A
palavra Kundalini
significa
"a enrodilhada", e se refere à energia espiritual,
considerada como enrodilhada
sobre si mesma na
maioria de nós e, na maior parte do tempo, tem sua sede na base do
corpo, realmente bem no ânus.
A meta
do ioga é empregar o controle da respiração e a meditação
para desenrodilhar essa Kundalini, de forma que ela suba por um canal
na espinha conhecido como Sushumna.
E
ao fazê-lo ela atravessa os diferentes níveis orgânicos que têm
desempenho psicológico: os órgãos genitais (2º chakra), que são
o centro do sexo, o umbigo (3º chakra), que está ligado à
agressividade, o coração (4º chakra), que é a abertura de sua
própria capacidade de compaixão, a garganta (5º chakra), que é o
nível da austeridade ascética, e a mente (6º chakra), que é o
nível da contemplação da imagem de Deus.
A
garganta é o centro da verbalidade e está relacionada ao lado
esquerdo do cérebro, tal como o centro de imagens está associado ao
lado direito do cérebro.
Até
atingir o nível do coração, você permanece na arte cinética,
aquela da posse e da submissão. Considere a diferença entre a
sensualidade sexual e o amor. É a diferença entre o segundo centro
e o quarto. Dante, ao contemplar Beatriz, viu-a com o olho do
coração. Ácteon, ao contemplar a deusa Ártemis, o fez com
sensualidade. Este jovem caçador estava fora com seus cães e seguiu
um regato até sua fonte, e lá estava Ártemis, a deusa se banhando
nua com suas ninfas.
Ele a
olhou com o olho não da contemplação de uma deusa, chakra
quatro, mas chakra
dois,
ou seja, com desejo sexual. Ela fez com que ele fosse salpicado com
um pouco de água, e ele foi transformado num cervo macho — o que
poderíamos observar que era o que ele era em primeiro lugar — e
seus cães o devoraram.
Qualquer
referência abaixo do chakra
quatro
é perigosa pelo fato de ser cinética, nesse sentido, seja de
desejo, seja de aversão.
Uma vez
passei uma semana com psicanalistas, e minha função era dar
palestras sobre o amor cortês. Eles não sabiam o que era isso. E eu
me senti como se estivesse realmente no lugar errado, pois esses
homens do conhecimento eram adeptos da análise de pessoas que se
encontravam deslocadas.
Eles
conheciam muito de pedagogia e de como ensinar as pessoas a viver, da
mesma maneira que um coletor de lixo ensinaria como preparar uma boa
refeição. Impressionou-me que a tentativa de resolver os problemas
do chakra
dois
nos termos do chakra
dois
está simplesmente fadada ao fracasso.

A
luxúria não é curada por mais luxúria. A solução tem que ser
encontrada nos termos do chakra
quatro.
Tampouco pode você resolver os problemas do chakra
três
nos termos do chakra
três. A agressão não é remédio para a agressão.
A única
maneira de você civilizar pequenos seres humanos brutais é
civilizando-os,
ou
seja, abrindo seu chakra
do
coração. E se eles não conseguirem abrir o chakra
do
coração, você pode, ao menos, dar-lhes um sistema de regras
civilizadas acerca de como viver, que os ajudará a atuar como se seu
chakra
do
coração houvesse sido aberto.
Quando
chega a iluminação e chega a compaixão, então você não precisa
de regras que indiquem como agir compassivamente. Você será, então,
espontaneamente compassivo.
Você
não pode transformar um mau animalzinho num bom animalzinho
tratando-o como se ele fosse um animal. Você tem que despertar o
chakra
do
coração, que é o sentimento humano da compaixão e do
entendimento, aquele do amor e não o da sensualidade sexual.
Entre os
psicanalistas havia homens que disseram não saber o que era o amor,
mas sabiam realmente o que era o fetichismo. Esta é certamente uma
visão subterrânea da condição humana.
O animal
humano é encontrado no sistema pélvico com aqueles três primeiros
chakras.
Mas
o coração é o começo da humanidade.
J. Campbell
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