por Max Heindel
A
lenda maçônica diz que Jeová (o mais alto iniciado do período
lunar, cuja humanidade atualmente são anjos) criou Eva, e que o
espírito luciferiano Samael uniu-se a ela (Samael assegurou a Eva
que se comesse da árvore do conhecimento, seria tão divina “como
os Elohim”, que são os deuses criadores). Mas Samael foi expulso
por Jeová, que o separou dela antes do nascimento de seu filho Caim,
pelo que este foi chamado de filho de viúva. Depois Jeová criou
Adão para que fosse marido de Eva, de cuja união nasceu Abel.
Assim,
desde o princípio houve duas linhagens de pessoas no mundo. Os
gerados pelo espírito luciferiano Samael e participantes de uma
natureza semidivina, possuidores da dinâmica energia marciana, que
descendem de seu divino ascendente Caim, são agressivos,
progressistas, dotados de grande iniciativa, mas rebeldes a todo
freio de autoridade, tanto divina como humana.
Esta
linhagem de seres não aceita nada unicamente pela fé, e tende a
demonstrar tudo à luz da razão. Creem pelas obras e não pela fé,
e com seu indomável valor e inextinguível energia transformaram a
aridez dos desertos do mundo num jardim cheio de vida e beleza e tão
ameno, que os filhos de Caim esqueceram do jardim de Deus, o reino
dos céus de onde os expulsou o deus lunar Jeová, contra o qual
estão em constante rebelião.
Perderam
a visão espiritual e estão aprisionados no corpo em cuja frente se
diz que há o sinal de Caim. Hão de vagar como filhos pródigos na
relativa obscuridade do mundo material, esquecidos de seu alto e
nobre estado, até que encontrem a porta do templo e solicitem para
receber sua luz (como quando o buscador adentra um templo Rosacruz em
busca de conhecimento).
O
passado dos filhos da viúva é uma luta contra as adversas condições
e sua façanha é a vitória conseguida contra todas as forças
hostis pelo indomável valor e persistente esforço que as derrotas temporárias não debilitaram.
Por
outro lado, enquanto Caim, guiado por divina ambição, cultivava o
solo para multiplicar seus produtos em quantidade e qualidade, Abel,
nascido de pais humanos, não experimentava inquietude nem excitação
alguma, pois era uma criatura de Jeová nascido através de Adão e
Eva, e se contentava em apascentar os rebanhos, e deles se manter e
multiplicá-los sem trabalho nem iniciativa de sua parte. Esta dócil
atitude agradava demais a Jeová, que era em extremo zeloso de suas
prerrogativas como Criador (um dos criadores do planeta Terra).
Assim,
aceitava as oferendas de Abel, obtidas sem esforço nem iniciativa, e
desprezava as oferendas de Caim, porque procediam de seu próprio
instinto criador, semelhante ao de Jeová. Então Caim matou a Abel;
mas nem por isso exterminou as dóceis criaturas de Jeová, porque
Adão conheceu Eva e esta deu à luz Seth, que tinha as mesmas
características de Abel e as transmitiu a seus descendentes, que até
o dia de hoje continuam esperando tudo do Senhor e vivem pela fé e
não pelas obras. Pela árdua e enérgica aplicação ao trabalho do
mundo, os filhos de Caim tinham adquirido sabedoria mundana e poder
temporal. Haviam sido líderes da indústria e mestres na arte de
governar, enquanto que os filhos de Seth, tomando ao Senhor como
guia, constituíram o sacerdócio.
A
animosidade entre Caim e Abel perpetuou-se de geração em geração
entre seus respectivos descendentes. Não podia ser de outro modo,
porque os filhos de Caim, como governantes temporais, aspiravam
trazer à humanidade o bem-estar físico por meio da conquista do
mundo material, enquanto os sacerdotes, em seu papel de guias
espirituais, levavam as pessoas a abandonar o malvado mundo, o vale
de lágrimas, e buscar consolo em Deus.
Os
filhos de Caim aspiram a formar operários hábeis no manejo das
ferramentas com que possam obter sustento da terra. Os filhos de
Seth produzem sacerdotes hábeis no uso da linguagem para invocações,
e com o uso da linguagem (palavra) obtêm dos trabalhadores o
sustento, ou por eles rogam aqui na terra e depois no céu.
A
humanidade pode e deve admirar a elevação de sentimentos e o brilho
da oratória; mas quando um Lincoln quebra as correntes que
escravizavam uma raça, ou um Lutero se rebela em favor dos oprimidos
espíritos da humanidade e lhes assegura a liberdade religiosa, a
ação manifesta destes libertadores revela uma grande beleza de
alma.
Quando
a humanidade vê a impotência dos sacerdotes, ou filhos de Seth, que
tudo esperam do favor divino, e se dá conta da pujança e poder dos
governantes temporais, se inclina a estes e deixa o espiritual pelo
material. Os filhos de Caim pertencem à Hierarquia do fogo, aos
espíritos de Lúcifer, e portanto mantêm o ideal masculino,
diametralmente oposto ao da Hierarquia atuante no plástico elemento
Água (elemento dos filhos de Seth).
Hoje
em dia os templos dos filhos de Seth têm junto a suas portas a água
benta, e todos que entram devem assinalar com o líquido sua fronte,
onde reside o espírito. Sua razão está afogada em dogmas e
sentenças, e o ideal feminino está simbolizado pelo culto da Virgem
Maria. A fé é o principal fator de salvação e estimula-se a
atitude de infantil e cega obediência.
Muito
diferentes são os templos dos filhos de Caim, onde o candidato entra
e se lhe pergunta o que busca, e se responde que é a luz, é dever
do Mestre dar-lhe o que pede e fazer-lhe um filho da Luz.