15.7.17

VIDA E ENSINAMENTOS DE PITÁGORAS - F. S. Darrow


I. A VIDA

Este mundialmente famoso instrutor grego da “Doutrina do Coração” nasceu em cerca de 580 a.C. na ilha de Samos e morreu em cerca de 500 a.C. Antes de seu nascimento foi profetizado a seu pai que um filho nasceria dele e seria um grande benfeitor da humanidade. Alguns declararam que Pitágoras era uma encarnação humana de Apolo. Relata-se que, quando ainda jovem, ele deixou sua cidade natal para iniciar uma série de viagens em busca dos sábios de todos os países, dos hindus e árabes no Oriente, aos Druidas da Gália no Ocidente.

Dizem que ele passou doze anos na Babilônia, conversando com os magos, que lhe ensinaram todos seus Mistérios. Passou ainda vinte e dois anos no Egito convivendo com os mais sábios hierofantes, e junto a eles dominou as três formas egípcias de escrita: a comum, a hieroglífica e a sacerdotal.

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Levou consigo uma carta pessoal de introdução de Amasis, o faraó da época, que escreveu aos hierofantes pedindo-lhes que iniciassem Pitágoras em seus Mistérios.

Pitágoras primeiro foi aos sacerdotes de Heliópolis, mas eles, devido às suspeitas que os egípcios tinham para com estrangeiros, embora hesitando desobedecer Amasis abertamente, recusaram-se a iniciar Pitágoras e o aconselharam que fosse à sagrada escola de Mênfis, porque era mais antiga que a de Heliópolis.

Em Mênfis ele encontrou a mesma situação e foi encaminhado à escola de Tebas, onde finalmente, após passar por severos testes que quase lhe custaram a vida, foi plenamente iniciado nos Mistérios Egípcios, e daí em diante teve livre acesso aos tesouros de conhecimento dos hierofantes.

Após deixar o Egito, Pitágoras retornou à Grécia através de Creta, onde ele desceu à caverna do monte Ida em companhia de Epimênides, o grande profeta e vidente cretense, que em agradecimento pela remoção de uma epidemia em Atenas no ano de 596 a.C., aceitou do povo apenas um galho da oliveira sagrada de Atena, a deusa, e recusou as grandes somas de dinheiro que lhe foram oferecidas, declarando que as dádivas espirituais não podem ser compradas ou vendidas.

De Epimênides e Themistoklea, a sacerdotisa do templo de Delfos, Pitágora recebeu mais conhecimento. No curso de suas viagens, ele se tornou um iniciado não apenas nos mistérios da Índia, Egito, Grécia e Gália, mas também nos de Tiro e Síria.

Pitágoras estudou os vários ramos de conhecimento, especialmente a matemática, astronomia, música, ginástica e medicina, e contribuiu grandemente para o desenvolvimento destas ciências entre os gregos.

Sua aparência pessoal era notável. Era muito belo e digno, trajava-se comumente em branco e usava uma longa barba. Nunca cedeu à dor, alegria ou ira, mas costumava cantar hinos de Homero, Hesíodo e Tales, para preservar a serenidade de sua mente, e era muito conhecido por seu poder de fazer amigos.

O elemento religioso era predominante em seu caráter, e toda sua vida foi dominada por motivos humanitários e filantrópicos. Opunha-se ao sacrifício animal, e em certa ocasião comprou grande quantidade de peixes, que tinham acabado de ser pegos numa rede, e os libertou para ensinar a bondade.

Pitágoras era um ocultista prático, e dizem que entendia a linguagem dos animais a ponto de conversar com eles e domar até mesmo os mais ferozes. Dizem que em certa ocasião foi visto e ouvido em lugares distantes, tais como a Itália e Sicília, no mesmo dia, uma impossibilidade física.

Relata-se também que curava os doentes, tinha o poder de expulsar espíritos maus, previa o futuro, reconhecia o caráter de uma pessoa só em olhá-la e tinha comunicação direta com os deuses.

Finalmente, na idade de cinqüenta anos, Pitágoras foi para o sul da Itália, após uma tentativa infrutífera de iniciar uma sociedade em sua cidade natal, e em 529 a.C. fundou a Irmandade Pitagórica e a Escola de Mistérios em Crotona.

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Ali atraiu muitas pessoas de todas as classes, incluindo muitos nobres e ricos da cidade, e logo escolas similares foram estabelecidas em outras cidades da Magna Grécia. Os candidatos eram aceitos sob invioláveis promessas de manter segredo e eram ligados a Pitágoras e aos outros membros pelos mais sagrados compromissos.

Sobre sua morte, uns dizem que foi banido de Crotona e se dirigiu a Metapontum, onde morreu devido a um jejum autoimposto de quarenta dias. Outros dizem que foi assassinado por seus inimigos quando o templo de Crotona foi destruído por Kylon devido a sua indignidade para ser admitido na Irmandade.

Em outras cidades onde havia escolas da Irmandade, todos os membros foram assassinados, com exceção de alguns mais jovens e fortes, que conseguiram escapar para o Egito. A partir de então, alguns membros da Irmandade mantiveram a tocha do conhecimento acesa durante séculos.

II. A ESCOLA

Era uma máxima pitagórica que "nem tudo deveria ser dito a todos." Portanto a admissão na sociedade era secreta e protegida pelas mais solenes formas de votos e iniciações. Os membros eram classificados como Ouvintes, Probacionários e Estudantes, que viviam com suas famílias na escola central dos Mistérios ou numa de suas filiais.

Qualquer candidato que tivesse uma vida honesta e correta era admitido como Ouvinte, mas apenas os mais dignos e preparados eram aceitos como Estudantes. Os Ouvintes que desejavam tornar-se Estudantes tinham de passar por um período probatório que durava de dois a cinco anos, durante os quais sua capacidade de manter-se em silêncio era testada, bem como seu temperamento, caráter e capacidade mental.

Bons conhecimentos de aritmética, geometria, astronomia e música eram requisitos preliminares para ser admitido à escola. Às mulheres também se permitia a admissão na Irmandade. Os membros eram fiéis ao líder e uns aos outros. Conseguiam reconhecer-se através de seus símbolos secretos.

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Os Estudantes usavam uma roupa especial e faziam votos. Eram treinados para suportar fadiga e falta de sono, usavam roupas simples, nunca se importavam com a censura e suportavam a zombaria com serenidade.

A Escola de Mistérios era uma escola da vida, não um monastério. Pitágoras não pretendia que seus discípulos se retirassem da vida ativa, mas ensinava-lhes a manter um comportamento calmo e um caráter elevado sob todas as circunstâncias.

Como era uma máxima de Pitágoras que "amigos devem possuir todas as coisas em comum," os novos membros, ao entrar na Escola, entregavam suas posses à Irmandade, que as adicionava ao tesouro comum.

Um Estudante poderia deixar a Escola a qualquer momento, e na sua partida era-lhe dado o dobro do que trouxera ao entrar, mas era a partir daí considerado como morto pelos membros leais.

Exigia-se pureza de vida e equilíbrio. Todos os membros comiam num refeitório comum em grupos de dez. A alimentação consistia principalmente de pão, mel e água. Alimentos derivados de animais e vinho eram proibidos. Muita importância era dada à musica e aos exercícios físicos.

Cada dia começava com uma meditação sobre como ele deveria ser melhor gasto, e terminava com um cuidadoso retrospecto. Os membros levantavam-se antes do nascer do sol e após o desjejum estudavam por várias horas, com intervalos de lazer passados em caminhadas solitárias e contemplação silenciosa. A hora anterior ao jantar era devotada aos exercícios físicos. À noite os estudantes visitavam Pitágoras e iam dormir com música.

III. OS ENSINAMENTOS

Pitágoras tinha duas formas de ensinar: uma pública ou exotérica, e a outra privada ou esotérica. Onde seus ensinamentos prevaleciam, a sobriedade e o equilíbrio tomavam o lugar da licenciosidade e da luxúria, pois os pitagóricos eram homens de vida correta, consciência e autocontrole, capazes de amizades duradouras.

(a) ENSINAMENTOS EXOTÉRICOS

Os ensinamentos públicos de Pitágoras consistiam de práticas morais e enfatizavam as virtudes do autocontrole, reverência, patriotismo, sinceridade, verdade, justiça e pureza de coração. Ele insistia sobre os ideais mais elevados do casamento e dos deveres familiares.
Ele costumava dizer: “A embriaguez é sinônimo de ruína. A força mental depende da sobriedade, pois esta mantém a razão não desviada pela paixão. Nunca diga ou faça nada, se estiver irado. A virtude é harmonia; a saúde é o Bem Universal.”

Estimulava seus discípulos a não matar animais, porque declarava que estes tinham o direito de viver, assim como o homem.

Faça o que considerar que é correto, pensem o que pensarem de você. Despreze igualmente a censura e o louvor. Não fale poucas coisas em muitas palavras, mas muitas coisas em poucas palavras. Acostume-se à obediência, pois assim será fácil obedecer à autoridade da razão. Ninguém deve considerar algo como exclusivamente seu. Cada homem deve treinar-se a fim de ser digno de ser acreditado sem necessidade de jurar.”

Um homem nunca deve orar pedindo algo para si mesmo, porque ele ignora o que é realmente bom para si. As melhores dádivas do céu para o homem são falar a verdade e fazer o bem. Aprenda a reverenciar seu Ser interior.”

(b) ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS

Os ensinamentos esotéricos de Pitágoras tratavam de (1) Símbolos, (2) Números, isto é, o significado interno da aritmética e geometria, (3) Música, (4) o Homem e (5) a Terra e o Universo.

Os Números: (1) a Mônada é Deus e o bem, é a origem do ser e a Inteligência. A Mônada é o começo de tudo. A Unidade é o princípio de todas as coisas e da Unidade veio a dualidade, que é subordinada à Mônada como sua causa. (2) a Díade é a primeira figura, simboliza o caos ou espírito-matéria. (3) a tríade, que é a Mônada mais a díade, simboliza o Divino, tudo é simbolizado pelo número 3: começo, meio e fim; masculino, feminino e neutro etc. (4) a tétrade contém em germe a soma total do universo, as quatro estações, os quatro elementos, as quatro direções cardeais etc. (5) o pentário simboliza o homem. (6) o senário é composto de dois três e é considerado uma abreviação para o alfa e o ômega do crescimento evolucionário. (7) o setenário é o número perfeito, as sete cores, as sete notas musicais, os sete dias da semana etc. (8) a ogdóade simboliza o movimento eterno dos ciclos. (9) o nonário é o triplo ternário, reproduzindo a si mesmo incessantemente sob todas as formas e figuras. (10) a década traz de volta todos os dígitos à unidade e termina a tábua pitagórica.

Pitágoras também ensinava que a música era importante para controlar as paixões, que a música expressava a Harmonia das Esferas, isto é, dos corpos celestes. Declarava que a harmonia das esferas não é ouvida pelo ouvido humano comum, porque o som é poderoso demais para as capacidades do ouvido físico.

Pitágoras ensinava sobre os continentes anteriores, que foram destruídos alternadamente por fogo e água, e em particular sobre a lenda da Atlântida, incluindo uma história da invasão atlante na Grécia, por volta de 10.000 a.C., antes que os gregos vivessem nas terras gregas – uma invasão que foi repelida pelos habitantes da Atenas pré-histórica.

Em relação a nosso Sistema Solar, Pitágoras sabia não apenas que a Terra era esférica, mas também que o Sol, igualmente esférico, é o centro do Sistema – uma teoria redescoberta mais de 2.000 anos depois por Copérnico e Galileo.

Resultado de imagem para copernico  Copérnico   Resultado de imagem para galileu galilei  Galileu

Pitágoras também explicou a obliquidade da eclíptica, as causas dos eclipses, que a Lua brilha pela luz refletida do Sol, e que a Via Láctea é composta de estrelas. Sustentava que o Universo não tem altura nem profundidade, mas que é infinito em extensão; que o Universo é criado por uma Deidade e que é perecível em relação à sua forma, mas que sua essência não pode ser destruída.


Ele declarou que toda a Natureza é viva, pois a Alma se estende a todas as coisas e as interpenetra. Acreditava que existe uma Alma Universal difundida em todas as coisas – eternal, invisível, imutável, e que desta Alma Universal provém a inteligência do homem e dos seres que lhe estão acima e abaixo.

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