Os orientalistas ocidentais
traduziram a palavra Nirvana por aniquilamento, mas nada poderia ser
uma antítese mais completa da verdade. É apenas a aniquilação de
tudo que aqui conhecemos como homem, porque não mais há o homem,
mas Deus no homem, um Deus entre outros Deuses, embora menor do que
eles.
Imaginemos o Universo inteiro
cheio de uma imensa torrente de vívida luz que com determinado
propósito fluísse irresistivelmente para adiante, e que fosse
compreensível e estivesse enormemente concentrada, mas absolutamente
sem esforço nem violência.
No princípio, só notaríamos
um sentimento de bem-aventurança e veríamos unicamente a
intensidade da luz; mas pouco a pouco perceberíamos que ainda
naquela constante refulgência há pontos ou núcleos mais
brilhantes, nos quais a luz adquire uma nova qualidade para
percebê-la dos planos inferiores, cujos habitantes não poderiam
sentir esta refulgência sem tal auxílio.
Depois passaríamos a ver que
aqueles núcleos de maior brilho, à maneira de sóis subsidiários,
são os Excelsos Seres, os Espíritos Planetários, os potentes
Devas, os Senhores do Karma, os Dhyan Chohans, Buddhas, Cristos,
Mestres e muitos outros de quem nem sequer sabemos os nomes, por cujo
meio fluem a luz e a vida aos planos inferiores.
E percebemos que somos parte
do Uno residente em todos estes Seres, ainda que estejamos muito
abaixo do pico de seu esplendor. O Iniciado que atinge tal
consciência está muito longe da aniquilação e nada perde do
sentimento de sua individualidade. Sua memória é perfeitamente
contínua e pode realmente dizer: “Eu Sou”, sabendo o que o Eu
efetivamente significa.

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