23.6.17

A PROVA DO INICIADO – Helena Blavatsky


A respeito dos verdadeiros Mistérios e Iniciações, nada podemos dizer ao público; só devem conhecê-los os que são capazes de iniciar-se. Podemos, no entanto, dar algumas indicações sobre as grandes cerimônias antigas que o público considerava como os Mistérios reais, e em que os candidatos eram iniciados com um extenso ritual e demonstrações de artes ocultas.

Subjacentes a isso, na obscuridade e no silêncio, estavam os verdadeiros Mistérios, como sempre existiram e continuam a existir. No Egito, como na Caldeia e mais tarde na Grécia, celebravam-se os Mistérios em épocas fixas; e o primeiro dia era uma festividade pública, durante a qual os candidatos eram conduzidos com muita pompa à Grande Pirâmide, em cujo interior ficavam ocultos aos olhares do público.

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O segundo dia era consagrado às cerimônias de purificação, no fim das quais o candidato se apresentava vestido de branco. No terceiro dia, era submetido às provas, examinando-se seu progresso em conhecimentos ocultos. No quarto dia, após outra cerimônia simbólica de purificação, era deixado sozinho, e passava por diversas provas; e por último ficava em provocado estado de letargia, numa cripta subterrânea, durante dois dias e duas noites, imerso em total escuridão.

No Egito, o neófito em letargia era posto em um sarcófago vazio da pirâmide, onde se celebravam os ritos de iniciação. Passava a ser velado pelo hierofante (iniciador), que guiava seu corpo astral, desde este mundo material até os reinos inferiores, de onde, se vencedor, tinha o direito de libertar “sete almas sofredoras” (isto é, sete elementais).

Revestido em seu Anandamayakosha (corpo de beatitude), o iniciado permanecia ali onde não devemos segui-lo, e ao regressar recebia a “Palavra”, com ou sem o “sangue do coração” do hierofante.

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Mas em verdade o iniciado não matava o hierofante, pois o homicídio era apenas simulado; a menos que o Iniciador houvesse escolhido aquele para ser seu sucessor e decidido comunicar-lhe a última e suprema PALAVRA, devendo morrer em seguida.

Porque só um homem tinha, em cada nação, o direito de conhecer a PALAVRA. Muitos foram os grandes Iniciados que deixaram assim o cenário do mundo, desaparecendo dos olhos dos homens misteriosamente.



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