29.3.15

VICHARA, UM MÉTODO PARA O MUNDO MODERNO – Paul Brunton

Um homem pode, através de uma intensa devoção a Deus ou a um de seus mensageiros encarnados, elevar-se pela força de sua emoção purificada àquela mesma experiência divina em que ele também é capaz de sentir sua personalidade fundindo-se no ser mais amplo da Alma.

No entanto, nesta era de racionalismo e ceticismo, há grande número de pessoas que não se sentem atraídas para tal caminho. Nenhum personagem religioso desperta sua reverência mais profunda, ainda que lhes mereça um respeito sincero. A religião e suas sanções perderam sua capacidade de convencer e as pessoas mencionadas vivem numa atmosfera espiritual de semi-oposição e semi-indiferença.

O intelecto recebe de preferência a maior parte de sua adoração, ao passo que a gélida figura da ciência tem seu pedestal próprio em seus santuários. Não devemos culpá-las. O valor atribuído aos dogmas religiosos e formas ocas serviu para fazer da Verdade um sofisma; transformou malabaristas da tradição religiosa em mestres da humanidade.

Não sejamos demasiado pessimistas com relação às dúbias tendências da nossa era; agradeçamos antes aos céus sua existência, pois talvez agora comecemos a atingir a verdade das coisas. Não quer isso dizer que não haja algo realmente valioso na religião, pois mesmo que fosse extintas restaria na alma humana uma fome espiritual que permaneceria insatisfeita até que as velhas religiões fossem reabilitadas ou algumas novas fossem fundadas.

Porque o homem não perdeu, não pode perder sua fonte no Absoluto. Ele perdeu apenas sua consciência dela. As religiões lhe recordam sua perda. Aquela tremenda consciência precisa ser recuperada.

Não haverá uma forma pela qual essas pessoas cheias de dúvidas poderão praticar a meditação e conquistar a misteriosa Verdade e Paz por ela oferecida? Tal forma decerto existe. O caminho que se adapta à moderna mente analítica do homem deve basear-se no uso da razão. Tal método é o Caminho da Auto-Indagação Introspectiva (Vichara, “Quem sou eu?”, como ensinada por Sri Rámana Maharshi).

Esse método pode ser praticado por qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer momento. Quase todas as outras práticas ostentam algum rótulo confessional, exigem autodisciplinas proibitivas, requerem uma fé profunda da parte daqueles que os adotam ou precisam de vidas inteiras de esforços desmedidos e de uma energia prodigiosa.

A arte da auto-indagação, porém, é simples, direta, primordialmente intelectual e totalmente liberta de quaisquer ligações com qualquer religião ou culto. É verdade que existem outros caminhos, atalhos, mas são recomendados ao estudante que não conta com orientação; só podem tais caminhos ser revelados por um mestre competente a uns poucos discípulos cujo merecimento e fidelidade já tenham sido submetidos à prova do tempo.

Aqueles que quiserem, portanto, poderão adotar o caminho da auto-indagação, que em razão de sua base intelectual e em razão de ser inteiramente despido de partidarismo, tem sido o único que exponho ao público.

Quem praticar este método libertará sua mente da inquietude, lhe dará paz e aguçará seu poder de concentração. Armado com esse instrumento, o indivíduo estará apto a entrar num caminho ainda mais elevado, o Caminho da Realidade Absoluta. No mínimo, ele passará por uma grande renovação da alma, conhecerá uma primavera de luz e sua vida florescerá como nunca. 
 

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