia.
Principia
a julgar os acontecimentos em torno de si, a ter consciência do
"eu", embora não possa definir tal condição. O homem já
é um ser bom e evoluído, porém, o advento do Intelecto o ajuda a
exercer o comando
e o controle, cada vez mais enérgico, sobre os próprios instintos
animais.
Dominando
as forças instintivas da velha animalidade, pode dispor de energias
submissas para realizar a sua própria ascensão espiritual. Mas, se
enfraquecer na posse da razão pode tornar-se pior do que as bestas,
pois raros animais abusam de suas forças e desejos, como é feito
habitualmente entre os homens, conforme se verifica comumente, no
caso do prazer sexual.
Ademais,
se o Intelecto ajuda a raciocinar, e tanto pode exercer o seu poder
sobre a Mente Instintiva como preparar o caminho para a melhor
influência da Mente Espiritual, como só abrange certo limite, também
pode criar a ilusão perigosa do "ego" separado do Todo,
que é Deus.
O
intelecto humano é de raciocínio frio, como um jogador que só vê
resultados compensadores e imediatos, num jogo de cartas. Quando o
homem se abandona ao jugo do intelecto puro, de sua Inteligência
imediatista e operante nos limites da forma, a própria razão sem o
calor da intuição cria a ilusão de separatividade.
Por
isso, o Intelecto funciona exatamente entre a Mente Instintiva, que
tenta atrair o ser para o nível inferior dos brutos, e a Mente
Espiritual, que prodigaliza as noções sublimes da vida superior dos
espíritos puros.
A
Mente Espiritual é o porvir, assim como a Mente Instintiva é o
passado; e o Intelecto, o que está para se processar no presente. A
Mente Espiritual é produtora de sentimentos excelsos e derrama-se
pela consciência do homem, como a luz invade os cantos frios de uma
gruta escura.
As
aspirações, as meditações puras e sublimes, proporcionam ao homem
a posse, cada vez mais ampla e permanente, do conteúdo angélico da
Mente Espiritual; e o ego humano capta, no seu mundo assombroso,
os conhecimentos mais incomuns, através da intuição pura.
Sem
dúvida, tal fenômeno não pode ser explicado pelo Intelecto, que só
fornece impressões, símbolos, fatos, credos e propósitos tão
provisórios como a figura do homem carnal. Por isso, o sentimento de
fraternidade, a mansuetude, a bondade, a renúncia, o amor e a
humildade não são elaborados pelo frio raciocínio, mas trazem um
sentido cálido de vida superior, que se manifesta acima da torpeza e
da belicosidade do mundo material.
A
Mente Espiritual, cuja ação se exerce através do "chacra
coronário", ainda é patrimônio de poucos homens, os quais se
sentem impelidos por desejos, aspirações e sonhos cada vez mais
elevados, crescendo, sob tal influência sublime, para a maior
intimidade e amor com o plano Divino. Ela nutre a confiança nos
motivos elevados da existência e alimenta a Fé inabalável no âmago
do ser, enfraquecendo a força atrativa do domínio animal e
acelerando as forças íntimas do espírito imortal.
O
Intelecto é seco e frio nos seus raciocínios, pois não vibra mesmo quando
fortemente influenciado pela Mente Espiritual. No entanto, devido à
constante e progressiva atuação da Mente Espiritual, desenvolve-se
no homem a Consciência Espiritual, que, pouco a pouco, vai
despertando a sensação misteriosa da realidade da existência do
Supremo Poder Divino.
Reconhece-se
tal evento quando, no homem, começa a se desenvolver a compaixão, o
despertar gradativo do seu senso de justiça superior e um contínuo
sentimento de fraternidade. Só a Mente Espiritual proporciona os
empreendimentos superiores e sua ação sobrepuja o Intelecto, pois,
aviva o Amor entre os homens e os impele a semear a ventura alheia,
como condição de sua própria felicidade.
Assim,
a luta entre a Consciência Espiritual do homem, identificando-lhe a
natureza superior, e a Mente Instintiva, que tenta escravizá-lo ao
seu domínio inferior, é algo de épico e angustioso. Desse combate
exaustivo, incessante e desesperador, então, surgiu a lenda de que o
homem é aconselhado à esquerda pelo demônio e, à direita,
inspirado pelo anjo.
Na
realidade, essa imagem simbólica representa a Mente Instintiva com o
seu cortejo da experiência animal inferior, tentando o homem a
repetir os atos do jugo animal; do outro lado, a Mente Espiritual, na
sua manifestação e convite sublime, é bem o emblema do anjo
inspirando para a vida superior.
Sobre
a contextura essencial do espírito
do homem
e, naturalmente, em fusão consciente com o próprio Espírito de
Deus, ainda pouco sabemos em nosso atual estado evolutivo. Ademais,
não encontramos vocábulos e meios de comparação para explicar ao
Intelecto humano, na sua tradicional limitação, qual seja a
concepção exata do Infinito.
Na
verdade, o espírito só pode ser sentido e não descrito; é um
apercebimento interno, íntimo e pessoal de cada ser, impossível de
ser explicado a contento para aquele que ainda não usufrui da mesma
experiência. Ninguém pode explicá-lo pelo simbolismo das palavras
transitórias do mundo material; o Intelecto, jamais, poderá
percebê-lo, porque o espírito existe antes do homem e muito antes
do Intelecto.
A fim
de auxiliar o estudo da mente, a filosofia yoga considera o espírito
do homem o sétimo princípio, a "Chispa Divina", um raio
de Sol ou gota do Oceano Cósmico. Mas, ainda terá de vencer muitos
degraus, em sua escada evolutiva, desde a sua fase animal até o
estado de arcanjo, para que o espírito humano se faça sentir, em
sua glória e poder. Os que já sentem essa realidade habitam planos
inacessíveis ao nosso entendimento e não poderiam explicar-nos,
pela insuficiência da linguagem humana.
No
entanto, há momentos em nossa vida, quando imergimos na profundidade
religiosa, alimentados por pensamentos sublimes; quando nos
enternecemos ante maravilhoso poema, ou nos empolga a misteriosa
beleza da alvorada. Então, sentimos o vislumbre da nossa origem
Divina. É, na realidade, o apercebimento fugaz, num ápice de
segundo, o início da Iluminação, o prenúncio da Consciência
Espiritual.
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