Um homem pode, através
de uma intensa devoção a Deus ou a um de seus mensageiros
encarnados, elevar-se pela força de sua emoção purificada àquela
mesma experiência divina em que ele também é capaz de sentir sua
personalidade fundindo-se no ser mais amplo da Alma.
No entanto, nesta era
de racionalismo e ceticismo, há grande número de pessoas que não
se sentem atraídas para tal caminho. Nenhum personagem religioso
desperta sua reverência mais profunda, ainda que lhes mereça um
respeito sincero. A religião e suas sanções perderam sua
capacidade de convencer e as pessoas mencionadas vivem numa atmosfera
espiritual de semi-oposição e semi-indiferença.
O intelecto recebe de
preferência a maior parte de sua adoração, ao passo que a gélida
figura da ciência tem seu pedestal próprio em seus santuários. Não
devemos culpá-las. O valor atribuído aos dogmas religiosos e formas
ocas serviu para fazer da Verdade um sofisma; transformou
malabaristas da tradição religiosa em mestres da humanidade.
Não sejamos demasiado
pessimistas com relação às dúbias tendências da nossa era;
agradeçamos antes aos céus sua existência, pois talvez agora
comecemos a atingir a verdade das coisas. Não quer isso dizer que
não haja algo realmente valioso na religião, pois mesmo que fosse
extintas restaria na alma humana uma fome espiritual que permaneceria
insatisfeita até que as velhas religiões fossem reabilitadas ou
algumas novas fossem fundadas.
Porque o homem não
perdeu, não pode perder sua fonte no Absoluto. Ele perdeu apenas sua
consciência dela. As religiões lhe recordam sua perda. Aquela
tremenda consciência precisa ser recuperada.
Não haverá uma forma
pela qual essas pessoas cheias de dúvidas poderão praticar a
meditação e conquistar a misteriosa Verdade e Paz por ela
oferecida? Tal forma decerto existe. O caminho que se adapta à
moderna mente analítica do homem deve basear-se no uso da razão.
Tal método é o Caminho da Auto-Indagação Introspectiva (Vichara,
“Quem sou eu?”, como ensinada por Sri Rámana Maharshi).
Esse método pode ser
praticado por qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer momento.
Quase todas as outras práticas ostentam algum rótulo confessional,
exigem autodisciplinas proibitivas, requerem uma fé profunda da
parte daqueles que os adotam ou precisam de vidas inteiras de
esforços desmedidos e de uma energia prodigiosa.
A arte da
auto-indagação, porém, é simples, direta, primordialmente
intelectual e totalmente liberta de quaisquer ligações com qualquer
religião ou culto. É verdade que existem outros caminhos, atalhos,
mas são recomendados ao estudante que não conta com orientação;
só podem tais caminhos ser revelados por um mestre competente a uns
poucos discípulos cujo merecimento e fidelidade já tenham sido
submetidos à prova do tempo.
Aqueles que quiserem,
portanto, poderão adotar o caminho da auto-indagação, que em razão
de sua base intelectual e em razão de ser inteiramente despido de
partidarismo, tem sido o único que exponho ao público.
Quem praticar este
método libertará sua mente da inquietude, lhe dará paz e aguçará
seu poder de concentração. Armado com esse instrumento, o indivíduo
estará apto a entrar num caminho ainda mais elevado, o Caminho da
Realidade Absoluta. No mínimo, ele passará por uma grande renovação
da alma, conhecerá uma primavera de luz e sua vida florescerá como
nunca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário