Através
dos milênios, seja por questões alimentares, religiosas, mercantis
ou devocionais, os homens vêm cometendo atrocidades contra o mundo
animal que deixariam qualquer nativo "primitivo"
estarrecido.
Milhões
de animais são retirados das matas para serem vendidos. Em seguida,
são mutilados, envenenados, queimados e expostos à ação de
diversos componentes químicos para testar vossos cosméticos e
artigos de higiene e limpeza. Entre gôndolas perfumadas e corredores
refrigerados, acondicionados nas embalagens coloridas e nos
corredores com música ambiente, esconde-se o suplício de dor e
sofrimento dessas pequenas almas-grupo que procuram estagiar no orbe.
São despedaçados, ficam cegos, mancos, sem peles, bicos e unhas,
para servirem de teste e verificarem os efeitos internos das novas
substâncias pesquisadas por uma indústria esfomeada por lucros;
suas entranhas são arrancadas, raspadas e feridas até a morte.
Em
vossos rodeios modernos, por trás das apoteoses ensaiadas,
escondem-se dolorosos
estímulos no saco escrotal dos animais, nos momentos em que os
touros bravos saem para as arenas. Pregos, pedras e outros objetos
cortantes e pontiagudos, firmemente colocados sob a cela, garantem o
sucesso do espetáculo. Reforçam-se as
performances com
as esporas afiadas aplicadas com força na região do baixo ventre do
animal esbravejante.
Dando
total garantia ao espetáculo, choques elétricos podem ser aplicados
nas partes sensíveis, antes da entrada para o show.
Pimenta e
terebentina, associadas a outros princípios abrasivos passados no
corpo do animal, garantem a satisfação dos espectadores ansiosos em
seus camarotes confortáveis.
Touro
na arena é brincadeira de criança diante da adulta farra do boi.
Conduzido do seu estábulo e solto no meio da rua, é perseguido por
pessoas armadas de porretes, pedras, facas e lanças. Ferido até
arrancarem seu rabo, no final do festim cruel é morto, e sua carne
enrijecida pelas descargas elétrico-nervosas de pavor e medo é
repartida entre os esfomeados participantes.
Vossos
circos pomposos acorrentam os animais em gaiolas sujas, deixando-os
ao sol em altas temperaturas. Nos seus olhos, troncos e pernas, o
chicote acicata-os firmemente. Focinheiras apertadas e coleiras
estranguladoras garantem o espetáculo da noite. São "treinados"
com choques elétricos e chapas quentes para pisar, além de
chibatadas.
Quanto
ao carnivorismo, já dizia Gandhi:"A grandeza de uma nação
pode ser avaliada pela forma como são tratados os animais". As
aves ficam dias sem dormir em ambiente extremamente apertado e com
luz, sem se mexerem, levadas ao desespero. Martirizadas, os seus
bicos são cortados com lâmina quente, sem anestesia, para que não
se ataquem uma às outras no desespero a que são submetidas e
apertadas.
Da
mesma forma, os suínos são confinados em jaulas. O odor brutal de
suas fezes fere suas narinas sensíveis, que não mais resfolegam na
lavagem de restos de comidas humanas, que é substituída pelas
rações cheias de hormônios para a engorda e crescimento
descomunal.
Alguns
morrem imóveis pela obesidade, recusando-se a comer e a beber;
outros se atacam violentamente, mutilando seus rabos, o que leva os
criadores a cortarem-nos. Quanto menor o movimento, mais rápido o
animal engorda e maior é o lucro.
A
produção dos bifes dos tenros bezerros, tão apreciados pelas
classes abastadas nos grelhados dos almoços dominicais, obriga-os,
desde os primeiros instantes do nascimento, a ficar separados das
mães, violentando-os no mais forte instinto natural de
sobrevivência, natural aos mamíferos.

Para
suas carnes manterem-se tenras, vossos pecuaristas os deixam
imobilizados a fim de não enrijecerem os músculos. Quanto mais
rápido crescerem e engordarem, mais sofrem. Para suas carnes ficarem
brancas, recebem dieta pobre em ferro. Muitos não resistem e morrem
antes do abate. Quando chegam aos cem quilos, algo próximo aos
quatro meses de suplício, são abatidos.
As
vacas leiteiras são apartadas dos filhotes e o leite é extraído
com máquinas de sucção. Após um certo tempo, suas mamas inflamam,
sangram e transferem resíduos de pus e sangue infectado para o leite
extraído, que será pasteurizado para chegar em caixas de alumínio
até vós, acondicionamento metalizado que demora centenas de anos
para desintegrar-se junto à natureza. O gado leiteiro vive em média
cinco anos em confinamento (sem ver o Sol, sem andar, num espaço
exíguo), sendo sugado pelos vampiros mecânicos inventados pelo
homem, ao invés de uma existência de 25 anos, que seria o normal.
Nos
grandes abatedouros modernos, centenas de milhões de frangos,
carneiros, porcos, cabritos, perus, gansos, patos, bois, javalis, são
diariamente mortos sem piedade, recebendo um disparo de pistola
pneumática com estilete ou agulha, que recorta a medula espinhal.
Nos
abatedouros menores, muitos clandestinos, são sacrificados a golpes
de marretas na cabeça. Após caídos, são suspensos por trás por
correntes e têm suas veias carótidas cortadas. As vísceras são
usadas para fazer finos patês e o sangue coletado para servir de
farinha e alimentar animais.
Muitos
abatedouros utilizam choques elétricos, especialmente os de suínos.
Os porcos ficam em jejum para "limparem" o aparelho
digestivo, passam por um corredor que os afunila e os molha para, no
final, receberem irmã carga elétrica mortífera na cervical. As
aves também ficam de cabeça para baixo, recebem choques elétricos
e são sangradas no céu da boca.
Vosso
famoso peru de Natal é engordado em criadouros de forma intensiva.
São "depósitos" sem janela e mal-iluminados, a fim de
reduzir a agressividade de uns com os outros. O espaço reduzido
produz ferimentos nos joelhos e quadris, úlceras nos pés e bolhas
nos peitos. Muitos dos perus têm os bicos arrancados com uma lâmina
em brasa para reduzir os ferimentos. Os perus mais pesados são
suspensos pelos pés, durantes minutos. Em seguida, recebem um banho
de água eletrificada, têm suas gargantas cortadas e são
mergulhados em água fervente para serem depenados. A maioria deles
vai para a água fervente ainda vivo, com os seus duplos espirituais
acoplados nos organismos físicos.
Grande
tristeza é a indústria de patê foie-gras
para satisfazer
os paladares mais refinados. Os gansos são agarrados pelo pescoço e
lhes inserem funis e tubos metálicos de alimentação que vão até
o estômago. Impedidos de dormir, uma alavanca bombeia ração
ininterruptamente, com o objetivo de engorda e aumento das vísceras,
algo como se fôsseis obrigados a comer 15 quilos de macarrão por
dia, colocado em vossas gargantas.
Nos
pescoços das aves é colocado um anel elástico para não
regurgitarem, garantindo o sobrepeso almejado para a lucratividade
famélica da indústria. Após quatro semanas, os patos e gansos
estão com os fígados inchados até doze vezes o tamanho normal.
Apenas os machos são utilizados para fazer vossos deliciosos patês
e antepastos de vísceras. As fêmeas são amontoadas em sacos e
jogadas em latões de água escaldante. As que sobrevivem são mortas
tendo as cabeças dilaceradas.
Ao
comer vossos canapés regados a champanhe, lembrai-vos desses irmãos
menores do orbe. Ao remeter para vossas bocas os quitutes saborosos
cobertos desses patês, lembrai-vos que o mesmo Deus que vos criou é
Pai desses irmãos menores.
Trata-se
de uma indústria cruel, mantida para cidadãos que se dizem de fino
paladar. Infelizmente, ainda existem rituais religiosos que matam os
animais. Um rito chamado Kosher
é uma forma
religiosa de abate utilizada por judeus e provém de épocas
anteriores ao nascimento de Jesus. O boi é pendurado vivo por
grilhões nas patas traseiras. Ao se debater freneticamente de
terror, mugindo e babando com a língua de fora, suas pernas são
quebradas e é degolado com uma faca sacerdotal, que tem essa única
finalidade.
Segue-se
toda uma liturgia para analisar se o boi foi sacrificado com o corte
adequado e se sua alma (duplo) serviu como oferenda para "Deus".
Ao contrário, se for recusado pelos sacerdotes, novo boi deve ser
levado ao suplício sacrificial e assim sucessivamente.
Em
muitos de vossos países comem-se cães e gatos. No Vietnã, os
cachorros são retirados de gaiolas, escolhidos pelas donas de casa
nas feiras. Com um pau de gancho na ponta, são espetados no pescoço
e jogados vivos em água fervente. São servidos em mercados e
restaurantes, acreditando-se que sua carne é afrodisíaca.
Na
China, existe fondue
de cachorro em
que são servidos são-bernardos. Essa indústria de abate canino é
mais lucrativa que a de porcos, vacas ou galinhas e está crescendo
assustadoramente.
Para
nossas considerações não se tornarem demasiado chocantes, já que
teríamos muitos outros relatos fatídicos que deixariam qualquer
sacerdote religioso antigo estarrecido, ou pajé de penacho em pé,
finalizemos este capítulo relembrando Jesus, o Cordeiro de Deus, que
se deixou sacrificar para libertar as consciências da mortandade
religiosa.
Resta
aos homens que ainda matam em nome do sagrado libertarem-se desse
atavismo milenar, e aos tantos outros que não assassinam os animais
em ritos religiosos, mas que saciam seus estômagos esfomeados com
restos dos cadáveres de nossos irmãos menores, educarem-se,
contribuindo para a transição planetária que se avizinha.
Em
breve a verdade prevalecerá e mudanças se implementarão na
consciência coletiva para a inevitável sustentação equilibrada do
planeta.
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