23.6.17

OS SACERDOTES DO EGITO – Helena Blavatsky


Os sacerdotes do Egito, como os antigos brâmanes, mantinham as rédeas do governo, segundo o sistema herdado dos iniciados atlantes. O culto puro da Natureza, nos primitivos tempos patriarcais, foi o patrimônio exclusivo dos que sabiam discernir o número por trás do fenômeno.

Mais tarde, os iniciados transmitiram seus conhecimentos aos reis humanos, do mesmo modo que o fizeram a seus antepassados os Mestres divinos. Era seu dever, e sua prerrogativa, revelar aqueles segredos da Natureza que fossem úteis ao gênero humano, as virtudes ocultas das plantas, a arte de curar os enfermos; e também despertar entre os homens o sentimento de amor fraternal e assistência mútua.

Não era um iniciado quem não soubesse curar, inclusive restituir à vida os que, caindo em estado de morte aparente (coma), estariam realmente mortos se fossem deixados por muito tempo em letargia. Aqueles que demonstravam tais poderes se distinguiam das multidões e eram considerados reis e iniciados.



Como podiam os sacerdotes egípcios adquirir conhecimentos tão maravilhosos, em todos os ramos da ciência, sem dispor de um manancial ainda mais antigo? Os quatro centros famosos de ensinamento do antigo Egito são historicamente comprovados.

Foi no grande santuário de Tebas que Pitágoras, em seu regresso da Índia, estudou a ciência dos números ocultos. Foi em Mênfis que Orfeu popularizou sua metafísica indiana, e foi lá que Tales e mais tarde Demócrito aprenderam tudo quanto sabiam. A Saís cabe a honra da admirável legislação e da arte de governar os povos, comunicadas por seus sacerdotes a Licurgo e Sólon, e cujos códigos haveriam de maravilhar as gerações futuras. E se Platão e Eudóxio nunca tivessem ido fazer suas devoções no santuário de Heliópolis, é bem provável que o primeiro não deslumbrasse a humanidade com seu sistema de ética, nem o segundo com seus profundos conhecimentos de matemática.

Ragon, o notável tratadista dos mistérios da iniciação egípcia, não exagerou ao dizer: “Os sacerdotes do Egito conheciam toda a ciência dos hindus, persas, sírios, árabes, caldeus, fenícios e babilônios acerca dos segredos da Natureza. A filosofia da Índia penetrou na Caldeia e na Pérsia, dando origem aos Mistérios egípcios.”


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