6.3.15

A MENTE INSTINTIVA - Ramatis



 A Mente Instintiva é realmente a sede ou o lugar, onde na intimidade do homem, permanecem em estado latente as paixões, emoções, sensações, os apetites, instintos, sentimentos, impulsos e desejos da natureza grosseira e violenta, porque são provindos da época de sua formação animal.

Cabe ao homem disciplinar e dominar essas forças vivas que herdou da "fase animal" e lhe fazem pressão interior. Deve examinar-lhes as ações intempestivas, os impulsos sub-reptícios e submetê-los ao raciocínio superior, antes de agir.

Sem dúvida, já foram energias louváveis na construção de sua animalidade, mas, podem se transformar em forças prejudiciais, quando sobrepujam o domínio intelectual ou a razão.

É certo que a fome, a sede ou o desejo sexual animal são anseios justos e imprescindíveis, que a Mente Instintiva transmite aos homens para prosseguir ativos no plano físico. No entanto, apesar dessa justificativa, angeliza-se mais cedo o homem frugal, abstêmio e de continência sexual, porque tais práticas, além do limite fixado pelas necessidades humanas, terminam por escravizar o homem aos grilhões da vida inferior animal.

No entanto, as coisas do mundo instintivo não devem ser condenadas, porque todas são úteis e boas no seu devido tempo e lugar, significando degraus benfeitores na escalonada do espírito, através das formas dos mundos. O mal provém de o homem usar, exageradamente, ou fora de tempo, as coisas já superadas da fase animal. Assim, a brutalidade, a malícia, a violência, a desforra, a astúcia ou a voracidade, embora sejam qualidades louváveis e necessárias à sobrevivência, ao crescimento e à proteção dos animais sob a direção da Mente Instintiva, hão de ser um grande mal, quando a serviço do homem que já possui o discernimento superior do raciocínio.

Daí, a curiosa identificação de alguns pecados com certos tipos de animais, pois, a traição é instinto do tigre, a perfídia é da cobra, o orgulho é do pavão, a glutonice é do porco, a crueldade é da hiena, o egoísmo é do chacal, a libidinosidade é do macaco, a fúria é do touro, a brutalidade é do elefante e a astúcia é da raposa.

PERGUNTA: — Como se formou a Mente Instintiva?

RAMATÍS: — A Mente Instintiva é considerada pelo ensino da Yoga a manifestação Cósmica mais elementar operando nos mundos planetários, pois, a sua primeira atuação é no reino mineral, onde dá forma aos cristais. Do reino mineral, a sua atividade amplia-se para o reino vegetal, motivo por que as plantas já demonstram uma instintiva inteligência, como nos fenômenos de "tropismo", no processo de fecundação, germinação e crescimento.

Aliás, essa inteligência instintiva é perfeitamente visível nas espécies vegetais carnívoras, que usam de processos e recursos hábeis, armando ciladas mortais para os insetos que pretendem devorar.

Depois, em sentido cada vez mais ascendente, ela elabora e coordena o reino animal, onde a sua interferência valiosa prepara os rudimentos do equipo carnal para servir ao homem futuro. Em sua sabedoria instintiva ela orienta e controla todos os atos humanos, que podem ser executados sem a atenção do consciente, pois toda experiência ou conhecimento acumulado é o resultado do desenvolvimento desde o reino mineral, vegetal e animal, e transforma-se no alicerce para o homem firmar-se na conquista dos planos superiores.

Quando a Mente Instintiva termina o seu trabalho, principia a ação do Intelecto ou da Mente Intelectiva, surgindo a razão humana ou o discernimento superior, a diferenciar o homem do animal irracional.

Então, ele adquire certa individualidade e se separa da espécie global, mas ainda anda às apalpadelas, tentando reconhecer o seu destino; pois se surpreende com as diferenças verificadas nas suas relações exteriores.

Em conseqüência, a Mente Instintiva também é utilíssima na fase inicial da Mente Intelectiva, porque é a base segura do crescimento incessante da consciência do ser. Mas, é um campo de forças criadoras de natureza inferior e torna-se bastante perturbador, quando interfere facilmente na escala superior intelectiva.

É uma fase intermediária perigosa, em que o homem desperta o raciocínio, podendo distinguir as realizações nobres e superiores, mas, ainda pratica atos próprios da bagagem hereditária da Mente Instintiva, a qual lhe desenvolveu a linhagem animal para a confecção do corpo carnal.

Ele, então, oscila no comando intelectivo, entre o "demônio" dos impulsos atávicos da animalidade e o convite do "anjo", pela voz silenciosa da Mente Espiritual.

PERGUNTA: — E como se processa a atuação ou orientação da Mente Instintiva na estruturação das espécies inferiores?

RAMATÍS: — À medida que os animais progridem na sua escala evolutiva, precisam saber, ou fazer, certas coisas indispensáveis à sua sobrevivência no cenário do mundo físico. A Mente Instintiva, ou inteligência subconsciente, então, age no animal e orienta-lhe a experiência nos planos inferiores, fazendo-o realizar inúmeras coisas que lhe garantem a proteção, a vivência e o progresso ordeiro, sem a necessidade de mobilizar qualquer raciocínio.

Desse modo, tanto o animal selvagem como o pássaro, apesar de nascerem em ambientes tão impróprios e hostis, sobrevivem e se armam de poderes instintivos, que os adestram na luta e na defesa, e lhes desenvolvem a prudência e a astúcia.

É a Mente Instintiva que também propicia aos animais, insetos e aves o admirável recurso de "mimetismo", verdadeira camuflagem para os proteger, disfarçando-os na própria semelhança com o meio ou terreno onde atuam.

Essa sabedoria instintiva também ensina as aves a construírem seus ninhos, a emigrarem em vésperas de tempestades ou a fugirem, a tempo, do inverno rigoroso; também instrui o tatu a construir sua toca; e o joão-de-barro a edificar sua casa, protegida das tormentas; orienta o elefante a buscar vegetação medicinal para se vacinar contra as epidemias dos trópicos; o cão, a nutrir-se com ervas curativas de indigestão e reencontrar seu lar, depois de abandonados a quilômetros de distancia.

Ainda guia as abelhas, na confecção matemática dos favos de mel; auxilia as aranhas a tecer as teias admiráveis, as formigas a se organizarem de modo ordeiro e a abandonarem os formigueiros, à margem dos rios, em vésperas de inundações.

Depois que a Mente Instintiva ensina as espécies animais a fazerem as coisas necessárias para a sua sobrevivência e progresso, transforma essas experiências vividas em ações autômatas, e as arquiva, como "tarefas-modelos" para, mais tarde, servirem ao homem sem necessidade de consultar o intelecto ou gastar as energias do raciocínio. Por isso, o homem não precisa pensar para andar, respirar, digerir ou crescer, nem para outras múltiplas atividades do organismo, como produção e reparação de células, de lesões orgânicas, defesas contra vírus, obliteração de vasos sangüíneos ou formação de cicatrizes protetoras.

Graças à inteligência milenária da Mente Instintiva, o recém-nascido ingere leite branquíssimo por alguns meses e, no entanto, crescem-lhe cabelos louros, castanhos ou pretos, os olhos ficam negros, pardos ou azuis, o sangue vermelho, a bílis esverdeada, a pele rosada, os dentes brancos e o fígado num tom vinhoso.

Isso tudo acontece tão naturalmente porque, à medida que o homem supera a memória consciente, transfere os seus conhecimentos adquiridos para a Mente Instintiva, a qual, então, os arquiva para que sejam usados no momento oportuno.

PERGUNTA: Poderíeis dar-nos alguns exemplos?

RAMATÍS: — Os pintores, músicos, escultores, datilógrafos ou motoristas aprendem a desempenhar sua função mediante o intelecto, mas é evidente que se fatigariam imensamente, caso tivessem de "pensar" ou "rememorar" tais coisas, todas as vezes que delas necessitassem.

A Mente Instintiva se encarrega de arquivar as experiências do homem no processo de pintar, tocar, dirigir, escrever à máquina ou aprender qualquer outra coisa, e esse arquivo pode ser usado quando tais aquisições devem ser evocadas e usadas.

Mas, quando a Mente Espiritual principia a influir no homem, ele não demora a reconhecer em si que ainda é joguete dos impulsos animais, pois, logo se arrepende de suas precipitações ou decisões egoístas, coléricas ou hostis. Isso já é meio caminho andado para o seu crescimento espiritual, pois, os instintos inferiores são como feras que moram em nossa própria intimidade espiritual. O que ainda é legítimo para o animal, há de ser ilícito e ilegítimo para o homem.

Não deveis desprezar as coisas da Mente Instintiva, porque ela vos serviu e vos serve, continuamente, para o vosso bem. Mas, assim como o homem consegue dominar o leão, o elefante, o lobo ou o cavalo selvagem e, depois, os aproveita em benefício da existência humana, também precisa transformar as forças violentas e agressivas da bagagem desenvolvida pela mente instintiva em energias dóceis e benfeitoras, à disposição do raciocínio superior.

O instinto de violência, por exemplo, pode ser graduado na forma de uma energia que, depois, alimenta uma arte ou um ideal digno; o orgulho disciplinado estimula o heroísmo, a vaidade controlada desenvolve o bom gosto pela limpeza e o capricho pessoal; a avareza esclarecida pode nortear o princípio de segurança econômica para o futuro e a astúcia, a serviço do intelecto, pode transformar-se em elevado instinto de precaução.

2 comentários:

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