Todo
mortal tem no céu sua contrapartida imortal, isto é, o seu
Arquétipo. Quer isso dizer que, durante todo o ciclo de
renascimentos, em cada uma de suas encarnações, o homem está
indissoluvelmente unido a seu Arquétipo, mas esta união se dá por
meio do princípio espiritual, inteiramente distinto da personalidade
terrena.
Esta
personalidade pode, em alguns casos, até chegar a romper a união,
pela ausência de vínculos espirituais no indivíduo moral.
O
Ocultismo ensina o meio de realizar a união com o Arquétipo (ou
Deus Pessoal); mas são as ações do homem e seus merecimentos
pessoais que podem unicamente ensejá-la na terra e determinar-lhe a
duração. Esta duração varia desde alguns segundos – um
relâmpago – a muitas horas, quando o homem se transfigura nesse
“Deus” protetor, ficando assim momentaneamente dotado de relativa
onisciência e onipotência.
Em
Adeptos tão perfeitos e divinos como Buddha e outros, esse estado de
união pode durar toda a vida, enquanto que no caso de Iniciados
completos, mas que ainda não alcançaram o estado perfeito de
Jivanmuktas (totalmente libertos), tal estado lhes proporciona a
inteira recordação de tudo o que viu, ouviu e sentiu (durante a
união).
Os que
são menos perfeitos conseguem apenas uma lembrança parcial e
indistinta; e o principiante, na primeira fase de suas experiências
psíquicas, se vê simplesmente envolvido por uma sensação confusa,
seguida de um rápido e total esquecimento dos mistérios que
presenciou durante esse estado superior.
Ao
voltar à condição normal de vigília, o grau de recordação
depende de sua purificação psíquica e espiritual, pois o maior
inimigo da memória espiritual é o cérebro físico.
Quando
Simão o Mago pretendia ser “o Deus Pai”, queria dizer
precisamente isso: que era uma divina encarnação de seu próprio
Pai – quer se veja neste um Deus, um Anjo ou um Espírito. E por
isso ele dizia: “Este poder de Deus que se chama Grande”, ou o
poder pelo qual o Eu Divino se engasta em seu eu inferior, isto é,
no homem.
Quanto
ao êxtase e outras espécies de auto-iluminação, podem ser
alcançados sem necessidade de mestre ou iniciação. Ao êxtase se
chega mediante o comando interno e domínio do Eu sobre o ego físico,
ao passo que o domínio das forças da Natureza só se adquire depois
de longo esforço, ou quando se é “mago de nascença”.
Aos que
não possuem nenhuma das qualificações requeridas, aconselha-se
portanto que se limitem ao desenvolvimento espiritual. E este mesmo
não é fácil de conseguir, porque o primeiro dos requisitos
indispensáveis é a fé inquebrantável nos próprios poderes e no
poder do Deus interno; de outro modo, o homem se converteria em um
simples médium irresponsável.
Essa
Divindade pessoal não é uma vã aspiração ou uma fantasia, senão
uma Entidade imortal. É impossível alcançar o Adeptado e o
Nirvana, a Bem-Aventurança, sem a união indissolúvel com o Deus
imortal que está em nós.
Devemos,
primeiro que tudo, reconhecer nosso próprio Princípio Imortal, e só
então tomar de assalto o Reino dos Céus, ou conquistá-lo. Mas essa
empresa só o homem superior pode levá-la a cabo, sendo preciso nos
identificarmos com nosso Pai Divino.
Tal é,
igualmente, o sentido místico do que São Paulo disse aos Coríntios:
“Não sabeis que sois o templo de (vosso) Deus, e que o Espírito
de (vosso) Deus habita em vós?”
Estas
palavras encerram exatamente o mesmo significado da sentença dos
vedantinos: “Eu sou verdadeiramente Brahman” (Aham Brahmasmi).
Todas as nações antigas compreendiam perfeitamente o mandamento
délfico: “Conhece-te a ti mesmo”. Ainda hoje o compreendem as
religiões orientais, de cujos ensinamentos esse mandamento faz
parte.
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