A
respeito dos verdadeiros Mistérios e Iniciações, nada podemos
dizer ao público; só devem conhecê-los os que são capazes de
iniciar-se. Podemos, no entanto, dar algumas indicações sobre as
grandes cerimônias antigas que o público considerava como os
Mistérios reais, e em que os candidatos eram iniciados com um
extenso ritual e demonstrações de artes ocultas.
Subjacentes
a isso, na obscuridade e no silêncio, estavam os verdadeiros
Mistérios, como sempre existiram e continuam a existir. No Egito,
como na Caldeia e mais tarde na Grécia, celebravam-se os Mistérios
em épocas fixas; e o primeiro dia era uma festividade pública,
durante a qual os candidatos eram conduzidos com muita pompa à
Grande Pirâmide, em cujo interior ficavam ocultos aos olhares do
público.

O
segundo dia era consagrado às cerimônias de purificação, no fim
das quais o candidato se apresentava vestido de branco. No terceiro
dia, era submetido às provas, examinando-se seu progresso em
conhecimentos ocultos. No quarto dia, após outra cerimônia
simbólica de purificação, era deixado sozinho, e passava por
diversas provas; e por último ficava em provocado estado de
letargia, numa cripta subterrânea, durante dois dias e duas noites,
imerso em total escuridão.
No
Egito, o neófito em letargia era posto em um sarcófago vazio da
pirâmide, onde se celebravam os ritos de iniciação. Passava a ser
velado pelo hierofante (iniciador), que guiava seu corpo astral,
desde este mundo material até os reinos inferiores, de onde, se
vencedor, tinha o direito de libertar “sete almas sofredoras”
(isto é, sete elementais).
Revestido
em seu Anandamayakosha (corpo de beatitude), o iniciado permanecia
ali onde não devemos segui-lo, e ao regressar recebia a “Palavra”,
com ou sem o “sangue do coração” do hierofante.

Mas em
verdade o iniciado não matava o hierofante, pois o homicídio era
apenas simulado; a menos que o Iniciador houvesse escolhido aquele
para ser seu sucessor e decidido comunicar-lhe a última e suprema
PALAVRA, devendo morrer em seguida.
Porque
só um homem tinha, em cada nação, o direito de conhecer a PALAVRA.
Muitos foram os grandes Iniciados que deixaram assim o cenário do
mundo, desaparecendo dos olhos dos homens misteriosamente.
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