I. A
VIDA
Este
mundialmente famoso instrutor grego da “Doutrina do Coração”
nasceu em cerca de 580 a.C. na ilha de Samos e morreu em cerca de 500
a.C. Antes de seu nascimento foi profetizado a seu pai que um filho
nasceria dele e seria um grande benfeitor da humanidade. Alguns
declararam que Pitágoras era uma encarnação humana de Apolo.
Relata-se
que, quando ainda jovem, ele deixou sua cidade natal para iniciar uma
série de viagens em busca dos sábios de todos os países, dos
hindus e árabes no Oriente, aos Druidas da Gália no Ocidente.
Dizem
que ele passou doze anos na Babilônia, conversando com os magos, que
lhe ensinaram todos seus Mistérios. Passou ainda vinte e dois anos
no Egito convivendo com os mais sábios hierofantes, e junto a eles
dominou as três formas egípcias de escrita: a comum, a hieroglífica
e a sacerdotal.
Levou
consigo uma carta pessoal de introdução de Amasis, o faraó da
época, que escreveu aos hierofantes pedindo-lhes que iniciassem
Pitágoras em seus Mistérios.
Pitágoras
primeiro foi aos sacerdotes de Heliópolis, mas eles, devido às
suspeitas que os egípcios tinham para com estrangeiros, embora
hesitando desobedecer Amasis abertamente, recusaram-se a iniciar
Pitágoras e o aconselharam que fosse à sagrada escola de Mênfis,
porque era mais antiga que a de Heliópolis.
Em
Mênfis ele encontrou a mesma situação e foi encaminhado à escola
de Tebas, onde finalmente, após passar por severos testes que quase
lhe custaram a vida, foi plenamente iniciado nos Mistérios Egípcios,
e daí em diante teve livre acesso aos tesouros de conhecimento dos
hierofantes.
Após
deixar o Egito, Pitágoras retornou à Grécia através de Creta,
onde ele desceu à caverna do monte Ida em companhia de Epimênides,
o grande profeta e vidente cretense, que em agradecimento pela
remoção de uma epidemia em Atenas no ano de 596 a.C., aceitou do
povo apenas um galho da oliveira sagrada de Atena, a deusa, e recusou
as grandes somas de dinheiro que lhe foram oferecidas, declarando que
as dádivas espirituais não podem ser compradas ou vendidas.
De
Epimênides e Themistoklea, a sacerdotisa do templo de Delfos,
Pitágora recebeu mais conhecimento. No curso de suas viagens, ele se
tornou um iniciado não apenas nos mistérios da Índia, Egito,
Grécia e Gália, mas também nos de Tiro e Síria.
Pitágoras estudou os vários ramos de conhecimento, especialmente a matemática,
astronomia, música, ginástica e medicina, e contribuiu grandemente
para o desenvolvimento destas ciências entre os gregos.
Sua
aparência pessoal era notável. Era muito belo e digno, trajava-se
comumente em branco e usava uma longa barba. Nunca cedeu à dor,
alegria ou ira, mas costumava cantar hinos de Homero, Hesíodo e
Tales, para preservar a serenidade de sua mente, e era muito
conhecido por seu poder de fazer amigos.
O
elemento religioso era predominante em seu caráter, e toda sua vida
foi dominada por motivos humanitários e filantrópicos. Opunha-se
ao sacrifício animal, e em certa ocasião comprou grande quantidade
de peixes, que tinham acabado de ser pegos numa rede, e os libertou
para ensinar a bondade.
Pitágoras
era um ocultista prático, e dizem que entendia a linguagem dos
animais a ponto de conversar com eles e domar até mesmo os mais
ferozes. Dizem
que em certa ocasião foi visto e ouvido em lugares distantes, tais
como a Itália e Sicília, no mesmo dia, uma impossibilidade física.
Relata-se
também que curava os doentes, tinha o poder de expulsar espíritos
maus, previa o futuro, reconhecia o caráter de uma pessoa só em
olhá-la e tinha comunicação direta com os deuses.
Finalmente,
na idade de cinqüenta anos, Pitágoras foi para o sul da Itália,
após uma tentativa infrutífera de iniciar uma sociedade em sua
cidade natal, e em 529 a.C. fundou a Irmandade Pitagórica e a Escola
de Mistérios em Crotona.

da Grécia a Crotona
Ali
atraiu muitas pessoas de todas as classes, incluindo muitos nobres e
ricos da cidade, e logo escolas similares foram estabelecidas em
outras cidades da Magna Grécia. Os
candidatos eram aceitos sob invioláveis promessas de manter segredo
e eram ligados a Pitágoras e aos outros membros pelos mais sagrados
compromissos.
Sobre
sua morte, uns dizem que foi banido de Crotona e se dirigiu a
Metapontum, onde morreu devido a um jejum autoimposto de quarenta
dias. Outros dizem que foi assassinado por seus inimigos quando o
templo de Crotona foi destruído por Kylon devido a sua indignidade
para ser admitido na Irmandade.
Em
outras cidades onde havia escolas da Irmandade, todos os membros
foram assassinados, com exceção de alguns mais jovens e fortes, que
conseguiram escapar para o Egito. A partir de então, alguns membros
da Irmandade mantiveram a tocha do conhecimento acesa durante
séculos.
II.
A ESCOLA
Era uma
máxima pitagórica que "nem tudo deveria ser dito a todos."
Portanto
a admissão na sociedade era secreta e protegida pelas mais solenes
formas de votos e iniciações. Os
membros eram classificados como Ouvintes, Probacionários e
Estudantes, que viviam com suas famílias na escola central dos
Mistérios ou numa de suas filiais.
Qualquer
candidato que tivesse uma vida honesta e correta era admitido como
Ouvinte, mas apenas os mais dignos e preparados eram aceitos como
Estudantes. Os Ouvintes que desejavam tornar-se Estudantes tinham de
passar por um período probatório que durava de dois a cinco anos,
durante os quais sua capacidade de manter-se em silêncio era
testada, bem como seu temperamento, caráter e capacidade mental.
Bons
conhecimentos de aritmética, geometria, astronomia e música eram
requisitos preliminares para ser admitido à escola. Às
mulheres também se permitia a admissão na Irmandade. Os membros
eram fiéis ao líder e uns aos outros. Conseguiam reconhecer-se
através de seus símbolos secretos.
Os
Estudantes usavam uma roupa especial e faziam votos. Eram treinados
para suportar fadiga e falta de sono, usavam roupas simples, nunca se
importavam com a censura e suportavam a zombaria com serenidade.
A Escola
de Mistérios era uma escola da vida, não um monastério. Pitágoras
não pretendia que seus discípulos se retirassem da vida ativa, mas
ensinava-lhes a manter um comportamento calmo e um caráter elevado
sob todas as circunstâncias.
Como era
uma máxima de Pitágoras que "amigos devem possuir todas as
coisas em comum," os novos membros, ao entrar na Escola,
entregavam suas posses à Irmandade, que as adicionava ao tesouro
comum.
Um
Estudante poderia deixar a Escola a qualquer momento, e na sua
partida era-lhe dado o dobro do que trouxera ao entrar, mas era a
partir daí considerado como morto pelos membros leais.
Exigia-se
pureza de vida e equilíbrio. Todos os membros comiam num refeitório
comum em grupos de dez. A alimentação consistia principalmente de
pão, mel e água. Alimentos derivados de animais e vinho eram
proibidos. Muita
importância era dada à musica e aos exercícios físicos.
Cada dia
começava com uma meditação sobre como ele deveria ser melhor
gasto, e terminava com um cuidadoso retrospecto. Os membros
levantavam-se antes do nascer do sol e após o desjejum estudavam por
várias horas, com intervalos de lazer passados em caminhadas
solitárias e contemplação silenciosa. A hora anterior ao jantar
era devotada aos exercícios físicos. À noite os estudantes
visitavam Pitágoras e iam dormir com música.
III.
OS ENSINAMENTOS
Pitágoras
tinha duas formas de ensinar: uma pública ou exotérica, e a outra
privada ou esotérica. Onde seus ensinamentos prevaleciam, a
sobriedade e o equilíbrio tomavam o lugar da licenciosidade e da
luxúria, pois os pitagóricos eram homens de vida correta,
consciência e autocontrole, capazes de amizades duradouras.
(a)
ENSINAMENTOS EXOTÉRICOS
Os
ensinamentos públicos de Pitágoras consistiam de práticas morais e
enfatizavam as virtudes do autocontrole, reverência, patriotismo,
sinceridade, verdade, justiça e pureza de coração. Ele insistia
sobre os ideais mais elevados do casamento e dos deveres familiares.
Ele
costumava dizer: “A embriaguez é sinônimo de ruína. A força
mental depende da sobriedade, pois esta mantém a razão não
desviada pela paixão. Nunca
diga ou faça nada, se estiver irado. A
virtude é harmonia; a saúde é o Bem Universal.”
Estimulava
seus discípulos a não matar animais, porque declarava que estes
tinham o direito de viver, assim como o homem.
“Faça
o que considerar que é correto, pensem o que pensarem de você.
Despreze igualmente a censura e o louvor. Não fale poucas coisas em
muitas palavras, mas muitas coisas em poucas palavras. Acostume-se à
obediência, pois assim será fácil obedecer à autoridade da razão.
Ninguém deve considerar algo como exclusivamente seu. Cada homem
deve treinar-se a fim de ser digno de ser acreditado sem necessidade
de jurar.”
“Um
homem nunca deve orar pedindo algo para si mesmo, porque ele ignora o
que é realmente bom para si. As melhores dádivas do céu para o
homem são falar a verdade e fazer o bem. Aprenda
a reverenciar seu Ser interior.”
(b)
ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS
Os
ensinamentos esotéricos de Pitágoras tratavam de (1) Símbolos, (2)
Números, isto é, o significado interno da aritmética e geometria,
(3) Música, (4) o Homem e (5) a Terra e o Universo.
Os
Números: (1) a Mônada é Deus e o bem, é a origem do ser e a
Inteligência. A Mônada é o começo de tudo. A
Unidade é o princípio de todas as coisas e da Unidade veio a
dualidade, que é subordinada à Mônada como sua causa. (2) a Díade
é a primeira figura, simboliza o caos ou espírito-matéria. (3) a
tríade, que é a Mônada mais a díade, simboliza o Divino, tudo é
simbolizado pelo número 3: começo, meio e fim; masculino, feminino
e neutro etc. (4) a tétrade contém em germe a soma total do
universo, as quatro estações, os quatro elementos, as quatro
direções cardeais etc. (5) o pentário simboliza o homem. (6) o
senário é composto de dois três e é considerado uma abreviação
para o alfa e o ômega do crescimento evolucionário. (7) o setenário
é o número perfeito, as sete cores, as sete notas musicais, os sete
dias da semana etc. (8) a ogdóade simboliza o movimento eterno dos
ciclos. (9) o nonário é o triplo ternário, reproduzindo a si mesmo
incessantemente sob todas as formas e figuras. (10) a década traz de
volta todos os dígitos à unidade e termina a tábua pitagórica.
Pitágoras
também ensinava que a música era importante para controlar as
paixões, que a música expressava a Harmonia das Esferas, isto é,
dos corpos celestes. Declarava que a harmonia das esferas não é
ouvida pelo ouvido humano comum, porque o som é poderoso demais para
as capacidades do ouvido físico.
Pitágoras
ensinava sobre os continentes anteriores, que foram destruídos
alternadamente por fogo e água, e em particular sobre a lenda da
Atlântida, incluindo uma história da invasão atlante na Grécia,
por volta de 10.000 a.C., antes que os gregos vivessem nas terras
gregas – uma invasão que foi repelida pelos habitantes da Atenas
pré-histórica.
Em
relação a nosso Sistema Solar, Pitágoras sabia não apenas que a
Terra era esférica, mas também que o Sol, igualmente esférico, é
o centro do Sistema – uma teoria redescoberta mais de 2.000 anos
depois por Copérnico e Galileo.

Copérnico

Galileu
Pitágoras
também explicou a obliquidade da eclíptica, as causas dos eclipses,
que a Lua brilha pela luz refletida do Sol, e que a Via Láctea é
composta de estrelas. Sustentava que o Universo não tem altura nem
profundidade, mas que é infinito em extensão; que o Universo é
criado por uma Deidade e que é perecível em relação à sua forma,
mas que sua essência não pode ser destruída.
Ele
declarou que toda a Natureza é viva, pois a Alma se estende a todas
as coisas e as interpenetra. Acreditava
que existe uma Alma Universal difundida em todas as coisas –
eternal, invisível, imutável, e que desta Alma Universal provém a
inteligência do homem e dos seres que lhe estão acima e abaixo.