Levanto-me pela manhã,
sentindo uma preguiça terrível, sem vontade de fazer nada. Por que
ficou preguiçoso o corpo? Provavelmente porque comemos demais,
abusamos dos prazeres sexuais, tudo fizemos no dia e na noite
anteriores para tornar nosso corpo pesado, deprimido; e o corpo pede
pelo amor de Deus que lhe demos um pouco de sossego; mas queremos
atiçá-lo, torná-lo vivo. Entretanto, como não corrigimos nossa
maneira de vida, tomamos uma pílula para nos tornarmos ativos.
Se observamos bem,
veremos que o corpo tem sua inteligência própria; requer-se muita
inteligência para observar a inteligência do corpo. Nós o
forçamos, impelimos; gostamos de comer carne, de beber, de fumar
etc. e por essa razão o corpo perde sua própria, intrínseca,
inteligência orgânica.
Para que o corpo possa
agir inteligentemente, a mente deve tornar-se inteligente e não
permitir a si própria contrariar o corpo. Experimentai isso e vereis
como a preguiça sofrerá uma extraordinária mudança.
Temos também a questão
do lazer. Estamos tendo cada vez mais horas de folga, principalmente
nas sociedades prósperas. Que fazer dessas folgas, que estão se
tornando um sério problema? Procurar mais divertimentos, mais
cinemas, mais televisão, mais livros, mais tagarelices, mais
esportes; preencher as horas de folga com atividades de toda ordem?
Vós dispondes de
lazeres. Ireis empregá-los voltando-vos para dentro ou para fora.
Podeis penetrar fundo em vosso interior. Para penetrarmos muito fundo
em nós mesmos, o exterior precisa ser compreendido. Uma vez tenhais
compreendido o exterior – não meramente os fatos físicos, como
por exemplo, a distância entre a Terra e a Lua, o conhecimento
técnico, mas também os movimentos exteriores da sociedade, das
nações, as guerras, o ódio existente em toda parte.
Uma vez tenhais
compreendido o exterior, estareis em condições de penetrar fundo em
vós mesmo; e essa profundidade interior é ilimitada. Não se pode
dizer: “Cheguei ao fim, à iluminação”. A iluminação não nos
pode ser dada por outro; só há iluminação quando há a
compreensão da confusão, e para se compreender a confusão temos de
olhá-la.
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