3.7.17

KUNDALINI, SUSHUMNA E CHAKRAS – Joseph Campbell


A palavra Kundalini significa "a enrodilhada", e se refere à energia espiritual, considerada como enrodilhada sobre si mesma na maioria de nós e, na maior parte do tempo, tem sua sede na base do corpo, realmente bem no ânus.

A meta do ioga é empregar o controle da respiração e a meditação para desenrodilhar essa Kundalini, de forma que ela suba por um canal na espinha conhecido como Sushumna. E ao fazê-lo ela atravessa os diferentes níveis orgânicos que têm desempenho psicológico: os órgãos genitais (2º chakra), que são o centro do sexo, o umbigo (3º chakra), que está ligado à agressividade, o coração (4º chakra), que é a abertura de sua própria capacidade de compaixão, a garganta (5º chakra), que é o nível da austeridade ascética, e a mente (6º chakra), que é o nível da contemplação da imagem de Deus.

A garganta é o centro da verbalidade e está relacionada ao lado esquerdo do cérebro, tal como o centro de imagens está associado ao lado direito do cérebro.

Até atingir o nível do coração, você permanece na arte cinética, aquela da posse e da submissão. Considere a diferença entre a sensualidade sexual e o amor. É a diferença entre o segundo centro e o quarto. Dante, ao contemplar Beatriz, viu-a com o olho do coração. Ácteon, ao contemplar a deusa Ártemis, o fez com sensualidade. Este jovem caçador estava fora com seus cães e seguiu um regato até sua fonte, e lá estava Ártemis, a deusa se banhando nua com suas ninfas.

Ele a olhou com o olho não da contemplação de uma deusa, chakra quatro, mas chakra dois, ou seja, com desejo sexual. Ela fez com que ele fosse salpicado com um pouco de água, e ele foi transformado num cervo macho — o que poderíamos observar que era o que ele era em primeiro lugar — e seus cães o devoraram.

Qualquer referência abaixo do chakra quatro é perigosa pelo fato de ser cinética, nesse sentido, seja de desejo, seja de aversão.

Uma vez passei uma semana com psicanalistas, e minha função era dar palestras sobre o amor cortês. Eles não sabiam o que era isso. E eu me senti como se estivesse realmente no lugar errado, pois esses homens do conhecimento eram adeptos da análise de pessoas que se encontravam deslocadas.

Eles conheciam muito de pedagogia e de como ensinar as pessoas a viver, da mesma maneira que um coletor de lixo ensinaria como preparar uma boa refeição. Impressionou-me que a tentativa de resolver os problemas do chakra dois nos termos do chakra dois está simplesmente fadada ao fracasso.

Equilibrando Chakras #4 Anahata - O Amor

A luxúria não é curada por mais luxúria. A solução tem que ser encontrada nos termos do chakra quatro. Tampouco pode você resolver os problemas do chakra três nos termos do chakra três. A agressão não é remédio para a agressão.

A única maneira de você civilizar pequenos seres humanos brutais é civilizando-os, ou seja, abrindo seu chakra do coração. E se eles não conseguirem abrir o chakra do coração, você pode, ao menos, dar-lhes um sistema de regras civilizadas acerca de como viver, que os ajudará a atuar como se seu chakra do coração houvesse sido aberto.

Quando chega a iluminação e chega a compaixão, então você não precisa de regras que indiquem como agir compassivamente. Você será, então, espontaneamente compassivo.

Você não pode transformar um mau animalzinho num bom animalzinho tratando-o como se ele fosse um animal. Você tem que despertar o chakra do coração, que é o sentimento humano da compaixão e do entendimento, aquele do amor e não o da sensualidade sexual.

Entre os psicanalistas havia homens que disseram não saber o que era o amor, mas sabiam realmente o que era o fetichismo. Esta é certamente uma visão subterrânea da condição humana.

O animal humano é encontrado no sistema pélvico com aqueles três primeiros

chakras. Mas o coração é o começo da humanidade.

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