Os
sacerdotes do Egito, como os antigos brâmanes, mantinham as rédeas
do governo, segundo o sistema herdado dos iniciados atlantes. O culto
puro da Natureza, nos primitivos tempos patriarcais, foi o patrimônio
exclusivo dos que sabiam discernir o número por trás do fenômeno.
Mais
tarde, os iniciados transmitiram seus conhecimentos aos reis humanos,
do mesmo modo que o fizeram a seus antepassados os Mestres divinos.
Era seu dever, e sua prerrogativa, revelar aqueles segredos da
Natureza que fossem úteis ao gênero humano, as virtudes ocultas das
plantas, a arte de curar os enfermos; e também despertar entre os
homens o sentimento de amor fraternal e assistência mútua.
Não era
um iniciado quem não soubesse curar, inclusive restituir à vida os
que, caindo em estado de morte aparente (coma), estariam realmente
mortos se fossem deixados por muito tempo em letargia. Aqueles que
demonstravam tais poderes se distinguiam das multidões e eram
considerados reis e iniciados.
Como
podiam os sacerdotes egípcios adquirir conhecimentos tão
maravilhosos, em todos os ramos da ciência, sem dispor de um
manancial ainda mais antigo? Os quatro
centros famosos de ensinamento do antigo Egito são historicamente
comprovados.
Foi no
grande santuário de Tebas
que Pitágoras, em seu regresso da Índia, estudou a ciência dos
números ocultos. Foi em Mênfis
que Orfeu popularizou sua metafísica indiana, e foi lá que Tales e
mais tarde Demócrito aprenderam tudo quanto sabiam. A Saís
cabe
a honra da admirável legislação e da arte de governar os povos,
comunicadas por seus sacerdotes a Licurgo e Sólon, e cujos códigos
haveriam de maravilhar as gerações futuras. E se Platão e Eudóxio
nunca tivessem ido fazer suas devoções no santuário de Heliópolis,
é bem provável que o primeiro não deslumbrasse a humanidade com
seu sistema de ética, nem o segundo com seus profundos conhecimentos
de matemática.
Ragon, o
notável tratadista dos mistérios da iniciação egípcia, não
exagerou ao dizer: “Os sacerdotes do Egito conheciam toda a ciência
dos hindus, persas, sírios, árabes, caldeus, fenícios e babilônios
acerca dos segredos da Natureza. A filosofia da Índia penetrou na
Caldeia e na Pérsia, dando origem aos Mistérios egípcios.”

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