21.6.17

O PSIQUISMO PROFUNDO E O KARMA – Joseph Gleber


Muitas pessoas, ao vivenciarem estados infelizes em seu passado espiritual, quando pelos seus atos feriram deliberadamente a vida do próximo, com escolhas que desafiaram a lei divina, intentaram esconder o ato infeliz, alojando suas lembranças nas zonas mais profundas do psiquismo.

Porém, os reflexos de suas ações se mostram pelo remorso, que remoem em seu íntimo, ou em outras fases do pensamento doentio, sabendo que não podem enganar os postulados da divina lei.

Esses reveses do passado, ao emergirem da subconsciência mental, manifestam-se nas psicoses, nas neuroses e em muitos casos de esquizofrenia, que são diagnosticados pelos profissionais da área correspondente da ciência terrena.

Sendo assim, temos os casos mais graves das manifestações mórbidas da psique como originárias de causas pretéritas, passíveis de reajuste através da reforma dos padrões mentais e dos conceitos e vivências morais da própria fonte geradora do desajuste.

Muitos traumas, fobias, esquizofrenias e manifestações de quadros psicóticos ou paranóicos podem guardar suas raízes em situações vivenciadas no passado e relegadas ao esquecimento nas regiões mais profundas da mente, embora se mantenham vívidas nas delicadas células do corpo espiritual e nas estruturas mais íntimas da tela mental.

Tais situações podem, no momento oportuno, emergir das zonas do inconsciente, para efeito do reajuste de contas ante a soberana lei da vida, transformando a casa mental do indivíduo num campo de lutas íntimas a se expressarem de formas desequilibradas, conforme a cobrança da própria consciência.

Ante o crime perpetrado no pretérito, o homem tenta ludibriar as leis humanas, escondendo a ação infeliz ou furtando-se a assumir o compromisso inerente à responsabilidade do ato praticado, esquecendo-se de que, embora seja ainda possível ficar livre da legislação humana, de maneira nenhuma conseguirá iludir sua consciência, onde está escrita eternamente a lei de Deus.

Na hora exata em que soar a ampulheta do tempo, essa mesma lei proporcionará ao delinqüente a oportunidade de ressarcir seu débito, e, a fim de despertá-lo para a necessidade de reajuste, muitas vezes lança mão do instrumental cirúrgico da dor, que não encontra barreiras sociais, raciais ou ideológicas para usar o bisturi do sofrimento, mostrando ao espírito que é chegada a hora do acerto de contas.

O passado emerge então das profundezas da memória, nesta ou em outra reencarnação, justificando o aforismo popular de que a dívida sempre acompanha o devedor. E a forma de resgatar esse passado, nem sempre florido, é pela vivência profunda do amor, que liberta a alma dos grilhões que a mantêm presa às dificuldades de uma existência infeliz.

Só o amor nos liberta de nossa própria consciência culpada. É necessária, para esses casos, a profunda transformação da conduta moral e a reeducação dos impulsos e sentimentos da alma.

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