29.3.15

SOBRE A PREGUIÇA E O LAZER – Krishnamurti


Levanto-me pela manhã, sentindo uma preguiça terrível, sem vontade de fazer nada. Por que ficou preguiçoso o corpo? Provavelmente porque comemos demais, abusamos dos prazeres sexuais, tudo fizemos no dia e na noite anteriores para tornar nosso corpo pesado, deprimido; e o corpo pede pelo amor de Deus que lhe demos um pouco de sossego; mas queremos atiçá-lo, torná-lo vivo. Entretanto, como não corrigimos nossa maneira de vida, tomamos uma pílula para nos tornarmos ativos.

Se observamos bem, veremos que o corpo tem sua inteligência própria; requer-se muita inteligência para observar a inteligência do corpo. Nós o forçamos, impelimos; gostamos de comer carne, de beber, de fumar etc. e por essa razão o corpo perde sua própria, intrínseca, inteligência orgânica.

Para que o corpo possa agir inteligentemente, a mente deve tornar-se inteligente e não permitir a si própria contrariar o corpo. Experimentai isso e vereis como a preguiça sofrerá uma extraordinária mudança.

Temos também a questão do lazer. Estamos tendo cada vez mais horas de folga, principalmente nas sociedades prósperas. Que fazer dessas folgas, que estão se tornando um sério problema? Procurar mais divertimentos, mais cinemas, mais televisão, mais livros, mais tagarelices, mais esportes; preencher as horas de folga com atividades de toda ordem?

Vós dispondes de lazeres. Ireis empregá-los voltando-vos para dentro ou para fora. Podeis penetrar fundo em vosso interior. Para penetrarmos muito fundo em nós mesmos, o exterior precisa ser compreendido. Uma vez tenhais compreendido o exterior – não meramente os fatos físicos, como por exemplo, a distância entre a Terra e a Lua, o conhecimento técnico, mas também os movimentos exteriores da sociedade, das nações, as guerras, o ódio existente em toda parte.

Uma vez tenhais compreendido o exterior, estareis em condições de penetrar fundo em vós mesmo; e essa profundidade interior é ilimitada. Não se pode dizer: “Cheguei ao fim, à iluminação”. A iluminação não nos pode ser dada por outro; só há iluminação quando há a compreensão da confusão, e para se compreender a confusão temos de olhá-la.




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